domingo, 6 de maio de 2012

Não é para contrariar, mas....

...comoa blogosfera está cheia de evocações da Marselhesa, eu preferi lembrar este. O que é que vocês acham?

Moussakas e Camemberts


O resultado das eleições gregas correspondeu ao esperado e foi o sinal de aviso de que a Europa precisava. O Parlamento grego será uma espécie de Moussaka, com o PASOK e a Nova Democracia feitos em picadinho vendo a sua percentagem de 77,5% em 2007, reduzi.r-se para menos de 35%.
 O Bloco de Esquerda lá do sítio, o segundo partido mais votado, vai servir de cobertura, enquanto o  partido neonazi, de acordo com as sondagens à boca das urnas, terá assento no Parlamento. Se a senhora Merkel não perceber o sinal que vem da Grécia e permanecer na sua casmurrice, estamos cada vez mais perto do epílogo da crise de 1929.
A Grécia  ficará ingovernável nos próximos tempos, a Moussaka está no forno à espera da capacidade de Hollande utilizar o Camembert para amolecer a Merkel, antes de ver a extrema-direita francesa celebrar em Junho uma ascensão meteórica que reduzirá o partido de Sarkozy a queijo fundido.
Há sobejas razões para recear o futuro e, como já escrevi, não há razões para grandes optimismos, mas a mudança na Europa é possível e se o Coelho não for burro vai a Fátima a pé agradecer os resultados deste dia eleitoral e depois mete a arrogância dos últimos dias no mesmo buraco onde meteu a ética  e limpa o orífício com o papel higiénico do Pingo Doce, que comprou no 1º de Maio com 50% de desconto.

Dia da Mãe


Para a minha, o Dia da Mãe continua a celebrar-se no dia 8 de Dezembro e não no primeiro domingo de Maio, como a sociedade de consumo impôs.
De qualquer modo, não quero deixar de assinalar a data, dedicando a todas as mães este texto que recebi há tempos por mail. Tenham um Dia da Mãe muito feliz!

“Qual é o teu valor de mercado, mãe? Desculpa escrever-te uma pequena carta,
mas estou tão confuso que pensei que escrevendo me explicava melhor.


Vi ontem na televisão um senhor de cabelos brancos, julgo que se chama
Catroga, a explicar que vai ter um ordenado de 639 mil euros por ano na EDP,
aquela empresa que dava muito dinheiro ao Estado e que o governo ofereceu
aos chineses.


Pus-me a fazer contas e percebi que o senhor vai ganhar 1750 euros por dia.
E depois ouvi o que ele disse na televisão. Vai ganhar muito dinheiro porque
tem o seu valor de mercado, tal como o Cristiano Ronaldo. Foi então que
fiquei a pensar. Qual é o teu valor de mercado, mãe?


Tu acordas todos os dias por volta das seis e meia da manhã, antes de saíres
de casa ainda preparas os nossos almoços, passas a ferro, arrumas a casa,
depois sais para o trabalho e demoras uma hora em transportes, entra e sai
do comboio, entra e sai do autocarro, por fim lá chegas e trabalhas 8 horas,
com mais meia hora agora, já é noite quando regressas a casa e fazes o
jantar, arrumas a casa e ainda fazes mil e uma coisas até te deitares quando
já eu estou há muito tempo a dormir.


O teu ordenado mensal, contaste-me tu, é pouco mais de metade do que aquele
senhor de cabelos brancos ganha num só dia. Afinal mãe qual é o teu valor de
mercado? E qual é o valor de mercado do avozinho? Começou a trabalhar com
catorze anos, trabalhou quase sessenta anos e tem uma reforma de quinhentos
euros, muito boa, diz ele, se comparada com a da maioria dos portugueses.
Qual é o valor de mercado do avô, mãe? E qual é o valor de mercado desses
portugueses todos que ainda recebem menos que o avô? Qual é o valor de
mercado da vizinha do andar de cima que trabalha numa empresa de limpezas?


Ontem à tardinha ela estava a conversar com a vizinha do terceiro esquerdo e
dizia que tem dias de trabalhar catorze horas, que não almoça por falta de
tempo, que costumava comer um iogurte no autocarro mas que desde que o
motorista lhe disse que era proibido comer nos transportes públicos se
habituou a deixar de almoçar. Hábitos!


Qual é o valor de mercado da vizinha, mãe? E a minha prima Ana que depois de
ter feito o mestrado trabalha naquilo dos telefones, o “call center”,
enquanto vai preparando o doutoramento? Ela deve ter um enorme valor de
mercado! E o senhor Luís da mercearia que abre a loja muito cedo e está lá o
dia todo até ser bem de noite, trabalha aos fins de semana e diz ele que
paga mais impostos que os bancos?


Que enorme valor de mercado deve ter! O primo Zé que está desempregado,
depois da empresa onde trabalhava há muitos anos ter encerrado, deve ter um
valor de mercado enorme! Só não percebo como é que com tanto valor de
mercado vocês todos trabalham tanto e recebem tão pouco! Também não entendo
lá muito bem – mas é normal, sou criança – o que é isso do valor de mercado
que dá milhões ao senhor de cabelos brancos e dá miséria, muito trabalho e
sofrimento a quase todas as pessoas que eu conheço!


Foi por isso que te escrevi, mãe. Assim, a pôr as letrinhas num papel,
pensava eu que me entendia melhor, mas até agora ainda estou cheio de
dúvidas. Afinal, mãe, qual o teu valor de mercado? E o meu?”

Le premier bonheur du jour