quinta-feira, 30 de agosto de 2012

E os porcos alimentam-se com bolotas...



Não se escreve ainda muito sobre as eleições presidenciais americanas de Novembro, que poderão conduzir os EUA a um retrocesso civilizacional de décadas, caso Mitt Romney venha a ser o próximo inquilino da Casa Branca.
Só de pensar nessa possibilidade, fico com pele de galinha. Depois de ter afirmado que “uma violação legítima raramente leva a uma gravidez” ( o que será uma violação legítima?)  Todd Akin teve mais duas tiradas impressionantes:
“Um homem adulto gay tem 94% de hipóteses de curar as suas perversões homossexuais se beber leite materno diariamente durante, pelo menos, quatro semanas”.
Já quanto às lésbicas, foi peremptório:  “podem curar-se bebendo outra coisa qualquer”.
À boa maneira das ditaduras, o Partido Republicano, anunciou que os mineiros do Ohio apoiavam o seu candidato. A fotografia de um mineiro atrás do candidato, enquanto discursava, parecia confirmar a afirmação mas, soube-se mais tarde,  tinham sido obrigados pelo patrão a ir ao comício dos republicanos.
Cena ainda mais aberrante e nojenta ocorreu na cerimónia de entronização de Mitt Romney como candidato do Partido Republicano à Casa Branca. Um assistente atirou amendoins a uma operadora de câmara negra e vociferou:
“É assim que alimentamos os animais”.
Ninguém lhe atirou umas bolotas, alimentação recomendada para os porcos.
Comprova-se que o ditado popular “atrás de mim virá, quem de mim bom fará” é universal, pois as declarações de Mitt Romney e  seus pares fazem com que Bush pareça um menino de coro.
Se estas declarações  fossem proferidas por candidatos do Cazaquistão ou dos Emiratos Árabes, talvez não houvesse razões para estar muito preocupado mas, pensar que isto se passa no (ainda) mais poderoso país do mundo, com um arsenal nuclear de meter medo, é assustador imaginar Mitt Romney como futuro inquilino da Casa Branca dentro de alguns meses.

Os direitos do amor



Em tempos recuados ( Novembro de 2010) escrevi aqui um post sobre uma nova forma de relação afectiva que estava  a ganhar numerosos adeptos: o POLIAMOR ( seguir o link).
Este tipo de relação também existe em Portugal e, corajosamente, Otelo Saraiva de Carvalho assumiu-a recentemente. São relações informais, se cada um se sente bem no seu papel, nada a opor. 
Hoje, volto ao tema, porque no Brasil um cartório oficializou, pela primeira vez, essa relação afectiva. Trata-se de uma singularidade que, certamente, ainda irá fazer correr muita tinta e desencadear discussões apaixonadas. 
Não mudo uma vírgula em relação ao que escrevi em 2010, mas permito-me fazer algumas perguntas: Que tratamento jurídico terá esta relação à luz do direito, nomeadamente no Direito de Família e nos Direitos Reais? Quais os direitos de uma criança nascida de uma relação deste tipo? 
Talvez seja ainda cedo para um profundo debate sobre esta matéria mas, quando se começarem a colocar questões como a regulação do poder paternal, em caso de dissolução do contrato ( já que é disso que se trata), como irão reagir os tribunais? Será aceitável que uma relação deste tipo, seja apenas regulada pela vontade das partes, como aconteceu neste caso? 
Ao defender que se trata de uma "escritura pública declaratória de união estável poliafetiva", a conservadora está a criar uma nova figura jurídica. Mas qual o âmbito em que deve ser regulada? No âmbito do Direito Civil, ou do Direito Comercial?
São apenas perguntas que vos deixo. Se alguém tiver resposta, a caixa de comentários está à vossa disposição. Podem ler a notícia aqui.

Os talibãs estão em toda a parte

Os talibãs estão por todo o lado. Depois de aniquilarem a Fundação Paula Rego ( agora descobriu-se que o estudo das Fundações  foi feito por analfabetos que nem sabem fazer contas de somar), a célula da Al Qaeda lusa, com sede no gabinete do Relvas, limpou o Portal do Governo e  mandou para o lixo o arquivo dos governos de Sócrates.
A tralha relvista, além de ser calaceira e incompetente tem também bem estampada  no seu ADN a estupidez.
Para onde vamos,  se até os talibãs já têm direito a subsídio de férias e 13º mês e quem trabalha fica a ver navios?

Genro de Cavaco também quer RTP



Depois das três propostas apresentadas no gabinete de Miguel Relvas, de que vos dei informação circunstanciada na sexta-feira, a minha fonte informou-me que há minutos deu entrada no gabinete do Miguel Relvas uma nova proposta , enviada através do gabinete do PM.
O interessado é o genro de Cavaco, mas foi o próprio PR a escrever a carta a PPC, cujas passagens mais relevantes aqui transcrevo, em exclusivo, para os leitores do CR.

