segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Verstehen Sie, Frau Merkel?


Daqui a poucos minutos a senhora irá aterrar em Lisboa, para mais uma jornada de campanha eleitoral. Vem visitar um país em dificuldades financeiras a quem pede austeridade, mas não se preocupa que a sua visita de apenas seis horas vá custar algumas centenas de milhares de euros que muita falta nos fazem.
O propósito da sua visita fica bem explícito no programa. Encontra-se com o governo e o PR, mas esquece a oposição. Encontra-se com empresários, mas ignora os sindicatos. Vem saudar os seus súbditos, mas prudentemente ignora quem lhe podia mostrar a realidade do país. Vem para ouvir e dar elogios, não vem para conhecer a realidade, ou saber a verdade. Um programa típico de líder de uma potência colonizadora.
Quero que saiba, no entanto, que não é essa  a razão para não lhe dar as boas vindas. Já estou conformado com o facto de ter um governo de parolos subservientes dispostos a tudo para lhe agradar. O que me incomoda na sua presença em Portugal é o facto de a considerar responsável pelo fim do sonho europeu, mas não sou tão ingénuo que a considere ( única) responsável pela destruição do meu país.
Essa responsabilidade cabe, antes de mais ao pastel de Belém, a um governo de ex-colonialistas movido pelo ódio e pela vingança, a uma esquerda irresponsável e, também, ao comportamento ingénuo de um  povo que acreditou ter enriquecido de um dia para o outro, só porque entrou para o clube dos ricos onde circula moeda falsa. 
Ninguém disse aos portugueses que o crédito barato era um presente envenenado, ma também não era à senhora que competia lançar o aviso. O que lhe era exigido era a defesa da Europa, apostando no crescimento dos países em dificuldades e não na austeridade. Optou pela segunda via para defender o coiro e tramou a Europa. Um dia destes perceberá o erro, mas será tarde. Como qualquer néscio, tentará defender o seu país pelas vias a que a Alemanha já nos habituou. É essa sua incapacidade para saber ler o mundo que me assusta e preocupa. Os problemas da Europa não se resolvem com austeridade e empobrecimento, mas sim com redobrados esforços para a manter líder no panorama mundial.E, já agora, uma União Europeia só faz sentido se houver solidariedade entre os povos. Como nos EUA, por exemplo, não como na sua Alemanha egoísta e paternalista.
Ou arrepia caminho, ou ficará na História como a coveira da Europa. Não acredito que isso lhe dê alguma satisfação portanto, peço-lhe enquanto ainda é tempo, que deixe de ser casmurra.
Para nos dizer que vivemos acima das possibilidades e agora merecemos ser castigados, não precisava de fazer a viagem. Já temos por cá uma tia de Cascais que gosta de ajudar os pobrezinhos, mas antes puxa-lhes as orelhas, para que melhor percebam a dimensão da generosidade de lhes oferecer uma sopa.

9 comentários:

  1. "A Angela Merkel não manda aqui".

    Talvez se mandasse a vossa situação fosse diferente!!!

    Quando a Angela Merkel deixar o palco político em 2013, a quem é que o Carlos vai deitar a culpa da porca miséria em Portugal?

    A Angela é austera, mas não é corrupta como uma tal Cristina, que só gosta de jóias e de chupar o povo, só que o povo argentimo a quer mandar o para o diabo, enquanto o povo alemão ama a sua Angie.

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  2. A propósito "mais uma jornada de campanha eleitoral", o próximo chanceler alemão, o socialista Peer Steinbrück é menos social do que a Angela Merkel, mas tem uma coisa a seu favor, é um homem inteligente, coisa que não se pode dizer do José António Seguro, que agora anda por aí a deitar bocas, mas quando visitou a Alemanha, ainda há pouco tempo, portou-se como o anão político que é.

    A Alemanha potência colonizadora?

    Portugal é que foi, durante muitos anos, a pior e racista potência colonizadora da história.

    O Carlos já esqueceu esse ponto negro da nossa história? Eu não!!!

    Como também nunca conheci tanta gente racista como em Portugal.

    Saudação da tuga política.

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  3. Sie verstehe nicht! E concordo que é mais campanha eleitoral dela, com custos para nós, do que propriamente uma visita que traga alguma vantagem ao país. Seis horas? Mais valia ficar sossegadinha lá na terra dela... :)

    Ainda me ri com essa de ela reunir com os sindicatos! :D

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    1. Sempre nos tinha poupado uns cobres e era mais coerente com a austeridade que nos exige.
      Quanto à reunião dela com os sindicatos e com o Tozè também me fartei de rir ontem qdo o Marcelo disse que ela ia receber a UGT e o AJS. A Judite perguntou-lhe como é que ele sabia e ele, muito atrapalhado, lá respondeu: Bem, foi o que me disseram antes de vir para aqui.
      É espantoso como MRS lança umas atoardas a ver se passa! Mais um perigoso manipulador a candidatar-se a Belém

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    2. Por sinal também vi e ouvi, ontem, o MRS e reparei que a Judite lhe fez a pergunta por duas vezes. Da primeira ele respondeu: Bem é o que eu penso, mas já quase no final da entrevista, ela repete a pergunta e aí foi visível a sua atrapalhação ao dar-lhe a resposta que já referiste. Achei aquilo confrangedor.
      O homem fala sem ter a certeza do que diz...é triste!


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  4. Carlos,
    pensando bem, se calhar a Chanceler alemã vem cá fazer o mesmo que a Jonet faz aos pobrezinhos antes de lhes dar o pratinho da sopa: Um valente puxão de orelhas!!! eheh

    Daqui a poucas horas e depois de um lauto almoço, a Frau vai lá para a terrinha dela e nós ficamos na mesma, entregues à nossa sorte.

    Como hoje chega outro vígaro vindo da Inglaterra, amanhã o assunto da ordem do dia será diferente, mas no fundo sempre igual!

    Não te enerves, Carlos! Há sempre gente com palas, que só enxerga o que lhe convém.

    Beijinhos e fica bem.


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    1. Ela puxa-nos as orelhas, mas não nos dá nem uma salsicha, quanto mais uma sopita! Enfardou foi o cabrito. Fonte bem informada disse-me que até lambeu os dedos...

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    2. E eu a pensar que ela fosse preferir Cozido à Portuguesa....:-))

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