domingo, 30 de setembro de 2012

Mais um sinal de desnorte!



Este governo está de cabeça perdida e todos os dias dá sinais evidentes disso.
Na terça –feira, Carlos Moedas manifestou surpresa pela posição dos empresários face à TSU. 
Na quinta-feira, Pedro Passos Coelho acusou os empresários de serem cobardes por terem medo da reacção dos trabalhadores se a TSU fosse implementada e deixou uma ameaça  no ar: temos que repensar a posição das empresas no nosso país.
Na sexta-feira, Carlos Oliveira- o obscuro secretário de estado do empreendedorismo- concretizou a ameaça, avisando os empresários de que deveriam deixar de ficar à espera do financiamento dos bancos  e começassem a pensar em recorrer aos fundos das empresas  para investirem.
Os empresários reagiram em silêncio a todas estas investidas, pelo que no sábado o vendilhão da pátria António Borges, decidiu desferir a estocada final. Incapaz de mostrar a sua virilidade pelas vias apropriadas, ejaculou mais uma vez pela boca e recorreu ao insulto, chamando ignorantes aos empresários que se opuseram à TSU uma medida que classificou de inteligente, denunciando ser ele o seu autor.
Foi bom que o fizesse. Ficou claro que este governo age exclusivamente com o objectivo de agradar aos bancos, os únicos – além de Mexia -que apoiaram a TSU, mas já percebeu que está morto e, à falta de argumentos, recorre ao insulto.
Ficámos também todos a saber que  o papel de António Borges- que vive à custa dos contribuintes, mas trabalha para a Goldman Sachs-é vender o país ao desbarato e, muito provavelmente, garantir postos de trabalho aos ministros que, em breve, serão apeados das suas cadeiras onde exercem o poder com arrogância e sem qualquer sentido de Estado. Daí que PPC continue a fingir-se de morto, como se tudo o que vê passar-se à sua volta não lhe dissesse respeito. Ele apenas está interessado- como noutros tempos Durão Barroso- em garantir uma cadeira dourada à direita de Merkel. O país, que se lixe!


Singularidades de uma mulher loira




Sinceramente, não fiquei indignado com as palavras de Paulo Teixeira da Cruz sobre "o fim da impunidade". A ministra da (In)justiça  sempre confundiu um ministério com a redacção do Correio da Manhã e a gestão da justiça com a gestão de um bordel. Não é de espantar…
Os membros deste governo, completamente desorientados e sem saberem já que medidas tomar, fazem-me lembrar um velho “western” em que um bordel é incendiado e as prostitutas espancadas por tipos fora da lei prometem vingança, mas discordam quanto à forma de a exercer.
O único pensamento dos ministros deste governo é vingarem-se de um povo que não os compreende e que acusa de estar fora da lei, por não acatar as medidas que o conduzirão à miséria, mas não estão de acordo quanto ao modo de exercer as represálias.
É  imperioso, no entanto, lembrar a Paula Teixeira da Cruz que se a impunidade tivesse acabado, Miguel Relvas já não estaria no governo. Estaria  a ser julgado por ter mentido na AR, por ter roubado os portugueses e por ser  um vigarista. 
O mesmo se diga de António Borges que, à margem dos cargos ministeriais, desempenha o papel de chulo. Não só explora as prostitutas, cobrando –lhes uma gorda comissão, como exerce represálias sobre os clientes, acusando-os de ignorantes.
Depois ainda temos o dealer Dias Loureiro que passa despercebido, mas é o responsável pelos  negócios e presta informação relevante a António Borges, para que ele possa esmifrar os clientes, espoliando-lhes os bens.
Paula Teixeira da Cruz não merece, por isso, a minha indignação. Apenas  o desprezo que nutro por qualquer outra mulher da sua condição.

Luz ao fundo do túnel


Finalmente, já vejo luz ao fundo do túnel. Acenderam as luzes na Acrópole!

Le premier bonheur du jour



Não sou nada. 
Nunca serei nada. 
Não posso querer ser nada. 
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo. 

Janelas do meu quarto, 
Do meu quarto de um dos milhões do mundo que ninguém sabe quem é 
(E se soubessem quem é, o que saberiam?), 
Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente, 
Para uma rua inacessível a todos os pensamentos, 
Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa, 
Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres 
Com a morte a pôr umidade nas paredes e cabelos brancos nos homens. 
Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada. 
Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade. 
Estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer, 
E não tivesse mais irmandade com as coisas 
Senão uma despedida, tornando-se esta casa e este lado da rua 
A fileira de carruagens de um comboio, e uma partida apitada 
De dentro da minha cabeça, 
E uma sacudidela dos meus nervos e um ranger de ossos na ida. 

Estou hoje perplexo, como quem pensou e achou e esqueceu. 
Estou hoje dividido entre a lealdade que devo 
À Tabacaria do outro lado da rua, como coisa real por fora, 
E à sensação de que tudo é sonho, como coisa real por dentro. 

Falhei em tudo. 
Como não fiz propósito nenhum, talvez tudo fosse nada. 
A aprendizagem que me deram, 
Desci dela pela janela das traseiras da casa. 
Fui até ao campo com grandes propósitos. 
Mas lá encontrei só ervas e árvores, 
E quando havia gente era igual à outra. 
Saio da janela, sento-me numa cadeira. 
Em que hei de pensar? 

Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou? 
Ser o que penso? Mas penso ser tanta coisa! 
E há tantos que pensam ser a mesma coisa que não pode haver tantos! 
Gênio? Neste momento 
Cem mil cérebros se concebem em sonho gênios como eu , 
E a história não marcará, quem sabe?, nem um, 
Nem haverá senão estrume de tantas conquistas futuras. 
Não, não creio em mim. 
Em todos os manicômios há doidos malucos com tantas certezas! 
Eu, que não tenho nenhuma certeza, sou mais certo ou menos certo? 
Não, nem em mim... 
Em quantas mansardas e não-mansardas do mundo. 
Não estão nesta hora gênios-para-si-mesmos sonhando. 
Quantas aspirações altas e nobres e lúcidas - 
Sim, verdadeiramente altas e nobres e lúcidas -, 
E quem sabe se realizáveis, 
Nunca verão a luz do sol real nem acharão ouvidos de gente? 
O mundo é para quem nasce para o conquistar 
E não para quem sonha que pode conquistá-lo, ainda que tenha razão. 
Tenho sonhado mais que o que Napoleão fez. 
Tenho apertado ao peito hipotético mais humanidades do que Cristo, 
Tenho feito filosofias em segredo que nenhum Kant escreveu. 
Mas sou, e talvez serei sempre, o da mansarda, 
Ainda que não more nela; 
Serei sempre o que não nasceu para isso; 
Serei sempre só o que tinha qualidades; 
Serei sempre o que esperou que lhe abrissem a porta ao pé de uma parede sem porta, 
E cantou a cantiga do Infinito numa capoeira, 
E ouviu a voz de Deus num paço tapado. 
Crer em mim? Não, nem em nada. 
Derrame-me a Natureza sobre a cabeça ardente 
0 seu sol, a sua chuva, o vento que me acha o cabelo, 
E o resto que venha se vier, ou tiver que vir, ou não venha. 
Escravos cardíacos das estrelas, 
Conquistamos todo o mundo antes de nos levantar da cama; 
Mas acordamos e ele é opaco, 
Levantamo-nos e ele é alheio, 
Saímos de casa e ele é a terra inteira, 
Mais o sistema solar e a Via Láctea e o Indefinido. 

