quinta-feira, 8 de março de 2012

A super girl que trincou a maçã bichada


Isto acaba mal, eu sei... mas neste Dia Internacional da Mulher não podia deixar de lembrar as mulheres sem carácter e sem vergonha, que se fazem passar por puritanas e defensoras dos bons costumes mas, logo que uma oportunidade lhes surge, esquecem os princípios que sempre proclamaram defender e  progridem na carreira por insondáveis desígnios, onde se não descortina o mérito. ( Pois, eu sei que também há muitos homens assim, mas hoje  no CR só se fala de mulheres) Escolhi como exemplo desse tipo de  mulher, a ex-editora do DN Maria de Lurdes Vale, que então fazia parte do núcleo laranja do jornal.
Em Novembro de  2010 escrevia esta crónica indignada, onde perguntava  "E os nossos filhos?"de que destaco este excerto:
" Os partidos são vistos como umas entidades que estão para além do comum dos mortais, cheios de carreiristas que vivem e sobrevivem à espera do momento em que também eles vão dar a dentada na maçã  alimentar-se do bicho que as corrói"

Continuou a escrever  crónicas  indignadas, esbracejando contra o carreirismo, os boys  e o oportunismo mas, seis meses depois, era recrutada para o gabinete de Álvaro Santos Pereira, com a missão de desenvolver estudos no âmbito das respectivas habilitações profissionais e académicas. A jornalista trincou a maçã, sendo por isso responsável pelo pecado original da sabujice. 
 Ainda nem tinha aquecido o lugar, foi nomeada pelo mesmo Álvaro para administradora do Turismo de Portugal, sem que quaisquer competências lhe sejam reconhecidas na matéria. Fica a sensação que os únicos estudos que desenvolveu ao longo de seis meses, tiveram como objectivo a escolha do melhor lugar onde pudesse encaixar-se. Demonstrou que em seis meses passou a distinguir a maçã bichada da maçã biologicamente pura, tendo sido compensada com um vencimento chorudo, que a eleva ao estatuto de super girl. Consta que continua a dormir tranquila e, se for uma mulher de Fé, deve ir todos os dias agradecer a graça a Nossa Senhora de Fátima. De carrinho e motorista, claro... 
Em tempo: Para saber mais pormenores desta ascensão meteórica, leia aqui

Mulheres que não baixaram os braços



Nos messes de  Março de 2010 e 2011 homenageei aqui mulheres portuguesas e de todo o mundo, que se distinguiram na luta pelos direitos das mulheres. ( Os/as interessados/as podem encontrá-las na barra lateral do CR). Hoje,  recordo aqui uma dessas mulheres, cuja história de vida deve ser sempre lembrada. 
Rugiatu Turay nasceu na Serra Leoa . É jornalista, tem 34 anos  e foi sujeita à excisão feminina. Tinha apenas 12 anos e era órfã.
Inconformada, iniciou uma luta para evitar o sofrimento das crianças africanas a esta prática ignominiosa.
Sabe que o peço a pagar pode ser a morte mas, embora conhecendo o perigo que corre, fundou em 2002  o Amazonian Initiative Movement, com um grupo de mulheres  que conheceu num campo de refugiados na Guiné, onde esteve durante a guerra civil na Serra Leoa. Desde a criação do movimento, quatro activistas  receberam ameaças de morte e abandonaram o movimento. Apesar de ameaçada- e mesmo depois de ser raptada por outras mulheres que a obrigaram a caminhar nua pelas ruas da cidade de Knema- continua a sua luta. Visita aldeias e vai às escolas, onde esclarece as excisoras  sobre os perigos  e consequências da excisão  e tenta convencê-las   a renunciar à sua prática.
Afirma que já conseguiu demover cerca de 700 mulheres em 111 aldeias da Serra Leoa. Será  uma ínfima parte, mas é pelo menos um começo.

Ora adivinhem lá quem foi a mulher...

...que disse esta frase:
" O ópio do povo não é a religião, mas sim a revolução"

Sou tão mazinha, não sou?

