quinta-feira, 5 de abril de 2012

Periféricos, o caraças!


Estamos fartos de ouvir falar de Portugal e Espanha como países periféricos, aventando mesmo alguns a necessidade de os dois países serem expulsos da zona Euro. Isso pode acontecer no mundo da política, onde as decisões são tomadas por um grupelho de bacocos, mas não acontece noutras áreas, como é o caso do futebol.
Ano passado, nas meias finais da Liga Europa , estiveram presentes três equipas portuguesas e uma espanhola e a final foi disputada entre duas equipas portuguesas.
Este ano, as meias finais vão ser disputadas por três equipas espanholas e uma portuguesa e na final estarão, de certeza, duas equipas ibéricas.
Com o ódio que Michel Platini tem a  portugueses  e espanhóis ( a excepção é o Barcelona e só Platini poderá explicar porquê) um dia destes toma uma decisão drástica. Ou proíbe  a participação de portugueses e espanhóis na Liga Europa, ou muda o nome da competição para Liga Ibéria.

Regra de 3 simples

Se a CE se espanta com a subida vertiginosa do desemprego e apresenta como receita a redução do subsídio de desemprego, qual será a receita do FMI que admite uma recessão mais profunda?
Quem não souber o resultado desta equação, chumba no exame da 4ª classe.

O Diário de António José






Querido diário
Tenho tido uns dias tão complicados, que nem sequer me tem apetecido passar por aqui.
Na sexta-feira, os socratistas fizeram um banzé porque eu quero que o PS aprove ou se abstenha na votação do novo Código de Trabalho. Não sei se eles não percebem que isso é bom para o PS, porque quando eu chegar ao governo o trabalho sujo já está feito, ou se é mesmo vontade de me entalarem.
No sábado, claro, reagi e consegui que fossem aprovados os novos Estatutos do PS,  que me permitem eliminar a concorrência até às eleições de 2015 - ou, pelo menos, até quando o Cavaco quiser.
 Estava eu ainda a saborear esta golpada que aprendi com o Chavez e no domingo levo com as críticas do Marcello. Eu não merecia ser desancado daquela forma e por isso apressei-me a chamar-lhe mentiroso. Logo agora que as coisas com o Coelho se estavam a encaminhar para um entendimento, o professor vem-me com isto?
Na segunda –feira, estava eu no café a lamentar a minha má sorte, feito Kalimero, quando uma velhota entra aos gritos, se dirige à minha mesa e diz:
“Ó senhor sacristão! Então está aqui descansadinho a tomar café quando  o funeral está quase a sair da Igreja? Vá lá ajudar o senhor padre Coelho a fazer as exéquias dos defuntos! Ele sozinho não consegue dar conta do recado, porque enterrar 10 milhões de portugueses não é tarefa nada fácil!”
Vai daí, só tinha uma saída. Mostrar que quem manda no partido sou eu e pôr os socráticos em sentido. Foi uma peixeirada, eu sei, mas pelo menos consegui que as televisões convidassem socialistas que me são afectos, para animar uns debates.
Diz-me, querido diário. Se isto não aumentar a minha credibilidade que devo eu fazer? Deixar-me crucificar em sexta-feira santa' O problema é que tenho medo de não ressuscitar no domingo, depois da homilia dominical do Martelo...

Ladrão de Casaca




O enredo  da novela  produzida por  S. Caetano e S. Bento, tendo como protagonistas Pedro Passos Coelho, Vítor Gaspar, Carlos Moedas , Jorge Moreira da Silva e  Peter Weiss como guest star, está aqui muito bem explicado. 
Acrescentaria, porém, que ao garantir a retribuição faseada dos subsídios de férias e de Natal, apenas em 2015, Pedro Passos Coelho está implicitamente a admitir duas coisas:  
-Portugal  vai ter mesmo necessidade de um novo pedido de  ajuda externa para além de 2013 ( caso contrário, os subsídios deveriam ser devolvidos na íntegra em 2014) 
- Em 2014 –ano que antecede novo acto eleitoral- o governo prepara-se para enganar mais uma vez os portugueses, prometendo coisas que nunca irá cumprir.
Pedro Passos Coelho mente com tanta naturalidade, que acredita nas suas próprias mentiras , mas na entrevista dada ontem à RR, caiu numa armadilha que o desmascarou. Quando a jornalista lhe perguntou se não equacionava a hipótese de integrar os subsídios de férias e de Natal nos vencimentos ao longo de 12 meses, o PM  disse que essa era uma hipótese a considerar.  Ora isso significa, obviamente, o fim dos subsídios, mas não só! Se incorporar esse valor nos 12 salários está a criar a falsa ilusão de que aumentou os salários. E como o tuga come tudo o que lhe põem à frente... mastiga, engole e ainda arrota satisfeito, comida estragada.
 O à vontade com que  PPC  debita mentiras teria feito dele um excelente vendedor de automóveis ( sem ofensa para esses profissionais) ou um vendedor de banha da cobra contrafeita na Feira do Relógio. Para nosso azar acabou em PM…
 A campanha promocional da sua imagem desenvolvida pela imprensa, permitiu-lhe  ganhar a credibilidade  de pessoa séria e honesta. Por isso, sente-se  legitimado para dizer ao Tribunal Constitucional que vai fazer uma coisa, sabendo de antemão que vai fazer outra. Ontem, descaiu-se. Se os juízes do TC tiverem ouvido a entrevista e forem gente séria, terão percebido que andam a ser enganados pelo governo e agirão em conformidade.
PPC é também exímio na arte do gamanço, o que me faz lembrar  “O Ladrão de Casaca” um velho filme de  Hitchcock, onde o ladrão galanteador  se esforça por demonstrar que não foi ele o autor de um roubo de jóias na Riviera francesa. 
As contradições visíveis nas declarações proferidas por vários membros do governo, quanto a esta matéria dos subsídios, revelam que PPC quer ser ilibado em 2015, atirando as culpas para cima dos seus colaboradores. Nessa altura, porém, já os tugas se terão deixado enganar mais uma vez,  legitimando o roubo e absolvendo o réu. 
Quando discordam das decisões dos juízes, os tugas  gostam de fazer justiça pelas próprias mãos,  mas quando a lei lhes confere  essa possibilidade, ou baldam-se e não votam, ou batem palmas aos corruptos e criminosos . No fundo, no fundo, o que os tugas gostariam era de ser como eles.

Em tempo: PPC disse há dias, numa entrevista a Judite de Sousa, que o gamanço de 5% nos salários dos funcionários públicos e nas reformas dos pensionistas não era da sua responsabilidade. É verdade. No entanto Judite não lhe perguntou – como era dever de qualquer jornalista atento -por que razão ele não  restituiu o produto desse roubo.  E a verdade é que ninguém fala nisso, o que me leva a acreditar que o gamanço de 5% de salários, determinada por Sócrates,  se vai tornar  eternamente provisório. Admiram-se se o mesmo acontecer com os subsídios? Eu não!

Haverá Ressurreição, ou vamos acabar à porrada?


Que estava morto, já nós sabíamos. 
Gostávamos é de saber se o anúncio, feito em época Pascal, nos dá a esperança de haver Ressurreição ou teremos mesmo que ir para a porrada, para exigir a devolução do corpo.

Vozes de Abril (5)

Muito actual, esta canção de Manuel Freire. Quem havia de dizer, quase 40 anos depois..