segunda-feira, 28 de maio de 2012

As jovens democracia do Leste Europeu

Passei completamente ao lado do Eurofestival da canção que, soube hoje, se realizou em Baku, capital da florescente república ditatorial do Azerbeijão. 
As instâncias europeias apostam cada vez mais em países da ex-URSS, onde a democracia parece não ser muito apreciada, para realizar eventos europeus. 
Como é o caso da Ucrânia, país  co-organizador do Euro 2012,  cujo retrato traçado por Sol Campbell à BBC é francamente animador.

Abril(6)- Melodias de Sempre


(Continuado daqui)


Quando chegou a casa,  Cátia Janine estranhou que a  mãe estivesse  na  cozinha a preparar  o jantar, porque ao domingo o almoço era sempre tardio e reforçado e à noite só comiam uma refeição  ligeira.
“ Então a cozinhar ao domingo, mãe?”
“ Foste fazer um pic-nic deves vir com fome. Só estou a fazer uns bifinhos e fritar umas batatas, também não é grande coisa…
“Ó Mãe, já lhe disse para se deixar dessas coisas. Sou maior e vacinada se tiver fome cozinho para mim! Além disso já teve imenso trabalho ao almoço”.
“ Foi só para mim e para o teu pai. O teu irmão não veio, porque a Teresinha  hoje acordou com febre, parece que está com gripe e eles  ficaram em casa”.
“ Vou só ali dar um beijo ao pai e já venho ajudá-la” 
“  Vai lá fazer companhia ao teu pai, que não te quero aqui na cozinha. Já basta teres de trabalhar a semana inteira”
“ E a mãezinha não se farta de trabalhar?”
“ Isso era quando tinha de tratar de ti e do teu irmão, filha. Agora sou só dona de casa, ninguém dá valor a isso. Tratar da roupa  fazer o comer e manter a casa limpinha não é coisa que dê muito trabalho...”
“ Ó mãezinha, não diga isso! Eu sei bem que isso dá um trabalhão, não desvalorize o seu trabalho…”
“ Pois, está bem… olha vai mas é ter com o teu pai que está ali em cuidados por tua causa”.
Cátia Janine deu mais um beijo à mãe, afagou-lhe o resto com ternura e foi ao encontro do pai que dormitava na sala com a televisão ligada e um livro sobre o regaço.
Àquela hora devia estar a dar o Telejornal, mas no ecrã  apenas se lia “ Pedimos desculpa pela interrupção, o programa segue dentro de momentos”.

“ Olá paizinho! A televisão está cada vez pior. Ou é isto ou a Mira Técnica, programas é que não há nada de jeito”.
“Qualquer dia deixo de pagar a licença da televisão! 300 mil réis por ano para ver porcarias… se ao menos ainda dessem as Melodias de Sempre ou repetissem os programas  do João Villaret… mas não… é só embarque de soldados para o Ultramar, Fátima, conversas do Marcelo e séries americanas! Até parece que  somos uma colónia deles”.
“Que está a ler paizinho?”
“ Um livro do James Bond. Já estou farto do Sherlock Holmes e do Poirot, este sempre é diferente”.
“ Estou a ler um livro que o paizinho deve gostar. O Arquipélago de Gulag”.
“  Isso é uma porcaria! Só diz mentiras…
“Porque diz isso paizinho? O Alexandre Soljenitsin é um Prémio Nobel e foi muito perseguido na Rússia, viveu aquilo tudo !”
“ Não é Rússia que se diz, Cátia… é União Soviética! E sei que  esse Alexandre qualquer coisa é um aldrabão, porque uns amigos meus que até são doutores já o leram e disseram-me.”
“Está bem, paizinho, como queira, mas eu estou a gostar. Olhe,  sabe o que é que dá na televisão hoje? "
“ Não… mas tens aí a Tele Semana que traz a programação toda.”.
Cátia Janine ia pegar na revista, quando se ouviu a voz da mãe:
“ O jantar está na mesa! Venham antes que arrefeça…
Januário levantou-se de imediato
“ Anda lá Caty, não faças a tua mãe esperar”
Durante o jantar Cátia Janine foi bombardeada com perguntas sobre o que fizera durante o dia. Contou todos os pormenores sem omitir nada, excepto que tinha pedido a Júlio Saraiva que lhe arranjasse um apartamento para alugar.
D. Lucília não fez perguntas sobre Júlio, mas o pai não resistiu:
“E que faz esse homem?”
“ É vendedor de casas. Muito simpático, por acaso!”
“ Se calhar trabalha para o J. Pimenta…”
“ O paizinho parece que adivinha! Trabalha mesmo!”
“ Agora quase todos os vendedores trabalham  para o J. Pimenta! É um fascista e um vígaro de todo o tamanho. Se houvesse justiça neste país já estava mas era preso”
“ Que horror, paizinho! Está sempre a dizer mal das pessoas, para si são todos fascistas! ”
Januário irritou-se com a admoestação cravou o olhar na filha e disse:
“ Sei muito bem o que estou a dizer! Este país está cheio de fascistas. Tu podes saber muito de leis, mas não sabes nada da vida, ouviste?”.
D. Lucília receou que a conversa azedasse e se transformasse em discussão. Procurava um pretexto para desviar a conversa, quando se lembrou do telefonema de Esmeralda.
“ Ai que já me esquecia, Caty! Telefonou a  tia Esmeralda, disse que precisava de te fazer uma pergunta, mas não disse o que era. Devem ser lá coisas do padre de Ferreira… Pediu para lhe telefonares quando chegasses, porque é urgente.”

