segunda-feira, 25 de junho de 2012

Ar condicionado




Eu sei que os romanos já conheciam o ar condicionado. Utilizavam uma técnica artesanal que consistia em fazer circular, nas paredes das casas, a água fresca dos aquedutos. 
Porém, só em 1902 o ar condicionado moderno foi dado a conhecer ao mundo. O responsável pela invenção foi o americano Willis Carrier que, nesse ano, apresentou em Buffallo o primeiro aparelho que permitia o arrefecimento de ar por meio de serpentinas frias,  por onde circulava água. 
Refira-se que a invenção de Willis Carrier não teve desde logo aplicação nos lares. Era usado nas fábricas para regular a temperatura nos dias mais quentes e aumentar a produtividade dos trabalhadores. Só muito mais tarde viria a ser introduzido nos lares, tendo a sua massificação correspondido ao período de explosão da sociedade de consumo que se iniciou nos Estados Unidos nos anos 40 e em Portugal, depois do 25 de Abril.
Responsável por muitas das minhas alergias e pelo meu afastamento das salas de cinema, centros comerciais e outros lugares onde é usado para inverter as estações do ano, em termos climatéricos, o ar acondicionado não faz parte da minha lista de grandes invenções do século XX.
Nunca me senti confortável  numa sala de cinema ou num restaurante onde tenha que vestir um agasalho no Verão para suportar as baixas temperaturas interiores, ou me tenha de despojar de agasalhos para aguentar o calor.
Em muitos países, estão reguladas por lei   as temperaturas máximas(Inverno) e mínimas (Verão)  a que deve obedecer o ar condicionado em locais públicos. Uma medida que apoio não só por questões de saúde, mas também ambientais. 
A indústria  também se tem preocupado com as questões ambientais, concebendo aparelhos cada vez mais sofisticados, quer em termos de eficiência energética, quer  de impacto ambiental, reduzindo a emissão de CO2. No entanto, ainda está muito longe de produzir um aparelho que seja ambiental e energeticamente eficaz. E que evite alergias…
Por isso, continuo a preferir o método dos romanos. Mais amigo do ambiente e bastante eficaz. Mesmo no carro, onde raríssimas vezes utilizo o ar condicionado, porque prefiro a climatização natural.

Tanto mar!


Los Cabos (México)

Na passada semana, foi nos países latino-americanos que se discutiu o futuro.
A escolha dos cenários até parece ter sido premeditada. Senão, repare-se. A reunião do G-20 decorreu segunda e terça-feira no  México, no luxuoso e idílico paraíso de Los Cabos. Em frente ao mar, mas com o deserto a poucos quilómetros de distância, à retaguarda.  
Esta miscelânea paisagística – que certamente terá passado despercebida à maioria dos participantes-  bem podia ter sido motivo de inspiração para as grandes potências, nomeadamente para os líderes europeus, que estiveram no centro das atenções. No entanto, a avaliar pelas conclusões, parece que todos se encantaram com a beleza do mar, mas esqueceram que o deserto estava nas suas costas e ameaça avançar. Por isso, as medidas tomadas foram uma mão cheia de nada.
 O ex-maoísta Barroso, agora promovido a caniche da senhora Merkel, deu-se ao luxo de dizer que a Europa não recebe lições de democracia de ninguém. Até um cego vê que a democracia vendida pela Europa para o exterior  é um produto ideológico contrafeito para enganar papalvos, mas eles insistem em vender a fancaria como artigo de luxo.
À parte estiveram Obama e Putin, a discutir a Síria e o Irão. Uma reciclagem do Tratado de Tordesilhas, agora com outros intervenientes, já que os originais ( Portugal e Espanha) andam de mão estendida a pedir que os ajudem a pagar a dívida. Mas se Estados Unidos e Rússia parecem não ter dinheiro, nem para fazer uma guerrinha, como é que vão preocupar-se com as minudências do crescimento dos países pobres? O que lhes interessa  na Europa – principalmente a Obama- são os mercados alemão, francês, inglês, italiano e espanhol. Os outros, além de pequenos, são pobretanas e não aquecem nem arrefecem. A senhora Merkel, por sua vez, está mais interessada em entrar no mercado chinês, porque a maioria dos 600 milhões de consumidores europeus já não garantem o desenvolvimento da sua indústria. 

Terminada a cimeira do G- 20, uma boa parte dos comensais  voou para o Rio de Janeiro ( Obama ficou nos EUA, seguindo o exemplo de Bush pai em 92 e Merkel regressou à Alemanha) onde se juntou a uma multidão de ministros, assessores, técnicos e outros parasitas, a fim de assinar um documento duramente negociado, no qual apuseram a sua assinatura. Muitos, sem a mínima intenção de cumprir os acordos, porque continuam a exigir que sejam os países pobres a pagar a poluição dos ricos.  
Durante a estadia terão aproveitado para ir à Humanidades 2012 ver a vista de Copacabana, alguns neófitos ter-se-ão deslumbrado com o Corcovado e o Pão de Açúcar, mas todos desdenharam as favelas e o impacto ambiental da pobreza. Pelo Aterro do Flamengo, onde a sociedade civil apresentava soluções para crise ambiental  e exigia medidas que garantam a sustentabilidade, passou pessoal menor em passo acelerado, talvez com a missão de fazer um breve relatório do que lá viu, que irá repousar numa gaveta até amarelecer e ter como destino o lixo.
Muitos milhares de euros e toneladas de CO 2 depois, os líderes europeus regressaram   a casa para passar o fim de semana em família. Não terão aprendido mais do que fortalecer a sua arrogância de povos superiores  que vivem como nababos à custa do contribuinte e de quem trabalha.
Alguma coisa, no entanto, ficou desta Cimeira. A sociedade civil trocou opiniões e experiências e, de regresso aos seus países, irá obrigar os seus governos a aplicar algumas das medidas que assinaram. Foi assim que aconteceu na Cimeira do Rio em 1992. 
Não fora a sociedade civil, a Agenda 21 teria sido metida numa gaveta, o frágil protocolo de Quioto não teria sido assinado meia dúzia de anos mais tarde e o mercado de carbono – que permite aos países mais desenvolvidos comprar emissões de carbono aos mais pobres- nunca teria passado do papel. Sim, eu sei que há muitos países caloteiros que compraram as emissões e não as pagaram e outros ( como Portugal) que as compraram, mas não utilizaram, porque a crise fez travar a economia a fundo.
 De qualquer modo, foram alguns passos importantes que adiaram o dia em que o planeta se vai transformar num caldeirão que lançará para a atmosfera os paradigmas da sociedade de consumo, construídos com base no trabalho escravo e no trabalho infantil e na destruição dos recursos naturais.