domingo, 17 de junho de 2012

Um champagne português


Ao contrário do post anterior, agora vou separar as águas. Primeiro falo de desporto e mais logo de política.
Portugal venceu a Holanda e passou aos quartos. É bom lembrar que nas anteriores presenças passámos sempre a fase de grupos, pelo que a novidade não é grande, apesar de termos ficado no grupo mais difícil. Celebremos, então, mas não só a vitória. A recuperação de Cristiano Ronaldo merece uma saudação muito especial. Agora vamos defrontar a República Checa , teoricamente um adversário mais fácil do que os da fase de grupos. Com a tendência que temos para complicar, todos os cuidados são poucos...
Obnubilada pelo efeito futebolístico, a comunicação social praticamente esqueceu um grande feito do desporto português. Rui Costa venceu a Volta à Suíça, onde teve de medir forças com adversários de respeito como Andy Schleck. É para ele que vai a minha saudação especial.
Quando acabar este dia de trabalho, voltarei com a análise aos resultados eleitorais desta noite. Na Grécia não houve Syriza no topo do bolo, mas a análise da noite eleitoral que mantém a Europa em suspenso, não se fica por aqui...
Até já!

Una Giornatta Particolare*


Hoje realizam-se três eleições que podem modificar muita coisa num futuro próximo.
Se a vitória do PS na segunda volta das legislativas francesas não oferece dúvidas e irá permitir a Hollande aplicar o seu programa, no Egipto  e na Grécia as coisas são mais complicadas.
Desfeito o sonho da Primavera árabe que alguns lunáticos apregoavam como a grande vitória da democracia, o Egipto vai hoje às urnas para escolher entre dois males: Shafik, ex-primeiro ministro de Mubarak, ou Muhammed Morsi,da Irmandade Muçulmana. 
Centenas de mortes depois, os egípcios  preparam-se, então, para escolher entre o regresso do regime que derrubaram na Praça Tahrir e o fundamentalismo islâmico. Será, apesar de tudo, melhor para o mundo que Shafik vença, mas isso não trará paz ao país. A decisão do Tribunal Supremo de dissolver o Parlamento - onde os islamitas tinham maioria- significa que o presidente eleito governará durante uns tempos com rédea solta, sem ser fiscalizado.Há já fortes reacções populares. Os egípcios não aceitaram a decisão, nem  vão acatar pacificamente uma vitória do herdeiro de Mubarak.  Um foco de incêndio que poderá alastrar no extremo Oriente, com consequências imprevisíveis.
Na Grécia, a escolha será entre o Syriza e a Nova Democracia. A vitória da esquerda provocará um cataclismo na Europa. Se for a direita a vencer, significa que a morte da UE ficará adiada por algum tempo, mas será igualmente inevitável.Só não acontecerá se a senhora Merkel perceber, finalmente, que ou muda de atitude, ou o fogo será ateado mais tarde ou mais cedo. A Alemanha também sairá chamuscada, mas isso ela também ainda não percebeu...

Eh pá! Estou aqui a falar de política? Sou mesmo idiota! Que interessa isso, se daqui a umas horas os tugas vão defrontar a laranja mecânica e lutar pela passagem aos quartos de final do Europeu de futebol? Lembro-me de cada coisa!...
Tenham um bom domingo. Voltarei à noitinha para comentar os resultados.

:* Una Giornatta Particolare é o título de um fantástico filme  de Ettore Scola, com Sophia Loren e Marcello Mastroianni. Passava-se num domingo, durante uma visita de Hitler a Itália.Fascismo já havia... a guerra viria poucos meses depois. Lembram-se?

Le premier bonheur du jour

Hoje sugiro-vos um almoço neste restaurante em Bruxelas. Tem a vantagem de ser móvel e podermos escolher a sua localização, pois desloca-se para onde os clientes quiserem. Único requisito: reunir um grupo de 20-24 pessoas.