quarta-feira, 25 de abril de 2012

Onde estava no 25 de Abril?


Esta pergunta  era formulada pelo meu amigo Baptista Bastos aos entrevistados num programa que tinha na SIC.
Hoje, é a minha vez de vos perguntar: onde estavam vocês no 25 de Abril?
Para dar o exemplo,  revelo desde já que estava aqui

Acorde, sr Aníbal! Hoje é 25 de Abril, não é o 10 de Junho


Ao contrário do que aconteceu em anos anteriores, este ano acompanhei a cerimónia do 25 de Abril  na AR. Só para confirmar o que já suspeitava: temos um governo e um presidente que  estão apostados em terminar com o que resta do 25 de Abril.
Começando pela figura de Belém, não pude deixar de comparar os discursos deste ano e de 2011.
Ano passado incitou o povo a indignar-se e  a sair à rua em protesto, porque não era possível aguentar mais sacrifícios, era preciso apostar no crescimento da economia e fomentar o emprego
Hoje, com o país de rastos, esqueceu o discurso de ano passado, falou  de telemóveis e Via Verde, apontou aos passarinhos e aconselhou os portugueses a irem pelo mundo fora espalhar a boa nova de um país de sucesso. 
Além de um discurso disparatado,confundiu o  25 de Abril com o 10 de Junho, senhor presidente? Essa doença tem nome, sabe…
Pessoalmente, seguirei o seu conselho, mas apenas com um esclarecimento final:  direi lá fora que temos um presidente de facção que envergonha 8 milhões de portugueses.Um PR que não tem uma palavra para a Constituição,  vê o governo violá-la e apõe a sua assinatura concordante e não é  um defensor de Abril.
Já chega de palhaçadas, sr. Aníbal!
Quanto aos discursos dos partidos, realço apenas o do CDS. Porque foi o discurso da vingança e do ódio. Mas isso não é de espantar, pois está no génese da sua criação.Sempre foram contra o 25 de Abril, mas são muito bons a disfarçar.
O melhor discurso foi o da presidente da AR, Assunção Esteves, ( o que também não me espantou…) de que destaco apenas estas palavras:
“ A prova de fogo da democracia é o bem estar das pessoas”

PS: A esta hora estarei a descer a Av da Liberdade. É a minha maneira de agradecer Abril e ajudar a mantê-lo vivo. Ao contrário de outros anos, não  é um dia para celebrar, mas sim para lutar!

Os néscios


As declarações de PPC e abjectos adjacentes, defendendo que o 25 de Abril é uma festa  que pertence ao povo e não aos militares provocam-me, simultaneamente, riso e pena.
Riso, porque esses idiotas não perceberam nada do que se está a passar neste momento em Portugal e alguns, apesar dos discursos em defesa do 25 de Abril, têm mas é saudades do Estado Novo gostariam mesmo era de regressar a esse tempo.Os militares não se reclamam donos do 25 de Abril , apenas cumprem o dever de manifestar o seu desagrado pela situação em que está o país e tentar despertar o povo. 
Pena, porque também não perceberam que se não tivessem sido os militares, não teria havido 25 de Abril. Vivemos hoje numa situação muito idêntica à de 73 e continuo a ver o povo, impávido e sereno, a amouchar à espera que a crise passe. Quando acordarem para a realidade vai ser tarde mas, sinceramente, não tenho pena. Esses vão ter o que merecem. 
Pena  ainda, porque algumas das figurinhas  como esta, vomitam alarvidades e nem sequer reconhecem  que, se os tempos fossem outros, nem para motoristas de um ministro serviriam.Deviam estar muito gratos a quem criou condições para  que néscios chegassem ao poder por via democrática.

Vozes de Abril (17)


Esta é a madrugada que eu esperava
O dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo

Sophia de Mello Breyner Andresen