segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

O Blog da semana

Retomo hoje a rubrica Blog da Semana. A primeira escolha de 2012 vai para o Quiproquo, um blog de visita diária obrigatória, que além de momentos de boa disposição  (como é o caso do post de hoje), nos dá excelentes dicas sobre filmes e livros. Ide lá confirmar...

A mensagem de Berlim


Não faltará por aí quem diga que o festival de cinema de Berlim é o mais fraco festival de cinema que se realiza na Europa. Embora aceite sem rebuço que está a longa distância de Veneza ou Cannes, isso não invalida que considere da maior importância para o cinema português, o Urso de Ouro atribuído a Rafa ( curtas metragens) e o prémio conquistado por Tabu.
O cinema português é mais apreciado lá fora do que por cá, pelo que estes prémios servirão, pelo menos, para levar alguns portugueses às salas de cinema. Alguns sairão desiludidos porque aquilo não mete tiros nem perseguições de polícias a criminosos, mas outros concluirão que afinal vale a pena ver o novo cinema português.
Pessoalmente, estou ansioso por  ver “Tabu”, do mesmo realizador de “Aquele Querido mês de Agosto”, filme que adorei. Não tanto como este, mas  também de inegável qualidade. 
Num momento em que quase nos envergonhamos de ser portugueses e somos representados além fronteiras, por políticos medíocres, devemos animar-nos com o reconhecimento do nosso talento lá por fora. Não me refiro exclusivamente ao cinema… falo também dos prémios de investigação na área da ciência, na arquitectura, nas artes, na literatura e até no desporto. (E falo também das capacidades de trabalho dos portugueses, tantas vezes enaltecida no estrangeiro…)
Todos estes prémios vêm demonstrar que o talento dos portugueses é real, mas leva-nos a colocar a questão: se somos bons lá fora, por que razão não somos reconhecidos cá dentro?
A resposta parece-me simples. Não temos por cá muitos  gestores  com capacidade para explorar o nosso talento;  temos  muitos patrões, mas poucos empresários; não criamos condições para que os nossos talentos  desenvolvam as suas capacidades.
Não há reforma estrutural que consiga alterar esta situação enquanto qualquer pessoa, apenas porque tem uns dinheiritos consegue montar uma empresa, ou chega a dirigente da administração pública tendo como única credencial a fidelidade partidária. 
São poucas as esperanças de mudança, quando o próprio primeiro-ministro acusa os portugueses de calaceiros e piegas, quiçá reproduzindo a imagem que todos os dias  vê projectada no espelho, quando se prepara para o escanhoar matinal.
Continuemos a tentar mostrar-lhe   que se estamos agora a ser governados por uma troika, a culpa não é dos calaceiros dos portugueses, mas sim de um punhado de políticos, por ele encabeçado, que pôs os seus interesses pessoais à frente dos do país. 

Fadas do Lar


Há dias escrevi um artigo  sobre a evolução das condições sociais do trabalho durante o século XX, que será publicado na revista “Dirigir” de Março.
Uma parte do artigo aborda  o tema das  mulheres e não pude deixar de fazer referência a uma frase de Salazar:
 “ o recurso à mão de obra feminina representa um crime e quando a mulher casada concorre com um homem por um posto de trabalho, a instituição da família ameaça ruína”.
Lembrei-me também, enquanto escrevia o artigo de Marcelo Caetano que, durante um exame na faculdade de Direito, humilhou uma colega minha perguntando-lhe:
“ Porque é que a senhora, em vez de estar aqui a estudar Direito, não está em casa a aprender a pontear e a coser meias? Isso será muito mais útil ao seu futuro marido, do que ter em casa uma advogada”.
Esta forma de ver o papel da mulher na sociedade portuguesa não se alterou tanto depois do 25 de Abril, como alguns pensam.  O recentemente “empossado” cardeal português, Manuel Monteiro de Castro, fez questão em prová-lo. A Igreja- ou pelo menos alguns dos seus mais altos dignatários-  continua com a mesma mentalidade dos políticos do Estado Novo.  A verdade, porém, é que não está sozinho. Ainda há muitos homens que defendem a mesma opinião. Não têm é coragem de o afirmar publicamente.

Reserva mental

Muito se discute se Portugal vai precisar de um segundo resgate. Não sou economista nem percebo nada de finanças, mas nunca tive dúvidas da necessidade de recorrer a um novo pedido de ajuda.  Também não sou bruxo...apenas interpretei o oráculo de Vítor Gaspar quando perguntado se  garantia que os subsídios de férias e de Natal roubados aos funcionários públicos e pensionistas lhes seriam devolvidos em 2014. 
Com aquele tom de voz de disco de 78 rpm a rodar a 33, Vítor Gaspar repetiu sobejas vezes: " a medida durará enquanto durar a ajuda financeira a Portugal". 
Nunca ouvi nenhum jornalista perguntar-lhe se, com aquela  resposta, estava a admitir que a ajuda financeira poderia prolongar-se para além de 2013, mas para mim foi tão óbvio que isso estava implícito no oráculo gasparista, que voltei a minha ira contra estes jornalistas que gravitam à volta do poder político, pelo facto de não fazerem a pergunta óbvia: essa resposta é dada sob reserva mental, não é verdade, senhor ministro? 
Fica-me no entanto a dúvida: são burros, zombies, ou estão à espera de um lugarzito num gabinete ministerial, como recompensa por não fazerem perguntas incómodas? 

Duetos (7)

Hoje, um tributo a duas vozes que permanecerão ente nós durante muito tempo.