(Come chocolates, pequena; Come chocolates! 
Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates. 
Olha que as religiões todas não ensinam mais que a confeitaria. 
Come, pequena suja, come! 
Pudesse eu comer chocolates com a mesma verdade com que comes! 
Mas eu penso e, ao tirar o papel de prata, que é de folha de estanho, 
Deito tudo para o chão, como tenho deitado a vida.) 
Mas ao menos fica da amargura do que nunca serei 
A caligrafia rápida destes versos, 
Pórtico partido para o Impossível. 
Mas ao menos consagro a mim mesmo um desprezo sem lágrimas, 
Nobre ao menos no gesto largo com que atiro 
A roupa suja que sou, sem rol, pra o decurso das coisas, 
E fico em casa sem camisa. 

(Tu, que consolas, que não existes e por isso consolas, 
Ou deusa grega, concebida como estátua que fosse viva, 
Ou patrícia romana, impossivelmente nobre e nefasta, 
Ou princesa de trovadores, gentilíssima e colorida, 
Ou marquesa do século dezoito, decotada e longínqua, 
Ou cocote célebre do tempo dos nossos pais, 
Ou não sei quê moderno - não concebo bem o quê -, 
Tudo isso, seja o que for, que sejas, se pode inspirar que inspire! 
Meu coração é um balde despejado. 
Como os que invocam espíritos invocam espíritos invoco 
A mim mesmo e não encontro nada. 
Chego à janela e vejo a rua com uma nitidez absoluta. 
Vejo as lojas, vejo os passeios, vejo os carros que passam, 
Vejo os entes vivos vestidos que se cruzam, 
Vejo os cães que também existem, 
E tudo isto me pesa como uma condenação ao degredo, 
E tudo isto é estrangeiro, como tudo.) 
Vivi, estudei, amei, e até cri, 
E hoje não há mendigo que eu não inveje só por não ser eu. 
Olho a cada um os andrajos e as chagas e a mentira, 
E penso: talvez nunca vivesses nem estudasses nem amasses nem cresses 
(Porque é possível fazer a realidade de tudo isso sem fazer nada disso); 
Talvez tenhas existido apenas, como um lagarto a quem cortam o rabo 
E que é rabo para aquém do lagarto remexidamente. 

Fiz de mim o que não soube, 
E o que podia fazer de mim não o fiz. 
0 dominó que vesti era errado. 
Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me. 
Quando quis tirar a máscara, 
Estava pegada à cara. 
Quando a tirei e me vi ao espelho, Já tinha envelhecido. 
Estava bêbado, já não sabia vestir o dominó que não tinha tirado. 
Deitei fora a máscara e dormi no vestiário 
Como um cão tolerado pela gerência Por ser inofensivo 
E vou escrever esta história para provar que sou sublime. 

Essência musical dos meus versos inúteis, 
Quem me dera encontrar-te como coisa que eu fizesse 
E não ficasse sempre defronte da Tabacaria de defronte, 
Calcando aos pés a consciência de estar existindo, 
Como um tapete em que um bêbado tropeça 
Ou um capacho que os ciganos roubaram e não valia nada. 

Mas o Dono da Tabacaria chegou à porta e ficou à porta. 
Olho-o com o desconforto da cabeça mal voltada 
E com o desconforto da alma mal-entendendo. 
Ele morrerá e eu morrerei. 
Ele deixará a tabuleta, eu deixarei versos. 
A certa altura morrerá a tabuleta também, e os versos também. 
Depois de certa altura morrerá a rua onde esteve a tabuleta, 
E a língua em que foram escritos os versos. 
Morrerá depois o planeta girante em que tudo isto se deu. 
Em outros satélites de outros sistemas qualquer coisa como gente 
Continuará fazendo coisas como versos e vivendo por baixo de coisas como tabuletas, 
Sempre uma coisa defronte da outra, Sempre uma coisa tão inútil como a outra , 
Sempre o impossível tão estúpido como o real, 
Sempre o mistério do fundo tão certo como o sono de mistério da superfície, 
Sempre isto ou sempre outra coisa ou nem uma coisa nem outra. 
Mas um homem entrou na Tabacaria (para comprar tabaco?) 
E a realidade plausível cai de repente em cima de mim. 
Semiergo-me enérgico, convencido, humano, 
E vou tencionar escrever estes versos em que digo o contrário. 

Acendo um cigarro ao pensar em escrevê-los 
E saboreio no cigarro a libertação de todos os pensamentos. 
Sigo o fumo como uma rota própria, 
E gozo, num momento sensitivo e competente, 
A libertação de todas as especulações 
E a consciência de que a metafísica é uma conseqüência de estar mal disposto. 

Depois deito-me para trás na cadeira 
E continuo fumando. 
Enquanto o Destino mo conceder, continuarei fumando. 

(Se eu casasse com a filha da minha lavadeira 
Talvez fosse feliz.) 
Visto isto, levanto-me da cadeira. Vou á janela. 

0 homem saiu da Tabacaria (metendo troco na algibeira das calças?). 
Ah, conheço-o; é o Esteves sem metafísica. 
(0 Dono da Tabacaria chegou á porta.) 
Como por um instinto divino o Esteves voltou-se e viu-me. 
Acenou-me adeus, gritei-lhe Adeus ó Esteves!, e o universo 
Reconstruiu-se-me sem ideal nem esperança, e o dono da tabacaria sorriu.
( Tabacaria-Álvaro de Campos)

sábado, 29 de setembro de 2012

Coitado do Pedro! Terá peçonha?

Deve ser triste um tipo que pensava ser muito popular  ver-se enjeitado pelos seus compinchas do partido. Nem a Berta, que pretendei ir ao pote dos Açores o quer ver por perto. Agora só falta mesmo tirarem-no da galeria de fotos da S. Caetano! Já para não falar do dia em que Relvas virá dizer de Passos Coelho o que Maomé não disse do toucinho...

Convite envenenado

Fui convidado para uma festa e deparei-me com um enterro. Foi essa a conclusão a que cheguei ao ouvir as declarações de PPC e Vítor Bento. Só lá faltou mesmo o Conselho de Ética que aposta na morte prematura, como forma de sair da crise.

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

O governo nacionalizou os portugueses?

Este governo deve pensar que nacionalizou o povo. Só assim se explica que, sendo acérrimo defensor do corte nas gorduras do Estado, continue a insistir na receita de corte de salários, em vez de cortar a eito nas adiposidades da máquina estatal, sorvedouro de recursos que serve para alimentar centenas de chefias intermédias sem qualquer serventia, comissões e  grupos de trabalho que ninguém sabe o que fazem, centenas de assessores, especialistas, motoristas, secretárias e adjacentes mordomias esdrúxulas. 
Há dezenas de direcções gerais que funcionam como departamentos dos ministérios (não têm qualquer autonomia) cuja existência apenas se explica para alimentar centenas de chefias adiposas, mas que o governo não extingue, porque são os chamados "lugares de recuo" onde poderá encaixar centenas de boys na hora da despedida.

