segunda-feira, 18 de junho de 2012

Até já!

Chegou a hora de me despedir dos leitores durante um largo período. Como só estarei de regresso no final de Julho e muitos/as leitores/as  irão de férias em Agosto, só em Setembro a minha vida na blogosfera voltará à normalidade. 
Nesta época costumo lançar alguns desafios de Verão mas, pelas razões aduzidas, este ano isso não acontecerá.  Deixo, porém, muitos posts agendados e, sempre que possível, virei aqui responder aos vossos comentários.  Amanhã será aqui anunciada uma nova rubrica carregada de nostalgia- própria da época- e alguma História. A Cátia Janine manterá o seu espaço semanal e na filial "On the Rocks" as crónicas suceder-se-ão a bom ritmo. ( Acabei de editar a última)
Este ano, seguindo um apelo da Pólo Norte, sugiro-vos que não abandonem os vossos blogs durante o Verão. E já agora, se puderem, também não deixem de dar um saltinho aqui e à filial.
 Beijinhos e abraços. Até breve!

Como um castelo de cartas




Estou sentado na cama a dar uma vista de olhos pela imprensa on line.Ouço o estrondo de um prédio a desmoronar-se. Já o esperava há muito, já lhe imaginava o ruído... é o esplendoroso edifício do liberalismo, emoldurado de néons publicitando a economia de mercado e as cotações das bolsas, construído em alicerces de mentira, de intolerância, de desrespeito pelo ser humano, da exploração do trabalho, da avidez pelo enriquecimento fácil e da especulação, a ruir como um castelo de cartas.
Momentos mais tarde, outro desmoronamento. Vou à janela e vislumbro, na noite escura onde a Lua já não brilha, a queda abrupta dos paradigmas da sociedade de consumo. Na rua, descalços, exércitos de endividados vítimas dos ilusionistas que lhes prometiam o dinheiro fácil de que necessitam para comprar o paraíso, falam ao telemóvel e olham, com ar compungido, para os automóveis de luxo cujas prestações já não têm dinheiro para pagar. Televisores de plasma saem das janelas, mostrando ao mundo o holocausto da sociedade do faz de conta. Na sala de cinema em frente ao hotel onde estou hospedado, um enorme cartaz anuncia a estreia do mais recente filme dos Irmãos Lehmann, com produção da AIG:A Crise.Em exibição numa sala perto de si. Em sessões contínuas, para mais tarde recordar.É que dentro de alguns anos a cena vai repetir-se, mas provavelmente já ninguém se vai lembrar.
( Nota: Escrevi este post em Setembro de 2008. Republiquei-o em Março de 2010. Volto a recordá-lo hoje, porque tenho a sensação de que não vou regressar à Europa. Pelo menos, àquela Europa que muitos sonharam e na qual até eu cheguei a acreditar).

Suspiro de alívio?

Parece que a senhora Merkel e o seu caniche Barroso suspiraram de alívio com a vitória da Nova Democracia. Ingénuos! Os mercados não dormem e os juros em Portugal, Itália e Espanha estão a subir. No país vizinho ultrapassaram mesmo a barreira psicológica dos 7%.  
Vá lá, respirem fundo e depois façam o que têm a fazer. 

A noite dos ajuste de contas



Do lado de lá do Atlântico também havia muita expectativa em relação aos resultados das eleições na Grécia. Daí que já passe das quatro da manhã quando começo a escrever este post.
Começo pelo Egipto onde ainda não se conhecem os resultados definitivos, mas tudo indica que o ex-primeiro ministro de Mubarak  venceu as eleições. O que já se sabe é que, suspenso o Parlamento, os militares assumiram o poder legislativo logo após o encerramento das urnas. Como sempre escrevi, confirma-se: a Primavera Árabe pode esperar. Há um longo caminho a percorrer, muitas mortes ainda a registar, mas os EUA devem ter suspirado de alívio. Está garantido que as coisas mudaram, para que tudo ficasse na mesma.
Em França o PS alcançou uma vitória esmagadora. Há festa no Eliseu, com Valérie a festejar efusivamente: Ségolène Royal foi derrotada por Olivier Farloni, o candidato renegado pelas cúpulas socialistas e não será candidata a presidente da Assembleia Nacional. 
Mas a mãe dos filhos de Hollande não será a única a sofrer de insónias esta noite. Marine Le Pen bem poderá festejar o regresso da Front National à Assembleia, mas o facto de ter sido derrotada na sua circunscrição pelo candidato do PS, deve-lhe ter deixado um travo amargo na boca na hora de brindar. De qualquer modo, a famíia Le Pen estará representada, pois a sobrinha de Marine foi eleita e salva a honra do convento da extrema-direita gaulesa. 
A FN terá dois deputados mas não formará grupo parlamentar. Apenas estará no Parlamento para assinar o ponto e, de quando em vez, fazer uma intervenção permitida pelo regimento.
Quanto à UMP, de Sarkozy, teve um resultado quase vexatório. As suas principais figuras - que nas presidenciais e nas legislativas  se colaram a algumas teses xenófobas da FN – foram estrondosamente derrotadas. Começou a noite das facas longas  na  UMP.
Finalmente a Grécia. Não houve Syriza no topo do bolo e a Nova Democracia- principal responsável pela crise- venceu mais folgadamente do que muitos esperavam. Uma vitória da troika
Tsipras foi obrigado a cancelar a viagem a Bruxelas e, pior ainda, foi impotente para evitar que ND e PASOK alcançassem a maioria.
Os socialistas gregos- que voltaram a perder votos e deputados em relação às eleições de 6 de Maio- viabilizarão um  governo com a ND e talvez a esquerda moderada, mas o mais provável é que não integrem o governo. Será pois um governo frágil e a prazo e os socialistas  estão tão fragilizados, que o mais provável é virem a tornar-se um partido insignificante num futuro muito próximo. António José Seguro deverá tirar as ilações deste resultado do PASOK, mas tenho muitas dúvidas que seja capaz de o fazer…
Assustadores são os resultados do partido neo-nazi. Apesar de ter protagonizado cenas macabras durante a campanha – a que não faltaram agressões em directo na televisão durante um debate e a promessa de expulsão de todos os imigrantes dos hospitais- A Aurora Dourada conseguiu eleger 18 deputados!
Estes resultados dão uma imagem do que é, nestes dias a sociedade grega. Parece que na Alemanha a senhora Merkel terá respirado de alívio com os resultados desta noite eleitoral. Isso apenas prova que esta engenheira química -que foi para a RDA aprender a fazer bombas atómicas – continua completamente desfasada da realidade e, pior ainda, teima em fazer deflagrar a bomba atómica na Europa. 
Não se augura nada de bom nos próximos tempos. Nem sequer será correcto dizer que a Europa recebeu um balão de oxigénio com os resultados eleitorais na Grécia. A situação é tão asfixiante, que apenas uma terapia de choque poderá devolver ao paciente ( o €uro) capacidade para respirar. Se Merkel insistir em resolver o problema com Aspirinas, a morte anunciada consumar-se-á. Talvez a reunião do G-20 e, posteriormente,  a Cimeira Europeia de Junho, venham trazer alguma luz sobre esta longa noite de trevas que se vive na Europa. Mas, antes, ainda haverá um Grécia – Alemanha que se vão degladiar nos quartos do Euro da Bola. 
Fico a torcer para que Fernando Santos consiga conduzir os gregos a uma vitória sobre os alemães.