segunda-feira, 19 de março de 2012

Ele tinha avisado...

Cavaco esteve no último fim de semana  em Trás-os-Montes e por lá  declarou, solene, " a confiança é uma chave que pode abrir uma janela".
Muito prá frentex , o nosso PR! Já vê janelas com fechaduras que, por agora, ainda só existem nas portas...
Um dia destes, quando uma empresa inventar fechaduras para janelas, ele dirá: " Eu já tinha avisado..."

The big mistake



Jean Claude Juncker – presidente do Eurogrupo- chegou à conclusão que a receita aplicada à Grécia foi errada e não resultou, sendo necessário fazer ajustamentos que permitam o crescimento económico.
Também Paul Thomsen – o homem do FMI que andou por cá a conhecer as praias e agora é chefe da missão na Grécia – admitiu,  “olhando para trás”, que as soluções deveriam ter sido diferentes, evitando o aumento de impostos e acelerando a redução da despesa pública.
Ainda há-de chegar o dia em que ambos irão dizer, expressamente, que a redução dos salários foi um erro crasso, porque o efeito imediato dessa medida  foi reduzir o consumo interno e o asfixiar de centenas de pequenas e médias empresa, com o inevitável aumento do desemprego.
Não percebo – mas deve ser problema meu - como é que estes tipos que andaram a estudar em excelentes Universidades, ganham rios de dinheiro e usam a auréola de sábios, não perceberam aquilo que o sr. Casimiro,  dono da mercearia daqui do bairro, ou o sr. Gervásio, proprietário de um restaurante na zona das Avenidas Novas, perceberam em 24 horas, apesar de terem como únicos estudos a quarta classe tirada à pressa.
A esta gente que atravessa a Europa várias vezes ao ano,  viajando em executiva, come em restaurantes de luxo, dorme  em hotéis de cinco estrelas e exibe canudos das melhores universidades, falta-lhe um diploma fundamental: o da escola da vida.
Todas as suas decisões assentam em fórmulas matemáticas, equações complexas, desvios padrões e curvas de Gauss  mas eles não percebem que as regras da vida dos cidadãos se baseiam apenas na contabilidade do DEVE e do HAVER e que foram eles, com toda o seu saber académico que desequilibraram as contas, ao incentivar  o crédito a taxas de juro baixas e o sobreendividamento das famílias. Nessa altura, o seu objectivo era fortalecer os bancos , porque acreditavam que isso seria bom para dinamizar a economia. Se tivessem perguntado ao sr. Casimiro, ele teria de imediato respondido “ não vão por aí, porque isso vai dar merda”. E deu!
O reconhecimento dos erros da troika vem demonstrar também, algo que não devemos esquecer: se Portugal tivesse pedido ajuda mais cedo, já estaríamos na situação da Grécia, o que vem demonstrar que quando PPC , Cavaco,  Medina Carreira, Vítor Gaspar  e os mixordeiros que nos estão a conduzir para o abismo,  dizem que devíamos ter pedido ajuda há mais tempo, estão a cometer o mesmo erro dos sábios da troika e a vender gato por lebre.
 Vítor Gaspar  teria agora oportunidade de corrigir o erro e exigir à troika o reajustamento do programa. O problema é que este governo não está interessado nisso, por uma razão muito simples: a sua política assenta em bases ideológicas que visam promover o empobrecimento dos portugueses e aumentar as desigualdades, favorecendo o capital. Como se viu com os casos da Lusoponte e da EDP, ou no empréstimo sem juros ao BPN vendido ao desbarato e em circinstâncias que até à União Europeia estão a levantar grandes dúvidas.

Mães da Plaza de Mayo em Lisboa

                                                              Foto: Casa da América Latina

Ontem, ao princípio da tarde, telefonaram-me a dizer que no Teatro do Bairro em Lisboa, seria apresentada a peça " Más de Mil Jueves ", que tive a oportunidade de ver representada, em 2001, na Plaza de Mayo.
A peça - que relata a história das mães da Plaza de Mayo- é representada por uma das mães que todas as quintas-feiras se juntam  naquela praça emblemática de Buenos Aires, para reclamar os corpos do seus filhos desaparecidos durante a ditadura argentina.
Num texto enternecedor e comovente, a protagonista relata a história de um filho que lhe foi roubado pelos militares e que nunca mais viu. O seu drama, para além da perda, é não ter uma campa para chorar o filho.
Trata-se de uma bela homenagem às vítimas da ditadura argentina e a essas corajosas mulheres que nunca desistiram e persistem na sua luta para condenar os cafagestes que cometeram atrocidades infames durante aquele período negro da história da Argentina.
Mais informação sobre as Mães da Plaza de Mayo aqui