Temor reverencial

Ontem PPC veio ao Estoril insultar  e dar um puxão de orelhas aos empresários que o convidaram para almoçar. Pude ouvir de viva voz as reacções de desagrado de alguns empresários mas, perante as lamúrias de um mais exaltado, perguntei-lhe:
- Se ficaram indignados, por que razão não se levantaram e abandonaram a sala em sinal de protesto?

Destino:Terreiro do Paço

Em virtude de compromissos anteriormente assumidos, não tencionava participar amanhã na manif, mas, neste momento, só motivos muito graves me impediriam de marcar presença. Mesmo que não possa estar em permanência, não deixarei de passar por lá.

Referendar os impostos?

Estará Carlos Costa a propor que se faça um referendo? Por mim, não vale a pena estar a perder tempo. Para quem trabalha, há já muito tempo que o limite razoável foi ultrapassado. Mas suponhamos que o governo ouvia o conselho do governador do BP e fazia o referendo e os portugueses respondiam maioritariamente como eu. Que faria o governo a seguir? Iria finalmente cobrar impostos a quem pode - e deve- pagar mais, mas a eles foge com a complacência do próprio governo?

PPC reconhece falhanço

O que ontem PPC veio fazer ao Estoril, foi reconhecer a sua incapacidade. Admitiu, sem rebuço, que o crescimento da economia e a redução do desemprego, por exemplo, não dependem do governo. Então, para que raio precisamos dele?

Onde está a geração à rasca?

Em Março de 2012, um grupo de pessoas organizou uma manifestação gigantesca contra Sócrates, impulsionado por uma canção dos"Deolinda".
Muitos desses participantes terão ontem voltado à rua para protestar  contra o governo dos apóstolos da troika,Pedro e Paulo.
Quanto a muitos dos promotores, que na altura optaram por uma postura discreta na acção de mobilização, hoje são deputados, estão em conselhos de administração de empresas ou em gabinetes ministeriais desempenhando cargos que vão de chefes de gabinete a secretárias, passando por assessores e especialistas. Custam ao erário público- ou seja, ao contribuinte- cerca de 10 milhões de euros. Ontem, enquanto decorriam as manifestações estavam na praia ou sentados nos sofás a ouvir os Deolinda e a gozar com o pagode, entoando "Que parvos que eles foram".

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

E o próximo passo é...

Para quê gastar dinheiro com medicamentos? As pessoas não são eternas, para quê prolongar-lhes a vida? Aliás, dar medicamentos a crianças é um desperdício! Se morrerem até aos 6 anos poupa-se dinheiro em educação e em saúde. Não podemos andar a gastar dinheiro em luxos com a saúde, mesmo que sejam crianças. É uma questão de ética!
Já avisei aqui muitas vezes a brincar, mas agora digo-o a sério. Está cada vez mais próximo o dia em que o governo aprovará a injecção atrás da orelha, para acabar com os velhos que ousem resistir.
Entretanto, o empecilho de Belém continua feliz, porque foi ultrapassada a crise política.

Regra de 3 simples




Regra nº 1- Nunca acreditar nos conselhos dos economistas
Como alguém disse, Deus criou os economistas para que os meteorologistas tivessem alguma credibilidade. Apenas um em cada milhão consegue fazer previsões acertadas e, azar, além de só se vir a descobrir que esse é que tinha razão quando é tarde demais, todos os outros economistas tendem a desvalorizar as previsões porque contrariam a maioria, alinhada com interesses financeiros das empresas que lhes pagam para modificar a realidade ou se poderem aproveitar dela, espoliando os cidadãos.
Regra nº 2 -Desconfie ainda mais dos economistas se eles estão no governo, já por lá passaram ou têm a aspiração de lá chegar. 
Raros são aqueles que exprimem a sua opinião. Ou defendem a opinião do governo, ou a as das instituições financeiras que lhes pagam, ou ambas.
Regra nº3- Nunca siga os conselhos do governo em matéria de poupanças
Durante o Estado Novo, comprar uma casa para arrendar era um investimento para o futuro. Quem conseguia amealhar algum dinheiro investia-o em imobiliário para garantir a reforma que o Estado não lhe assegurava. Quando Salazar decidiu congelar as rendas de casa, milhares de pequenos proprietários que tinham investido as suas poupanças no sector imobiliário acabaram por ficar na miséria. Muitos passaram a viver em condições bem piores do que os seus inquilinos e, só recorrendo a estratagemas para os desalojar- como requerer a casa para um familiar- alguns conseguiram reequilibrar-se.
No período áureo da sociedade de consumo, com as rendas novas a disparar e o crédito barato, as pessoas endividaram-se porque fizeram contas e perceberam que mais valia pagar uma renda ao banco e ficar com uma casa, que deixariam de legado aos filhos, do que estar a pagar renda uma vida inteira.
A aposta parecia boa, mas o final da história foi um pesadelo para muitas famílias. Com a crise económica e o aumento do desemprego muitas famílias ficaram sem possibilidade de pagar a dívida ao banco e viram-se obrigados a entregar as suas casas aos agiotas. Poder-se-ia argumentar que a crise surgiu de forma imprevista, mas não é verdade. Em 2004 já havia economistas a prever a crise, mas os bancos continuavam a emprestar dinheiro, sabendo que a breve prazo muitos desses endividados deixariam de ter condições para pagar as suas casas. Não se preocuparam, porque sabiam que nunca ficariam a perder.
Em plena crise, o que faz o governo? Aumenta o IMI, tornando ainda mais difícil às famílias cumprirem as suas obrigações com os bancos!!!
Depois, apela à poupança e ao aforro mas, em vez de cativar as poupanças, remunerando-as bem, baixou os juros dos certificados de aforro, o que convidou as pessoas a retiraram o dinheiro e entregá-lo aos bancos. Depois surgiram os certificados de tesouro, cujo rendimento apenas é interessante para poupanças superiores a cinco anos. Mesmo assim houve quem investisse. Sem dinheiro, o governo decidiu ir buscá-lo aos pequenos aforradores que incentivara a investir, aumentando sucessivamente o imposto sobre capitais que, em apenas dois anos, subiu de 21 para 26,5% por cento.
Já nem vale a pena dizer que a aplicação de um imposto de capitais igual para quem tenha fortunas ou para  pequenos aforradores é uma medida injusta e daltónica. O que vale a pena é perguntar se vale a pena aforrar, para pagar mais de um quarto dos juros ao governo, que o gasta em mordomias várias, das quais não abdica.
Chegado a esta altura, perguntará o leitor: mas então que raio é que eu faço para assegurar a minha velhice e completar a minha reforma cada vez mais minguada?
Sinceramente, caro leitor, não lhe sei responder. Talvez o melhor seja mesmo emigrar para um país onde as pessoas sejam minimamente respeitadas. Nos dias que correm, até o Bangladesh é capaz de ter mais consideração pelos seus cidadãos, do que este governo que os portugueses escolheram para substituir o “aldrabão” do Sócrates. Como está demonstrado, fizeram uma boa escolha…

Figura da semana



Ângelo Correia é um político sagaz. Andou pela esfera do poder, foi ministro, teceu a sua teia de influências e quando percebeu o esquema e o seu modo de funcionamento, saiu de cena para montar o próprio negócio: fabricante de monstros.
Uma das figuras que catapultou para a cena política foi Duarte Lima que, de filho dilecto de Cavaco Silva, se transformou na pessoa que hoje todos conhecemos. Mais ambicioso que o seu criador, depressa Duarte Lima enveredou por outros caminhos, reclamando a independência a que pensava ter direito, desligando-se dele.
Foi então que emergiu Pedro Passos Coelho. Ângelo Correia viu nele potencialidades suficientes para ser seu afilhado e, como bom padrinho, mandou-o estudar, tarde e a más horas, para uma universidade privada de fraca reputação. Para custear os estudos e criar um monstro perfeito, entregou-lhe a gestão de algumas das suas empresas, todas na área do lixo.
Dizem-me que no laboratório de Ângelo Correia se continuam a fabricar figuras que, mais tarde ou mais cedo, emergirão na cena política como seus soldadinhos de chumbo, enquanto ele se mantém, discreto, na penumbra.


