terça-feira, 18 de setembro de 2012

A lição do Marquês



A circulação no Marquês de Pombal sofreu alterações profundas. A medida, explicada por António Costa, tem como principal objectivo diminuir a poluição na Av. da Liberdade, uma das artérias mais poluídas da Europa. Os níveis de poluição ultrapassaram muito largamente os níveis máximos permitidos pela União Europeia e Lisboa corre o risco de ter de pagar uma pesada multa.
António Costa fez o que se lhe exigia. Tomou medidas para desanuviar o trânsito na baixa lisboeta, tentando dissuadir os automobilistas de rumarem à baixa de automóvel. Pediu também à Carris para pôr a circular naquela zona os seus veículos menos poluentes. A empresa fez ouvidos de mercador, vá lá saber-se porquê...
Esperava-se que Carlos Barbosa -  presidente do Automóvel Clube de Portugal - apoiasse a medida mas, ao invés, criticou-a de forma violenta apelidando-a de "orgasmo teórico de professores".
Admito que as novas regras de circulação no Marquês de Pombal e Av. da Liberdade tragam grandes transtornos aos automobilistas. Aceito mesmo que a temporização dos semáforos e um ou outro pormenor tenham de ser repensados, de modo a que a circulação na rotunda interna seja mais fluida. Não se pode é condenar à partida uma medida que, além de contribuir para uma melhoria da qualidade do ar na cidade, visa evitar o pagamento de uma pesada multa, cujo montante poderá ser melhor utilizado, se aplicado em obras que melhorem a vida dos lisboetas. 
 A reacção intempestiva de Carlos Barbosa é pouco compreensível. Ao presidente do ACP pede-se mais clarividência e a defesa dos interesses da cidade, em detrimento dos interesses particulares dos automobilistas. Os cofres da autarquia lisboeta- apesar de reforçados depois da venda dos terrenos do aeroporto ao governo- não aguentam as pesadas multas impostas por Bruxelas e Carlos Barbosa devia pensar nisso, antes de criticar uma medida que protege os interesses de todos os lisboetas. 
Se nada for feito para diminuir a poluição naquela zona, o próximo passo poderá ser a criação de portagens,   medida que não me parece seja do agrado do presidente do ACP.
Os automobilistas, obviamente, também protestam pelo incómodo que lhes está a ser causado mas talvez ainda protestem mais se, um dia destes, tiverem de contribuir com esforços adicionais para pagarem a multa a Bruxelas.

7 comentários:

  1. A intenção não foi, para já conseguida.
    Se a poluição era grande, aumentou. É o que dá passar de duas filas a uma.

    E a demora no percurso triplicou.
    Ninguém está contente.

    Sobra o benefício da dúvida e consideremos que se trata, apenas, de um tempo experimental.

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  2. Vai demorar ainda muitos anos infelizmente, para mudar-mos a nossa mentalidade.
    Utilizar menos carro próprio e mais transportes públicos!

    beijinhos

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  3. Já tinha lido umas coisas sobre o marquês e António Costa, mas não estava a perceber do que se tratava. Isto é o que dá estar 15 dias de férias e na net apenas a meio gás! Mas agradeço a explicação. Assim à partida também me parece que o presidente da câmara fez o que era possível, mas pode ser que seja encontrada outra solução... que agrade mais a todos! ;)

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  4. Eu que só passo pelo Marquês quando o rei faz anos, uma vez que não trabalho em Lisboa, só me dei conta das alterações pelo sururu que estão a provocar.É importante que António Costa passe uma mensagem clara aos Lisboetas para que todos os percebam a razão das alterações que ainda estão a ser testadas. De qualquer forma, a grande maioria do tráfego à hora de ponta no Marquês, são de automobilistas de fora de Lisboa, logo cidadãos não votam na capital... à bon entendeur.... Carlos Barbosa já se sabe que é juíz em causa prória.

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  5. Do Carlos Barbosa não era de esperar outra coisa.
    Ainda é cedo para se avaliarem os resultados. No dia 15, de caminho para a manifestação, passei por lá e, de facto, não percebi muito bem como é que o trânsito se vai processar. Provavelmente, boa parte de quem por ali circula estará na mesma situação e daí resultarão, julgo eu, as actuais dificuldades. Se, com o tempo e com a criação de novos hábitos, as dificuldades continuarem, haverá que repensar a solução.

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  6. Parece que depois de algumas alterações na sinalização luminosa, as coisas começaram a funcionar melhor. Vamos esperar para ver.

    Quanto a Carlos Barbosa, estamos conversados. Conseguiu que eu pedisse a demissão - era sócio há 32 anos - quando, pouco depois de tomar posse, afirmou numa entrevista que os sócios estavam mal habituados porque pagavam pouco para os serviços de que usufruíam.

    Como sempre paguei por esses serviços (nunca usei o reboque. Na única vez que precisei foi por conta da minha seguradora), e da última vez tinha sido muito mal servido (renovação da carta), pedi a demissão.

    Carlos Fonseca

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  7. Não concordo consigo por várias razões:

    A principal razão que invoca para a alteração do trânsito é a multa de Bruxelas, que sejamos honestos, não é para ser levada a sério, porque ninguém a paga. A ser verdade, já o país estava há muito tempo falido, tal é poluição em Portugal.

    Também estranho que António Costa ande a fazer «experiências de trânsito» (o esquema é experimental por 3 meses) que custam mais de 1 milhão de Euros, quando toda a gente sabe que a câmara municipal de Lisboa está tecnicamente falida.

    Este experiência é um erro crasso, já que não vai baixar a poluição minimamente, antes pelo contrário, já que vamos ter uma Avenida da Liberdade permanentemente engarrada de carros em «para arranca» em duas filas, no lugar de quatro filas c/alguma fluidez. Ou seja, vamos ter muito mais poluição, menor e pior circulação.

    Há cerca de 20 anos, o Eng. Krus Abecassis, mudou o trânsito na Avenida da República em Lisboa, e foi a confusão total, houve um aumento assustador de atropelamentos devido à circularção nalguns sítios passar a ser à «inglesa», ou seja ao contrário. A coisa acabou mal e o trânsito foi reposto como estava anteriormente.

    António Costa vai fazer o mesmo disparate, com a agravante de não ter aprendido nada com o Eng. Abecassis. Como é obvio, também vão aumentar os atropelamentos, já que o trânsito muda de sentido nalguns sítios, passando a ser à «inglesa», facto para o qual foi avisado (e bem) por Carlos Oliveira.

    Face ao exposto, aposto consigo que daqui a 4 meses voltámos ao esquema de circulação anterior. Mas com menos 1 milhão de Euros na câmara de Lisboa, uns quantos atropelamentos a mais e nenhuma redução da poluição. Francamente, o Sr António Costa devia preocupar-se mais com outras coisas.

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