segunda-feira, 23 de abril de 2012

Blog da semana

Candeia que vai à frente alumia duas vezes, diz a sabedoria popular e o blog que escolhi para esta semana confirma-o.
A Nossa Candeia é o blog da semana

Figura da semana


A decisão da Associação 25 de Abril merece o meu fervoroso aplauso. Pactuar com gente que vende o país a pataco e ameaça com a polícia, para tentar desmobilizar  a manifestação, seria vergonhoso. A dureza das palavras de Vasco Lourenço permite acreditar que ainda há homens neste país que recusam vergar-se diante dos colonizadores e dos seus súbditos instalados em S.Bento.
Espero que os portugueses demonstrem o seu  apoio a esta decisão, comparecendo em massa na manifestação e mostrando a este governo que é imune às ameaças e provocações. Se este governo pensa que chegou a altura de malhar na esquerda, este é o momento adequado para os portugueses mostrarem que não têm medo das ameaças desta corja que se escuda atrás da polícia, para lançar o medo.

Rive Gauche



Depois dos resultados da primeira volta das presidenciais francesas, todos os analistas apostam numa vitória de François Hollande no próximo dia 6 de Maio.  
Não estou tão optimista, pois não sei o trunfo que os mercados têm na manga, para tentar inverter a tendência de vitória da esquerda.
Mas mesmo que Hollande seja o próximo inqulino do Eliseu poderemos ficar tranquilos? É certo que ele promete – e acredito que cumpra- obrigar à revisão do Tratado Europeu que Passos de Coelho, tão pegajoso como o bom aluno que passa a vida a dar graxa aos professores, se apressou a assinar.  Mas mesmo que a alteração se venha a verificar, em benefício de países com a corda na garganta, como Portugal, que tranquilidade podemos ter quando   Marine Le Pen recebe 20 por cento dos votos dos franceses? As eleições parlamentares de Junho poderão dar a resposta. Se Le Pen mantiver uma elevada votação, teremos razões para nos preocuparmos.
Mas também há boas notícias... O escrutínio ainda não terminara e já Melenchon- o candidato apoiado pelo Partido Comunista Francês e pela extrema esquerda - e Eva Joly declaravam, sem tibiezas nem ameaças veladas, que iriam apoiar Hollande na segunda volta.
Para a esquerda francesa os socialistas - mesmo com um candidato fraco e sem carisma- não têm peçonha. O PC francês sabe distinguir Hollande de Sarkozy. Podiam vir dar umas aulas aos comunistas portugueses, para ver se eles aprendem, de uma vez por todas, as diferenças entre Sócrates e Coelho.
Para terminar, recordo as palavras de Marinne Le Pen " Tudo farei para que Sarkozy seja derrotado".
Para bom entendedor...

Do Norte com afecto




Em Março, decidi fazer um fim de semana prolongado em terras nortenhas, com três objectivos- para além de relaxar e fazer uma cura de desintoxicação da capital.
Para não fatigar os sentidos até terras nortenhas, nem estafar a bolsa em gasolina e portagens,optei por fazer a viagem de comboio até Braga e aí alugar um carro para fazer os meus percursos, usufruindo da parceria entre a CP e a Avis.
Pretendia, antes de mais, amaciar o palato e acalmar  o estômago, carente dos paladares a que o habituei na juventude.
Das degustações que fui fazendo entre terras minhotas de Viana a Ponte de Lima, passando por Braga ou  Barcelos e outras menos notáveis localidades onde se amesenda a preceito, não vos vou fazer aqui relato. Apenas vos digo que dentro do meu organismo detectei um elemento muito ingrato. Se palato e estômago agradeceram esta romagem a terras do norte, o mesmo não se pode dizer da vesícula que, após regressar a Lisboa,  me atazanou durante alguns dias, queixosa por a ter obrigado a trabalhos esforçados. Resignei-me à sua fúria e apascentei-a com  insípidos cozidos e grelhados mas, mesmo assim, não evitei  durante uns dias as suas  descargas biliosas,  reflectidas em alguns posts que fui aqui escrevendo por esses dias.
No concernente à lavagem da vista, foi bem conseguida com as paisagens durienses e minhotas, onde se destacou o esplendoroso panorama do Gerês. Nem um ou outro atentado perpetrado  por casas tipo maison com janelas estilo fenêtres, que ao longo de décadas os nossos emigrantes foram polvilhando na paisagem, foram suficientes para perturbar a tarefa higio sanitária a que me propus. Pena foi, que  uma arreliadora avaria na máquina que deveria ter registado esses momentos, tivesse apenas deixado como testemunho a fotografia do galo barcelense que a imagem reproduz.
Já quanto à lubrificação dos neurónios, o objectivo ficou aquém das metas propostas. Se é verdade que o centro histórico de Guimarães continua a ser um palco para devaneios, o mesmo não se pode dizer da oferta cultural que a Capital da Cultura oferecia por aqueles dias.
Confesso-vos que os Fura del Baus já não são estímulo suficiente para lubrificação dos meus neurónios e, naqueles dias, essa era a única oferta feita aos visitantes que, como eu, esperavam encontrar no berço da Nação motivos bastantes para lavar o espírito.
Do mechandising da coisa, o melhor é nem falar, dada a paupérrima e pouco vaiada oferta.
Já em Braga, Capital Europeia da Juventude, foram sobejos os motivos que me permitiram lubrificar   os neurónios. O primeiro, foi tentar perceber  a razão de ninguém falar no evento que, pelo que me foi dado observar, anima as ruas de manhã à noite.
Depois, sentado nas esplanadas da Brasileira ou do Vianna, gozando a temperatura estival, dei por mim a pensar que Braga é, realmente, a cidade mais jovem de Portugal. Em quase todos os cafés e restaurantes os empregados são jovens, contrastando com o panorama habitual que se observa em terras lusas. Nas ruas, os jovens andam em bandos e à noite fazem sentir a sua presença de uma forma civilizada e pouco ruidosa, não perturbando os seniores mais recatados que exigem direito ao descanso.
Em termos de amesendagem descobri dois excelsos exemplos de empreendedorismo cuja memória me faz despertar o palato enquanto escrevo. Se aos seus nomes não faço aqui referência, é só para não estragar uma surpresa que ando a preparar lá para Maio e que aqui darei o devido destaque.
Por agora, fica apenas o relato de um fim de semana em que retornei a lugares quase esquecidos. Com muito prazer, apesar da frustração da capital da cultura que me deixou com um amargo de boca.

O autocarro



A política deste governo faz-me lembrar um  autocarro. Cabe sempre mais um.
 Há falta de lugares para as crianças nas creches? Fácil. Aumenta-se a lotação.
São precisos lares para idosos? Fácil. Um quarto de 12m2, ocupado por um velho, é um desperdício. Ponham-se dois em cada quarto e se as camas não couberem lado a lado, há duas soluções. Ou instalam-se beliches, ou repartem os dois a mesma cama.
É preciso fechar escolas para fazer receita  com a venda dos edifícios? É preciso reduzir o número de professores, para poupar nas despesas? Fácil. Aumenta-se o número de alunos por sala de aula.
Há escolas onde as salas de aula não comportam 30 alunos? Difícil! Mas não para este governo…  Põem-se os excedentes a assistir às aulas pela janela. Se estiver a chover, que usem guarda-chuva!