segunda-feira, 14 de maio de 2012

À noite, digo-te por música

O país passou o fim de semana a discutir as palavras do PM sobre o desemprego.
Pretendo solidarizar-me com ele, oferecendo-lhe esta canção  que  será cantada por um coro de desempregados com mais de 50 anos.

A Directora Geral


"A senhora directora-geral, galardoada com vários títulos académicos, mestrada em falta de educação e empossada pela via horizontal  em tardes de fornicanço  passadas num hotel, com  factura paga pelo contribuinte, entrou no serviço que  inferiormente dirigia, batiam as quatro da tarde.
O segurança – trabalho das 13 às 21  retribuído com o salário mínimo- estava  embebido na leitura de um livro e não deu pela sua chegada.(...)"
Se ainda não leu, pode continuar a ler aqui

Dicionário do Rochedo (50)

Democracia- sistema político em que o povo tem a liberdade de escolher quem o governe, através de eleições, desde que escolha aqueles que o poder económico e  financeiro quer que governem.
Artigo único: no caso de os resultados eleitorais não agradarem a esses poderes, as eleições repetir-se-ão as vezes necessárias, até que o povo aprenda a votar direito. Ou seja, democraticamente...

Teatro de rua apresenta: a estrada dos cãezinhos amestrados






Já era sabido há muito tempo…
O sr. Pedro  compra livros que não lê.
O sr. Pedro diz que leu livros que não existem.
No entanto, ontem, lá foi  com um séquito de seguranças à feira do livro acompanhar a D. Laura que, depois de perder a promoção do Pingo Doce, não podia deixar escapar esta.
Um grupo de cãezinhos amestrados com carteira de jornalista- andavam ali certamente por acaso- estendeu-lhe os microfones com o objectivo de passar para a opinião pública uma imagem humana e culta do sr. Pedro. Mas- ó incúria!- fizeram-lhe uma  pergunta sobre livros!
O sr. Pedro respondeu que a sua última e temporalmente distante leitura  foi sobre Singapura. Não se recordava do título – o que não é de espantar, porque o Relvas também não se lembra do conteúdo dos mails que lhe eram enviados pelo Carvalho das Secretas- mas o autor, afirmou, é o presidente de Singapura.
O titular do cargo em Singapura  não manda rigorosamente nada, é apenas um bibelot  que serve para embelezar o arremedo de democracia singapurenha. Poderia por isso, o tal presidente,  seguir o exemplo do nosso Aníbal e dedicar o seu tempo a escrever uns Roteiros mas terá, porventura, outros passatempos para se ocupar, pelo que não se lhe conhece  qualquer obra publicada. 
O sr. Pedro  terá, eventualmente, confundido uma qualquer epístola com um livro, o que também não é raro no okupa de S. Bento…
Singapura é uma  próspera cidade estado, que se alcandorou nos anos 80 à condição de tigre asiático, graças a um desenvolvimento pujante. Os seus  habitantes vivem obcecados pela ordem, pela limpeza e pela higienização. Dizem que é uma democracia parlamentar, mas é governada pelo mesmo partido há mais de 50 anos  e  neste período apenas conheceu três primeiros ministros.
O sr. Pedro  diz que "Singapura tem um regime autocrático  que não é exactamente o que desejamos para Portugal", mas que “ o livro é muito inspirador”. Retenho o sentido dúbio de  “exactamente”.
Estive diversas vezes em Singapura e, confesso, gostaria que os portugueses tivessem o mesmo nível de vida e gozassem das mesmas regalias: ensino e saúde gratuitos, pleno emprego, inexistência de miséria ou fome ( nunca vi um pedinte…)
Portanto, deve ser este sentido do “exactamente” que o sr. Pedro não aprecia em Singapura. Para ele, pessoas a viver com qualidade de vida não deve ser exemplo para ninguém.   Já o regime autocrático deve ter sido o seu motivo de inspiração.

Quando regressava à viatura (seria oficial?) conduzida por um motorista ( dos que ganham 2 mil euros por mês?)  alguns Indignados dirigiram-lhe a palavra.  Chamaram-lhe ladrão e disseram que devia estar na prisão. O sr Pedro ficou ofendido.  Disse que tinha sido insultado. Os cãezinhos amestrados mostraram as suas habilidades. Nas notícias que foram para o ar, bateram palmas ao sr. Pedro e apuparam os Indignados. (Coitados... ainda acreditam que a ração grátis que regularmente lhes é oferecida não é da Pet Shop e há almoços grátis!)
Em matéria discursiva, o sr. Pedro oscila entre Hitler e Groucho Marx. Em pose de Estado, entre Salazar e o rei D. Carlos.
Por agora, está com sorte. Não consta que ande por aí algum Buíça indignado, disposto a passar das palavras aos actos. 

Prolongamentos e jogos de guerra


Há já algumas semanas se sabia que ontem, em Manchester, as pessoas sairiam à rua para celebrar a conquista da Premier League. Faltava apenas saber se seriam os adeptos  do United ou os do City a embebedar-se com cerveja morna. 
Se os jogos durassem apenas 90 minutos, os festejos ter-se-iam iniciado em Sunderland, onde jogava o United. No entanto, em Manchester, cidade de tecelões onde em 1844 foi criada a primeira cooperativa de consumo,  para combater os Pingo Doce e os Soares dos Santos da época,  jogava o City. No final dos 90 minutos, perdia com o QPR.  Adeus título, pensavam os Citizens...
O árbitro, no entanto, deu 4 minutos de prolongamento. Nesses minutinhos extra, o City marcou dois golos, deu a volta, ganhou o jogo e conquistou o ceptro.
Os Citizens saíram à rua para festejar um título que não conquistavam há 44 anos e nem se terão lembrado que o golo da vitória foi marcado por Kun Aguero. Ele é argentino, estrela da equipa  e, com esse golo, impediu que a estrela do rival, o inglês  Wayne Rooney, conquistasse o título e festejasse mais uma vitória do United.  
Quando Kun Aguero, nascido no bairro bonaerense de Belgrano, disparou um míssil  que afundou o United, também não se terá lembrado que num outro mês de Maio, em 1982, durante a guerra das Malvinas, o submarino nuclear britânico Conqueror afundou o cruzador argentino General Belgrano, provocando a morte de mais de 300 militares e precipitando o fim da sangrenta ditadura argentina. 
Coincidência... o cruzador foi afundado quando já se tinha retirado do palco de guerra e regressava a porto seguro. Ou seja, no prolongamento!
 Não tencionava escrever sobre a epopeia de Manchester, mas mudei de ideias depois de ler mais esta magnífica crónica do Ferreira Fernandes.