terça-feira, 1 de maio de 2012

A vida por um fio

Lamentamos os dependentes do álcool, das drogas, ou do jogo. Falamos dos ciberdependentes e da dependência do telemóvel.Há, porém,  uma dependência de que ninguém fala mas  torna  a nossa vida dependente de um fio. Como é o caso desta...

Assédio, ou Bullying?



Neste 1º de Maio decidi abordar um tema  de que poucos falam, mas se está a tornar numa arma usada por muitos patrões, incluindo o Estado ( como já referi aqui) para despedir trabalhadores: o assédio moral no local de trabalho, uma espécie de bullying praticado pelos patrões em cenário laboral.
Trata-se de uma forma de pressão que tem por objectivo levar alguém a despedir-se , sem que o patrão tenha de pagar indemnização. Dir-vos-ei desde já, sem entrar  em mais pormenores, que é um método utilizado com grande mestria pela Cátia Janine…
Este método perverso consiste em provocar no trabalhador uma tal desmotivação e desgaste psicológico, que ele acaba por se despedir ou aceitar ser despedido, mediante  o pagamento de uma indemnização muito inferior àquela a que tem direito.
Há tempos, vi uma entrevista da Maria Filomena Mónica, onde ela , sem o admitir, confessava ter praticado assédio moral sobre um funcionário de um organismo público que dirigiu, ameaçando-o de lhe retirar o telefone e o computador porque, alegadamente, ele passaria o tempo a falar ao telefone  e na Internet a  tratar de assuntos pessoais. Disse MFM que o trabalhador ( funcionário público) acabou por se despedir e ir trabalhar para o sector privado.
Há, no entanto, outros métodos de praticar o assédio moral, sendo o mais comum atribuir ao trabalhador tarefas que o humilhem, ou que não possa cumprir. ( É este o método  preferido de Cátia Janine) Normalmente, começa por se retirar ao trabalhador as funções correspondentes ao seu perfil técnico e dar-lhe tarefas desadequadas. Se o trabalhador ultrapassar esta prova, suportar a humilhação de ser obrigado a desempenhar tarefas que não se coadunam com o seu perfil ( normalmente atribuídas a trabalhadores com menos qualificações), acatar as críticas constantes ao seu trabalho sem  refilar muito, então o assediante passa a outra fase: não dar quaisquer tarefas para cumprir. 
Nesta fase, a maioria dos trabalhadores já está com um desgaste psicológico tal, que influencia a sua vida familiar e pessoal, mas há alguns que ainda resistem e, nesse caso, aplica-se-lhe a terapia final: uma avaliação de desempenho negativa. 
Obviamente que este método de bullying não é aplicado , na generalidade dos casos, pelo patrão. Ele serve-se de chefias intermédias que actuam como  capangas e o ilibam.
Sublinho com alguma amargura, mas sem surpresa, que na esmagadora maioria dos casos os intermediários dos mandantes são mulheres. Não vos sei dizer é se aceitam desempenhar esse papel como símbolo do seu poder, ou se o assédio moral é uma vingança que lhes dá especial prazer, principalmente quando as vítimas são homens.
Outra curiosidade: Porque será que a maioria das vítimas de assédio moral são homens? ( Isto dava pao para mangas, mas não vou por aí...)
Ao contrário do que se possa pensar, os casos de assédio moral não são esporádicos. Ainda há dias, a Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT) reconhecia que este tipo de actuação tem aumentado, sendo cada vez maior o número de queixas apresentadas pelos trabalhadores.
Mas se  o assédio moral é infame e condenável, nas empresas privadas, que dizer quando o próprio Estado, sem uma pinga de pudor, recorre ao mesmo  método para se ver livre de funcionários públicos, como já expliquei aqui?

Ingenuidades

Naquele longínquo 1º de maio de 1974, celebrando a Liberdade no meio daquela imensa mole humana, acreditei que os portugueses  iriam defender a democracia e nunca mais se deixariam enganar por oportunistas que, recorrendo à mentira sistemática, tomassem o poder de assalto com o único objectivo de destruir as conquistas de Abril.
Fui ingénuo, mas hoje espero estar de regresso a Lisboa, ainda a tempo de gritar na rua que este governo já não tem qualquer legitimidade para governar, porque enganou a maioria dos que nele votaram.