terça-feira, 3 de abril de 2012

Coelho afoga-se num Rio ( de Janeiro?)



Aviso prévio: eu sei que na imagem deste cartaz da APSI está um urso e este post é sobre um coelho. Mas qual é a diferença?

Cavaco já percebeu ( ou alguém lhe fez perceber...) que o falhanço  deste governo o vai chamuscar, afectando a sua credibilidade. O PR não quererá afundar-se com este governo e ficar remetido para uma página negra da História que não só realçará os sucessivos falhanços dos seus mandatos presidenciais, como acabará por lembrar aos portugueses que por cá andarem no próximo século, sob o jugo do império franco-alemão, que a perda de independência se ficou a dever à inépcia do então PR, cumulativamente  responsável – enquanto primeiro-ministro - pela situação de crise em que Portugal mergulhou no final da primeira década, por ter sido o iniciador do período de falsa abastança em que vivemos durante quase um quarto de século.
Só  ouvir falar da hipótese de não ser recordado pelos descendentes como um brilhante político que marcou 30 anos da vida portuguesa, deixa Cavaco com os cabelos em pé. Pensar que o culpado disso não foi Sócrates, mas sim um seu inimigo de estimação chamado Pedro Passos Coelho, deixa-o à beira de uma apoplexia.  
Mas Cavaco não ficou paralisado e decidiu agir. O resultado da sua acção  foi visível  no último fim de semana na revista do “Expresso” e na segunda –feira na TVI 24.
Numa entrevista a Clara Ferreira  Alves (Expresso)  e em parceria com Medina Carreira no programa da Judite ( TVI 24)  Rui Rio expôs-se.  A Clara Ferreira Alves enalteceu a obra deixada no Porto e vincou a sua personalidade política dando exemplos dos interesses instalados que enfrentou com sucesso. Na TVI 24, cascou forte e feio nas políticas seguidas por este governo, acusando-o nomeadamente de ceder aos interesses instalados e de fazer uma distribuição desigual dos sacrifícios. 
Poder-se-á dizer que é mais um a contar mentiras mas – digo eu que sou insuspeito e já aqui zurzi forte e feio em Rui Rio-  a verdade é que tendo sido inicialmente muito contestado conseguiu  impôr-se aos sectores que mais o contestavam  e transformar  a sua primeira vitória tangencial, sobre um descredibilizado   Fernando Gomes, em vitórias esmagadoras. E fê-lo apresentando obra.
Já aqui escrevi, no Verão passado,  que ou as coisas corriam muito bem a Coelho, ou não chegaria ao fim do mandato.  Ora, a verdade, é que as coisas não estão a correr nada bem. Os portugueses estão a sofrer na pele a austeridade mais draconiana de que há memória desde a II Guerra Mundial  e não vêem resultados que justifiquem os seus sacrifícios. A economia não cresce, o desemprego atinge números pré-históricos, o crédito não chega às pequenas e médias empresas, porque fica estrangulado nas grandes famílias empresariais, para a concretização de negócios ( por vezes de contornos nubelosos) avalizados pelo governo.
O actual PM pode enganar tolos com aquele ar dengoso  e falinhas mansas de dandy da Porcalhota, mas não ilude Cavaco que, além de discordar da política seguida pelo governo e ter umas contas antigas a ajustar com  Coelho, tem um projecto  de poder pessoal . Falhou em 2009 com a derrota de Manuela Ferreira Leite e agora só pode concretizá-lo mediante um governo de iniciativa presidencial.
Ainda não é o momento para Cavaco tirar o tapete a Coelho. Isso só acontecerá para o final de 2013, depois das eleições autárquicas. No entanto, há sinais de que as suas tropas se começam a movimentar e esta ofensiva de Rui Rio na comunicação social, logo após a entrevista de PPC à TVI, não foi acidental. Faz parte de uma estratégia de Belém que visa colocar o primeiro-ministro em dificuldades não só no governo, mas também nas autárquicas e presidenciaias, onde se vai ver obrigado a repensar o apoio a Luís Filipe Menezes para o Porto ( sobre isso escreverei numa próxima oportunidade) e a Durão Barroso para as presidenciais de 2016.
Envolvido por uma tenaz manobrada  discretamente a partir de Belém,  Pedro Passos Coelho vai acabar por se afogar ( o mais tardar em Janeiro de 2014) nas águas de um Rio a subir ao sabor da maré de Belém. Para salvar o seu cadáver político, PPC vai ter de provar  as passas do Algarve.