Caro senhor Primeiro Ministro
Ontem o meu genro informou-me que um senhor que ele não conseguiu identificar ( pela descrição que  me fez, julgo tratar-se do nosso amigo comum Doutor António Borges) comunicou ao país que o governo vai concessionar o serviço público da RTP 1.
Confesso-lhe que por estes dias tenho andado um pouco afastado da política e quando o rapaz me deu essa informação não quis acreditar, pois essa matéria deveria ter sido comunicada ao país pelo próprio governo e não por um seu emissário mas lá deixei a piscina, onde estava a ler uns diplomas que me foram enviados por V. Exª e fui confirmar.
Não interessa agora aquilatar da decisão do governo, nem da forma como optou por a comunicar ao país, pois isso será matéria para uma das nossas conversas semanais.
A razão por que lhe escrevo, senhor primeiro-ministro, é comunicar-lhe que o meu genro está muito interessado em concorrer a essa concessão mas, como sabe, o rapaz tem poucas posses e ainda tem o encargo de me sustentar a mim e à Maria, porque a miséria de reforma que recebo quase não chega para pagar a água da piscina aqui da Coelha.

Creio que ele será um forte candidato e, por isso, falei logo aqui com o Oliveira e Costa que me garantiu que dinheiro não seria problema e ele próprio, ou o Dias Loureiro, seriam avalistas desde que o rapaz dê como garantia o Pavilhão Atlântico. Ora aí é que começam os problemas…
Como V. Exª sabe, tão bem como eu, o meu genro deu o Pavilhão Atlântico como garantia ao BES, para obter o empréstimo que o banco lhe deu para adquirir o …Pavilhão Atlântico.
Ora eu sou pessoa de bem e estou muito grato ao Oliveira e Costa por causa dos dinheiritos que ele fez render lá no BPN e também por esta casita de férias que, sem a ajuda dele, não poderia ter comprado. Por isso, o que eu lhe venho solicitar é que dispense essas garantias ao rapaz. V. Exª bem vê, isso é uma minudência que se justifica seja pedida aos outros concorrentes, mas não ao meu genro, rapaz honesto e trabalhador.
De caminho, pedia-lhe que também alargasse esse conceito de serviço público de televisão, porque é um estorvo para as pretensões do rapaz. Em minha opinião seria suficiente que o conceito de serviço público se restringisse à necessidade de o governo manter os tarecos nas instalações da RTP, podendo por isso dizer que mantém um canal de serviço público. Esse é o entendimento, também, dos juristas da presidência, a quem pedi parecer antes de lhe dirigir esta carta.
Há ainda o problema do pessoal. Para que é que o rapaz precisa de dois mil trabalhadores?  Terá pois de despedir pelo menos uns 1500 e, como V. Exª sabe, com estas restrições impostas pelo Código de Trabalho despedir é uma complicação e fica extremamente caro. Não lhe vou pedir – obviamente-  para fazer uma alteração ao Código, pois sei quão penosos isso seria para si. A minha sugestão ( aliás não foi minha, mas sim da Maria) é bem mais simples e prosaica. Todos sabemos como este governo tem sido generoso na criação de excepções  aos salários dos administradores de algumas empresas, subsídios de férias e 13º mês de  membros do gabinete e por aí fora.  Por isso o que lhe pedimos é muito simples: contemple uma excepção para esta concessão, de forma a que as indemnizações aos trabalhadores a despedir não ultrapassem nunca os dez dias de salário. (Estamos a ser compreensivos, porque mesmo isso é já um balúrdio para as posses do rapaz…)
Tenho a certeza que não deixará de ter em atenção estas modestas solicitações, pelo que espero na próxima semana, quando nos reunirmos, ter já uma resposta favorável da parte do governo.
Peço desculpa mas vou ter de terminar, porque tenho o António Borges à espera ao telefone e o Rui Rio a bater-me à porta, porque se fez convidado para lanchar cá em casa. Sabe como é, senhor PM, eles andam ansiosos por poderem substituí-lo e não me largam a porta. Esteja, no entanto, descansado, pois só uma resposta negativa da sua parte poderia colocar em causa a nossa aliança estratégica.
Receba as saudações cordiais do,
Exmº senhor Presidente da República
Aníbal Cavaco Silva
(A Maria manda cumprimentos, a minha filha beijinhos e o meu genro não manda nada, porque está a tomar banho na piscina)
PS: Ainda vim a tempo de acrescentar esta adenda, porque o motorista só parte para Lisboa, para lhe entregar esta missiva em mão, logo à noite.
Em conversa com o Rio, soube que um blog publicou na sexta-feira as cartas de três outros concorrentes
Pode lê-las aqui, se delas o Relvas ainda não lhe deu conhecimento. 
Eu sei que é tudo gente de pouca confiança, mas com muito poder financeiro e, pelo menos um deles, julgo que terá excelentes relações com o Relvas ( a propósito, quando é que o afasta do governo, senhor PM?) seria por isso, da maior conveniência, dissuadi-los das pretensões de tomarem a RTP de assalto, porque esse não é o interesse do país.
Até para a semana! ( O Rui Rio está aqui ao meu lado e pede para lhe mandar cumprimentos)

Biblioteca de Verão (21)

Autor de "O Beijo da Mulher Aranha", Manuel Puig não é um autor muito lido em Portugal. "Boquitas Pintadas" é considerado o seu melhor  livro. Um  curioso "folhetim" a lembrar as radionovelas, cujo sucesso  determinou a sua adaptação ao cinema.
 Passado na província de Buenos Aires, num cenário de amor e traição,  recria a vida  na capital argentina nos longínquos anos 30 e 40 do século XX.