Na segunda-feira falava com uma amiga sobre as postagens que tinha em mente  para o dia de hoje. Não sendo muito entusiasta sobre a celebração de um "Dia (internacional) da Mulher" reagiu com alguma indiferença, mas deu um palpite:
"Vê lá se escreves um post a dizer que o pior inimigo de uma  mulher é outra mulher"
Inicialmente, pensei  que a minha amiga se estivesse a referir a situações de âmbito amoroso, mas logo ela me esclareceu que não era esse aspecto o mais relevante. Na opinião dela, é nos locais de trabalho que  as relações entre mulheres se tornam, frequentemente, insustentáveis. 
" Nem imaginas  do que algumas mulheres são capazes para subir na carreira! E depois, quando chegam a lugares de chefia, tornam-se verdadeiras mestras no terrorismo psicológico. No local onde trabalho, há poucos homens e as chefias estão todas entregues a mulheres que se protegem e trocam influências. A progressão das mulheres que estão na base é, normalmente, barrada por esta teia que as mulheres tecem para protegerem o grupo.  Queres que te diga uma coisa? Prefiro mil vezes o assédio sexual dos homens nos locais de trabalho, do que o assédio moral que algumas mulheres exercem sobre as outras. O terror psicológico destrói-me, os avanços de alguns homens às vezes até me diverte e quando vejo que estão a passar os limites sei muito bem como os ponho na ordem. Sinto-me é impotente para travar o assédio moral!"
A minha amiga contou-me episódios que me deixaram de boca aberta, mas que aqui não vou revelar, a seu pedido. Não é que desconheça o terrorismo psicológico e o assédio moral de que algumas mulheres são capazes. Ao longo da vida fui chefiado por quatro mulheres e só uma me deixou saudades: a primeira. 
Gostaria, no entanto, de saber a vossa opinião sobre esta (aparentemente) estranha relação entre as mulheres  no mundo do trabalho, principalmente quando se deixam inebriar pelo poder.
Eu sei que estas situações também ocorrem entre homens, mas nesses casos resolvem-se facilmente.

Divas


Há mulheres cuja beleza atravessa gerações e se torna imortal. Não serão muitas, mas como não caberiam todas neste espaço escolho uma que, sendo da geração dos meus pais, ainda permanece como diva para muitos jovens de hoje: Greta Garbo