Bruxelas, temos um problema!



A Comissão Europeia, numa demonstração  inequívoca  de que é  ela a mandar em Portugal, veio admitir a possibilidade de terminar definitivamente  com os subsídios de férias e de Natal.
Que a CE o diga, é grave, que o governo se cale, é inadmissível, mas bem elucidativo quanto à diferença entre sermos governados por uma poia ou por um Coelho: uma  poia não recebe salário.
Nunca tive dúvidas quanto ao carácter definitivo da medida. Se o governo ludibriou o Tribunal Constitucional com a ressalva de que a medida era temporária, ou se foram os juízes que conscientemente se deixaram ludibriar, não sei, mas não restam dúvidas que a eliminação das prestações suplementares de forma definitiva é inconstitucional e, embora por razões diferentes,  sou levado a concordar com Alberto João Jardim quando pede a extinção do TC. Na verdade aquela gente não  justifica o que ganha. Está sempre a enganar os portugueses, sendo conivente com os crimes  perpetrados pela agência funerária que governa Portugal.
O fim do 13º mês – criado por Marcello Caetano -  assume ainda maior gravidade do que o subsídio de férias, mas sobre isso escreverei amanhã. Ou depois...

A isto se chama, pôr-se a jeito...


Não me interessa, por ora,  discutir se o prof Marcelo tem razão nas acusações que faz a António José Seguro . (Quando, mais logo, revelar aqui o que o líder do PS escreveu no seu diário nos últimos dias, os leitores poderão tirar as suas ilações).
Por agora, o que me interessa analisar é a reacção desabrida de Seguro à homilia dominical da TVI.
O líder do PS deveria saber que o propósito do celebrante Rebelo de Sousa era, precisamente, provocar uma reacção intempestiva e desproporcionada e Seguro não desiludiu, com aquele comunicado/declaração em que acusa o prof de ter mentido três vezes.  Bastaria a Seguro ter feito uma declaração evocando  a volatibilidade opinativa do comentador, para sair por cima.
Teria sido suficiente lembrar o  que  Marcelo –  hoje em dia mestre em exibições de contorcionismo  para defender o governo e o PM-   dizia de Pedro  Passos Coelho quando era candidato à liderança do PSD. A título de exemplo, poderia ter invocado as inúmeras vezes que o putativo candidato a Belém em 2016 comparou o actual PM com Sócrates, não se tendo mesmo coibido de dizer que era uma réplica do ex-PM, mas de contrafação.
Ao reagir de forma intempestiva, Seguro fez o jogo de Marcelo e pôs-se a jeito. Agora terá de arcar com as consequências da sua precipitação. Adivinho-lhe dias difíceis…

Se queres conhecer um vilão...

Não vi a entrevista de Cristiano Ronaldo à TVI, mas apanhei um excerto num telejornal qualquer que me chamou a atenção. Referindo-se a Paulo Bento, CR 9  teceu-lhe o maior elogio que, em minha opinião, se pode fazer a uma pessoa em posição de comando:
" É a mesma pessoa que era quando era jogador. Não mudou!"
Posso estar a fazer uma análise precipitada, porque ouvi esta frase descontextualizada da entrevista, mas interpretei-a como um elogio. Conheço imensas pessoas que se transfiguram quando alcançam um bocado de poder e se tornam execráveis. Uma pessoa que não se deixa embriagar pelo poder e mantém a mesma postura   pessoal e humana merece-me a maior consideração mas, infelizmente, não conheço muitas. O mais vulgar é  adoptarem uma nova atitude comportamental, tornarem-se prepotentes e distantes. Talvez esteja a ser injusto nesta apreciação, mas nunca me esqueci de uma coisa que o meu avô me ensinou:
"Se queres conhecer um vilão, põe-lhe uma vara na mão".
A vida tem-me ensinado que esta frase encerra uma grande verdade.

Vozes de Abril (2)

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