Dia do Pai



Pai:
Se fosses vivo, terias feito há dias 100 anos. Infelizmente, partiste cedo. Demasiado cedo,quando eu ainda precisava tanto dos teus conselhos e da tua sabedoria. Não tivemos uma relação isenta de discussões e a minha rebeldia irreverente provocou-te algumas lágrimas.   
Não, hoje não venho pedir-te desculpas,  penitenciar-me pelos erros que cometi, ou lamentar que não tivesses sido mais compreensivo em determinados momentos.
 Hoje, só te quero dizer que tenho saudades das nossas passeatas, das férias em praias outrora desconhecidas, da maneira como me deslumbravas quando me explicavas o que devia guardar de cada lugar por onde passávamos, das conversas à mesa sobre História e Geografia, das tuas reprimendas quando não estava sentado à mesa às oito em ponto, da dor que sentiste quando decidi partir.
Na altura, lembrei-te que também o avô deixara o Brasil para vir para a Europa e que anos mais tarde foras tu a atravessar o Atlântico, em sentido inverso, em busca da terra do teu pai. Tentei convencer–te que estava na genética da nossa família renegar o solo onde nasceu e que, além disso, Portugal era demasiado pequeno e mesquinho para mim. ( Vê só, até o meu bisneto  Arturzinho, que ainda não fez um ano, já vai emigrar para o hemisfério, que foi sempre o nosso, no próximo mês de Julho. É genético mesmo, não te parece?
Respondeste que não haveria revolução nenhuma que mudasse as coisas em Portugal, porque o problema não estava nos governantes, mas sim nos governados. 
Hoje vejo que tinhas razão, mas ficarias certamente indignado com a passividade deste povo que nunca amaste, porque como eu sempre tiveste o coração e a mente no hemisfério sul. Nesse aspecto, tivemos o mesmo destino. Não foi lá que fomos felizes como tanto desejámos. Mas algo nos separa. Foi  por cá que ficou o teu corpo, eu espero não deixar cá nem as cinzas.
Talvez te alegre saber que, apesar de ter regressado, continuo a olhar para Portugal como um país mesquinho, onde campeia a inveja, o espírito de capelinha, o corporativismo, a pequena intriga, a maledicência e o boato pérfido. “Isto” é um país de anões com a arrogância de Adamastores, Pai!
Regressei cedo demais, mas agora talvez seja tarde para voltar a partir. Partiste cedo demais e deixáste-me muita coisa para descobrir.
Ah, só mais uma coisa... Quando em breve voltar a Buenos Aires, vou ao Tortoni. Ouvirei contigo "La Cumparsita" e, como sempre faço, pedirei à orquestra que toque o tango que me cantavas quando estava apaixonado.
Como não sei se por aí tens acesso ao You Tube, deixo-te a letra e tu trauteias a música, ok?
Obrigado, Pai. Tenho saudades de ti!

“Dejate de locuras, muchacho,
pensá bien lo que haces.
Me han dicho que te han visto borracho
Llorando por una mujer...
Como el dolor te ha cambiado,
que ya no sos el de ayer!
Volvé pa' la milonga,
que un fuelle rezonga
como llamándote.


Al compás de un tango
la habrás de olvidar,
con una pebeta
que sepa bailar,
una piba buena 
que, al mirar tus ojos,
comprenda la pena
de tu corazón.


Al compás de un tango
habrás de encontrar
esa mujercita
sincera y leal,
y veras, un día,
lleno de alegría
a la que lloraste
ni recordarás.


Dejate de locuras, muchacho,
tenés que reaccionar.
El hombre debe ser de quebracho
pa' resistir el mal.
Si esa mujer te ha hecho daño
perderla ha sido mejor.
Volvé pa' la milonga,
que un fuelle rezonga,
pa' darte más valor.


Al compás de un tango
la habrás de olvidar,
con una pebeta
que sepa bailar,
una piba buena
que, al mirar tus ojos,
comprenda la pena
de tu corazón.


Al compás de un tango
habrás de encontrar
a esa mujercita
sincera y leal,
y veras, un día,
lleno de alegría
a la que lloraste
ni recordarás.”
Letra:Oscar Rubens

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Assunção Esteves- pessoa que  prezo e já aqui foi figura da semana- portou-se bastante  mal quando impediu  a ida de Passos Coelho à Comissão de Defesa, para explicar o enredo das secretas.
Na sexta-feira, pelo contrário, foi de grande firmeza e comportou-se de acordo com os valores que lhe conheço. Saiu prestigiada e ganhou  simpatias.
No dia seguinte, porém, voltou ( aparentemente) a estar mal. Quando a imprensa noticiou que ela ameaçara demitir-se se o PSD e o CDS inviabilizassem a Comissão de Inquérito ao BPN proposta pelo PS,  apressou-se a desmentir. Fez mal.  Tanto quanto sei, a notícia é baseada em boas fontes e até lhe é favorável. 
Assunção Esteves será, muito provavelmente, candidata a Belém em 2016. Se começa desde já a entrar na guerra dos desmentidos, só tem a perder. Pessoalmente, lamento, porque preferia ver uma mulher como ela em Belém a ter de suportar o empregado de cafeteria dos Açores que, terminado o cargo em Bruxelas, vai voltar a tentar a sua sorte por cá. Assunção Esteves não se pode dar ao luxo de desperdiçar oportunidades como esta, só para não pôr em xeque os partidos da coligação.

Música e poesia

Poema de José Carlos Ary dos Santos