sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Ruben Correia

É um jovem açoreano de 14 anos que vai lançar este mês o seu segundo livro. Vale a pena ler a entrevista que deu ao Diário dos Açores e fui roubar aqui

E também não somos a Alemanha...


Ontem, tínhamos ficado a saber que não somos a Grécia. Hoje, ficamos a saber que também não somos como a Alemanha. Em ambos os casos, foi PR que fez questão de explicar, com aulas práticas, as diferenças que nos separam dos dois países.
No país da Frau Angie, o presidente por ela escolhido,  não se refugia em dialécticas estéreis, para conservar o seu mandato. Quando os tribunais pedem  o fim da sua imunidade e o acusam  de corrupção por ter beneficiado de um empréstimo concedido por um amigo, demite-se.
 Por cá, ainda está por explicar a coincidência de um banco falido, por vigarices  várias e gestão ruinosa, ter sido fundado e gerido por amigos do presidente que – apenas por  coincidência, obviamente! - fizeram parte dos seus governos enquanto primeiro-ministro. 
Curiosamente, um desses amigos  permitiu ao presidente  e, pelo menos,  a um dos seus familiares ( a filha)  ganhar  em acções, num curtíssimo espaço de tempo, dezenas de   milhares de euros.
Alheio a estas coincidências, o inquilino de Belém vê um dos seus assessores de estimação apresentar-se  a um jornal de referência como seu emissário, tendo como missão veicular para a imprensa notícias falsas e assobia para o ar, como se não fosse nada com ele.
Depois de eleito por falta de comparência dos adversários, o nosso PR inicia a fase da vitimização e faz um discurso insultuoso contra os  outros candidatos e seus apoiantes; acusa o governo de falta de  ética social e de violar a Constituição, mas cala-se assim que  sabe que os seus subsídios de férias e Natal permanecerão intocados.
O que nos distingue da Alemanha não é a (in)capacidade do povo português  para trabalhar, é a falta de ética e de estofo de um presidente da república que não age em função dos interesses do seu povo, mas sim dos seus próprios objectivos.
E quando um país  tem como líderes pessoas que sem qualquer pudor violam os princípios básicos da ética política, sabendo que a lei os protege enquanto estiverem a exercer o seu mandato, não pode nunca almejar a comparar-se com a Alemanha, onde esse princípio é (aparentemente) sagrado.

Da mobilidade e dos caramelos Vaquinha


Aviso prévio: Este post foi escrito com o propósito de elogiar uma medida do governo.
Já fecharam a boca? 
Então, fiquem a saber que acaba mal. Apesar de me ter esforçado, não consegui provar a bondade do governo com a medida anunciada. Ora leiam lá…

Sempre fui a favor da mobilidade dos funcionários públicos. Defendi, inclusivamente, que todos os técnicos da função pública, antes de serem admitidos, deveriam fazer um estágio de um ano no interior em duas zonas diferentes do país. Penso que um funcionário público – especialmente na área técnica- que passe a vida encerrado num gabinete em Lisboa não pode cumprir cabalmente a sua missão ( que sempre entendi no sentido anglo-saxónico de civil servant). 
A minha convicção não assenta apenas em teoria. Levei-a à prática  quando decidi abandonar o privado e experimentar a função pública, disposto a vestir a camisola. Vivi três meses  nos distritos de Évora, Beja, Portalegre e Castelo Branco  e, ainda que por períodos mais curtos, também em Vila Real,  Leiria e Santarém.  
Nesse tempo não havia auto-estradas, chegar de Castelo Branco ou Vila Real a Lisboa não era fácil e muita gente me chamava maluco, por eu andar feliz da vida. Devo dizer-vos que foi um período muito enriquecedor. Conheci o país para além das fronteiras de Lisboa e Porto, vi o pulsar do interior, aprendi a compreender os problemas de quem vive longe dos centros de decisão.
Estávamos no dealbar do "cavaquismo" quando percebi que a função pública se enquistava cada vez mais nas refregas partidárias, os dirigentes eram nomeados por acordo tácito do Centrão, a preocupação de grande parte dos dirigentes era servir-se dos organismo para progredir na hierarquia do partido e os interesses das pessoas ficava cada vez mais para segundo plano. Voltei a emigrar e o regresso a Portugal  só se deu quando acreditei que o "cavaquismo" estava definitivamente enterrado.
Abracei com paixão um projecto editorial e voltei à minha vida de andarilho pelo país. Encontrei um país mais curto, por força das auto-estradas que então se tinham construído. Embora a minha base fosse Lisboa,  percorria todos os meses milhares de quilómetros pelo país( ainda o continuo a fazer, mas agora com muito menos frequência). Percebi que o interior tinha mudado muito, que em diversas cidades do país se tem mais qualidade de vida do que em Lisboa e no Porto e constatei que as pessoas tinham uma mentalidade diferente.  Nem sempre melhor-  diga-se- porque a melhoria da qualidade de vida não significa obrigatoriamente melhores pessoas.
Bem, mas adiante… porque o propósito deste post é dizer-vos que quando ouvi o governo dizer que pretendia promover a mobilidade dos funcionários públicos quase me apeteceu aplaudir. Pensei, ingenuamente, que fosse criar incentivos para eles se deslocarem para o interior. 
Quando um indigente crescido à sombra das jotinhas ousa afirmar “quem não está bem, mude-se!” percebe-se que o objectivo deste governo não é incentivar nada nem ninguém. Nem sequer devolver aos serviços públicos a missão de satisfazerem os interesses das pessoas. É, apenas, promover o despedimento de forma encapotada. Já devia ter percebido isso, sem necessidade de ouvir as explicações de um imbecil, mas às vezes continuo a ser um ingénuo.

Duetos (5)