Uma profissão com futuro

Ao ver  PPC e Alvarinho dos pastéis de nata, chegarem aqui ao Pavilhão de Congressos do Estoril, percebi que polícia e segurança pessoal são profissões com grande futuro. 
Só tem medo do povo, quem não está de consciência tranquila, mas não há segurança que valha,  se alguém decidir que chegou a hora de acabar com o regabofe.

Legitimidade, o tanas!

Os caramelos que cegamente continuam a defender que este governo tem legitimidade para governar ou andam a comer do pote, ou são absolutamente néscios.
É verdade que foi eleito com os votos dos portugueses, mas os eleitores votaram num programa que o governo rasgou poucos dias depois de pôr as patas no pote.
Admitir a legitimidade de um governo que não cumpre minimamente o seu programa, é o mesmo que aceitar que quando alguém compra um produto ( automóvel, electrodoméstico, etc) com um prazo de garantia está sujeito, em caso de avaria a aceitar que o vendedor lhe diga que a garantia era só uma estratégia de marketing.
Este governo está avariado e nós, eleitores (consumidores) temos o direito de exigir que nos dêem um governo novo, ou nos indemnizem por incumprimento.
Um grupo de bandidos e de loucos nunca pode ser legitimado pelo voto popular.

Dêem uma esmola ao ceguinho!

Hoje, Pedro Passos Coelho leu duas estrofes dos Lusíadas. Pelo ar de espanto, enquanto lia, ficou-se a perceber que não estava a entender  patavina do que estava lá escrito mas aproveitou para reiterar que estamos no bom caminho e há bons ventos a soprar.
À noite, chegou o desmentido, mas o ceguinho continua a afirmar que vê luz ao fundo do túnel. Tenhamos dó e mandemo-lo  para um asilo!

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

E que tal um açaime?


O anúncio do restaurador Olex levantou grande brado, mas hoje em dia já ninguém se espanta quando vê um branco de carapinha ou um preto de cabeleira loira.
Por isso, também não nos devemos espantar se um dia destes alguém puser um açaime num coelho. Será a única forma de evitar que o animal abra a boca para anunciar mais austeridade

E se o feitiço se volta contra o feiticeiro?


(Na sequência deste post)
O caso do filme sobre Maomé, que está a incendiar o mundo muçulmano, merece uma abordagem diferente. É um filme rasca produzido por um débil mental que só teve protagonismo, porque foi parar ao You tube. As reacções são manifestamente desproporcionadas em relação ao facto que as despoletou. O que lamento é que o INC Hebdo tenha aproveitado a celeuma para atirar mais lenha para a fogueira. As caricaturas não só não têm qualquer interesse noticioso como, no contexto temporal em que foram publicadas, se tornaram provocadoras.  
Não creio que seja uma boa ideia atiçar os ânimos dos muçulmanos, tentando mostrar-lhes que nós, europeus sem bactérias, não abdicamos dessa conquista democrática que é a liberdade de expressão. Até porque essa é mesmo a única que nos resta, pelo que era bom não ser desbaratada com actos irreflectidos de propaganda.
O jornalismo deve ser responsável e cumprir o dever de informar, não pode servir de pretexto para lutas esquizofrénicas.Principalmente quando isso provoca a morte de inocentes, como tem acontecido nos últimos dias, um pouco por todo o mundo islâmico, mas também em França - onde o governo teve de encerrar as escolas- ou na Grécia.
 Um dia destes tudo isto pode ter um efeito de boomerang e, depois, lá se vai a liberdade de expressão para o galheiro. Sabem mesmo do que é que eu gostava? Era de ver jornalistas a cumprirem a sua missão de informar. De forma isenta, sem provocações e muito distanciados do poder a quem, cada um, procura servir à sua maneira. Isso, sim, era um bom exemplo de democracia!

De Espanha nem bom vento, nem bom casamento?


No dia 11 de setembro, cerca de dois milhões de pessoas desceram à rua em Barcelona, para pedir a independência da Catalunha. Foi a maior manifestação de sempre naquela cidade e demonstra de forma inequívoca a determinação dos catalães em romper com a solidariedade tributária imposta por Madrid.
A manif decorreu de forma ordeira   mas assustou Madrid, pelo significado que lhe esteve subjacente.
A Catalunha é uma espécie de Alemanha da Península Ibérica. Gente civilizada, bom nível de vida, acima da média ibérica. Obrigado a pedir um resgate a Madrid,  o governo catalão terá de impor aos catalães pesados sacrifícios mas, sendo a região mais rica da Ibéria, recusa-se a ser solidária com as restantes regiões espanholas. 
Estive em Julho na Catalunha e testemunhei o descontentamento que grassa naquela região e a força que os move. A situação é bem mais escaldante do que a nossa par(v)ca comunicação social vai deixando transparecer. Seria talvez o momento adequado para reflectir sobre os efeitos catastróficos para a Península Ibérica de uma desagregação em Espanha. Como na altura escrevi, a independência da Catalunha faria desabar como um castelo de cartas não só Espanha, como a própria Europa. 
Mariano Rajoy percebeu o perigo da contestação diária em Espanha, nomeadamente na Catalunha. Por isso se apressou a acalmar os espanhóis, garantindo que nunca irá mexer nas pensões dos reformados, dos incapacitados e dos desempregados. Assegurou que, se pedir o resgate ( este se é apenas retórico, porque o pedido de resgate total já está a ser preparado) não sacrificará mais quem trabalha e irá buscar o dinheiro necessário ao grande capital e às grandes empresas.
Rajoy foi obrigado a dizer isto repetidas vezes, porque sabe o que poderá suceder se a contestação popular continuar a crescer. Mas não cumpriu, como o atestam as medidas de austeridade anunciadas nas últimas semanas
Não conseguiu, tampouco, demover os catalães a respeitarem o Pacto Fiscal. Isso implicará que os impostos pagos   na Catalunha fiquem em Barcelona. Em 25 de Novembro haverá eleições antecipadas na Catalunha e delas poderá resultar a "declaração de independência".
Não é só Rajoy que tem um problema bicudo para resolver, é a Europa! Para já, instigada por Madrid, a Comissão veio avisar os catalães: se quiserem a independência, digam adeus ao euro!
Não sei se esse aviso será suficiente para os demover. Não sei mesmo se muitos não verão nisso uma vantagem adicional.
Adivinha-se um período conturbado se a Catalunha confirmar a secessão.É bom começarmos a pensar que não nos livraremos de alguns estilhaços se aqui ao lado os regionalismos se exacerbarem e pegarem fogo à Ibéria. Nessa altura perceberemos ( tarde demais, como sempre…) que ser bom aluno e bem comportado não compensa, quando o nosso tratador nos trata como animais.
Em alguns debates televisivos, tenho visto os comentadores desvalorizar o que se está a passar em Espanha. 
Era altura de começarem todos a pensar mais como ibéricos ( como europeus é pedir demasiado) e não como provincianos com cultura e comportamento de bairro periférico. Uma precipitação dos acontecimentos na Catalunha deixará, no prazo de uma década, o mapa da Europa irreconhecível. Será a queda do muro de Berlim, mas do lado de cá. Era bom que os líderes europeus tivessem juízo, olhassem com atenção para o que se está a passar na Catalunha e nas implicações que poderá ter em países como Itália, França, Bélgica, Grã Bretanha ou mesmo na Alemanha, onde os nacionalismos se têm mantido mais ou menos adormecidos. Se querem manter a Europa unida, deixem de actuar como abutres sobre os países do sul em dificuldades. Dêem-lhes tempo para endireitar as contas, em boa parte debilitadas por culpa de Bruxelas. 

