quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

De quem é a culpa?


Na sequência deste post
O neto da minha empregada acompanhou-a ao hospital e perante a situação pediu imediatamente o Livro de Reclamações. A avó não o deixou reclamar. Perguntei-lhe porquê. A resposta veio rápida. 
“ E depois, quando eu for operada? Se o médico fica zangado, quem sofre sou eu!”
Não evoluímos muito desde o 25 de Abril em matéria de consciencialização, pois não? Não, mas a culpa é de quem? Da minha empregada que tem medo de ser maltratada se reclamar?
Não me parece, mas gostava de saber a vossa opinião…

6 comentários:

  1. Compreendo o medo da sua empregada. Lamento dizer, que de certa forma, ela tem razão. O problema reside em que são raros os que reclamam quando devem reclamar. Também já assisti, no hospital, a situações bastante desagradáveis e comportamentos inqualificáveis para com os que querem reclamar.
    No entanto, ninguém se deve demitir da sua responsabilidade como cidadão. Se todo o cidadão abdicar de revelar/reclamar o que está errado...
    Manuela

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  2. Eu já fui como a sua empregada. Mas depois acordei para a vida. Precisamente numa situação hospitalar, passada com a minha mãe. Se não tivesse batido o pé e chamado o responsável e não lhe tivesse dito que não saía dali sem a radiografia que a minha mãe tinha de fazer, ainda hoje a pobre senhora andava de pulso engessado. Arranjaram logo vaga. O medo não pode ser desculpa, mas o medo ainda pode muito. Pode porque do lado de lá estão 'intocáveis'. Nos hospitais, nas universidades, nas repartições públicas. O anónimo cidadão que se cuide. A não ser que tenha dinheiro. Com dinheiro os intocáveis piam mais fino, não é?
    A culpa, Carlos, a culpa é de todos nós. Que assumimos que as coisas são como são, encolhemos os ombros e seguimos cabisbaixos. E contra mim falo, que também estou à espera de acabar o curso para dizer a um dos professores o que penso dele efectivamente :)
    Mas diga à sua empregada que o neto dela tinha razão.

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  3. Percebo a sua empregada mas não aceito esse tipo de postura.
    Se foi mal tratada, mal atendida, o que quer que tenha sido, existe o direito de reclamar.
    O que se deve fazer sem margem para dúvida.
    É verdade que se pode admitir uma vingança por parte de quem nos queixamos. Não me parece, contudo, que a falta de profissionalismo chegue a esse ponto.
    Até porque o(s) profissional(is) em causa sabem que poderão ser objecto de sanções.

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  4. Este comentário foi removido pelo autor.

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  5. Claro que teve medo! Já tive "ameaças" camufladas, noutras situações diferentes das que refere, acontece que eu sou daquelas pessoas que "dá um boi para não entrar numa briga e uma manada para não sair dela", mas nem todas as pessoas o conseguem fazer, são tímidas, estão pouco elucidadas,...também há o inverso, as que reclamam por um "alfinete", sem existir o dito!
    A culpa é maioritariamente da "sociedade" em que estamos inseridos, ainda há "maiorais" mesmo na classe médica e noutras profissões afins!

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  6. Apesar de todos os constrangimentos acho que ainda temos espaço para reclamar.Mal iremos se o medo se instalar.Então é que não passamos da cepa torta.

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