quinta-feira, 26 de abril de 2012

Também já "tive" um pobrezinho...




Numa tarde de um  domingo de Junho, estava eu sozinho em casa a estudar para um exame, quando tocaram à porta. Fui ver quem era. Era um pedinte, velhinho simpático, que me  pediu comida. Advertiu-me desde logo que não queria dinheiro, só comida.
Fui ao frigorífico, recolhi algumas coisas e dei-lhe.
No domingo seguinte, o velhote voltou a bater à porta. Trazia os recipientes que eu lhe entregara com a comida. Desta vez os meus pais estavam em casa e foi a minha mãe que se encarregou da tarefa de lhe arranjar alguns alimentos. 
Não sei a conversa que terão tido mas, na semana seguinte, à hora do almoço, a minha mãe disse para a empregada:
Prepare a comida do pedinte, antes de servir o almoço.
O pedinte chegou à hora habitual . Naquele e em muitos outros domingos que se seguiram. No bornel, não levava os restos do nosso almoço. Levava o seu quinhão pois, nas contas do almoço de domingo,  a minha mãe  já contava com ele, como se de um convidado se tratasse.
Foi assim que eu aprendi a tratar os pedintes que têm fome. A dar-lhes uma parte do que é meu e não as sobras.
É por isso que me indigno com as campanhas que visam branquear a miséria de muitos, com uma solidariedade envergonhada, que serve para tranquilizar algumas consciências, mas não para resolver os problemas de quem tem fome.
Isto não vai lá com cantigas!


Descubra as diferenças


Ontem, ficou bem visível que, em termos de órgãos de soberania, não há grande diferença entre o antes e o depois do 25 de Abril de 1974. A única excepção, é mesmo a presidente da AR que, ou muito me engano, ou será a candidata do PSD a Belém em 2016.
Quanto ao PR, as únicas diferenças entre Tomás e Cavaco são físicas. Ambos são meras figuras decorativas, que se limitam a abanar a cabeça ao governo da União Nacional. É verdade que Tomás nos fazia rir mais, mas o conteúdo das mensagens de ambos equivalem-se na pobreza de ideias. Pronto, concedo, este viaja mais do que o sr.Américo, mas nós dispensávamos bem que o sr. Aníbal andasse a dar a volta ao mundo, porque – além de ser dispendioso para o erário público -  a imagem que deixa de Portugal além fronteiras nos envergonha.
Quanto aos governos, ambos vêem o povo como carne para canhão. Na esteira de Salazar, Caetano mandava os jovens morrer em África; Coelho manda-os morrer longe, pouco lhe interessando o destino que escolham. O importante é que não fiquem por cá, porque só atrapalham.
Ambos desprezam o povo e defendem, acerrimamente, os interesses do capital, enquanto tratam a oposição como um grupo de inimigos que só quer mal  ao país. 
Talvez a única diferença que exista é que Caetano acreditava em Portugal , enquanto Coelho se está borrifando para o país e não hesita um momento em vendê-lo aos interesses estrangeiros. Não esconde, aliás, o orgulho em ser governado pelo FMI.
Passos Coelho, por vezes, faz-me lembrar o filho que Salazar escondeu dos portugueses,  por não querer  revelar o nome da mãe e ter medo que chamassem nomes feios ao catraio.

A ressaca

Foto: Cláudia Teixeira ( Visão)

Na Quinta das Conchas, pouco antes das três da tarde, o metro ia à pinha, havia muitos cravos e logo percebi que muita gente iria concentrar-se no Marquês de Pombal. O que não esperava era que, com aquela  chuva miudinha a cair intensamente, fossem tantos os resistente. Muitos milhares, entre os quais muitos jovens animados e ruidosos. Apanhei uma valente molha, mas valeu a pena! 
Se o Coelho  tiver dois dedos de testa - e burro o homem não é-  terá percebido que ou mete a arrogância no mesmo sítio onde já guardou a ética, ou vai ter bastantes dissabores num futuro muito próximo...