quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Um problema moral

Figura da semana


O que se espera de um(a)deputado(a) é que não seja carneiro. Isabel Moreira, deputada independente eleita pelo PS pode não ter o dom da palavra do pai (Adriano Moreira), mas é uma lutadora, tem convicções e age de acordo com a sua consciência.
Contrariando os desejos da liderança do partido avançou, decidida, para o pedido de inconstitucionalidade dos cortes de subsídios aos funcionários públicos, reformados e pensionistas. Com o apoio de oito deputados do BE e do PCP ganhou a batalha ( embora os funcionários, reformados e pensionistas percam a guerra, porque este governo não respeita as decisões do TC que lhe sejam desfavoráveis e no próximo OE vai encontrar uma habilidade para contornar a decisão) e honrou o cargo para que foi eleita.
É, em minha opinião, a deputada desta legislatura.
Infelizmente, não lhe antevejo grande futuro no Parlamento. Mais tarde ou mais cedo irá pagar o preço da sua independência. Alguém se encarregará de a descartar.
Adenda. Obrigado ao Francisco Clamote pelo reparo. Nenhum deputado do PCP subscreveu a iniciativa de Isabel Moreira. Está feita a correcção, com o meu pedido de desculpas aos leitores e o agradecimento ao Francisco.

Supercalifragiliespiralidoso

Isto é fantástico, fabulástico e orgástico. Quando a média é 11,9 empresas por cabeça  e um apenas se abotoa com 73 cargos de administração, percebemos melhor o país em que vivemos. Não é um problema actual, é de décadas!
Mas há uma coisa que tenho de perguntar ao superadministrador: sabe os nomes das 73 empresas onde  faz jeitos, ganchos, trabalha?

Pedro, o transparente


Sempre desconfiei de quem sente necessidade de andar constantemente a anunciar na praça pública as suas virtudes. Mais tarde ou mais cedo, descobre-se que é um canalha, um escroque, ou um trafulha. Ou tudo isso num só.
Pedro Passos Coelho  mandou os seus apóstolos, que trabalhavam nos jornais, apregoar a sua honestidade,  transparência e rigor. “Encomendou-lhes” biografias laudatórias, onde aparecia como incorruptível, rigoroso e apaixonado, construindo um mito em volta da sua vida familiar.
Quanto ao rigor, os números falam por si. Contas a derrapar, dívida a aumentar, receitas a diminuir.
Em matéria de transparência, o pagamento dos subsídios de férias a assessores de gabinetes é apenas o mais recente exemplo a contrariar a propalada virtude. Nada de surpreendente.  Já aqui tinha avisado que as nomeações publicadas em Diário da República, prenunciavam que o corte dos subsídios não se aplicaria aos membros dos gabinetes. Pedro continuava a insistir que os cortes se aplicavam a toda a gente, mas  ele próprio sabia que estava a mentir. 
O PS exige saber o montante total gasto com o subsídio a estes assessores e quem recebeu aquilo a que não tinha direito.
Não me vou aqui alongar em considerações, nem apontar alguns nomes dos beneficiados, porque a seu tempo se saberá.
Permito-me, no entanto, aconselhar o PS a fazer mais três perguntas a PPC:
1- Quantos são os assessores e demais pessoal afecto a gabinetes que recebem os subsídios por debaixo da porta? Ou seja, quantos têm dissimuladamente incluído, no seu salário mensal, as prestações correspondentes ao que deveriam receber no caso de não ter havido cortes?
2- Qual o montante pago pelos gabinetes a assessores, especialistas, secretários e demais pessoal,  que alegadamente não terá recebido subsídio de férias, em despesas de representação?
3- Quais os plafonds estabelecidos para esse pessoal em gastos com cartões de crédito, telefones e outras mordomias?

Eu sei que é fácil esconder  estas verbas , dissimulando-as em ajudas de custo, estudos  e outras despesas, mas não ficaria nada mal à oposição ir ao osso e obrigar o governo a divulgar estes números, em nome da transparência.
Já agora, as perguntas enunciadas poderiam ser também formuladas em relação aos próprios membros do governo…

Pedro Passos Coelho pode até ser muito honesto ( embora eu tenha sempre as minhas dúvidas em relação a uma pessoa que protege um vigarista) mas, mostram-no os factos acima enunciados,  transparente não é.  Quando há transparência, não há dúvidas, certo?
E já agora… ser corrupto não significa apenas “ir ao pote”. Haverá pior corrupção do que a corrupção moral?

Biblioteca de Verão

No Verão as pessoas estão mais dispostas à leitura mas, principalmente aqueles que não a têm entre os seus hábitos, acabam muitas vezes por escolher os livros em função dos tops.
Não sou crítico de livros por isso, esta rubrica que hoje aqui inicio pretende apenas ser uma lista de sugestões de leitura. De uma coisa podem ter a certeza. Nunca recomendarei aqui livros como este, apesar de estar a ser um grande sucesso entre as mulheres e a vender-se como pãezinhos quentes.
Tenham umas boas férias com boas leituras. Fico por aqui à espera do regresso dos que agora partem e dos que ainda não regressaram. Até já!