quarta-feira, 23 de maio de 2012

Uma cliente pouco comum

Será que a lontra ia pedir que lhe baixassem o spread?
Uma coisa é certa...não foi nenhuma das que estão aqui na coluna da direita que entrou na CGD, porque essas ficaram a ler o novo episódio do Homem Rico, Homem Pobre, hoje publicado no "Crónicas on the rocks". Se clicarem na foto ela conduz-vos lá direitinhos, sem terem de passar pela casa de partida.

Se os meninos brincassem com bonecas...

Quando fossem pais talvez já  soubessem que não deviam fazer estas parvoíces.

Ora diga lá, senhor ministro!


Qual a sua estratégia para divulgar os dados da vida privada de Maria José Oliveira na Internet ?  Pedir aos bloggers  que  no tempo de Sócrates organizaram aquela manif pífia em defesa da liberdade de expressão e agora estão cobardemente calados, escrever posts  detalhados sobre a relação de MJO  com um político?
Mandar os jornalistas disfarçados de bloggers que andaram a papar jantares consigo e o PM - e agora estão escondidos em alguns gabinetes ministeriais, incluindo o seu-  divulgar nos seus blogs a informação que o senhor lhes passa e terá sido fornecida por alguns dos que consigo privam? 
Nós gostaríamos de saber, senhor ministro. Porque enquanto não soubermos, continuamos a acreditar que a sua ligação à ordem do avental pode ser bem mais perigosa do que alguma vez imaginamos e  talvez inclua pessoas que se apresentam diariamente  como impolutas.
Desembuche, senhor ministro, porque enquanto não o fizer corremos o risco de levantar suspeitas sobre inocentes.
Preste atenção às palavras de Paulo Rangel e não se refugie no apoio do seu partido que inviabilizou a sua ida à AR para prestar esclarecimentos. 
Ninguém deixará de fazer comparações entre a sua prontidão em prestar esclarecimentos no caso das secretas e a sua fuga às responsabilidades neste caso melindroso.

Bate-me, que eu gosto!




 “ Fifty Shades of Grey”, da autoria de E.L.James,  é actualmente o maior sucesso editorial nos EUA, tendo já entrado para a galeria dos  best sellers.
Convém começar por esclarecer que a  personagem central do livro (Anastasia)  é uma profissional  competente e dedicada que trabalha horas sem fim, é líder na sua empresa, toma conta dos filhos, tem um salário elevado que lhe garante independência económica  e, no final do dia, o seu prazer não é deitar os filhos e envolver-se numa cena de romântica com o seu companheiro, seja ele permanente ou apenas ocasional.  O maior prazer de Anastasia é ser chicoteada.
Livro pornográfico para homens perturbados, estarão a pensar algumas leitoras. Puro engano, minhas caras amigas…
 Segundo dados da editora, são as mulheres  quem  procura este livro com maior avidez. Mais de metade estão dessas leitoras pertence  ao escalão etário entre os 20 e os 30 anos, são urbanas e estão integradas profissionalmente.
Confesso que numa altura em que a violência doméstica ocupa o centro de muitos debates, me causa alguma perplexidade o facto de um livro onde a mulher  recorre à escravidão física para se satisfazer  sexualmente ser  um sucesso mas, pensando melhor, talvez não seja assim tão surpreendente...
Um estudo publicado na Psycholgy Today, citado pela revista 2 ( Público ao domingo)  responde parcialmente à questão: 31 a 57% das mulheres fantasiam com cenas de violação e de sexo forçado. 
“ O eros  é  um terreno onde a realidade não coincide com aquilo que dizemos”- esclarece por sua vez Daniel Berger , autor do livro “ O que  querem as mulheres” cuja publicação está prevista para 2013.
No artigo da 2- cuja leitura recomendo- são adiantadas diversas explicações para o facto de as mulheres apreciarem  estas fantasias  de submissão  e violência física muito para além daquilo que homens ( pelo menos como eu…) possam  pensar. 
É verdade que  há muitos autores, além de Sade, cujos livros têm como  tema central a submissão feminina e o masoquismo.  No entanto- e escolhendo propositadamente dois autores que estão nos antípodas da construção  literária- quer  em “A História de O” de  Anne Desclos ( escrito sob o pseudónimo de Pauline Réage), quer em “ Onze Minutos”   de Paulo Coelho, a submissão sexual e o masoquismo não são livremente assumidos pela mulher.
O que é efectivamente novo em “ Fifty Shades of Grey” é  a personagem assumir a  necessidade de ser chicoteada, para garantir  satisfação sexual.  Uma mulher afoita já não é aquela que diz ao parceiro   “Fuck me!”, mas sim a que  propõe “ I want to be your slave”.
E o que – em minha opinião-  é surpreendente, é serem a s  mulheres  ( maioritariamente entre os 20 e os 30 anos, relembro)  a fazer do livro um best seller.
Há aqui qualquer coisa que não bate certo. E o mais grave é que muito provavelmente sou eu, que há muito deveria ter esquecido tudo o que me ensinaram e pensava ter aprendido sobre as mulheres  ao longo da vida.
Como diz o povo na sua imensa sabedoria, aprender até morrer e morrer sem saber. Para início de conversa, o melhor é esquecer  romances à moda antiga,  tudo o que pensava saber sobre as mulheres e começar tudo de novo. 
É provavelmente a isso que chamam “mudança de paradigma”