quarta-feira, 7 de março de 2012

Momento Viagra

"Vamos com ambição para os quartos!"
( Jorge Jesus após a vitória do Benfica sobre o Zenit)
Ó mister, você já não tem 20 anos e na sua idade é melhor não criar demasiadas expectativas... pode ficar nervoso e depois as coisas correrem mal.
Aviso importante: amanhã haverá posts no  CR de duas em duas horas. À meia noite, explico porquê

Com a verdade m'enganas


Foto JN

Uma marca de calças de homem colocou na etiqueta de conselhos de lavagem a frase: “Dá-as à tua mulher. É o trabalho dela”. 
A denúncia foi feita por uma editora do Daily Telegraph on line  e está a agitar as redes sociais, como poderão ler aqui.. 
A frase troglodita que tanto escândalo está a provocar, por  ser reveladora de um machismo ultrapassado,  pode não estar assim tão desadequada à realidade, como à primeira vista parece. Pelo contrário, talvez se trate mesmo de uma mensagem  premonitória do futuro, que quebra o discurso politicamente correcto.
Veja-se, por exemplo, o caso de Mitt Romney, provável candidato dos republicanos que irá enfrentar Obama nas presidenciais americanas de Novembro próximo.  Sendo mórmon- uma religião em  franca  ascensão nos Estados Unidos e um pouco por todo o mundo- defende entre outras teses de subalternização da mulher, que o lugar das fêmeas é em casa, a desempenhar o papel de Fada do Lar e a cuidar dos filhos.
Sabendo nós como as modas vindas dos Estados Unidos alastram pelo mundo como nódoas de azeite, se  Mitt Romney chegar à Casa Branca, talvez o discurso sobre o papel da mulher na sociedade sofra  surpreendentes alterações.
Por cá, apesar dos discursos politicamente correctos, as gerações mais jovens também pensam assim. Como se pode ler num trabalho publicado  na revista do “Expresso” do último fim de semana, os jovens entrevistados  têm posições muito mais conservadoras do que as raparigas. Respondendo a uma pergunta sobre sonhos e utopias, o jovem Francisco afirma peremptório:
“ Quero chegar a casa e ter a minha  mulher e os meus filhos à espera”  Acham que o rapaz vai ficar solteiro? Não me parece...
Durante este mês espero trazer aqui mais alguns exemplos de uma tendência  regressiva  das mentalidades, que começa a ser visível no mundo  ocidental.  Mas estes dois exemplos são só por si suficientes para perceber que, afinal, a marca de calças que colocou aquela frase talvez não seja assim tão retrógrada.  
Como é costume dizer-se, “ a brincar, a brincar se vão dizendo as verdades…” ou “Com a verdade m’enganas”

Os desígnios de Relvas



Pode uma empresa  classificada em último lugar num concurso ser declarada vencedora ? Pelo menos em Portugal, pode. É o caso da empresa  GFK, escolhida pela  Comissão de Análise  e Estudos de Meios (CAEM) para substituir a Marktest  na medição das audiometrias televisivas.
É certo que ainda há duas semanas a Comissão Técnico Consultiva da CAEM chumbou a empresa mas, por razões até agora não explicadas, a direcção da CAEM fez ouvidos de mercador  a esse parecer.
Para além da balbúrdia que os resultados diariamente apresentados pela GFK estão a provocar,  dos protestos  da RTP ( que de um dia para o outro perdeu  um terço de telespectadores) e da admissão por parte da própria empresa, de que os seus resultados não são fiáveis, importa realçar que esta brincadeira  está a custar à RTP ( e por tabela a todos nós) 13 milhões de euros por dia, segundo uma notícia que li por aí.
Não sei se os resultados apresentados pela GFK  visam, deliberadamente, alterar o mercado publicitário e  satisfazer  alguns interesses. Sei é que  os resultados são risíveis.  Entre outros mimos de estupidez e  incompetência, validados pela CAEM, há horas do dia em que a RTP não tem um único   telespectador, ou  o caso de um  jogo Guimarães Benfica que teve audiência zero. 
Sei também – e isso é talvez o que mais me dói – que  para o ministro Relvas, tudo isto são minudências, mas não é por isso que deixo de considerar  inadmissível a reacção do omnipresente manager de Coelho. Responder “ isso em nada prejudica a privatização da RTP”, quando  uma empresa pública por ele tutelada  está  a ser gravemente prejudicada é  preocupante e uma reacção deste jaez só pode ter duas interpretações: ou o ministro sofre de uma grave perturbação mental, ou os resultados agradam à sua estratégia.

