quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Quando é que os jornalistas percebem?

O jornalista:
Pode garantir-me que o governo não tem nenhum estudo para alargar a idade da reforma para os 67 anos, senhor ministro?
O ministro:
Não temos, nem encomendámos nenhum estudo...
O jornalista ainda não percebeu que este governo não precisa de estudos e só os manda fazer quando precisa de pagar algum favor a alguém? Este governo não actua com base em estudos, mas sim em convicções. Quando é que os jornalistas percebem e deixam de fazer perguntas idiotas?

A tua cara não me é estranha (4)

Há pouco mais de um ano... Nã, nã, nã... se completasse a frase que ia escrever toda a gente chegava lá muito depressa. Por isso, sem dicas vos pergunto: quem é esta menina?
Se não souberem, podem ver  a resposta aqui

10 perguntas que o PS deveria colocar aos aldrabões de serviço


( Na sequência do post anterior)
Em Julho, o PS interpelou Passos Coelho sobre os subsídios de férias do pessoal dos gabinetes. Ainda não obteve resposta. Na altura recomendei a Seguro que colocasse outras questões ao PM, para que tudo fique claro. Sem quaisquer esperanças de ver a a situação esclarecida, reformulo aqui algumas questões que o PS deveria fazer ao governo:
1- Quantos são os assessores e demais pessoal afecto a gabinetes que recebem os subsídios por debaixo da porta? Ou seja, quantos têm dissimuladamente incluído, no seu salário mensal, as prestações correspondentes ao que deveriam receber no caso de não ter havido cortes?
2- Qual o montante pago pelos gabinetes a assessores, especialistas, secretários e demais pessoal,  que alegadamente não terá recebido subsídio de férias, em despesas de representação?
3- Quais os plafonds estabelecidos para esse pessoal em gastos com cartões de crédito, telefones e outras mordomias?
4- Quantos membros dos gabinetes gozaram férias em 2011 e receberam subsídio de férias em 2012?
5- Quais os membros do governo que NÃO receberam subsídio de férias em 2012?
6- Aplicar-se-á em 2013 aos membros dos gabinetes recrutados em 2012, provenientes do sector privado, o mesmo princípio no concernente ao pagamento dos subsídios de férias?
7-Se a resposta for negativa, como justifica o governo a atribuição do subsídio este ano? E se for afirmativa, quer isso dizer que o governo persiste na teimosia de manter a desigualdade  entre funcionários públicos?
8- A lógica aplicada aos funcionários públicos recrutados ao sector privado para desempenhar funções em gabinetes, aplica-se a outros quadros da administração pública ( directores-gerais e quadros de empresas públicas?)
9- Os reformados no segundo semestre de  2011 não deveriam, pela lógica do governo, manter o direito ao subsídio de férias este ano?
10- Está o governo disposto a acabar com a iniquidade e pedir a devolução dos subsídios de férias pagos indevidamente aos funcionários dos gabinetes, como reconheceu implicitamente Vítor Gaspar?

Gaspar, Coelho e as "mentiras excepcionais"

Logo que o governo anunciou o corte do subsídio de férias e do 13º mês ( a prestação suplementar que os  funcionários públicos recebem em Novembro nunca foi subsídio, mas sim complemento de salário, como se explicava no diploma de Marcelo Caetano que instituiu esse pagamento) afirmei que a medida não se iria aplicar aos membros do governo e pessoal dos gabinetes.
Em Março deste ano, voltei a reiterar a minha opinião no post "Um país excepcional"
Obviamente que não foi nenhuma premonição. Os despachos de nomeação deixavam essa possibilidade escancarada e a sua redacção não era inocente.
Também previra que a justificação para esse pagamento  fosse apresentada por Miguel Relvas, mas aí enganei-me. A falta de credibilidade de Relvas levou PPC a pedir a Vítor Gaspar - normalmente apontado como o ministro mais credível deste governo- que fosse ele a justificar a excepção.
A fazer Fé no que escreve o DN, a explicação de Vítor Gaspar é um chorrilho de mentiras e omissões, secundadas por Pedro Passos Coelho.
Escalpelizar pormenorizadamente a argumentação apresentada por ambos, obrigar-me-ia a escrever um post demasiado longo, por isso, fico-me por alguns aspectos fundamentais:
-Diz o gabinete de Vítor Gaspar  que "os membros dos gabinetes sem relação jurídica de natureza pública admitidos no segundo semestre de 2011só podiam gozar férias depois de seis meses de funções, adquirindo e vencendo no entanto, até 31 de dezembro de 2011 dois dias por cada mês de serviço". 
Gaspar omite, no entanto, que houve membros de gabinetes que gozaram férias em 2011 e  não diz se esses receberam o respectivo subsídio.
Aliás, alguns membros do governo, a começar pelo PM que anunciara não gozar férias, em Agosto foram para um merecido repouso, embora só tivessem tomado posse um mês antes.
Sabendo-se que a maioria dos membros do governo também veio do sector privado, é legítimo perguntar se também eles receberam subsídios de férias, alargando assim a excepção a quase todo o governo.
É sabido, por outro lado, que muitos membros dos gabinetes ganhavam, no sector privado, duas ou três vezes menos do que ganham nos gabinetes. Urge por isso perguntar: os subsídios de férias que receberam foram pagos com base nos salários que auferiam no privado, ou os que recebem nas suas novas funções?
Outra pergunta ainda: Receberam os subsídios na totalidade, ou só a percentagem correspondente ao período que trabalharam no sector privado?
Para terminar, porque o post já vai longo, convém lembrar que, em Julho, Vítor Gaspar afirmava que "não será pago a nenhum membro do gabinete o subsídio de férias e de Natal, nos termos do artº 21º da Lei do Orçamento de Estado 2012, sendo que qualquer situação, que seja identificada em contrário, serrá imediatamente corrigida". 
Declaração feita - é bom lembrar- já depois de terem sido pagos os respectivos subsídios. É preciso ter muita lata e nenhuma vergonha na cara.

Biblioteca de Verão (17)

Este é um dos livros que tenho permanentemente à cabeceira, por isso, fico-me por aqui

Alguém sabe onde andam os ministros?

Para além de Nuno Crato - tem feito as despesas da silly season -e uma ou outra intervenção anedótica do Álvaro, nenhum membro do (des)governo tem vindo a terreiro.
Não, não prolongaram as férias...  estão todos encafuados nos gabinetes a estudar para o exame da troika, que é já na próxima semana.
Uma perda de tempo. Neste exame são todos aprovados com distinção, porque andaram o ano inteiro a dar graxa aos professores.