quarta-feira, 21 de março de 2012

A mulher e a publicidade (5)


Hoje seria inimaginável ver uma marca fazer publicidade com uma imagem destas, mas este anúncio não é assim tão antigo como alguns podem pensar...

Coelho com os fusíveis queimados



A EDP queimou os fusíveis de Passos Coelho e destruiu-lhe o esquema. Incapaz de combater o lóbi das energéticas, o PM capitulou e deixou a descoberto, perante todos os portugueses, a sua fraqueza. Já todos perceberam que PPC só é forte perante quem trabalha. Quando tem de enfrentar os interesses dos poderosos capitula e mostra a sua debilidade e incapacidade política.
O maior atestado de incompetência e falta de coragem foi-lhe passado pelo ressabiado Medina Carreira, ao dizer “ os portugueses já perceberam que os sacrifícios não são para todos”.
Imprevidente e impreparado, PPC meteu os dedos na tomada e apanhou um choque eléctrico. Fundiu-se.

Um comboio rumo a Lisboa



Não sei se já vos aconteceu comprar um livro apenas por palpite. A mim acontece-me com alguma frequência, o que já me custou enfiar alguns barretes.
Foi por mero “feelling” que comprei o livro de Pascal Mercier “ Comboio Nocturno para Lisboa”, pois nunca tinha lido nada do autor.
Levei o livro comigo nas férias do verão passado e li-o de um fôlego. Enquanto “fazia  a viagem” , pensava que daria um bom filme e que talvez um realizador um dia pegasse nele e o transpusesse para o cinema.
Foi com surpresa que soube que se iniciaram na segunda-feira as filmagens. Jeremy Irons  será o realizador e, entre o elenco, está Nicolau Breyner – que me parece se coaduna bem com a personagem.
Gostei muito do livro, estou ansioso por ver o filme

Há sempre alguém que resiste...

Nogueira Leite também quer ser excepção.  No Contra-Informação chamavam-lhe Nojeira Leite. Há gente que faz jus ao nome.

Violada


Possuíram-te nas ervas,
Deitada ao comprido
Ou lívida a pé:
Do estupro conservas
O sangue e o gemido
Na morte da fé.

Chegaste a cavalo
Trémula de espanto:
Esperavas levá-lo
Com modos de amor:
O fátum, num canto,
Violento ceifou-te
O púbis em flor:
Dou-te
O acalanto
Mas não há palavras
Para tal horror!

Vem ainda em cós, mulher,
Limpa as tuas lágrimas no meu lenço:
Nem pela dor sequer
Eu te pertenço.

O cavalo fugiu,
Deixou-te em fogo a fralda:
Que malfeliz Roldão
Para tal Alda!
Ao frio, ao frio,
Tinta de ti é a água e sangue o chão.

Ponta Delgada a arder
Do próprio pejo, quis
Em verde converter
O incêndio do teu púbis.

Mulher, não me dês guerra,
Oh trágica enganada:
Tu és a minha terra
Na carne devastada
Como a Ilha queimada.
( Vitorino Nemésio)