sexta-feira, 4 de maio de 2012

E ao terceiro dia...

... Frederico lá se conseguiu desenvencilhar da confusão e eu pude terminar a crónica.  Mas nem por isso foi para casa descansado. Bem pelo contrário, como poderão confirmar aqui...

Belisquem-me, porque eu não acredito!

Olhem só o que eu encontrei na Terra dos Espantos! O Coelho será um zombie, ou mete-se nos copos?

Engarrafamentos

No tempo do meu pai, um engarrafamento era isto
No nosso tempo, um engarrafamento ainda é isto...
mas se a gasolina continuar a aumentar , em breve um engarrafamento  será...
...avistar um carro à nossa frente na auto estrada!

A mim não me enganas tu!


Não pensava voltar ao assunto  do merceeiro  mas, depois de ler que  o patrão  não sabia de nada sobre a promoção dos 50% e foi  mesmo o último a saber, mudei de ideias.
Provavelmente  terá sido a mulher,  quando na manhã do 1º de Maio se levantou para ir às compras e viu aquela multidão, que voltou a casa  e o acordou:
“ Ó Alexandre, levanta-te que nos estão a assaltar as lojas!”
O patrão do Pingo Doce será, porventura, o primeiro caso de corno empresarial  ( sempre me disseram que o corno é o último a saber…) .Foi chifrado pelas directoras de marketing e recursos humanos do Pingo Doce que tomaram a decisão de fazer a promoção e pagar aos trabalhadores o quíntuplo do salário a que tinham direito nesse dia, sem lhe passarem cartão.

Abril: da esperança às trevas (2)- A viagem


A fila movia-se a passo de caracol em manhã de ressaca,  mas a sua vez estava próxima. Deixou a Flama para uma posterior leitura mais atenta e pegou na “ Crónica Feminina”. Foi directa à página dos horóscopos, ler o que lhe reservava o destino:
“ Virgem está sob a influência do Eremita, uma carta portadora de obstáculos. Não desanime, porque o trabalho está seguro e por isso deve lutar para ir mais além. No plano afectivo, esta semana vai proporcionar-lhe situações que vão mexer com a sensibilidade e despertar em si o amor. Não reprima os seus sentimentos, porque o amor vai-lhe aparecer de uma forma inesperada. Aceite o desafio”.
Austin 1100

