quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Se eu fosse um homem de Fé...

Acreditava que dentro de uns anos o Coelho será obrigado a sentar-se no banco dos réus. Infelizmente, isso só acontece em países pouco civilizados como a Argentina...

A chave inglesa


Apesar de ter vivido em Inglaterra (ou por causa disso...) não vou à bola com os ingleses. Aquela postura  superior e arrogante irrita-me, a sua forma de actuar em relação aos outros povos põe-me os nervos em franja.
Nem preciso invocar o que escrevi sobre a nebulosa  actuação do governo e da justiça inglesa no caso Maddie. Basta lembrar como o processo de extradição de Vale e Azevedo se vem embrulhando há anos, sem que se vislumbre resolução, para torcer o nariz à forma de actuar da justiça inglesa.
No entanto, os cámones são lestos em exigir aos outros comportamentos que eles próprios não praticam. O caso de Julien Assange é um exemplo gritante da falta de pudor e desrespeito pelos direitos humanos dos ilhéus ao serviço de Sua Majestade.
Ontem,o Equador divulgava ameaças do governo inglês que, no maior desrespeito pelo direito internacional, sugeria a possibilidade de invadir a embaixada do Equador para resgatar Assange e entregá-lo à Suécia. 
Hoje, como se esperava, o Equador confirmou a concessão do pedido de asilo político ao fundador da Wikileaks. 
Como já temos poucos berbicachos no mundo, Cameron está decidido a criar mais um. Depois,com a lata habitual, dará uma conferência de imprensa a exigir a reposição do direito internacional em Damasco?
Se a moda pega, um dia destes ainda vemos uns Rambos americanos a aterrar em Lisboa para resgatar  à força Geoges Wright.
Isto está bonito, está...

Então vá-se tratar enquanto é tempo...


O Luís Novais Tito veio demonstrar que eu afinal estava enganado sobre aquela personagem que fez um discurso extra-terrestre  uma noite destas no Algarve. 
Afinal não se tratava de um marciano. Era mesmo Pedro Passos Coelho, primeiro ministro de Portugal.  A justificação para aquele discurso alienígena, onde falava do fim do regabofe ( precisamente no local onde estava a participar de um) no fim dos privilégios das classes endinheiradas ( depois de oferecer um banco a um amigo cheio de guito) e prometia o fim da recessão em 2013, quando acabava de ser divulgado o relatório do INE que desmente essas previsões, deve-se a um problema de saúde, como atesta com certificação o Luís Novais Tito. 
Assim , o que aconselho a PPC é que se vá tratar. E bem depressa, antes de desmantelar o SNS.

Biblioteca de Verão (11)


Os leitores do CR já sabem que considero Mário de Carvalho um dos bons escritores portugueses. Já em tempos aqui recomendei a leitura de "A Arte de Morrer Longe", que considerei "uma divertidíssima história sobre a classe média urbana, movida a cunhas e empenhos".
Gosto de Mário de Carvalho, porque ele diverte-se e diverte-nos com as suas histórias e a sua incessante procura de neologismos ou palavras caídas em desuso. Aliás, é nessa senda que chama a alguns dos seus livros "cronovelemas"- uma mistura de crónica, conto e novelas. " Quando o Diabo Reza" insere-se neste género. Longe de ser uma história muito estruturada e intrincada, talvez seja mais correcto dizer que é uma história bem disposta de centena e meia de páginas, que se lê com um constante sorriso nos lábios e onde, não raras vezes, nos lembramos da "Crónica dos Bons Malandros" do Mário Zambujal.
 A base desta história de mistério e crime  é bem simples:
"Quando um galdério tem uma ideia brilhante, partilha-a logo com outro vadio" E assim surge a alguém a ideia de roubar o ex-dono de uma drogaria de bairro, contando com a cumplicidade e engenho de outras personagens que Mário de Carvalho retrata de forma deliciosa.
Não esperem um "grande livro", apenas uma história divertida e muito bem escrita, com laivos de suspense apropriada para tempo de férias, dada à estampa pela "Tinta da China"