sexta-feira, 10 de agosto de 2012

O Pingo Doce explica...

Poderia aqui  tergiversar sobre as razões que levaram Zita Seabra a fazer as graves acusações de espionagem que lançou sobre a  FNAC e o PCP. 
Poderia invocar uma relação de causalidade entre as acusações e o fim do financiamento do Estado  à empresa de Alexandre Alves.
Poderia simplesmente levantar a suspeita de Zita Seabra estar senil, ou ter feito estas declarações em troca de um favorzinho qualquer que o governo lhe terá prometido.
Poderia aqui divagar sobre tudo isso, se Zita Seabra tivesse dito a Mário Crespo o que a imprensa diz que ela disse, mas na realidade não disse. Apenas se calou, perante a insinuação de Mário Crespo de  que haveria espionagem através dos aparelhos de ar condicionado. O que não deixa de ser grave porque se quem cala consente e ela se calou então é cobarde.
Não dou demasiada importância a uma invertebrada, nem procuro explicações para a sua atitude. Até porque, em minha opinião, a explicação se encontra à vista de todos no Pingo Doce. 

Jorge Amado e a Censura

Jorge Amado
Faria hoje 100 anos aquele que continua a ser, para mim, o melhor escritor brasileiro de todos os tempos e um dos maiores da literatura de língua portuguesa.
" Gabriela Cravo e Canela" foi o livro que o popularizou em Portugal graças...à telenovela!
" Capitães da Areia" foi o primeiro que li, oferta de um dos meus primos brasileiros. Rodou de mão em mão entre os meus amigos, porque a Censura do Estado Novo o  tinha proibido, por  considerar  uma obra "desbragada, imoral, antisocial, revolucionária e pró-comunista" ( citação do meu estudo  "A Censura do Livro no Estado Novo",  de  que podem ler aqui alguns extractos

E ele, pimba!

Tinha pensado escrever um post sobre a decisão do governo, em extinguir a Fundação Paula Rego. A primeira coisa que me ocorreu, foi comparar a noção de cultura  destes fulanos, com a dos talibãs. Pensara mesmo propor que,depois de venderem os Miró em leilão, fizessem o mesmo com todas as estátuas deste país, excepto as do doutor Salazar, pessoa que os inquilinos de S. Bento e Belém veneram.
Mas eis que António Capucho se adiantou e fez estas declarações à TSF 
Com as quais, obviamente concordo.
O que António Capucho não disse, mas eu faço questão de acrescentar, é que  a cultura de  PPC, ficou-se pelas Doce ( por via conjugal) e Emanuel, o seu ídolo da juventude.
Claro que o homem lê muito...principalmente livros que nunca foram publicados, mas confunde uma ópera com um espectáculo do La Feria e estraga tudo.
Espero, sinceramente, que Paula Rego peça a restituição dos quadros que doou à Fundação, porque um governo que trata a cultura com desprezo e amesquinha os que projectam lá fora o nome do país, merece o maior desprezo.
O que estará  o Viegas a fazer no seu gabinete  ( além de cortes) permanece uma incógnita. Tão intrincada, como tentar saber para que raio é que o nosso PM tem cabeça. Enquanto tinha cabelo, percebia-se, mas agora que o está a perder, esta pergunta é muito pertinente.
Alguém sabe a resposta?

Biblioteca de Verão (7)



" Por que será que não nos custa nada acreditar na ruindade, na crueldade e no horror do mundo, mas quando falamos de bons sentimentos imediatamente se nos desenha um ricto irónico na cara e os consideramos umas patetices?"- pergunta Rosa Montero.

Um taxista, um médico, uma prostituta e uma ex-professora universitária procuram dar a resposta. Encontram-se na noite, em fuga de um mundo que os anestesiou.  Vivem uma vida paralela, onde cada um se transforma, nem que seja por um momento, e mostra o seu lado bom.
Um livro magnífico que nos ajuda a recuperar a esperança e a acreditar no futuro? Talvez… mas se não soubermos  aproveitar o lado bom das coisas, torna-se difícil…
Aqui, tento contribuir com a minha quota parte.