terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Acordai!


Em Setembro, o médico disse à minha empregada que tinha de ser operada com urgência. Feitos os exames necessários, a operação foi marcada para ontem.
À hora aprazada, entre choros e muita angústia, apresentou-se no Hospital. Consigo levava a carta que lhe fora enviada pelo Hospital a confirmar a cirurgia. A caminho de Lisboa, vinha o filho, a trabalhar na Suíça há um ano, em gozo antecipado de férias de Natal, que lhe valeram a perda de alguns dias de salário. A filha meteu férias na fábrica para acompanhar a mãe.
Chegada ao hospital, foi informada que a operação não estava marcada. Exibiu a carta. Veio o médico. Aparentemente surpreendido por a intervenção que ele próprio agendara e rotulara de urgente não estar marcada, mas também deixando transparecer a sua impotência. 
"Negligência! Incompetência!"- estarão a pensar alguns leitores. Eu também pensei o mesmo, até me lembrar desta notícia: 
Gaspar libertou verbas para as autarquias, masrecusou-se a fazê-lo para os hospitais.
A minha empregada não sofre de uma doença mortal. Terá de ser operada aos dois joelhos, porque estão gastos pela vida dura a que foram submetidos.
Por estes dias centenas de operações estão a ser canceladas nos hospitais portugueses. Alguns dos doentes poderão morrer. Gaspar preferiu libertar verbas para as autarquias, porque dão votos. Não as libertar para os hospitais, pode ser um bom negócio para o Estado. Se forem reformados ou desempregados e quinarem é menos uma despesa.
Para eles as pessoas são apenas números que inscrevem nas colunas do Deve e Haver do OE. É a esta escumalha que estamos entregues, mas jornais e vox populi apontam o dedo acusador a médicos e demais funcionários hospitalares.É altura de acordar!

8 comentários:

  1. Olá...

    E isto já é assim este ano... Para o ano que vem como os subsídios a pagar por morte (e não só) serão ainda mais reduzidos então é que o Gasparzinho vai mandar cancelar verbas para os hospitais

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  2. Este desgoverno tudo faz para ser cremado

    mas falta um fósforo

    do povo descalço

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  3. A minha médica, em Santa Maria, a determinada altura também se queixou do excesso de utentes do hospital, que devido ao encerramento de outros hospitais ficou com uma população muito maior a servir - já foi há alguns meses, não quero mentir, mas creio que ela falou em quase mais um milhão de utentes. Resultado, quando marcamos uma consulta externa, a espera de vários meses é garantida... ;)

    Se uns hospitais fecham, retiram verbas aos existentes e por aí além, não há médico que possa fazer milagres!

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  4. É o que querem mesmo!
    Que os velhos e aposentados morram! :(

    Abraço

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  5. Falamos, reclamamos, poetizamos com a situação, mas eles vão fazendo tudo para aniquilar os mais desfavorecidos...e tudo vai seguindo na direcção da nossa destruição...assim, sem rebelião...nem solução?

    Para o próximo ano e seguintes, vai ser o bom e o bonito!

    Em Abril, a minha filha vai para Moçambique, se ela por lá ficar, eu cá não fico. Estou farta! :-(

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  6. Nem que fosse uma gripe, Carlos.
    Não se faz isto.
    Ponto final!!

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  7. Desmarcam uma cirurgia e não avisam o paciente? É do melhor. Abençoada seja a paciência da sua empregada e a placidez de quem a acompanhava. Duvido que eu de lá saisse sem partir qualquer coisa, de preferência a cara do cirurgião e do staff dele. HOje acordei assim, com ganas de SEAL dos US. Se conseguir parar de espumar conto mais logo lá no gatil a minha gota de água com o senhor Gaspar.

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  8. Brincar com a saúde dos portugueses, isso não.
    Intolerável!

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