As condições de trabalho das mulheres



Sobre as origens do Dia Internacional da Mulher já escrevi aqui, aqui e aqui. Também já lembrei às mulheres mais jovens, aqui e aqui, que até ao 25 de Abril a maioria das mulheres portuguesas era"propriedade do macho".
Este ano, optei por recordar a forma como evoluíram as condições do trabalho das mulheres, ao longo dos últimos 120 anos.
Em 1891, ano da Encíclica Rerum Novarum do Papa Leão XIII, o Rei D. Carlos faz publicar um Decreto onde é regulamentado o trabalho de menores e mulheres nos estabelecimentos industriais.
A  legislação de 1891 manteve-se inalterada até 1911, ano em que Portugal adopta a convenção internacional sobre proibição de trabalho nocturno das mulheres empregadas na indústria.
Em 1915, a Lei nº 297 de 22 de Janeiro regulamenta o trabalho de mulheres e menores. Em relação às primeiras, proíbe-se o trabalho nas quatro semanas seguintes ao parto, mas sem direito a remuneração. A Lei concedia no entanto à mãe o direito a ausentar-se do trabalho após as quatro semanas, para amamentar o filho, estabelecendo para o efeito determinadas regras.
Em 1927, o decreto 14498  estabelece que o período  pós parto das mulheres – que se mantém nas quatro semanas- seja remunerado.
Trata-se de um avanço significativo na forma de encarar o trabalho feminino, mas a consagração legislativa de uma protecção ao trabalho das mulheres não encontra eco na sociedade portuguesa que ora vê a mulher como mão de obra barata concorrente do trabalho masculino e ameaça os seus postos de trabalho, quer assume convictamente que o lugar da mulher é no lar e não na fábrica.
Durante o Estado Novo, regista-se uma regressão dos seus direitos e uma determinante intenção de as afastar do mercado de trabalho. Salazar queria-as em casa e não a trabalhar em concorrência com os homens, chegando mesmo a afirmar que “ o recurso à mão de obra feminina representa um crime” ou que “ quando a mulher casada concorre com um homem por um posto de trabalho, a instituição da família ameaça ruína”.
Nos anos 40, as suas profissões variavam entre o trabalho rural, a enfermagem, o professorado (a esmagadora maioria no ensino primário) e o operariado, especialmente a indústria têxtil. O exército de criadas de servir era, porém, numeroso: cerca de 200 mil. Vinte anos depois, o panorama não apresentava grandes diferenças, a não ser quanto ao escalão etário das criadas, já que crianças de 13 e 14 anos engrossaram o exército das empregadas domésticas, cuja contratação, porém, continuava a depender de "rigorosas informações". Quanto a direitos, eram simplesmente inexistentes e podiam ser despedidas a qualquer momento, sem direito a qualquer retribuição.
Apesar de tudo, nos anos 50, aumentou significativamente o número de mulheres no mercado de trabalho. Em alguns sectores, como os têxteis, o vestuário e o tabaco, havia mais mulheres do que homens a trabalhar, o mesmo acontecendo nos sectores onde o trabalho era precário e não especializado.
O acesso a determinadas profissões estava-lhe mesmo vedado, como era o caso da magistratura e da diplomacia. Também não podiam montar um negócio ou encetar uma vida profissional sem autorização do marido, situação que se manteria até  ao final dos anos sessenta, com a aprovação do Código Civil. Podiam no entanto ser enfermeiras, embora estivessem impedidas de casar e, quanto às professoras, só podiam casar com autorização do ministro, sendo o candidato a cônjuge obrigado a demonstrar “bom comportamento civil e meios de subsistência consentâneos com o vencimento de uma professora.”  Dito por outras palavras, só podiam casar com um homem que tivesse um salário superior ao dela.
Nos anos 60, a guerra em África vai permitir que muitas mulheres entrem no mercado de trabalho, substituindo os “mancebos” que partiam em “defesa da Pátria”. Isso não significa, porém, um aumento de regalias.
É já após o 25 de Abril, que a Constituição de 1976 reconhece o seu direito ao trabalho, corolário lógico de uma tendência que emergira na sociedade portuguesa na década anterior. Em 1978, com a revisão do Código Civil, a mulher deixa de ter estatuto de dependência para ter estatuto de igualdade com o homem.
O alargamento do prazo de licença de maternidade a todas as trabalhadoras, a criação de condições especiais de segurança e saúde nos locais de trabalho para trabalhadoras grávidas e lactantes, licenças para acompanhamento de filhos menores e filhos deficientes e com doenças crónicas, são algumas medidas que visam criar melhores condições de trabalho para as mulheres. Não obstante, nas décadas seguintes, muitas empresas continuaram a recusar emprego a mulheres, ou a condicionar a sua admissão ao compromisso de não casarem ou não terem filhos.
Foi principalmente na Administração Pública que o ingresso das mulheres no mercado de trabalho se fez sentir, sendo hoje- de acordo com o último recenseamento - em maior número (61,1%) do que os homens na Administração Central e, em muitos organismos, são mulheres que maioritariamente ocupam os lugares de chefia. No entanto, a remuneração média das mulheres continua a ser inferior à dos homens, independentemente das qualificações académicas serem iguais.



A Mulher na Publicidade (1)


Depois das flores que deixei aqui ontem à noite, começo a maratona deste dia com a rubrica "A Mulher na Publicidade"
Ao longo do tempo, a  publicidade tem utilizado a mulher como símbolo sexual, ou  como propriedade do macho. Até final do mês  publicarei aqui alguns exemplos que, de certa forma, mostram como a publicidade tem  visto a mulher ao longo do tempo. Para começar, não está mal, não vos parece?

Música por flores



A minha posição sobre o Dia Internacional da Mulher ficou expressa nesta carta que escrevi às mulheres portuguesas em 2009. 
Não deixarei no entanto de assinalar devidamente o dia, com postagens  a cada 2 horas, a partir das 9h00 TMG.
Entretanto,  ofereço  a todas as leitoras do CR, que tenho o prazer de receber diariamente no CR  estas flores  e desejo-lhes  um feliz Dia da Mulher, fazendo votos para que este dia não tenha de se repetir por muitos anos, pois será sinal que os vossos direitos foram finalmente equiparados aos dos homens.
Assinalarei o dia com posts de 2 em 2 horas, espero que gostem das minhas escolhas.
Entretanto, ao longo do mês - e como aconteceu em anos anteriores-  continuarei a escrever alguns posts sobre   mulheres que se destacaram em diversos sectores e histórias de vida de  outras que fui conhecendo ao longo da vida e mereceram a minha atenção.
Em tempo: a partir de amanhã - e até final do mês-  a música habitual neste espaço será substituída por poemas de mulheres ou dedicados às mulheres