( Capítulos anteriores, ler aqui)

Ó Relvas, ó Relvas, CEO à vista?



Mais de uma semana após ter sido conhecido o caso das supostas pressões de Relvas a uma jornalista do Público, tudo aponta para que a ERC conclua que não ficaram provadas as ameaças do ainda ministro. Não há motivo para espanto, porque a palavra de Relvas vale pelo menos tanto como a de duas dezenas de jornalistas e  já estamos habituados, com exemplos de outros governos, como é que estas coisas terminam.
Centremo-nos, pois, sobre o que este caso despoletou, substancialmente mais importante do que as pressões de um ministro e que deve a partir de agora estar no centro das nossas atenções 
A legião de amigos de Relvas chamados às televisões para o defender , querem escamotear o essencial de todo este caso:  Miguel Relvas mentiu mais do que uma vez na AR, embora tivesse prestado as declarações sob juramento. A comparação entre as suas declarações na AR e na ERC são elucidativas… A partir daí, o caso da pressão a jornalistas passa para segundo plano.Até Marcelo, lá longe em S. Paulo o viu e se apressou a declarar Relvas como semi morto que, seguindo o raciocínio de Lili Caneças, é o contrário de estar semi vivo
Temos, pois, que o braço direito e esquerdo de Passos Coelho ( falta saber se Relvas nas horas vagas substitui algum outro membro do PM…) é um aldrabão. No entanto, continua sossegado porque o amigo que o protege não o quer deixar cair. Outros lhe chamaram pantomineiro , mas não vale a pena estar com pruridos, fugindo a utilizar a palavra que melhor define Passos Coelho, como fez Bagão Félix que aos roubos de Passos Coelho chamou confisco.
No lugar de Relvas, não estaria sossegado. O embuçado apenas o continuará a proteger enquanto isso for do seu interesse pessoal. Quando conseguir atenuar os efeitos  boomerang  provocados pela demissão do homem que o içou a PM, deixá-lo-á cair.
Admito, até, que neste momento a grande preocupação de PPC seja encontrar um lugar de CEO para Relvas, numa empresa tentacular, para que o ainda ministro saia de forma airosa de todo este imbróglio.
Uma coisa é certa. Seja qual for o futuro de Relvas, passará à História com o cognome que melhor se lhe ajusta: Relvas, o Reles

Em tempo: Como muito bem lembrou Jerónimo de Sousa, Relvas é apenas a ponta de um iceberg onde se acoitam outros membros do governo mas, por agora, apenas deixo no ar uma pergunta: que irá acontecer ao chefe de gabinete  de Relvas que, antes de o ser, lhe chamava " o  Pequeno Torquemada de Tomar? . Pode não parecer, mas isto está tudo ligado...

O fim de um mito (2)


Em Dezembro de 2011, escrevia sobre o fim do mito que concede às  mulheres a chave para a construção de  uma sociedade mais justa. Os casos de Thatcher, Hillary, Sarah e  mais recentemente Merkel,demonstram que uma vez chegadas ao  poder as mulheres têm o mesmo comportamento dos homens.
O caso mais recente foi protagonizado pela presidente do FMI, Christine Lagarde, a quem nem sequer falta um farto bigode. Nem preciso de invocar as carteiras de 15 mil euros usadas pela presidente do FMI, para pôr em dúvida as suas pias declarações sobre as crianças do Níger. Uma mulher que fala assim sobre os gregos só pode ser um escroque
Resta-nos a satisfação de saber que no hemisfério sul existem mulheres como Dilma que contrariam a minha teoria. No entanto, por aquelas paragens, também há homens que se preocupam com os seus povos e se estão marimbando para os mercados. Pelo que reformulo a minha questão: o problema não é das mulheres, mas sim do local onde elas medram. A Europa está longe de ser um local onde as mulheres possam marcar a diferença. Mas isso já eu e muitos dos leitores do CR sabiam...