terça-feira, 9 de outubro de 2012

Latin'America




Hugo Chavez venceu mais uma vez as eleições na Venezuela e, salvo qualquer imprevisto, será presidente até 2019.
À medida que a campanha se aproximava do fim, aumentava o número de observadores, comentadores e outros estupores que vaticinavam a vitória de Capriles, realçando antecipadamente o facto de estas serem as  primeiras eleições livres na Venezuela. Tiveram azar! Tanto realçaram o facto de se tratarem de eleições livres, que agora não têm argumentos para justificar a derrota clara do candidato de direita.
Eu dou-lhes uma ajuda, recorrendo a um relatório do FMI com as previsões para a América Latina e Caraíbas, que a minha amiga Simone  teve a amabilidade de partilhar comigo. Antes, porém, disse-me:
“ Começo a acreditar nas tuas previsões e qualquer dia também eu emigro. A minha avó ainda vive  na Argentina. Achas que devo arriscar?”
O que ressalta de imediato da leitura do relatório, é aquilo que eu venho defendendo há muitos anos e tem merecido alguns comentários condescendentes de leitores incrédulos: nas próximas décadas, a América Latina  é a região do planeta com maior perspectiva de desenvolvimento social e económico  
Alguns cépticos poderão dizer que as previsões de crescimento de 3,4% e 4,% para este ano e 2013 – respectivamente-  denotam algum abrandamento do crescimento em relação aos dois últimos anos. Não deixa de ser verdade, mas há duas leituras que se podem fazer. Por um lado, à medida que os países vão crescendo, vai sendo cada vez mais difícil manter as percentagens de crescimento ( Qualquer iniciado em aritmética percebe isso...)
Por outro lado, os países latino-americanos  estão a ser  travados no seu crescimento pela política suicidária de um bando de criminosos que dirige a Europa e está a afectar  a economia mundial com a sua cegueira idiota. Obviamente, o abrandamento do crescimento económico na China, com quem os países latino-americanos têm vindo a estabelecer relações  cada vez mais sólidas, também tem os seus efeitos…
Mas o relatório do FMI não se limita a salientar o crescimento económico da região. Faz questão em referir  os progressos realizados na área social, no combate à fome e à pobreza e a diminuição das desigualdades. 
Claro que quem vive na Europa, e nunca pôs um pé na América Latina, a não ser para dançar o samba ou o tango, confia cegamente no que a imprensa anglo-germanófila escreve e continua a acreditar que aquela região é atrasada e governada por gente louca, mas em relação a esses nada a fazer.
Qualquer viajante naquelas paragens constatará também, facilmente, que a segurança melhorou  muito nas duas últimas décadas, apesar de a Venezuela ter sentido algum aumento da criminalidade.
Outro aspecto importante que merece destaque, em minha opinião, é a estabilidade política que se vive hoje em dia naquela região. Claro que não faltará na direita gongórica tuga quem continue a dizer que países como a Venezuela ou a Bolívia são governadas por ditadores que oprimem o povo, mas a esses respondo com um relatório da ONU onde se refere que a Venezuela foi o país do mundo onde as desigualdades mais diminuíram na última década. 
Vou aos meus arquivos e desenterro um artigo publicado em 1992 no jornal “ Tribuna de Macau” onde defendo que o futuro está na América Latina. Bato com a cabeça na parede três vezes e pergunto-me que raio de maleita me terá passado pela cabeça, para regressar a Portugal…

9 comentários:

  1. Vou fazer o que há muito não fazia.
    Veja se adivinha!
    (vai ser mais logo, agora não posso)

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  2. Excelente artigo Carlos! Parabéns!

    Não tarda nada, é visto como um comunista que papa criancinhas ao pequeno almoço... tuga televisionado e formatado assim pensará:

    Ler Curso de Chiens de Garde e reler Os Segredos da Censura resultará num exercício de identificação de raças lusitanas/euro-americanas, desvelando hábitos da Canilândia e cruzamentos de pedigree. Como se chegou a tal apuramento na casota lusitana? Através do simplex: o dono domestica o cão e o cão domestica o homem. Ler e reler servirá também de alarme co(lectivo): após a acção dos Capitães da Liberdade, foi emergindo uma casta de coronéis, também reconhecíveis como bacharéis, pessoal, já não formatado em academias castrenses/tarimbado em quartéis da metrópole/picadas africanas, mas em Estabelecimentos de Ensino Superior (Estatal/Privado)/na Cultura da Empresa/na Guerra Colonial da Opinião Publicada. Na verdade, sob a retórica da Ordem Democrática, existe uma Ordem Mediática/subsiste uma cartilha dirigista/proibicionista, cujo recorte ideológico nos leva a entidades políticas/empresariais/profissionais, as primeiras eleitoralmente sufragadas, mas promovidas/capturadas por instâncias que não se sujeitam às urnas.

