domingo, 24 de junho de 2012

Ljubliana revisitada



Cheguei a Ljubliana numa tarde tórrida de Junho, com a temperatura a rondar os 40º. Saíra de manhã cedo de Split, na Croácia, preparado para perder algumas horas na fronteira. As longas filas de automóveis que encontrei faziam, porém, o caminho no sentido inverso. Eram às centenas os carros de turistas alemães, italianos, austríacos, húngaros e checos, em demanda das praias da costa croata. Alguns levavam barcos atrelados e o seu destino seria muito provavelmente a ilha de Hvar ou uma das centenas de ilhas ainda por descobrir pelo turismo de massas, ao largo da costa adriática.
As formalidades na fronteira foram rápidas. Pouco mais de 10 minutos. Decidi, por isso, visitar as maravilhosas grutas de Postojna e o castelo de Predjama de onde se desfruta uma paisagem invejável de matizes verdes, impecavelmente limpas e tratadas. Agradeci mil vezes à recepcionista do hotel em Split, que me aconselhou a alugar um carro com ar condicionado pois, em virtude da diferença de preço, estava tentado a prescindir desse luxo . Teria certamente esturricado durante a viagem tal era a canícula que se fazia sentir.
Como disse, cheguei a Ljubliana perto do final da tarde. Tempo para ir ao hotel , tomar um duche e apanhar o elevador até ao castelo, de onde se pode abarcar uma magnífica vista da pequena capital eslovena. Lá em baixo, o rio Ljublinica , a ponte dos Dragões , a ponte Tripla, a praça Preseren e gente. Muita gente, maioritariamente jovem, sentada nas esplanadas, desfrutando a leve brisa que começara a soprar .
Desci em direcção ao centro histórico. Sentei-me numa esplanada a programar as visitas do dia seguinte, porque Ljubliana é uma cidade rica de cultura. Comi um Cevapi e fui entrando em vários bares. Pelo prazer da descoberta.
Acabei por me sentar num bar com menos bulício, onde a música ambiente me agradou. Sem perceber muito bem como, ao fim de pouco tempo estava a conversar com meia dúzia de pessoas. A noite estendeu-se para além do que previra e, no regresso ao hotel, não pude deixar de fazer uma viagem ao passado.
Tinham passado mais de 20 anos sobre a minha passagem por Ljubliana. Na altura ainda era apenas uma pequena cidade da Jugoslávia e o meu destino era Split. O contraste é gritante. Hoje, a capital da Eslovénia é uma cidade cosmopolita, transbordante de alegria, onde a juventude parece maioritária. Tão diferente desta Ljubliana que conheci nos anos 80…

Le premier bonheur du jour



Foto de Kim Anderson

Amigo é coisa para se guardar
 Debaixo de sete chaves
 Dentro do coração
Assim falava a canção que na América ouvi
Mas quem cantava chorou
Ao ver o seu amigo partir
Mas quem ficou, no pensamento voou
 Com seu canto que o outro lembrou
E quem voou, no pensamento ficou
Com a lembrança que o outro cantou
 Amigo é coisa para se guardar
No lado esquerdo do peito
Mesmo que o tempo e a distância digam "não"
 Mesmo esquecendo a canção
O que importa é ouvir
 A voz que vem do coração
Pois seja o que vier, venha o que vier
 Qualquer dia, amigo, eu volto
A te encontrar
Qualquer dia, amigo, a gente vai se encontrar.
(Milton Nascimento- A Canção da América)


Tenham um bom domingo!