To whom it may concern

Se não tratarmos primeiro do telhado da nossa casa, não adianta fazer pinturas nos quartos por isso, nos próximos dias,  vou andar por aqui. Bastante ocupado a fazer entrevistas e a participar nos debates.
Não estranhem, por isso, se as visitas aos vossos blogs forem mais esparsas e o ritmo de postagens abrandar. 

Late night wander (100)


"Há três coisas na vida que nunca voltam atrás: a flecha lançada, a palavra pronunciada e a oportunidade perdida".
Se ainda espera que os portugueses se reconciliem com ele, bem pode esperar sentado...

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Uff! Consegui...

Perceber que Miguel Macedo afinal tinha razão quando explicou a f(r)ábula da cigarra e da formiga.
Encontrei nos meus arquivos a Lei 37/ 2007 (também conhecida por Lei da Passa), que explica tudo direitinho

Ora atentem no que diz aquela Lei do Tabaco:

Artigo 4º
1- É proibido fumar:
a) Nos locais onde estejam instalados órgãos de soberania, serviços e organismos da Administração Pública e pessoas colectivas públicas;
b) Nos locais de trabalho; ( sublinhado meu)
Portanto, as cigarras são mesmo os órgãos de soberania e o legislador teve olho quando previu que era importante fazer a destrinça entre os  locais de trabalho e de lazer (prazer), como os gabinetes ministeriais

A globalização do disparate

Não é só por cá que os políticos dizem alarvidades. Olhem só para estes dois exemplos e, antes de seguirem os links, tentem adivinhar quem proferiu cada uma das frases:
Apoiar a  homossexualidade é coisa de capitalistas
Não percebo porque motivo não é possível  abrir as janelas durante uma viagem de avião

Brincar com o fogo

Enquanto os espanhóis continuam a sair à rua quase diariamente, protestando contra as medidas de austeridade impostas pelo governo ( hoje em Madrid há 12 manifestações, três  das quais pretendem cercar o Congresso, o que está a preocupar seriamente as autoridades madrilenas) Rajoy continua a assobiar para o lado e recusa pedir o inevitável resgate. 
A recusa do líder do PP  em formalizar o pedido nada tem a ver com os interesses de Espanha, mas sim com os do Partido Popular. Em Outubro (dia 15) haverá eleições na Galiza e no País Basco e Rajoy teme que um pedido de resgate antes dessa data resulte em estrondosas derrotas para o seu partido, o que fragilizará ainda mais o seu já tão desacreditado governo. 
Lá como cá, a direita defende primeiro os seus interesses e só depois os do país, mas a cobardia de Rajoy pode sair muitíssimo cara aos espanhóis e provocar, a breve prazo, uma explosão social  incontrolável em Espanha, a braços com a possibilidade de secessão da Catalunha que, a concretizar-se,  pode despoletar o desmembramento da unidade espanhola.  
Em Julho pude constatar o clima de instabilidade que se vive em Espanha- e que aqui vos dei conta na altura- mas a situação desde aí não pára de se agravar. Os seus efeitos terão obrigatoriamente repercussão em Portugal e também na Europa, mas Rajoy permanece indiferente e só pensa em salvar a face do seu partido. Palpita-me que isto não vai acabar bem...

Chamem os bois pelos nomes, s.f.f.


Quando alguém se dirige a um banco para pedir um empréstimo, assina um contrato no qual o banco se compromete a entregar-lhe o dinheiro de que necessita. Quem pede o empréstimo compromete-se, por sua vez, a restituir ao banco a quantia emprestada, ao longo de um período acertado entre as duas partes,acrescida do pagamento de juros determinados pelo banco, os quais constituirão lucro para a instituição que concedeu o crédito.
O valor dos juros é negociável, podendo variar entre o razoável e a agiotagem pura, competindo aos consumidores negociar com a instituição financeira que lhe ofereça melhores condições.
Alguma pessoa que contraiu um empréstimo diz “ fui pedir ajuda ao banco para comprar a minha casa”? Obviamente que não.
É por isso que não percebo a insistência da comunicação social em falar da ajuda do FMI e do BCE a Portugal. O governo pediu um empréstimo e irá pagar juros elevadíssimos cobrados pelas duas instituições. Ao contrário do que acontece com os consumidores, os países não têm escolha quanto à entidade que lhes concede o empréstimo, porque não funciona a Lei da Concorrência. Daí que sejam obrigados a aceitar os juros agiotas impostos por quem pode conceder o empréstimo, sob pena de entrarem em bancarrota.
 Qualquer jornalista estagiário sabe isso, pelo que a insistência da nossa comunicação social ( e também de alguns membros do governo) em falar de “pedido de ajuda” só pode resultar de tentativa de intoxicação deliberada da opinião pública. Portugal pediu um empréstimo, os nossos credores comportam-se como agiotas e o governo como um consumidor totó que assina de cruz. Ponto final.


Foi apenas ontem...

O leitor já era nascido quando ocorreu este episódio?

Late night wander (99)

Esclareçam lá de uma vez por todas. Somos piegas, ou cigarras calaceiras? Também nesta matéria era importante que o governo falasse a uma só voz.

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Então Pedro levantou-se e disse...

...assim quereis, assim tereis porque sou um homem justo: "se não vai pelo c., vai pelas calças"
Depois voltou-se para Paulo e acrescentou:
" Tentei salvar-te da vergonha e da insídia do povo, inventando aquela coisa da TSU, para que não parecesse um imposto mas tu, ingrato, em vez de me agradeceres puseste-te ao lado do povo. Agora, toma lá e embrulha! Levas com mais impostos e vai lá explicar-lhes porque os aceitaste sem um remoque. Mas  aviso-te desde já, meu irmão, não uses o truque do patriotismo, porque esse já ninguém engole. Tens de ser muito criativo, agora... fico ansioso para ver como te vais safar nas próximas idas às feiras!"
Cabisbaixo, Paulo respondeu entre dentes:
" Como bem disseste lá no FB, a história não acaba aqui. Quero ver como te vais aguentar quando eu te deixar sozinho no governo!"

