terça-feira, 6 de março de 2012

Isto está uma seca!

Já no terceiro mês de 2012, Portugal continua a viver uma seca. Meteorológica e política. Apenas  Vítor Gaspar  parece ter sonhos molhados,excitado que anda com o prazer que tem em fornicar os portugueses. 

Quotas

De Bruxelas espera-se tudo. Desde a curvatura do pepino, ao diâmetro dos tomates, passando pelo tamanho dos "jaquinzinhos", a normalização europeia é uma paranóia que não me tenho cansado de criticar.
Impôr quotas para mulheres nas administrações das empresas, parece-me ser mais  uma medida pouco inteligente, encadernada em princípios de igualdade de direitos.  Quotas porquê e para quê? Se as querem para as mulheres, por que razão não as estabelecer também para deficientes, imigrantes, pretos e asiáticos?  Sinceramente, as mulheres não mereciam ser tratadas assim. A proposta da comissária europeia não defende o direito das mulheres à igualdade e, pelo seu contéudo, demonstra que as quotas não são uma boa ideia, pois  não resolvem o problema das competências. É bom lembrar que Vivianne Redding  é comissária europeia em boa parte  graças às quotas, e essa deveria ser razão suficiente para ela já ter percebido que as quotas não dignificam quem assume um lugar graças a essa prerrogativa.

The winner takes it all

As sondagens dão-lhe entre 16 a 18 por cento dos votos nas presidenciais francesas de Abril, percentagem que ameaça Sarkozy de nem conseguir chegar à segunda volta, a realizar em Maio. No entanto, Marine Le Pen, a líder da extrema direita conhecida como "a candidata do povo", corre o risco de nem sequer conseguir apresentar-se à corrida. Estranho, não vos parece? 
Não tanto assim... Também em França, a democracia está cheia de truques e golpes baixos e  um candidato às presidenciais tem de recolher 500 assinaturas de eleitos locais para ver o seu nome inscrito nos boletins de voto. Marine Le Pen tem 10 dias para arranjar as 48 assinaturas que lhe faltam e o dinheiro de que necessita para a campanha. Como se pode ler aqui, a tarefa não está fácil.
Apesar de ser aparentemente uma boa notícia, o afastamento da  corrida da candidata da extrema-direita está inquinado e pode ter, a médio prazo, efeitos perversos.
Como facilmente se percebe, o grande beneficiado será Sarkozy, cujo discurso se tem aproximado dos grandes ideais do partido de Marine Le Pen, o que lhe irá certamente permitir obter um número significativo de votos da extrema-direita. Sarkozy recebeu o apoio de Merkel. 
Depois de escolher os governos da Grécia e de Itália, Merkel  quer também condicionar as eleições em França e terá conseguido que , tal como ela, também Cameron, Monti e Rajoy, se recuem a receber François Hollande.
Em jogos de bastidores que inquinam a vontade popular, a direita tenta perpetuar-se no poder do Atlântico aos Urales. Dizem eles que a bem da democracia e do desenvolvimento. A mim, parece-me que o caminho é bem diferente e não augura nada de bom... e é um bom pretexto para pensar na revisão da lei eleitoral que o Centrão anda a cozinhar, baseado no princípio "The winner takes it all" ( o partido mais votado numa autarquia preencherá todos os lugares do executivo camarário, deixando de ter oposição).

O Capuchinho Vermelho ( versão para adultos)


Álvaro Santos Pereira tinha razão quando ao chegar à Portela - ainda antes de tomar posse - pediu para o tratarem por Álvaro e não por ministro. Ele sabia que não tinha unhas para tocar uma guitarra com tantas cordas e não se quis comprometer. Terá aceitado o cargo, porque pensou que a avó Coelha,  tendo-o convidado para o cargo, o protegeria das investidas de um qualquer Lobo Mau. 
Foi por isso aceitando, com a bonomia que o caracteriza - e até algum alívio - a expropriação de tarefas mas, quando o Lobo Mau  aguçou os dentes e a avó Coelha em vez de o proteger disse: "Trinca, lobo mau, trinca que eu gosto", chegou à conclusão que tinha sido enganado.
Álvaro só ainda não rescindiu com o governo, porque a avó  Coelha adoptou a táctica de Abramovich, o patrão do Chelsea. Para que Álvaro saia, a avozinha  exige pacto de silêncio ( não quer que as pessoas fiquem a saber que adora as carícias do lobo mau) e oferece-lhe uma indemnização mexeruca. 
Quanto à indemnização, Álvaro não levantou muitas ondas, mas quanto ao pacto de silêncio  não esteve pelos ajustes. Ele sabe muitas histórias que poderão desacreditar a avozinha e não quer abrir mão desse trunfo. Entretanto,  já telefonou a Villas Boas e a Mourinho, para saber se o pacto de silêncio que assinaram com o patrão do Chelsea foi compensador em termos financeiros. 
Não sei se as respostas foram convincentes, mas não me espanto se um destes dias Álavro anunciar a rescisão amigável, em troca de uma indemnização ( nomeação) muito compensadora, suficientemente convincente para comprar o seu silêncio. Uma Garganta Funda se encarregará de trazer para a comunicação social os aspectos mais íntimos de uma história de amor (nascida na blogosfera) que acabou mal.

Duetos (20)