segunda-feira, 2 de abril de 2012

Blog da semana

Sempre gostei da expressão " fazer um pé de meia". Não pelo significado que ela encerra, mas pela sua sonoridade. É também pelos sons subentendidos nas imagens e pelos pensamentos profundos que diariamente divulga, que escolho para blog da semana o Pé de meia. 

Caça às bruxas




Os crimes cometidos pelo argelino Mohamed Merah caíram como sopa no mel na campanha de Sarkozy para as presidenciais  francesas, que se realizam este mês.
Há já algumas semanas que Sarkozy vinha adoptando um discurso xenófobo que lhe permitiu captar votos à direita e entrar de forma muito significativa no eleitorado de extrema –direita, coutada de Marine Le Pen.
Muito criticado à esquerda e até ao centro, Sarkozy não tinha grande margem de manobra para ir mais além no seu discurso contra os imigrantes, mas Mohamed Merah veio dar-lhe um contributo precioso.
O meia leca francês aproveitou a tragédia com grande mestria. Enquanto todos os partidos ( incluindo a UMP ) interrompiam a campanha, Sarkozy aparecia em todas as televisões sem concorrência, com  ar compungido e prometendo aos franceses que seria feita justiça. 
O  cerco de Mohamed Merah foi prolongado por mais de 30 horas, levando a emoção ao rubro, como convém em qualquer seriado. Durante esse período,  Sarkozy continuou a captar votos que antes lhe eram adversos e, quando o cerco terminou  com o extermínio do jovem argelino, a polícia  de imediato encontrou  no irmão a personagem ideal para o substituir no seriado. A personagem era, no entanto, pouco convincente e as audiências começaram a baixar, pelo que foi preciso arranjar à pressa um novo argumentista, capaz de manter as audiências interessadas até às eleições.
O argumentista  contratado mostrou conhecer bem a história americana e o mc carthismo. Assim se iniciou a caça às bruxas. Em 24 horas, com uma ampla cobertura televisiva em directo,  foram presas 19 pessoas acusadas de serem radicais islâmicos acusados de cumplicidade com Merah.
Resultado: em poucos dias, Sarkozy passa para a frente nas sondagens, ultrapassando o pouco convincente socialista François Hollande. 
Não sou dado a inventonas e recuso-me a admitir que a matança perpetrada por Merah tenha sido orquestrada a partir do Eliseu, ou com a sua bênção, mas não pude deixar de me lembrar, de imediato, do 11 de setembro que serviu de pretexto a Bush para invadir o Iraque. À memória veio-me também o 11 de Março, que Aznar pretendeu de imediato converter a seu favor, acusando a ETA.  Em Espanha  a golpaça foi desmascarada em 24 horas pela opinião pública e o PSOE venceria as eleições, invertendo a tendência das sondagens, que davam uma vitória tangencial ao PP.
Enquanto anunciava a possibilidade de encerrar  as fronteiras à imigração, Sarkozy também não se esqueceu de comparar as mortes de Toulouse com o 11 de setembro, tirando partido do factor emocional  desta analogia no eleitorado. 
Graças a esta sucessão de factos, o que parecia impossível há uns meses é agora um cenário bem real: o anão do Eliseu pode voltar a vencer as eleições na segunda volta, que se realizará a 5 de Maio, facto que será muito festejado pela senhora Merkel, confortada com  a possibilidade de continuar a ter um aliado no país que sempre foi seu inimigo e dando um passo importante, para vencer as eleições alemãs em 2013.
Como  já disse  diversas vezes, não acredito em bruxas, mas não deixo de ficar um bocado perplexo com o facto de os radicais islâmicos atacarem sempre em vésperas de eleições, favorecendo a direita com as suas acções de carnificina. Há cada coincidência... 

Livros para Timor



A associação Karingana Wa Karingana ( “ Era uma vez “ ) leva livros para Timor.
O ex-presidente da República, Dr. Jorge Sampaio, preside à comissão de honra da campanha.
Quer contribuir para esta causa?
Entregue os seus livros até 15 Abril em qualquer balcão dos CTT, posteriormente os mesmos serão distribuídos em Timor pela GNR.
Para saber mais e conhecer a associação, clique aqui

O menino que via Portugal como um Lego


Era uma vez um menino que gostava de brincar com o Lego, mas não tinha jeito nenhum para construir edifícios, porque para tal lhe faltava criatividade e engenho. As pessoas olhavam para as suas construções, esforçavam um sorriso e diziam:
“Tenho a certeza que és capaz de fazer melhor”
 O menino era vaidoso e estava cansado de ouvir o irmão receber elogios, enquanto a ele só lhe davam incentivos a melhorar, que encarava como críticas à sua falta de jeito.  Decidiu adoptar um estratagema. Destruía as construções do irmão mais velho e, de memória, tentava fazer uma igual. Invariavelmente, a cópia era pior do que o original, mas o menino começou a conseguir receber alguns elogios condescendentes que o deixavam feliz.
Entretanto o menino cresceu, fez-se adulto e tentou a sua sorte no mundo do music-hall, porque ansiava protagonismo,  mas não teve qualquer sucesso. Decidiu então experimentar a carreira política, onde foi singrando graças à sua postura gelatinosa e ao apoio de um padrinho que, desde pequeno, se sentia atraído por brinquedos de guerra.
Ninguém lhe augurava grande futuro, mas o menino que entretanto se tornara adulto conseguiu, graças a algumas caneladas, traições, inépcia dos adversários e um bambúrrio de sorte, ditada pelas circunstâncias da política, chegar a líder do seu partido e, pouco tempo depois, a primeiro ministro.
Não sendo imaginativo, aplicou na gestão do país a técnica que utilizava no Lego. Destruiu a economia, o emprego, o sistema de saúde, a segurança social, o ensino público e, com o país destruído, propõe-se construir um país novo. Forçosamente muito pior do que o original, criado após o 25 de Abril. Como acontecia quando brincava com as construções do Lego, o menino que chegou a primeiro-ministro sente-se feliz com os elogios condescendentes que vai ouvindo daqui e dali. Quando perceber que falhou uma vez mais, talvez procure outra profissão.


Vozes de Abril (1)

Ao longo do mês vão passar aqui vozes de Abril. Para que a memória não se perca. Adriano teria, obrigatoriamente, de ser a minha primeira escolha