quinta-feira, 26 de julho de 2012

Será inveja?

A proto licenciatura de Relvas, explica bem a aversão deste governo à escola pública, onde tal desvergonha não seria possível, mas não explica o empenho em acabar com as Novas Oportunidades.

Batedeira eléctrica ao ritmo do jazz




A segunda década do século XX  começa com a visita do cometa Halley (1910), como que anunciando as mudanças que irão ocorrer no mundo.
Em Portugal é implantada a República. D. Manuel II vai até à Ericeira onde apanha um barco para o Brasil e Teófilo Braga é nomeado para a chefia de um governo provisório.
Em África nasce um novo País denominado União Sul Africana que haverá de marcar a História com o regime de "apartheid" e no México Emiliano Zapata e Pancho Villa põem fim à ditadura de Porfírio Diaz.
 As sufragistas  agitam-se ao ritmo do crescimento económico dos E.U.A., embaladas pela onda de euforia provocada pelo jazz e nem dão grande importância à invenção da batedeira eléctrica.
Talvez por isso, a sua comercialização só se inicia depois da I Guerra Mundial (1919)

Já se vêem os estilhaços...

Saio de Espanha com a sensação de que estou a fugir de um barril de pólvora. Só falta acender o rastilho, para que Espanha expluda e as labaredas atinjam a Europa. A tensão social é enorme, mas ainda está no início. A necessidade de resgatar as regiões autónomas não irá permitir a Rajoy continuar a assobiar para o ar iludindo a necessidade de Espanha seguir o caminho de Grécia, Irlanda e Portugal. Com uma agravante: a possível balcanização.
Ontem, na Catalunha, o Parlamento aprovou a criação de uma Fazenda Pública, independente de Madrid,  que cobrará os impostos desta região autonómica. Ora esta decisão é  mais do que um aviso. É um grito de independência sem necessidade de referendo. 
Se as outras regiões que estão na iminência de pedir um resgate optarem pela mesma via, a Espanha que todos conhecemos deixará pura e simplesmente de existir.
Há dias, sentado numa esplanada em Valência, comentava que a necessidade de um resgate  ameaçava a Espanha  de implosão. Olharam-me com desconfiança e descrença, como se fosse um lunático profeta da desgraça. Uma semana depois, os sinais dessa possibilidade tornaram-se mais evidentes. Já há, certamente, mais gente a admiti-la. 
A balcanização espanhola pode atingir outros países europeus e não deixará de provocar estilhaços (económicos, entenda-se...) em Portugal. Mas, o mais grave, é se todos continuarem a assobiar para o lado, fingindo que não se passa nada. Como parecem estar a fazer em relação ao Kosovo, onde a turbulência recrudesceu com consequências que podem ser catastróficas...

Knock, knock, who is there?


Enquanto em Itália começam a soar as campainhas de alarme anunciando o perigo iminente de um resgate, em Espanha Rajoy continua a fazer todos os esforços para ganhar tempo e, seguindo o exemplo de Sócrates, espera conseguir resolver o problema anunciando sucessivos PEC. Com a vantagem de ter uma oposição mais responsável do que a portuguesa no tempo do governo PS, admitia-se a possibilidade  de o PP controlar os danos. Merkel, o FMI, o BCE  e mesmo o PSOE apostavam fortemente nessa hipótese, mas os pedidos de resgate das regiões autónomas inviabilizam a estratégia.
Para disfarçar, Rajoy tomou uma medida candidata a "imbecilidade ibérica do ano": acabar com a "siesta"!
O homem deve viver noutro planeta e não percebe que a medida, além de impopular, tem os mesmos efeitos práticos da redução dos feriados que o Álvaro tirou da cartola: nenhuns!
Há quem ainda acredite que Merkel pode finalmente acordar e perceber que o resgate de Espanha determinará o fim do euro, cujos efeitos para a economia alemã serão devastadores. ( Custou-lhe a perceber mas Draghi, Hollande e Monti fizeram-lhe um desenho e ela finalmente viu o sarilho em que está metida a um ano de eleições).
 O resgate a Espanha- a concretizar-se- será obrigatoriamente feito em condições muito mais favoráveis do que as impostas aos outros países, mas isso implicará que Portugal, Irlanda e Grécia exijam condições idênticas às de Espanha. Conseguirão? 
O casal Merkel/Sarkozy  andou quatro anos a encanar a perna à rã e agora com o divórcio consumado compete à tiranete alemã penitenciar-se, se estiver interessada em evitar a implosão da zona euro. Mas, mesmo que isso implique o regresso à teoria de uma Europa a duas  ( ou mais) velocidades, não resta à Alemanha outra hipótese que não seja ceder, para evitar o descalabro europeu e o suicídio alemão?
Não estou muito certo disso.  Parece-me mais provável que, perante o naufrágio europeu, a decisão alemã passe pelo abandono  do euro, confiando que a sua forte economia lhe permita recuperar em dois ou três anos. É muito provável que o faça e… tenha sucesso.