sexta-feira, 25 de maio de 2012

O fabuloso destino de Amélia

Diogo, Manuel e Rebeca foram os  protagonistas de uma  saga rocambolesca que animou a semana blogosférica. Mesmo no final, ficamos a saber que afinal um deles tem  dupla identidade e usa nome de código, mas não é para enganar as secretas...

Diga à gente, diga à gente, como vai este país

 António José Seguro:
Diga aos portugueses se não tem vergonha de apoiar um governo como este, a pretexto de defender o interesse nacional.
Diga aos militantes do PS por que razão fugia de Sócrates como o diabo da cruz e agora trata este governo com tanto desvelo e ternura.
Só encontro uma alternativa: ou é ingénuo, ou parvo! Seja qual for a resposta, faça um favor ao país e ao PS. Dê meia volta, pire-se e deixe  o PS seguir o seu caminho.
 Se não tem coragem de os enfrentar, alie-se a eles, mas desampare a loja e deixe que os militantes do PS façam uma limpeza no Largo do Rato.

O Monte dos Vendavais

Aos poucos, as coisas começam a tornar-se mais claras.  O gabinete do Relvas é um vespeiro de intrigas, onde  os assessores se comportam como um grupo de coscuvilheiras, mas isso não é novidade, para quem conhece alguns dos protagonistas na vida real.
Se Pedro Passos Coelho não demite imediatamente o ministro, depois de saber também destas relações e omissões é lícito perguntar:  que forças o impedem de o fazer? Estará também ele nas mãos de Relvas, impedido de agir, para que não lhe caiam pedras em cima do telhado?
 É,no mínimo, estranho, que Relvas afirme que só esteve com Silva Carvalho uma vez e este trate o ministro por tu, como revelam os SMS. 
Será inocente recrutar para o gabinete jornalistas com aquelas ligações? No vespeiro campeia a mentira, quiçá orquestrada por  alguns jornalistas que o integram  e certamente o aconselham a agir.
Na demissão de Adelino Cunha  não se trata de saber se foi o elo mais fraco a cair. Trata-se de saber até onde chegam as ramificações dentro do gabinete de Relvas. E não só..
Esta notícia sobre o Monte Branco pode, eventualmente, ser esclarecedora.

10 razões que me impedem de acreditar em Miguel Relvas



O “Público” veio, finalmente, esclarecer os seus leitores sobre o caos Miguel Relvas. Mais vale tarde do que nunca, mas  é bom lembrar que se não fosse o Conselho de Redacção, talvez  a direcção do jornal optasse por deixar cair o caso no esquecimento.
Devo dizer que o esclarecimento do jornal, em duas páginas, me esclarece pouco  e não mudou a minha opinião. Nenhum dos 10 pontos em que me sustentava  para duvidar de Relvas, sofreu qualquer alteração depois de ler o esclarecimento do “Público”. Por isso, aqui os enuncio:
1- Ter-se recusado a prestar esclarecimentos na AR, ao contrário do que fez aquando do caso das secretas, onde foi o primeiro a pedir para ser ouvido; 
2- A irritação perante a pergunta da jornalista que apenas pretendia esclarecer uma incoerência entre a realidade dos factos e as declarações que fizera na AR sobre a sua relação com Jorge Silva Carvalho: “ Se só conheceu Silva Carvalho em 2010, como justifica ter recebido um clipping dele sobre a visita de George Bush ao México, que ocorreu em 2007?”.  Por que razão essa pergunta foi tão incómoda para o ministro, ao ponto de o levar a telefonar directamente para a editora do jornal?
3- Ter dito, uma semana antes de ir à AR que não se lembrava de ter recebido SMS de Jorge Silva Carvalho e, na audição em Comissão, ter reconhecido que afinal os  recebera, mas os apagava;
4- Ter-se remetido ao  silêncio quando o Conselho de Redacção do Público fez o comunicado a acusá-lo de pressões inaceitáveis sobre uma jornalista, ameaçando-a de divulgação de dados da sua vida privada;
5- Não ter invocado imediatamente o direito de resposta, face às acusações gravíssimas que lhe eram feitas e, a serem falsas, constituem crime;
6- Ninguém telefona para um jornal  a pedir desculpa de algo que não fez;
7- Uma pessoa que reconhece ter-se exaltado com as perguntas formuladas pelo “Público” não pega no telefone a dizer “ continuando a haver comportamentos como este, tenho o direito de apresentar uma queixa na ERC, nos tribunais, e de eu, pessoalmente, deixar de falar com o Publico”. Não está apenas em causa o tom discursivo, absolutamente inverosímil…  Está em causa, essencialmente,  o facto de o ministro ter falado directamente com a editora e a directora  do Público. Relvas tem assessores de imprensa , bem pagos, a quem compete fazer esse trabalho. Ou ganham milhares de euros para fazer recortes de jornais, ler e escrever em blogs?;
8- O facto de ter  optado por  comunicar directamente com o jornal  tem um significado explícito e constitui, por si só, uma pressão. Principalmente, sendo Relvas  o responsável pela tutela da comunicação social;
9- Os vários antecedentes de supostas interferências  não abonam em defesa de Relvas:  Mário Crespo, Paulo Futre e Pedro Rosa Mendes;
10- A prática reiterada de gente do PSD em  utilizar a vida privada de jornalistas para fazer pressões e ameaças. ( Lembram-se do caso Branquinho/ Fernanda Câncio?).

Poderia ainda invocar o  comportamento de alguns  bloguistas que lhe são afectos. Tão preocupados com a liberdade de expressão no tempo de Sócrates, remetem-se agora a um cobarde, mas esclarecedor silêncio.
Poderia argumentar que, pertencendo Relvas a um governo onde a mentira é moeda corrente no discurso e prática política, o mais natural é que estejamos, uma vez mais, perante uma mentira de um membro do governo.
Poderia perguntar como se explica que depois de tanto ter criticado a ERC no tempo de Sócrates, chegando a considerar a entidade reguladora como uma inutilidade, venha agora depositar toda a sua confiança no seu julgamento. Sente-se confortável, porque já a domesticou, sr ministro?

Não vou, no entanto, por aí. Limito-me aos factos e a dizer que enquanto não apresentar queixa-crime contra o “Público” por difamação  e se recusar a ir à AR esclarecer todas estas questões de modo a que não restem quaisquer dúvidas, continuo a abdicar da presunção de inocência e a considerá-lo culpado.
Desculpe se me enganei mas, não raras vezes, o que parece é…