Jornalismo ou voyeurismo?


Quando vejo o príncipe Harry em pelota, ou as maminhas de Kate Middleton escarrapachadas nas primeiras páginas de revistas e jornais, não ponho em causa a liberdade de expressão. Questiono-me é até que ponto é legítimo considerar jornalismo  a simples exploração do voyeurismo, com o fito de obter lucros.  Talvez  ainda pudesse admitir que a prática do strip snooker por um príncipe imaturo indiciasse a decadência da monarquia britânica e a publicação das fotografias fosse um aviso aos súbditos de Buckingham Palace, se o príncipe estivesse na calha para ocupar o trono, mas todos sabemos que só uma catastrófica conjugação de incidentes catapultaria Henry para o trono britânico.  Henry é um miúdo igual a tantos outros que apenas se distingue pelo facto de ter nascido com pedigree nobiliárquico. É apenas por  isso que atrai a atenção dos paparazzi e a curiosidade dos voyueurs.
Quanto às maminhas da princesa Kate, a possibilidade de encontrar qualquer interesse noticioso na publicação das fotografias é absolutamente nula. Trata-se de reles exploração do voyeurismo.  E não se diga que a princesa foi descuidada. Ela não ignorará, certamente, que hoje em dia é possível obter fotografias a quilómetros de distância, mas deverá isso inibi-la de fazer topless? Deverá viver numa redoma de vidro, quando o que a maioria das pessoas pede é que a monarquia se humanize?
Não será mais criticável o paparazzi que a fotografou, com a mira de obter fama e avultados lucros, do que o facto de Kate ter agido como uma mulher normal?
Todas as liberdades têm um limite e não me parece que a liberdade de expressão escape a essa condicionante. Penso, por isso, que é urgente definir claramente as fronteiras entre jornalismo e voyeurismo. A bem do jornalismo e dos cidadãos que gostam de ser informados.
Eu sei- porque já lá fui ler - que a Brites tem opinião diferente e faz uma defesa acérrima dos paparazzi mas, caramba, a Brites vive do jet set!

Tiro no pé

Quando Miguel Macedo falou de cigarras estava a criticar o PM por causa disto?

Veja lá se percebe, Tozé!


O meu problema não se resolve, exigindo aos ricos que paguem mais. Quero é que quem trabalha pague menos e não seja obrigado a dar parte do seu salário às empresas. Aliás, nem os patrões quiseram aceitar esse dinheiro que generosamente PPC lhes ofereceu como gorjeta, na tentativa de comprar o seu silêncio.
O que eu quero é  um governo que não me trate como chinês!
Não quero um PS que se satisfaça com medidas de cosmética orçamental. Exijo aos seus dirigentes que assumam uma ruptura incondicional com o governo e se comportem como catalizadores da revolta popular, ao lado dos outros partidos de esquerda. Nas ruas e nos locais de trabalho.
O que eu quero é um dirigente com voz grossa, capaz de enfrentar "olhos nos olhos"estes miseráveis que nos governam e denunciar o conformismo do PR e a sua conivência com a destruição do país.
O que eu quero é uma esquerda unida na luta contra esta ditadura encapotada, que o PS procure plataformas de entendimento com o BE e o PCP e esqueça a traição daqueles partidos ao país, quando chumbaram o PEC IV.
Neste momento, a situação do país exige que o BE abandone os seus jogos florais de lideranças bicéfalas e que o PCP desça do pedestal de patrão da esquerda em nome do povo que nele ainda confia. Mas exige também um líder do PS que se demarque claramente da política seguida por este governo.

Remodelação, para quê?

Aumentam as vozes - incluindo no seio dos partidos do governo- a defender a necessidade de uma remodelação. Eu pergunto: para quê uma remodelação se Pedro Passos Coelho, o cancro deste governo,  permanecer lá? Para quê uma remodelação,  mudando apenas os leiloeiros, se a política de venda do país a pataco prosseguir?
O que este país precisa não é de uma operação de cosmética, é de um transplante. O que este governo precisa não é de pintar  paredes, é de uma vassourada. 
O importante é substituir um incompetente e um traidor que  não hesita em vender os portugueses aos interesses dos agiotas, por alguém que pense primeiro nos portugueses e não esteja a ocupar o cargo com o fito de se pirar lá para fora e viver uma reforma dourada, depois de ter vendido toda a riqueza do país a estrangeiros.


Hoje é o dia...

...em que o governo vai enganar mais uma vez o doente e tentar convencê-lo que está a caminho da cura, mas o que o governo de incompetentes, com a aquiescência do PR, vai fazer, é apenas mudar a medicação. Em vez do xarope, vai aplicar um clister.

Regabofe é...(3)

Perverter a justiça, criando tribunais arbitrais que permitem a alguns advogados embolsar centenas de milhares de euros.
Adenda: Marcelo Rebelo de Sousa vai presidir a dois desses tribunais, a criar brevemente

domingo, 23 de setembro de 2012

Cavaco Baptista da Silva

 Cavaco Silva está cada vez mais parecido com o ex-árbitro Lucílio Baptista que, em vez de arbitrar, inventava penaltis para dar a vitória à equipa  que mais lhe agradasse no momento.
Tal como Lucílio Baptista, Cavaco deixou de arbitrar e passou a ser cúmplice de um governo de mixordeiros incompetentes e parciais, que faz do favorecimento a sua bandeira. Não tarda nada o povo começa a chamar-lhe o mesmo que chamava nos estádios a Lucílio Baptista.
Hoje, depois da reunião do Conselho de Estado, Cavaco Silva tinha a última oportunidade que lhe restava para tentar salvar a sua imagem. Não a aproveitou.O povo deixou definitivamente de o respeitar.

Blog da semana

Perspicaz na análise do que se vai passando pelo país, o Francisco oferece-nos diariamente uma análise e uma perspectiva particular deste país embasbacado.
Terra dos Espantos é o blog da semana. Vão lá e espantem-se!

LFV convidado para o governo?



Luís Filipe Vieira aproveitou a inauguração de uma casa do Benfica para anunciar aos adeptos que os salários dos atletas vão baixar e que o Benfica terá de empobrecer, vendendo algumas das jóias do seu plantel.
O problema não é só do Benfica e atinge todos os clubes sem excepção. Não só em Portugal, como em toda a Europa, com excepção da Rússia. Toda a gente quer vender e quem compra, quer fazê-lo a preços baixos.
Era pois desnecessário LFV aproveitar o anúncio das medidas que se vê obrigado a tomar, para dar uma bicada no FC do Porto e insinuar que na gestão dos azuis e brancos andam jogos escondidos. 
Até poderá ter razão, mas o futebol não precisava de mais este ataque descabelado do presidente encarnado, em jeito de desculpa para o “empobrecimento” do Benfica.
O SLB será sempre um clube com um grande passado, mas o seu presidente- em época elitoral- optou uma vez mais por atacar o principal adversário para se defender e justificar a sua reeleição.
O Benfica só voltará a ser grande quando tiver um presidente que faça o seu trabalho e acabe com os remoques ao seu adversário, para justificar os seus insucessos. Sejam eles desportivos ou financeiros.
Não é copiando as tácticas de Pedro Passos Coelho que LFV engrandecerá o SLB.  Ele tem é de defender  os interesses do Benfica e dos seus adeptos e mostrar que o caminho a  seguir passará por dificuldades, mas que em nada beliscará  a grandeza do clube.
Agindo assim conseguirá, quando muito, um convite para o governo, que verá nele uma pessoa ideal para manter a política do passa culpas e nada fazer em defesa do país.

