segunda-feira, 26 de março de 2012

Pronúncia do Norte (38)

Hoje a Baixinha mandou-me um mail em que dizia:
"No domigo fui a Aveiro. Comi uns belíssimos caralhoses:-))) eh!eh! eh!"
Se eu não soubesse o que era um caralhoz, não sei o que lhe teria respondido... E vocês, sabem o que é um caralhoz?
Se não sabem, vão perguntar aqui ao sr.Barbeiro, que ele explica..

O pequeno polegar




Muitos dos leitores ainda recordarão a história do “ Pequeno Polegar” cujo protagonista, para identificar o caminho de regresso a casa, ia deixando pelo trajecto pequenas pedaços de pão. Se gosta de percorrer o país de automóvel e, como eu, abomina o GPS, o melhor é começara apensar numa técnica que se adapte aos tempos modernos, para não correr o risco de se perder pelos “caminhos de Portugal”

A história ocorreu-me há dias , quando passeando pelo País e em busca de uma determinada localidade, desemboquei num entroncamento e fiquei parado na indecisão de virar à direita ou à esquerda, pela simples razão de que não havia qualquer placa a indicar quais os destinos onde conduzia a estrada, para um ou outro lado.

Estou certo que todos aqueles que como eu, seja por dever profissional, seja pelo simples prazer de descobrir neste País tudo quanto de belo tem para nos oferecer, passa frequentemente "as passas do Algarve" para se não perder. Se a sinalização nas estradas é normalmente deficiente, sendo frequente a necessidade de recurso a um mapa de estradas actualizado, o problema agrava-se quando entramos em algumas cidades.
Começamos, normalmente, por ter dificuldade de acesso aos locais que pretendemos visitar, seja porque não existem placas indicativas, seja porque estão tapadas por viaturas mal estacionadas, ou frondosas árvores por tosquiar. A única certeza que temos quando entramos numa localidade desconhecida ou que não visitamos há muito tempo, é que se existir um centro comercial ou uma grande superfície, estará profusamente assinalada em cada esquina.
Depois da visita, quando pretendemos sair e seguir o nosso destino, vemo-nos "em palpos de aranha" para de lá sair, pela simples razão de não existirem placas informativas dos caminhos a tomar. Ficamos então com a sensação de que os autarcas deste País andam à compita a ver quem consegue prender mais visitantes dentro da sua área de jurisdição. E durante quanto mais tempo isso for conseguido, certamente maior será o “gozo” sentido.
É certo que esta dificuldade  de orientação dentro das localidades, ou para sair delas, permite um contacto mais directo com as populações e o estreitamento de relações   com os habitantes, a quem somos obrigados a pedir informações para sair da teia em que nos envolvemos. Graças a este expediente, podemos também constatar a sua maior ou menor amabilidade e espírito hospitaleiro e fazer até um “estudo sociológico”, mas nem sempre é possível encontrar uma alma caridosa que nos indique "a porta de saída" que pretendemos.
Em Portugal, numa cidade, temos a sensação de que as entidades a quem compete proceder à sinalização estão convencidas que ninguém as visita, não sendo por isso necessário, proceder à colocação de placas informativas.
Diga-se, porém, que  viajar em estradas secundárias é um “inferninho” ainda pior. Percorrer vários quilómetros “às apalpadelas”, sem ter a mínima noção de estarmos no sentido certo é frequente, pura e simplesmente porque é possível atravessar cruzamentos, contornar rotundas ou deparar com bifurcações, sem encontrar um só sinal informativo sobre o destino a seguir.  A inexistência de identificação do número das estradas, naqueles locais, torna inútil o recurso a qualquer mapa e contribui para aumentar a desorientação e irritação dos automobilistas. E todos sabemos que  um condutor irritado terá mais hipóteses de ter um acidente o que, dito por outras palavras, significa que esta incúria informativa ( que, infelizmente, é apanágio de muitas outras áreas de actividade) é também uma das causadoras da sinistralidade em Portugal
 Querer percorrer o País, viajando fora das auto estradas e itinerários principais é uma aventura emocionante, mas deveras arriscada para quem não consegue orientar-se apenas pelo Sol ou pela Estrela Polar.
Como consumidor turista deste País,  cujas belezas não me canso de apreciar e não é possível substituir os autarcas incapazes de lobrigar algo além do seu bairro, lanço um apelo a todas as entidades responsáveis pela orientação dos "caminhos de Portugal": atentem no exemplo dos promotores de centros comerciais, hipermercados , ou projectos imobiliários, que ao longo das estradas vão colocando cartazes anunciando a localização dos seus empreendimentos, e  passem a identificar de forma clara as vias de destino e as portas de saída das localidades deste país. Assim contribuirão para ajudar não só quem gosta de passear pelo país mas também o comércio local.