terça-feira, 14 de agosto de 2012

Oremos, irmãos

Até hoje, o governo garantia que 2012 seria o ano de viragem. A partir desta noite ficamos a saber que a viragem será em 2013. Não porque PPC tenha apontado caminhos para estancar a recessão, apenas porque... tem Fé.
Então se a resolução da crise é um problema de Fé, o melhor era ter feito o comício em Fátima. Como não foi essa a opção, daqui a um ano ouvi-lo-emos dizer que em 2014 é que vai ser.
Como PPC não deve estar louco, o discurso foi proferido antes do jantar, pelo que estava sóbrio ( apesar de não fazer a mínima ideia em que país vive, mas esse é um problema congénito) só resta uma terceira hipótese. Mas sobre essa escreverei amanhã.
Até lá, sigamos o conselho do grande líder e oremos, ormãos

Perguntar não ofende...

Ouvi dizer...

... que os documentos dos submarinos não desapareceram do Ministério da Defesa. O problema, é que quando Paulo Portas estava a tirar fotocópias acabou-se o tonner e ele teve de levar alguns documentos para casa, para fotocopiar mais tarde. Só que se esqueceu...
Mas podemos estar descansados, porque quando este senhor regressar de férias vai perguntar onde é que param os documentos!

A lição do Alqueva

O fim dos projectos para o Alqueva, anunciados por José Roquette, já fez correr muita tinta. Há quem acuse a CGD de estar a asfixiar a economia e só apoiar projectos autorizados pelo governo.
Há quem diga que a CGD é independente e não está a ser instrumentalizada pelo governo, esquecendo que os gestores foram nomeados por este governo de acordo com critérios partidários.
Todos têm razão, mas creio que o problema é mais profundo e tem a ver com a atitude dos empresários portugueses, avessos ao risco e habituados a mamar na teta dos dinheiros públicos.

Quando as coisas correm mal, a economia estagna, ou o país entra em recessão, os empresários desatam a pedir subsídios para salvar a sua área de actividade. Em tempo de vacas gordas, os mesmos empresários acusam o Estado de ingerência, de impedir o funcionamento livre do mercado, de não o deixar auto-regular-se, metem a mão nos dinheiros públicos e chamam a si os louros pelos êxitos alcançados.
Embora esta postura não seja exclusiva do empresário português, tem uma forma peculiar de se expressar em terras lusas, porque é maioritária.
Em tempo de crise, Portugal precisava de empresários ousados, capazes de aproveitar as oportunidades que uma crise económica sempre traz acopladas. A verdade, porém, é que se em tempo de vacas gordas, a maioria dos empresários portugueses é avessa ao risco, não podemos esperar que seja em tempo de crise que apareça gente a arriscar grandes investimentos.
Não há razões para grandes expectativas na inversão da tendência para o risco ZERO.

O patronato português é do menos qualificado a nível europeu, o que menos arrisca e menos investe e, acima de tudo, o que mais benefícios exige do Estado que, normalmente o apaparica com dinheiro e legislação adequada para facilitar os despedimentos e permitir o trabalho escravo.
O trabalhador português é dos mais mal pagos da UE, do que trabalha mais horas semanais, do que tem menos regalias sociais. Este governo tirou-lhes quase tudo. Só não lhes tirou o direito a viver...
Se as regras da economia portuguesa continuarem a girar nestes parâmetros, é óbvio que não iremos longe. É preciso inventar novos empresários.

É como o vinho: tanto faz ser Branco, como tinto


Há um ano estávamos à beira de um estampanço.



Agora, enquanto discutiam de quem foi a culpa do acidente, evitado in extremis por este bondoso governo, deixaram-nos  resvalar pelo precipício.

Biblioteca de Verão (9)


“O domínio do maravilhoso é a estupefacção dos homens e mulheres da Idade Média. Ele suscita o maravilhamento e depende do mais bem exercitado e exaltado sentido do homem medieval: a visão. O maravilhoso fazia os olhos dos homens e mulheres da Idade Média arregalarem-se ao mesmo tempo que estimulava o intelecto deles”- escreve Jacques Le Goff no prefácio a "Heróis e Maravilhas da Idade Média".

Um livro fascinante que nos prende do princípio ao fim. Uma viagem pelos monumentos, catedrais, heróis e lendas da Idade Média onde "vivemos" cenas de cavalaria, convivemos com os jograis, entabulamos conversa com o Rei Artur, Robin dos Bosques ou Merlin. Partimos com o autor em busca do Graal, mergulhamos nas Brumas das ilhas de Avalon, combatemos ao lado de Carlos Magno contra os germânicos, ombreamos com El Cid e terminamos deslumbrados com uma Idade Média que na escola alguns professores nos vendiam como a Idade das Trevas.
Uma excelente leitura de férias, tempo propício para o encantamento.