segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Fasinpat



Em 2010, o Centro Cultural de Belém exibiu uma série de filmes e documentários latino-americanos. Quase todos abordavam de uma forma directa casos verídicos ocorridos durante a ditadura de Pinochet no Chile,  a ditadura argentina, ou o Corralito. São filmes e documentários  muitas vezes filmados nas ruas e que fazem uma abordagem política de tempos e factos que não devem ser esquecidos.
Por estes dias lembrei-me de um desses filmes que retrata a forma como os trabalhadores argentinos reagiram ao encerramento selvagem de empresas e fábricas durante o Corralito.
"Corazon de Fabrica" relata a história de um grupo de trabalhadores que se recusou a cruzar os braços após o encerramento de uma fábrica de cerâmica  e partiu para a luta, demonstrando que o capital mais importante de fábricas e empresas é o trabalho e não patrões e empresários gananciosos. Como se demonstra neste episódio que hoje aqui vos relato e surge na sequência do que já vos contei aqui 
Ao contrário do que diz o Álvaro e confirma o Boca de Brioche, é possível garantir emprego sem patrões. O que não é possível é garantir produção sem trabalhadores! Senão vejam...

 A fábrica de cerâmica  Zanon, na província de Neuquén, no noroeste da Patagónia argentina, foi  encerrada e abandonada pelos patrões em 2001.
Um ano depois, os 240 trabalhadores que tinham sido despedidos arrancaram os cadeados, ocuparam a fábrica e exigiram que o governo a nacionalizasse. A pretensão não surtiu efeito na Casa Rosada, mas os trabalhadores não desistiram.  Formaram uma cooperativa a que deram o nome de  FASINPAT (Fabrica Sin Patron) e foram à luta, pondo a fábrica novamente a laborar.
Desde 2002  o número de trabalhadores duplicou, os lucros aumentaram e a fábrica funciona melhor do que no tempo dos patrões. A batalha jurídica pela posse das instalações continua a correr nos tribunais, mas a legislação entretanto aprovada no Senado poderá contribuir decisivamente para ultrapassar o impasse.
Perguntar-me-ão alguns leitores, por que razão insisto em escrever aqui sobre sucessos de cooperativas de trabalhadores. Simplesmente porque acredito na via cooperativa e este ano de 2012 foi proclamado pela ONU "Ano Internacional das Cooperativas".