quinta-feira, 15 de março de 2012

Publicidade enganosa

 Otelo Saraiva de Carvalho voltou a falar de um golpe das forças armadas. De quando em vez, Otelo tem necessidade de mostrar que ainda está vivo e diz aquilo que lhe vem à cabeça. Eu sei que não o faz por mal, apenas porque apesar da idade mantém alguma ingenuidade pueril que frequentemente o trai.
Como escrevi aqui, eu entendo as palavras de Otelo  mas, sinceramente, as suas declarações fazem-me lembrar, em Dia Mundial dos Direitos do Consumidor, publicidade enganosa.  São palavras mascaradas de esquerda, servidas de bandeja aos interesses da direita.
Preocupa-me que num momento em que a crise profunda em que o país vai mergulhar em breve, ainda não foi sequer assimilada no consciente da esmagadora maioria dos portugueses, a sua opinião coincida com a de Medina Carreira. Isso não é bom para a democracia, meu caro, e você tem obrigação de saber isso.

A Mulher na Publicidade (4)

Nos anos 20 do século passado, já existia o Viagra?

Conversas no hipermercado do futuro


Aos leitores mais sensíveis, recomendo que antes de lerem este post, vão ler este para perceberem  porque o escrevi.

Ano de 2029, num supermercado perto de si.
 Paula  e Teresa casaram há um mês. Ontem, decidiram ir ao supermercado fazer compras. No balcão do talho deixaram-se seduzir pelos embriões. Paula sugeriu de imediato que comprassem uma embalagem com um menino loiro de olhos azuis e 1,90m. Teresa olhou para o preço e sugeriu:
- Estamos no início de vida, Paula. Não achas que este é muito caro? Que tal se optássemos por aquele que está em promoção? Só mede 1,75, mas tem uns cabelos azeviche e uns olhos castanhos que são uma beleza!
-Estás a ver mal a coisa, Teresa! Não vês que o loiro de olhos azuis vem com um kit incorporado que o isenta de pagamento de propinas até entrar na Universidade? 
- Isso não é vantagem nenhuma, Paula. Podemos ensiná-lo a ler e quando chegar aos 18 anos vai frequentar um curso na Universidade "take away". Num ano sai de lá com um curso superior.
- Vês sempre as coisas pelo lado económico, Teresa! Não devia ter casado contigo…
- Estou apenas a ser prática, Paula! Mas se o teu problema é o miúdo ser moreno e preferes um loiro de olhos azuis, que tal comprarmos aquele que é mais baixito e não tem kit incorporado?
Paula  pensou durante uns instantes. Deixou sair um suspiro profundo e disse:
- Pronto, se é assim que queres…
- Já vi que não estás convencida. Pronto, levamos então o que tu queres. Talvez seja um bom investimento…
Paula sorriu e deu um repenicado beijo  a Teresa. Preparavam-se para pegar  na embalagem, quando foram surpreendidas pela chegada de Pedro e Tomás
- Tomás, já viste este loirinho de olho azul com 1,90m? Vamos levá-lo?
- É p’ra já, Pedro! 
Pegaram na embalagem e dirigiram-se apressadamente para a caixa registadora.
Paula e Teresa entreolharam-se desconsoladas.
- Paula, não fiques triste, vais ver que um dia destes arranjamos um nos saldos. 


( a indecisão das mulheres será sempre um forte handicap no futuro?)

La vache qui rit

Imagem da Net

Ainda sou do tempo em que os governos faziam leis que visavam proteger os consumidores dos mixordeiros e dos vigaristas que lhes impingiam gato por lebre. Obviamente sou antiquado, como fez questão de me explicar a ministra Cristas.
 Essa coisa de defender os direitos dos consumidores é algo anquilosado, próprio de mentes retrógradas sem visão de futuro por isso, a ministra da agricultura, ambiente e ofícios correlativos  decidiu pedir a Bruxelas autorização para dar rações ao gado de produção biológica. 
Ora se o pedido é compreensível, uma vez que em virtude da seca, o gado não tem pasto para se alimentar, já não me parece aceitável que daqui a uns meses os consumidores estejam a pagar "carne certificada" de produção biológica que não cumpre as regras necessárias a essa certificação.
Não tenho dúvidas que os produtores de carne biológica devem ser compensados pelos efeitos da seca, mas  é inadmissível que, para os proteger, a ministra não tenha pejo em enganar os consumidores.

Dia Mundial dos Direitos do Consumidor


Comemora-se hoje o Dia Mundial dos Direitos do Consumidor. Este ano, a literacia financeira destronará a “junk food” no centro das preocupações dos consumidores , mas   dei por mim a pensar que face à situação em que vive o país e a Europa em geral a discussão sobre a “junk food” seria bem apropriada, pois para os cidadãos europeus os próximos actos eleitorais a decorrer em França, na Alemanha e até mesmo em Portugal- se a troika deixar-   vai ser como optar entre o Mc Donalds e a Pizza Hut.
Ora tendo em atenção as recomendações da Organização Mundial de Saúde  e os conselhos da União Europeia, para uma alimentação mais saudável, talvez fosse altura de deixarmos a “junk food” e apostar em políticos  mais ricos em vitaminas e proteínas. 
Em tempo: hoje  haverá crónica. Será, obviamente, alusiva aos consumos do futuro.

Poeminha de Louvor a Strip tease secular


Poeminha de Louvor ao Strip-tease SecularEu sou do tempo em que a mulher
nem mostrava o tornozelo;
que apelo!

Depois, já rapazinho
vi as primeiras pernas de mulher
por sob a curta saia;
que gandaia!

A moda avança,
a saia sobe mais,
mostrando já joelhos
lupercais!

As fazendas com os anos,
se fazem mais leves,
e surgem figurinhas, pelas ruas,
mostrando as lindas formas quase nuas.

E a mania do sport
trouxe o short.

O short amigo,
que trouxe consigo,
o maiô de duas peças.

E logo, de audácia em audácia,
a natureza, ganhando terreno,
sugeriu o biquini,
o maiô, de pequeno, ficando mais pequeno
não se sabendo mais,
até onde um corpo branco,
pode ficar moreno.

Deus, a graça é imerecida,
Mas dai-me ainda
Uns aninhos de vida!
( Millôr Fernandes)