Blimunda




Quando se fala de livros ou revistas, ainda continuo a ser fã do papel, mas abro algumas excepções. Uma delas chama-se Blimunda, a revista digital da Fundação José Saramago, cujo nº 4 já está disponível on line.
No espaço para viagens pode ir até Moscovo ou Istambul com as palavras de  Sara Figueiredo  Costa ou Helder Beja e as magníficas fotos de Sílvia Moldes.
Se não foi ver a exposição  Onde Nascem as ideias, que até hoje esteve patente no MUDE, a  Blimunda leva-o até lá numa breve visita guiada por Manuel Estrada, o desenhador espanhol  a quem a exposição foi dedicada.
Há ainda outros motivos de interesse neste número da Blimunda mas, se quiser saber mais vá até http://www.josesaramago.org  e, se quiser, pode fazer o download. Boa leitura!

Le premier bonheur du jour

Chegou ontem às 15h 48m e de imediato se fez anunciar. A temperatura baixou de forma abrupta, o vento soltou-se das amarras que o prendiam nos últimos dias, o céu acinzentou-se e o sol empalideceu. Hoje, dizem os meteorologistas, a chuva fará a sua aparição e durante a semana marcará presença diariamente. Foi-se embora o Verão. Que o Outono tenha chegado em boa hora.
Um bom domingo para todos

Tão felizes que nós somos!

Todos os conselheiros parecem ter ficado satisfeitos com o comunicado do Conselho de Estado. Estão todos felizes e isso é bom, mas eu gostava de perguntar como se pergunta à hiena. Eles riem de quê?

sábado, 22 de setembro de 2012

Uma noite na Broadway


Os irmãos Feist - a comemorar 30 anos de carreira- oferecem-nos no palco do Teatro Estúdio Mário Viegas uma viagem à Broadway. 
A voz de Henrique e as mãos de Nuno ao piano  servem-nos de guia no percurso que se inicia em 1904 e termina nos nossos dias.
 Ao longo de 90 minutos, ficamos a saber as origens daquela zona quase mítica e a forma como se desenvolveu, através de canções que se tornaram célebres graças aos espectáculos ali levados à cena e que depois correram mundo. 
Não sendo um espectáculo fantástico, é uma viagem muito agradável pelos terrenos do musical americano que nos permite recordar- e não raras vezes trautear-  alguns dos grandes sucessos musicais e os espectáculos ou filmes que lhes estão associados. De Cole Porter a Gershwin, são revisitados os grande compositores, mas também as grandes produções- muitas das quais se tornaram filmes de sucesso ou até séries televisivas, como é o caso da Família addams - onde não faltam obviamente Hair,  West Side Story, A Fidler On the Roof , os grandes sucessos de Andrew Loyd Weber, o compositor londrino que conquistou Nova Iorque e o mundo com musicais como Jesus Christ Superstar, Cats, Evita, The Phantom of Paradise, ou ainda o excepcional "Les Miserables", há quase 30 anos em cena. 
Fui ver na quinta- feira e não posso deixar de agradecer à Teresa, que no seu blog deu a sugestão. 

Foi bonito, pá!

Enquanto os senhores conselheiros interrompiam a reunião para comer uns croquetes ( acompanhados de um arroz à Valenciana?) e beber um copito,  cá fora milhares de pessoas  continuavam a seco, mas não arredavam pé e cantavam Acordai!
A sala insonorizada onde se reunia ao CE não permitiu aos conselheiros de estado ouvir a voz  do povo e, ao fim de oito horas de conciliábulo, pariram um comunicado abstruso. Não sabem o que perderam, pá! O que se passava cá fora era bem mais bonito do que os acordos para salvar  um regime caduco que irá cair na rua, se os palacianos continuarem divorciados do povo.

Le premier bonheur du jour - As praças dos leitores (3)

Nesta terceira semana do Desafio que lancei no On the rocks, as participações vieram todas de Portugal, mas nem todas as praças são portuguesas.

 Esta foi a praça escolhida pela Safira e percebe-se a razão da escolha no texto que a acompanha

 Já a Graça optou por esta praça que é sala de visitas de uma bela cidade portuguesa

 Muito conhecida, mas bastante difícil de identificar, porque muitos nunca terão tido oportunidade de a ver nesta perspectiva foi a praça escolhida pelo João
A terminar a semana, a praça escolhida pela Teté foi um verdadeiro quebra cabeças, até para especialistas.

Agora, que já viram as fotografias, vão visitar os blogs dos participantes para as identificarem.
Tenham um excelente fim de semana!

Golpe e contra golpe

Ao dizer que a crise política estava terminada, Cavaco Silva esvaziou o Conselho de Estado, mas não conseguiu esvaziar as ruas. 

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

A frase canalha de Cavaco Silva

Cavaco perdeu esta manhã uma oportunidade para mostrar que era presidente de todos os portugueses. Após uma visita a Évora, onde foi apupado e obrigado a fugir, fez questão de vincar  que o Memorando da troika tinha sido assinado pelo anterior governo, transmitindo a ideia sustentada por PPC de que o governo apenas está a cumprir o que o PS negociou. A isto se chama deslealdade e canalhice.
Quando se lhe pedia que pusesse água na fervura, o PR atirou gasolina para cima da fogueira. Oxalá se queime!

Cavaco acaba com a crise por decreto

Outro que não percebe  patavina do  que se está a passar no país. Deve andar a ver demasiadas telenovelas e pensa que lá porque os dois pombinhos resolveram declarar que tinham feito as pazes, a crise passou.
Apetece perguntar "E o povo, pá?"
Mas não vale a pena, porque ele não faz a mínima ideia do que é o povo. Só vê cifrões à frente e pensa que isto se resolve com uns investimentos estrangeiros. Deve ter sido para pedir aos conselheiros de estado que partam como apóstolos pelo mundo a pedir aos amigos que invistam em Portugal, que convocou o Conselho de Estado. Ou então foi para tomarem chá...mas  não se percebe a razão de ter convidado Gaspar. Foi só para humilhar Coelho diante dos conselheiros, mostrando-lhes que não confia numa única palavra do PM? Ou terá sido para redigir o decreto presidencial que determina o fim da crise?
Haja pachorra para aturar os disparates de Belém!

Acorda, Pedro!