Mulheres de Outros Mundos (1)


                                       
Eunice Kennedy Shriver
(1921-2009)

O nome de Maria Shriver será familiar a muitos leitores. Não tanto pelo facto de ser jornalista, mas sim por ter sido casada durante 25 anos com Arnold Scwarzenneger.
Não é, porém, com Maria Shriver que inicio estas biografias de Mulheres de Outros Mundos, mas  sim com sua mãe, Eunice Kennedy Shriver, irmã do falecido presidente americano e talvez a menos conhecida do clã Kennedy.
Escolhi-a, porque ela  é sempre  apontada  como a fundadora dos Jogos Paralímpicos, um certame que decorre de quatro em quatro anos, após os jogos Olímpicos- que este ano se realizarão em Londres. No entanto, tal não corresponde à verdade…
Filantropa, Eunice dedicou grande parte da sua vida às pessoas com dificuldades de aprendizagem.
 “O trabalho dela transformou as vidas de milhares de milhões de pessoas em todo o mundo e elas são, em troca, o seu legado” –lembrava a família em comunicado após a sua morte, em 2009.
Apesar de  sempre ter estado envolvida nas  campanhas democratas dos  irmãos, o seu trabalho em prol das pessoas com deficiências mentais nunca conheceu barreiras políticas, tendo sido agraciada pelo presidente Ronald Reagan ( republicano)  com a mais alta condecoração civil dos EUA: A Medalha Presidencial da Liberdade.
As suas preocupações com as pessoas mentalmente doentes começaram depois de a irmã Rosemary ter sido sujeita a uma lobotomia (levada a cabo devido ao ligeiro “atraso” de que supostamente sofria), tendo passado a maioria da sua vida num lar.
Lê-se, na sua biografia, que em 1963  participou num acampamento para crianças com deficiência mental realizado em Maryland.  Terá sido nessa altura que percebeu  que as crianças, mesmo com problemas mentais, eram muito ativas e tinham boas capacidades físicas. Estimulada pela realização das Olimpíadas de Tóquio, em 1964, empenhou esforços na realização de um evento paralelo destinado a pessoas com deficiência.  
Na verdade, porém, a ideia dos Jogos Paralímpicos remonta a 1948, tinha Eunice 27 anos. Nesse ano, Londres foi a cidade organizadora  dos  Jogos Olímpicos e, por iniciativa de Sir Ludwig Guttmann  realizou-se em Stoke Mandeville uma competição olímpica de arco para paraplégicos, mas apenas com representantes britânicos.  Até 1959, a competição foi-se realizando de forma irregular, sempre em Stoke Mandeville, mas contando com um número crescente de participantes de outros países. 
Foi  em 1960, ano em que  os Jogos  Olímpicos se realizaram em Roma, que teve lugar a primeira edição dos Jogos  para deficientes fora de Stoke Mandeville. A partir desse ano, os Jogos passam a realizar-se na cidade organizadora dos Jogos Olímpicos, respeitando o ciclo olímpico e  ganham a nomenclatura de Paralimpíadas. 
Eunice Kennedy Shriver não terá sido pois a fundadora dos Jogos Paralímpicos, como consta da sua biografia, mas sim uma grande entusiasta na sua realização. Será mais correcto atribuir a sua paternidade ao neurologista alemão Ludwig Guttmann ( obrigado pelo Reich a emigrar para Inglaterra) , já que a sua iniciativa em 1948 foi realmente o embrião dos actuais Jogos Paralímpicos.
A Eunice Shriver não pode, no entanto, ser retirado o mérito de ter dedicado a sua vida a apoiar os deficientes mentais, tendo desenvolvido uma obra de grande relevância,  reconhecida não só nos Estados Unidos, mas também um pouco por todo o mundo. Por isso a incluo este ano entre algumas das grandes mulheres que vou destacar durante o mês de Março.

Duetos (21)

 A série de duetos termina aqui mas, com eles dizem, " O melhor ainda está para vir". É já amanhã...