    Um dos acentos pedagógicos prende-se com o regime e o modelo de gestão da propriedade/os condicionadores sistémicos, instalados com armas e bagagens na Esfera Mediática, sector que requereria apetência de serviço público/particular capacitação/efectiva regulação. No entanto, as Corporações Multimédia actuam em linha com a Lei dos Dividendos & da Guarda do Sistema e não com as Leis da República ou dos Direitos do Homem & do Planeta. Como está inscrito no bronze da Constituição Portuguesa/nos volumes que enobrecem as instituições. Evoluindo na continuidade, como no Velho Estado Novo, a Censura do Novo Estado lê o presente/reescreve o passado/prescreve o futuro, intervém numa dinâmica de proteccionismo estatal/falsa concorrência/reproduzindo enlaces/modelos mercadológicos/instruindo chiens de garde /fidelizando públicos: uma Verdadeira Canicultura/ Quadratura do Círculo.
    http://resistir.info/portugal/caes_de_guarda.html

    Não esquecendo de forma nenhuma, que a América latina está debaixo de olho e debaixo de fogo.

    Muito disfarçadamente, Cristina Kirchner, promulgou uma lei para detenção em massa.
    O Paraguai, como dizem, sofreu um golpe de Estado.
    O Ministro da defesa do Uruguai está neste momento a promover a assinatura de um novo"diálogo estratégico" com os EUA para alcançar a implementação de três programas de cariz nuclear: desastres naturais, missões de paz, segurança e defesa.
    O Brasil faz isto: http://resistir.info/brasil/declaracao_20ago12.html

    Claro que Chávez será cada vez mais demonizado pelos Me(r)d(i)a nacionais! Como li ontem no Expresso... esse supra sumo da liberdade de expressão da canicultura!

    Um beijo.

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  3. "Para saber ganhar é preciso saber perder. O povo manifestou sua vontade", declarou Capriles depois de reconhecer a sua derrota.

    A doença de Chávez é um imprevisto muito forte, não acredito que ele aguente até 2019, mas quem sou eu, para me meter na política da América Latina.

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  4. Na vida bem como na História tudo é ciclico.
    AEuropa já teve a sua idade de ouro e afunda-se escondendo a cabeça na areia, como as avestruzes.
    Os países em desenvlvimento como a América do Sul, alguns países de Àfrica e da Ásia são tão pobres que só lhe restam crescer.
    Se tivesse uma oportunidade emigraria de bom grado para um país em desenvolvimento.

    Por aqui irá ser cada vez pior...

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  5. Bom texto, Carlos.

    Latin'America faz-me recordar os Jafumega.

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  6. Parabéns !

    Nem imagina a alegria que sinto quando o tiro sai pela culatra aos"observadores, comentadores e outrso estupores", rrrrss rrss

    Pois não sei que maçeita foi a que lhe deu, mas -desculpará a sinceridade - ainda bem que sim, caso contrário eu naõ teria oportunidade de o conhecer. Mesmo que só virtualmente.

    O Governo escusa de perguntar onde é vaia pois está sendo vaiado sempre : é só abrir o facebook, por exemplo.


    Um abraço, Carlos.

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  7. O meu parceiro tem familiares radicados há muitos anos na Venezuela, que vivem muito bem.Vêm cá pelo menos duas vezes por ano... e os seus votos dividiram-se por esses dois candidatos! :-))
    Malgré tout, não tenho nem nunca tive a mínima vontade de emigrar!

    Abraço

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  8. Não gosto de Hugo Chavez.
    Nem um bocadinho.
    Mas, se o povo venezuelano o elegeu, há que respeitar.
    Porque também não gosto nada de "democracias impostas".

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