quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Esta história não acaba aqui...



Adoro teatro, por isso fui seguindo com redobrado interesse esta comédia dramática  interpretada por um actor secundário que sempre sonhou ser actor principal, mas foi tramado pelo director da companhia. 
Nesta peça de teatro de bairro, em que amadores tentam fazer crer ao público que são profissionais, o actor secundário fingiu-se de morto durante três dias e ressuscitou como se nada se tivesse passado. Durante a hibernação terá feito contas de cabeça, obtido a promessa de umas mi(ga)lhas do compère que se faz passar por actor principal, ouvido os comentários dos espectadores e, finalmente, lá ressuscitou para dizer “porreiro, pá” este OE até não é mau de todo e com uns retoquezinhos na maquilhagem eu convenço-os que isto é porreiro.  Se houver alguns apupos serão  abafados pelos meus amigos que coloquei  na primeira fila, sob os holofotes das câmaras de televisão. 
Depois saio de cena, deixo o compère a falar sozinho com o director, vou até à Coreia e Japão acumulhar mais umas milhas, no regresso organizo alguns espetáculos de Natal tendo como argumento a importância da caridade para acudir aos mais desfavorecidos e  em 2013 logo se vê. Talvez o agente Aníbal dissolva a companhia por falta de verbas, ou venha o Tribunal confiscar os bens, por conduta imprópria, e eu tenha de voltar ao teatro de circo, encenado em feiras e mercados, mas ninguém me vai acusar de ter abandonado o país.
  Paulo Portas não leu o argumento todo. Esta história não acaba aqui. O último capítulo- escrito pelos espectadores- é o mais emocionante e a peça não tem um final feliz. Poderá mesmo ser trágico, se os espectadores abandonarem a sua habitual postura de mansos e decidirem reescrever o argumento, com base noutros episódios da nossa História recente.

8 comentários:

  1. Paulo Portas não leu esta história sem fim, mas li-a eu.

    "Die Unendliche Geschichte" do escritor alemão Michael Ende foi publicada pela primeira vez em 1979.

    Vi também o filme de 1984 do realizador alemão Wolfgang Petersen.

    Em Dezembro vou ver esta história no Teatro de Marionetas de Düsseldorf.

    Eu sei, Carlos, que a sua intenção com esta posta é outra, mas sobre a política em Portugal nada sei e, quando familiares e amigos me telefonam de Portugal cada um diz a sua coisa: há quem goste do Portas e do Coelho, há quem ainda chore o Sócrates, só o que não há ninguém, que ache o socialista José António Seguro mais competente do que o Passos Coelho.

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  2. Não acaba bem não Carlos, basta ver a convulsão que já grassa nas hostes militares...

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  3. O "Traquinas do Rochedo" com o seu inimitável talento, dá-nos um show único na Arte de bem escrever metaforicamente, sobre o filme inacabado do panorama político-hollywoodesco nacional.
    Bravo!!
    Parabéns, Carlos.

    Beijinhos, cineasta.:-)

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  4. Never ending story? Gosto do tema cantado por Limahl ou a versão instrumental de Giorgio Moroder.

    A outra estória, a nossa, vai ter um final natalício.

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  5. Palhaçadas e arrufos, uns atrás dos outros... :P

    Mas ainda está longe de acabar!

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  6. Não sei como vai acabar mas sei que este Povo tem memória muito curta e leva a vida a gostar de ver "reprises", infelizmente.

    Abraços

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  7. Acabar, de certeza, não acaba. Muito provavelmente mal mas também ja´estou como o outro: nunca se sabe.

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