sexta-feira, 9 de março de 2012

Toma lá o brinquedo


Como já alvitrara aqui,  Passos Coelho vai ter de  arranjar um brinquedo para o Álvaro se entreter e ficar de bico calado. Sem prenda, o homem  segue o conselho do Relvas, abandona a zona de conforto e volta para o Canadá para escrever um livro sobre o tempo em que foi ministro, em que revelará alguns episódios edificantes da sua relação com Gaspar. Sucesso garantido, meu caro Álvaro, e talvez mais compensador financeiramente do que o cargo de embaixador na OCDE. Até Junho tem de se decidir... 

A Mulher na Publicidade (2)

Quando se trata de explorar a mulher, a publicidade não escolhe raças

Lata Histórica


Cavaco Silva acusa Sócrates de falta de lealdade histórica.
Não discuto se o PR tem ou não razão, mas parece-me pouco sensato que, estando ainda em funções, Cavaco Silva faça afirmações deste jaez. É preciso ter uma grande "lata" histórica para fazer uma acusação deste género, pois em termos de lealdade, não me parece que o PR possa dar lições a José Sócrates...
Fica-me a dúvida: Cavaco Silva pensa que o país se esqueceu deste triste episódio no Verão de 2009, ou foi ele mesmo que já se esqueceu?
No caso de estarmos perante a segunda hipótese, José Lello é capaz de ter razão quando aconselha Cavaco a "ir tratar-se"

A Mulher de César

Tenho ouvido por aí dizer que PPC é um homem honesto. Acredito, mas não chega a um  PM ser sério e honesto. É preciso que não deixe dúvidas sobre essas virtudes.
Ora,nos últimos tempos, têm vindo a público situações  no mínimo nebulosas. Desde o caso Lusoponte - onde além do duplo pagamento das portagens se assistiu a uma estranha trapalhada entre o PM e um secretário de estado-à nebulosa venda do BPN,começam a surgir inúmeros "casos" que o governo não esclarece.
É no mínimo estranho que um governo tão cioso no rigor das contas não saiba onde pára o dinheiro das portagens, nem pareça dar grande importância ao caso.
As contas da Madeira e o processo de resgate continuam envoltos  num manto de nevoeiro.
O debate de quarta-feira revelou um PM acossado a refugiar-se nas acções do governo anterior  para justificar a sua desastrosa acção política. Escudar-se nas orientações erradas seguidas pelo governo que o precede, para justificar a subida em flecha do desemprego, não é sério.
Não regatear a oferta de 300 milhões de euros ao BPN - cuja venda  por 40 levanta dúvidas até na União Europeia- e não hesitar um segundo no momento de espoliar os funcionários públicos dos seus salários, não é de gente de bem. Descartar-se dos encargos com milhares de funcionários, enviando-os para o limbo da Mobilidade Especial sem direito a indemnização ou subsídio de desemprego, é uma medida que certamente faria inveja a Al Capone.
Ter como único argumento para rebater as críticas da oposição, o dedo apontado ao governo anterior, não é honesto e revela falta de argumentos.
Espoliar quem tem pouco ou nada, para encher os bolsos dos senhores do dinheiro, não é propriamente ser Robin dos Bosques.
Ser célere a perseguir quem trabalha, mas  complacente com as "falhas" dos amigos, não é digno.
O PM até pode ser sério e honesto mas, como o governo  que dirige não age como tal, não parece. E isso, além de ser muito mau para ele e para o governo, é péssimo para a democracia.

Retrato de Mulher Triste


Vestiu-se para um baile que não há. 
Sentou-se com suas últimas jóias. 
E olha para o lado, imóvel. 

Está vendo os salões que se acabaram, 
embala-se em valsas que não dançou, 
levemente sorri para um homem. 
O homem que não existiu. 


Se alguém lhe disser que sonha, 
levantará com desdém o arco das sobrancelhas, 
Pois jamais se viveu com tanta plenitude. 


Mas para falar de sua vida 
tem de abaixar as quase infantis pestanas, 
e esperar que se apaguem duas infinitas lágrimas.


(Cecília Meireles)