terça-feira, 8 de maio de 2012

O imperialismo em estado líquido

 A Spur Cola- que a Cátia Janine levou para o pic nic-  era uma mixórdia que o Estado Novo nos impingia como sucedâneo da Coca - Cola, bebida proscrita em Portugal. Ou, como diria o Jardim, no Continente e Ilhas Adjacentes, porque em Angola e Moçambique a Coca Cola era de venda livre. 
Curioso é que, depois do 25 de Abril a...
 continuou a ser proscrita, porque alguns partidos de "esquerda" apresentavam-na como a bebida - símbolo do "imperialismo americano". A bebida politicamente correcta era a Pepsi- Cola que também nos faziam crer que era igual, mas é mais parecida com a Spur da Canada Dry.
Actualmente, a Coca Cola também não é bem vista pelos higienistas da educação alimentar, por conter demasiado açúcar. E não só...
Mas a Coca- Cola é muito mais do que uma bebida. Senão, vejamos:
- É utilizada para combater as diarreias;
- Em Macau e no Brasil, pelo menos, era utilizada para descolar dos pára brisas  dos automóveis aqueles painéis colocados pela polícia nos veículos em transgressão. Não havia nenhum outro produto capaz de o fazer com eficácia;
- Finalmente, para demonstrar a sua capacidade corrosiva, deitava-se umas gotas de Coca Cola nas moedas "pretas" e, passados alguns segundos, a moeda ficava como se tivesse acabado de sair do Banco.
Talvez seja utilizada noutras tarefas, por isso sugiro aos leitores do CR que acrescentem a esta lista outras funcionalidades desta bebida.

Bruxo!


Já o tinha escrito aqui e em algumas caixas de comentários. A festança do Pingo Doce iria, muito provavelmente, ser paga pelos fornecedores. Confirma-se mas… não sou bruxo! Limitei-me a prever o óbvio.
O que se passou com a festança do Pingo Doce foi  como se eu- ou algum dos meus leitores- convidasse um grupo de amigos para uma festa em minha  casa e no final, depois de bem comidos e bebidos apresentasse a factura. Há no entanto uma diferença substancial. Enquanto os convidados se estiveram a divertir, os fornecedores do Pingo Doce trabalharam e gastaram dinheiro para colocar os seus produtos na distribuição. Esperavam a retribuição acordada, mas o comprador decidiu reduzi-la, com a mesma desfaçatez com que o governo rouba os subsídios aos reformados.
Mas a festança do Pingo Doce não permitiu apenas identificar o SS como chulo. Também demonstrou que no governo há os que pactuam com a chulice, como o ministro Álvaro, e aqueles que acham, como Cristas, que é preciso saber quem pagou a festa.
E os consumidores? Fizeram  figura de palhaços e foram animar o pagode atirando foguetes e recolhendo as canas. Não perceberam nada do que se passou e nem imaginam como vai ser pesada a factura que terão de pagar num futuro muito próximo. O mesmo se aplica, aliás, a muitos trabalhadores, agora  felicíssimos pelo facto de irem receber o quíntuplo do esperado, por aquele dia de trabalho. Esperem pela volta e permitam-me lembrar-vos que o subsídio de desemprego minguou. No montante e no tempo de atribuição…

Em tempo:ASS veio desmentir que esteja a cobrar aos fornecedores o custo da festança. Ainda bem mas, como ouvi há pouco a um dos fornecedores, também sou como S. Tomé: ver para crer.

Abril: da esperança às trevas (3)- O picnic



Cátia Janine  segue rumo ao seu destino tão orgulhosamente só como o país, tão alheia aos sintomas que prenunciam o fim do Estado Novo, como  Marcelo Caetano em relação às críticas que a comunidade internacional faz a Portugal e à sua política em África. 
Ainda pensara convidar a tia Esmeralda, colo que procurava para desabar os seus desgostos, para lhe fazer companhia, mas naquele dia apetecia-lhe mesmo  estar sozinha. Precisava de decidir algumas coisas em relação ao seu futuro que não antevia muito risonho no escritório de advogados onde trabalhava, acumulando com as aulas que dava como assistente na Faculdade.
Na estrada que liga Ferreira do Zêzere ao Lago Azul, parou num local que lhe pareceu aprazível. Colocou com desvelo sobre a relva  uma toalha branca,  bordada pela mãe, parte do seu enxoval que começava a acreditar nunca partilharia com ninguém. Tirou da cesta de verga uns panados, um pacote de batatas fritas, uma perna de frango, salada de frutas e a garrafa  termos  com o café que preparara antes de sair. Para acompanhar a refeição comprara uma garrafa de  Spur da Canada Dry, uma mistela que o Estado Novo “impingia” aos portugueses como substituto da Coca Cola.
Enquanto trincava sem fome um panado, tirou de entre as páginas do Código de Processo Civil um aerograma. O dia em que o recebia, era  para ela especial. O único contacto íntimo que mantinha, há três meses, e  lhe alimentava a esperança de poder vir a partilhar o futuro com alguém . Fora remetida de Tete, pelo furriel miliciano Luís Brandão da Silva, de quem era madrinha de guerra.  Dentro, vinha uma fotografia, mas Cátia Janine preferiu começar por reler o aerograma  que recebera na sexta-feira.
O furriel falava-lhe  do seu dia a dia na caserna, de alguns exercícios militares, mas não fazia qualquer referência a operações, emboscadas, mortes ou  pilhagens a aldeias. A prosa, escrita com letra cuidada e frases escolhidas de modo a não revelar algo que pudesse desagradar à Censura que as espiolhava, deixava em Cátia Janine a ideia de a vida em Tete ser um quase paraíso , onde o afilhado passava férias à custa do Estado.
Terminada a leitura pegou na fotografia e observou-a meticulosamente. Luís tinha um ar rude, mas simpático. E um sorriso bonito que a cativara. Pouco ou nada sabia dele. Apenas que lhe mantinha, aceso, o sonho de poder vir a casar, ter filhos e ser feliz.
Afastou, irritada, a imagem que lhe passou de Luís a fornicar com pretas, sentiu entranhar-se-lhe na pele o cheiro a catinga e, num impulso, aproximou-se mais da margem, para lavar as mãos.
Neste preciso momento,  se Catia Janine fosse figura de lenda, iria beijar o sapo que se transformaria no soldado de Napoleão  trasladado para o século XX, de que aqui vos falei. No entanto, no mundo real não há fadas madrinhas e não foi isso que aconteceu…

Voando sobre um ninho de cucos

Cavaco sempre foi um homem que me provocou reacções epidérmicas alérgicas. Asco. Repulsa. Ontem, finalmente, vomitei sobre a sua fotografia, plantada num jornal.
Foi quando li  as suas declarações de que não tinha visto imagens nem tinha acompanhado o caso Pingo Doce.
Partindo do princípio que o homem que habita em Belém e vive à custa dos meus impostos não é um escroque, só posso concluir que anda a voar sobre um ninho de cucos.
No entanto, os seus voos saem muito caros aos tugas, como se constata ao analisar estes números!

Blog da semana

Não é fácil gostar de um ladrão. Mas deste, eu gosto. Muito! Ladrões de Bicicletas é o meu blog da semana

À noite, digo-te por música


Tem andado um pouco esquecida, a rubrica musical da meia noite, mas retomo-a hoje.  Até ao Verão não haverá  tema.  A música escolhida será um resumo do dia noticioso, ou que assinale o facto que marcou o dia. Aposta difícil, eu sei, mas gosto de me desafiar  e de vos propor desafios.
Assim, para começar, fica uma canção dedicada a Sarkozy pela voz de Gilbert Bécaud.