sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Tic, tac, tic, tac...

No domingo, durante a digestão do churrasco que animou o almoço, a conversa desenrolou-se em torno da crise global que pode afectar ( creio mesmo que já está a afectar) a América do Sul e  dos elevados índices de desemprego que acentuam a crise na Europa que podem proporcionar uma nova onda migratória para o hemisfério sul. 
Lembrei que os números oficiais referentes ao desemprego jovem são demasiado impressionantes no seio da UE ( mais de 40% em Espanha e na Grécia, entre os 20 e os 30 por cento nos restantes países, com excepção da Alemanha, Áustria e Holanda) e que são mais uma prova de que os governos europeus têm andado a empurrar os problemas com a barriga, já que estudos realizados nos anos 90 - quando ainda não se falava da crise -  apontavam que chegaríamos a esta situação na segunda década deste século, se as políticas de emprego não fossem alvo de uma profunda reestruturação. 
Argumentei que apontar a crise como culpada do desemprego jovem é um nonsense  e só serve para justificar as políticas de direita que vêm florescendo na (des)União Europeia ao pretender combatê-lo com medidas completamente erradas de adiamento sucessivo da idade de reforma, aumento do horário de trabalho, baixos salários e maior facilidade nos despedimentos. O que está errado é o modelo de desenvolvimento económico e social europeu e, enquanto não houver mudanças drásticas, o problema do desemprego continuará a agravar-se inapelavelmente.
Alguém lembrou que o adiamento da idade da reforma é apenas um expediente para adiar outro  problema ainda mais intrincado: a falta de dinheiro para pagar as reformas, que lançará milhares de velhos para a miséria.
Pareceu-me ouvir um cadenciado tic, tac, tic, tac!. Era, provavelmente, o ruído da bomba relógio que vai explodir quando se conjugarem  dois factores: desemprego jovem e incapacidade de garantir as reformas aos mais velhos. Não gostaria de andar por cá para ver... Prefiro assistir ao linchamento da actual classe política europeia confortavelmente instalado num caldeirão do Inferno.

Totomamas

A propósito das declarações da aia de Cavaco e a decisão do governo em pagar a remoção dos implantes mamários da PIP, desafio os leitores do CR  para um passatempo.
Porque é que  não há dinheiro para pagar a hemodiálise aos velhos com mais de 70 anos, mas há dinheiro para mamas?
1- Porque há uma ministra a precisar de mamas novas.
X- Porque há uma mulher ou filha de membro do governo a precisar de mamas novas
2-  Porque o governo não tem mamas suficientes para dar de mamar aos boys?