terça-feira, 10 de abril de 2012

Um papagaio em Maputo


Tornou-se habitual Pedro Passos Coelho dizer que não comenta factos da política portuguesa quando está no estrangeiro.
No entanto, desde que chegou a Maputo, Coelho tem-se desdobrado em declarações.Para justificar as declarações ao Die Welt, o secretismo da proibição das reformas antecipadas, ou a trapalhada sobre os subsídios de férias ( que  nunca devolverá aos funcionários públicos e pensionistas, porque  nunca vi ninguém devolver o produto do roubo, a não ser que a isso seja obrigado pelos tribunais).
Hoje, deu mesmo uma entrevista em directo à RTP 1 onde mais uma vez meteu os pés pelas mãos.
 Será que este destravar da língua se deve ao facto de se ter transformado em papagaio, ou  Coelho pensa que Moçambique ainda é Portugal, como defende repetidamente o seu amigo Botas nas tertúlias celestes?

Parábola das pedrinhas


Conta-se que estando Jesus na companhia dos discípulos a atravessar o rio Jordão, foi interpelado por um apóstolo:
-Ó Mestre! Estamos todos com a água pelo joelho, mas ali o Pedro já está com a água acima da cintura!
Jesus sorriu e respondeu:
- Não te preocupes. Quando ele se estiver quase a afogar eu ensino-lhe o caminho das pedrinhas que nós estamos a trilhar.
Lembrei-me deste episódio a propósito das previsões da OCDE . A economia de todos os países está a crescer, excepto a portuguesa, que se continua a afundar, apesar de Pedro insistir que estamos no bom caminho. 

5 000

O CR abriu há quatro anos e meio, embora ao longo deste período tenha tido algumas intermitências, forçadas por  prolongadas ausências do país.
Mais de 400 mil visitantes  e 700 mil page views depois, este é o post 5000!
Não sei contabilizar quantas horas  de escrita isso representa, mas têm sido horas de muito prazer , ainda por cima compensadas  com a generosidade dos vossos comentários e palavras de incentivo.
A todos muito obrigado.

Animal Farm




A União Europeia já padronizou o diâmetro dos tomates, a curvatura dos pepinos, o comprimento dos jaquinzinhos, as mamas de silicone, o tamanho das laranjas, o riscado das maçãs, a cubicagem  do leite das vacas açorianas e o queijo da serra.
Já sem saber o que fazer para nos normalizar, decidiu agora proibir o consumo de ovos de galinhas engaioladas. É certo que quando visito um aviário saio de lá impressionado com a forma como são tratadas as galinhas mas, numa época de crise em que a fome alastra em todos os países europeus e as condições de vida se deterioram diariamente, não seria o momento ideal para aquela cambada de eurocratas inúteis se preocupar com a qualidade de vida dos cidadãos, em vez de nos carregar com medidas de austeridade que nos deixam à beira da asfixia?
É que esta medida galinácea teve como consequência imediata o aumento brutal ( a comunicação social fala em 60%)  do preço dos ovos, a sua escassez no mercado, o encerramento de explorações com o consequente aumento do desemprego. Muitos produtores afirmam que agora há vantagem em importar os ovos dos Estados Unidos ( já estou a ouvir o Obama a rir-se com tanta generosidade da CE ), mas a resposta de Karolina Kotova,  a eurocrata porta-voz  da Unidade de Cidadãos e Orçamento ( que outra poderia ser?) respondeu que” o importante é a UE assegurar aos consumidores comida da mais alta qualidade”. Ingenuamente, ainda pensei que se tratasse de defender os direitos das galinhas, mas pelos vistos, enganei-me…
Sou, obviamente, a favor da defesa dos direitos dos animais, mas penso que é chegada a altura de alguém se preocupar, de igual modo, com o respeito pelos Direitos Humanos, constantemente espezinhados neste espaço europeu cada vez mais nauseabundo e a tresandar a totalitarismo, onde eurocratas néscios tomam medidas completamente desajustadas da realidade. 
Entretanto,13 dos 27 países da União mandaram os eurocratas limpar o rabiosque à directiva, mas por cá somos bons alunos e vamos cumprir escrupulosamente as orientações de Bruxelas.
Já agora, permitam-me uma sugestão: porque não proíbem a circulação de coelhos em todo o espaço europeu?  Pelo menos aqui em Portugal ficaríamos a ganhar.

Vozes de Abril (7)