Deixou escapar um suspiro e pediu que atestassem o depósito do seu Austin 1100, que comprara a pronto, porque naquela época ninguém comprava nada a prestações . O dinheiro era caro e os bancos só emprestavam dinheiro  com fiador, ou a gente importante. Pagou 300 escudos por 40 litros de gasolina normal  e disse mal da vida pelo aumento de mais dois centavos por litro. Ainda há um ano, a gasolina “estava” a 6 escudos e 80 centavos o litro! 
Os portugueses viviam em bichas, de manhã à noite, em busca de gasolina, porque  os países membros da OPEP diminuíram a produção  e aumentaram o preço para o quíntuplo em menos de dois anos, como forma de pressão  sobre o Ocidente, para forçar Israel a retirar dos territórios árabes ocupados.
Foi nesse ano que se começou a falar da necessidade de procurar energias alternativas, porque o petróleo era um bem escasso e os países desenvolvidos consumiam demasiados recursos, mas não podiam estar dependentes  das exigências árabes.
Quando se meteu à estrada eram quase onze horas da manhã. Em 1973, a auto-estrada terminava em Vila Franca de Xira. A partir daí, o caminho tinha de ser feito por velhas estradas nacionais e municipais, algumas das quais ficavam submersas no Inverno, porque à época as cheias do Tejo ainda não tinham sido domesticadas pelas barragens.  Viajar pelo Ribatejo, no inverno, era por vezes uma aventura.
Naquele dia de Abril  o  sol brilhava com esplendor , o céu estava imaculadamente azul e até a temperatura amena convidava a um descontraído convívio com a Natureza.  Mesmo assim, precisaria de cerca de duas horas para chegar a Tomar.  Daí ainda tinha que tomar a estrada para Ferreira de Zêzere e dali até à barragem, onde planeara fazer um pic-nic.  “ Por volta da uma e meia devo estar lá”- pensou para os seus botões.
Ligou o rádio do carro. Sintonizou manualmente as quatro estações disponíveis naquela época, procurando a melhor onda, sem interferências. Deteve-se alguns minutos no Rádio Clube Português, mas depressa se cansou e optou por meter uma das cassettes que gravara durante noites a fio, ouvindo o “Em Órbita”. Às vezes, quando queria gravar um sucesso mais popularucho ouvia  o “Quando o Telefone Toca”…
Sucessos  do  ano como “ For Once in My Life” ( Gladys Knight and Pips) “You’re the sunshine of my life” (Stevie Wonder), Daniel (Elton John) ou  “You’re so vain”  (Carly Simon) , mas também  Roberto Carlos, Maria Bethânia e Caetano Veloso, acompanharam-na até ao final da auto-estrada mas, quando entrou na Estrada Nacional, substituiu a cassette por uma outra  de música  francesa, que gravara  dos seus discos.  Françoise Hardy, Adamo, Johny Halliday, Sylvie Vartan, Charles Aznavour, Gilbert Bécaud, Joe Dassin e Sacha Distel eram ainda os seus grandes ídolos. De Jacques Brel só conhecia o “Ne me quite pas” e “Une valse à mille temps”.
Cátia Janine era muito eclética nos seus gostos, mas  tinha pouca cultura musical. A música de intervenção portuguesa era-lhe completamente estranha e  em matéria de música clássica conhecia Beethoven, Chopin e vagamente Verdi.
Este esclarecimento, que vos pode parecer supérfluo e descabido, vai ajudar-vos a compreender, mais adiante, a razão de algumas escolhas e decisões que Cátia Janine irá tomar ao longo da  sua vida.

Optimismo moderado...

Não tenho dúvidas que a vitória de Hollande no próximo domingo será uma lufada de ar fresco nesta irrespirável atmosfera europeia. 
A vitória de Sarkozy  será a continuação da ditadura alemã, com o anão a servir de compère  e a pensar que manda alguma coisa. Com Hollande, a chancelarina terá de encolher as garras. 
Depois do apoio velado de Monti, Hollande recebeu o inesperado apoio de Bayrou, o que deverá ter deixado Sarkozy à beira de um ataque de nervos, pois todos ( incluindo a direita portuguesa) esperavam que, no último momento, Bayrou desse o seu apoio ao actual inquilino do Eliseu.
Não deixa de ser curioso, porém, que depois do apoio de Bayrou tenha surgido a primeira sondagem a dar a vitória a Sarkozy...
Sou, no entanto, realista. Mesmo que  Hollande vença, vai ter de recuar nas suas intenções e o que conseguir alcançar, em termos de uma política de crescimento económico e das tão propaladas eurobonds, serão apenas algumas migalhas que dificilmente inverterão a situação. Não vamos ter uma Europa mais solidária, disposta a apoiar os países do Sul. 
Talvez a Espanha, pela sua dimensão e peso económico, venha a colher alguns benefícios, mas Portugal apenas apanhará algumas migalhas, até porque em mais não está interessado este governo, cujo objectivo múltiplas vezes declarado é, tão somente, empobrecer-nos.
Perante o cenário que se adivinha, as minhas expectativas em relação à vitória de Hollande são moderadas e no domingo estarei particularmente atento às eleições na Grécia. Pouco se fala delas, mas o resultado pode ser determinante para o futuro da Europa. Se o Centrão grego não conseguir formar governo, o país ficará ingovernável, mas a UE  tudo fará para evitar a bancarrota de Atenas e consequente saída do euro, porque os estilhaços se iriam fazer sentir de forma muito impactante em toda a Europa mas, principalmente, na Alemanha.
Um caso a seguir com muita atenção..