segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Jornalismo ou voyeurismo?


Quando vejo o príncipe Harry em pelota, ou as maminhas de Kate Middleton escarrapachadas nas primeiras páginas de revistas e jornais, não ponho em causa a liberdade de expressão. Questiono-me é até que ponto é legítimo considerar jornalismo  a simples exploração do voyeurismo, com o fito de obter lucros.  Talvez  ainda pudesse admitir que a prática do strip snooker por um príncipe imaturo indiciasse a decadência da monarquia britânica e a publicação das fotografias fosse um aviso aos súbditos de Buckingham Palace, se o príncipe estivesse na calha para ocupar o trono, mas todos sabemos que só uma catastrófica conjugação de incidentes catapultaria Henry para o trono britânico.  Henry é um miúdo igual a tantos outros que apenas se distingue pelo facto de ter nascido com pedigree nobiliárquico. É apenas por  isso que atrai a atenção dos paparazzi e a curiosidade dos voyueurs.
Quanto às maminhas da princesa Kate, a possibilidade de encontrar qualquer interesse noticioso na publicação das fotografias é absolutamente nula. Trata-se de reles exploração do voyeurismo.  E não se diga que a princesa foi descuidada. Ela não ignorará, certamente, que hoje em dia é possível obter fotografias a quilómetros de distância, mas deverá isso inibi-la de fazer topless? Deverá viver numa redoma de vidro, quando o que a maioria das pessoas pede é que a monarquia se humanize?
Não será mais criticável o paparazzi que a fotografou, com a mira de obter fama e avultados lucros, do que o facto de Kate ter agido como uma mulher normal?
Todas as liberdades têm um limite e não me parece que a liberdade de expressão escape a essa condicionante. Penso, por isso, que é urgente definir claramente as fronteiras entre jornalismo e voyeurismo. A bem do jornalismo e dos cidadãos que gostam de ser informados.
Eu sei- porque já lá fui ler - que a Brites tem opinião diferente e faz uma defesa acérrima dos paparazzi mas, caramba, a Brites vive do jet set!

9 comentários:

  1. Olá Carlos...

    "a simples exploração do voyeurismo, com o fito de obter lucros" Eu, pessoalmente, prefiro isto às outras formas de obter lucro: produção de armamento para matar pessoas só por matar, produção de drogas legais que não servem para nada, tirando matar pessoas só por matar... E podia continuar, mas estes dois simples exemplos chegam e sobram!

    Corpos nus não é nada de outro mundo! Acho eu! E não vejo mal nenhum em que a bacana ande de seios descobertos, como também não vejo mal nenhum que alguém tire fotografias... Se sabem que são figuras do "jet set" e não querem este tipo de "exposição" então que não se exponham... Além do mais não acredito que de tantas propriedades que a Máfia Real Britânia possui, não tenham uma mais recatada, longe de super-objectivas!!

    Abraço

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  2. Com a agravante que nem um nem outro estavam em locais públicos, mas sim dentro de propriedade privada...

    É voyeurismo e ganância pura! Da parte dos leitores (que estranho, nunca viram um par de mamas ou um rabiosque?) e, claro, dos próprios paparazzi...

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  3. Mundo podre!
    Por e simplesmente podridão.
    boa semana Carlos.

    beijinho e uma flor

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  4. O problema é que as pessoas continuam a comprar, a mudança de mentalidade tem de ser geral, porque enquanto houver quem compre fala-se de lucro e haverá sempre quem venda.

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  5. Estou plenamente de acordo e também com o que escreveu Vera, a Loira, em cima.

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  6. É muito difícil estabelecer essa fronteira. Não são os jornalistas os mais voyeurs, são as pessoas em geral que alimentam a máquina.

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  7. Correndo o risco de ser considerada muito careta, estou tentada a concordar com a Brites. Não tenho nada contra o topless da Kate, por mim a moça está à vontadinha, nem sequer lhe cobiço a magreza. Agora o que é certo é que quando aceitou ser futura rainha de Inglaterra devia calcular ao que ia. E isso implica o natural decoro. Discordo de si quando diz que a Kate pode agir como uma mulher normal. Não pode. Deixou de poder quando disse o 'sim' à família Real. Agora aguente-se. E recate-se, que lhe fica melhor do que ficar muito escandalizada por ter sido apanhada na curva. Eu não estou a defender os paparazzi, de todo, são uns abutres, mas acho que a ultrajada Kate só tem de culpar-se a si mesma.
    Beijinhos

    Ps: quanto à publicação das fotos pela revista francesa: inclino-me mais para que a motivação tenha sido a desmoralização do inimigo de sempre, a Inglaterra, do que propriamente o lucro.

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  8. Absolutamente. A liberdade de expressão tem limites - quando as liberdades dos outros começam.

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