Há, em Pedro Passos Coelho, sinais evidentes de problemas de saúde. Não me refiro a problemas físicos, mas sim mentais. 
Hoje, Monti convidou  todos os países europeus para uma reunião mas, segundo confissão do próprio PM italiano, PPC não foi convidado. 
Ontem, a revista  "The Economist", sempre alinhada com as medidas da troika e uma mãos largas em elogios ao governo, publica um artigo onde tece severas críticas a PPC e de que destaco apenas este excerto:
"Nos 15 minutos que Passos Coelho demorou para anunciar o seu esquema na televisão, no início do mês, conseguiu a notável proeza de unir não só os partidos da oposição contra o seu plano 'intolerável', mas também os sindicatos, os patrões e os economistas"

Perante isto, PPC  afirmou hoje na AR que Portugal  é muito bem visto lá fora, graças às medidas que tomou, continua a insistir que estamos no bom caminho e, desplante máximo, garante que os reformados não foram atingidos pelas medidas, apesar de lhes ter cortado dois meses de salários. Não há pior doença para um governante, do que deixar de perceber a realidade do país. Seria obrigação do PR chamá-lo à realidade e, persistindo Passos na sua obstinação, demiti-lo. Ao contrário, o PR continua a assobiar para o lado à espera que a crise passe, como se não fosse nada com ele. ou a dizer que ela acabou, o que ainda é mais grave!

Cuidados paliativos


A coligação criou um "Conselho" para melhorar a articulação
Acredita que o problema é artrite reumatóide e as declarações alienadas de PPC e PP, nos últimos tempos, denunciam que acreditam  nesta cura  (Se insistirem na receita, vão acabar nos Alcoólicos Anónimos...)
Toda a gente sabe que é mentira. A doença é muito mais grave e o governo apenas sobrevive graças aos cuidados paliativos.Cavaco fez saber que é ele que está a ministrar esses cuidados e está feliz, porque acredita na recuperação, mas assim que Portugal receber a nova tranche da mesada, o PR vai perceber que estava errado no diagnóstico. Talvez nessa altura compreenda que tinha sido melhor dar ouvidos aos  conselheiros de Estado.

Cavaco e os serviços mínimos

Reúne hoje o Conselho de Estado. Cavaco anda desde domingo a tomar ansiolíticos em dose redobrada, tal é o seu pavor só de pensar que pode ser obrigado a tomar uma decisão, depois de ouvir os conselheiros: demitir Pedro Passos Coelho por incompetência e traição ao país.
Ninguém acredita que Cavaco o faça. Irá escudar-se na defesa dos interesses do país ( como se o interesse do país fosse ter um governo autista e um primeiro ministro que vende o país a retalho e oferece os cidadãos aos agiotas como escravos) e ficará à espera que o governo caia de podre.
Cavaco Silva custa demasiado dinheiro ao país. Exige-se-lhe que cumpra os serviços mínimos, não se exima das responsabilidades e faça o seu trabalho na defesa de Portugal e dos portugueses.
É por isso importante que hoje, às 18 horas, todos estejamos em Belém, para lhe lembrarmos os seus deveres. Para o obrigarmos a ser, pela primeira vez em seis anos, presidente da República. 
Eu sei que a maioria dos conselheiros de Estado lhe irá exigir isso, mas a nossa presença em Belém reforçará a posição da maioria dos conselheiros.
É imperioso  fazer Cavaco perceber que ao pactuar com Pedro Passos Coelho, está a ser cúmplice de uma traição e, na altura própria, será julgado por isso. Espero que o PR tenha percebido este sinal

A figura da semana

António Costa
                                                                             Por isto
Mas também por que o CDS o escolheu como alvo para a intervenção política na AR, como forma de evitar responder ao PSD. Mas, dois dias depois das alterações, já ninguém fala de problemas..

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Rescaldo do encontro entre PSD e CDS

PSD aumentou o preço dos divórcios, na tentativa de impedir que o CDS rompa o casamento. CDS pondera se vai pagar 200€ para mudar de sexo. e assim poder dar o seu aval às alterações na TSU que rejeitou no domingo.

Desaparecidos (13)


Aproveitando uma viagem paga pelos contribuintes, Miguel Relvas foi ao Brasil. Quando lá chegou mandou uns bitaites a criticar o CDS e depois, seguindo o exemplo do padre Frederico, escafedeu-se! 
No exílio não estará, certamente.
Terá  perdido o sinal  de telemóvel numa viagem entre o Rio de Janeiro e Saquarema ( Maricá)? estará em parte incerta a tratar de negócios? a gozar umas merecidas férias?
Não tenho resposta... mas  sei que a maralha política do PSD tem muita tendência para se perder no Brasil. Aconteceu com Agostinho Branquinho e acontece agora com Miguel, uma espécie de Agostinho, mas em versão Tinto Carrascão.
MAS ATENÇÃO! Apesar de estar em paradeiro incerto, parece que continua a fazer nomeações para o seu gabinete. Mais uma vez foi ao Diário de Notícias abastecer-se. O feliz contemplado foi Luís Naves, o melhor tradutor de notícias da imprensa internacional nos quadros do DN, ponta de lança no blogue relvista. O CR  está a tentar saber quanto custou esta transferência em chamadas de telemóvel, a especialidade do ainda ministro.
Quanto ao salário auferido pelo novo colaborador do gabinete de Relvas, deve ser equiparado a outros especialistas: superior a três mil euros, mais despesas para o regabofe. E com direito a subsídio de férias e Natal, obviamente, porque para o pessoal dos gabinetes há sempre a ressalva de terem de ser respeitados os direitos adquiridos. 

Agora, não podemos parar a corrente


Mudar, para que tudo fique na mesma

Já poucos acreditam que o governo não persista no erro da TSU, mas muitos ainda acreditam que vai fazer grandes cedências. Não tenham ilusões.O  governo vai apenas introduzir alguns remendos, de modo a dar a ideia de que foi complacente. Como o vai fazer, também é previsível. Uma operação de cosmética, amplificada pela comunicação social, da qual  funcionários públicos, reformados e pensionistas sairão irreconhecíveis. Até Paulo Portas aparecerá diante das câmaras de televisão, com o rabinho a dar a dar,  a dizer que as suas preces foram ouvidas...
O objectivo do governo e de Cavaco, neste momento, é calar a rua. Carregando o esforço sobre os funcionários públicos, reformados e pensionistas, sossegam os trabalhadores do sector privado, os patrões, os sindicatos, a comunicação social e podem dormir tranquilos, porque o poder reivindicativo dos que vão pagar a crise é praticamente nulo. Mesmo que venham para a rua gritar, a maioria da população não deixará de os ver como os "privilegiados". 
No próximo ano, quando começarem a chegar as contas do IRS,  todos vão perceber que também foram atingidos mas, como enquanto o pau vai e vem folgam as costas, o governo aproveitará este período de acalmia para se restabelecer.
Lá para o Verão - se desgraçadamente o governo lá chegar-  quando o país estiver completamente submerso, vítima da loucura e incompetência deste primeiro ministro e se perceber que as medidas de nada serviram, o governo voltará a ficar ligado à máquina. Os médicos voltarão a reunir-se para discutir o estado do doente e é muito provável que, nessa altura, decidam desligar a máquina. Até lá, ficará como muitos doentes terminais.A família está desenganada pelos médicos, mas todos os dias vai à visita com a secreta esperança de vislumbrar ligeiras melhoras. Não haverá uma alma caridosa que termine com esta agonia?

Sim, tenho medo. Muito medo!



Aquilo que neste momento me preocupa não é a queda deste governo. Desde o dia de tomada de posse que sei que é um governo a prazo e transmiti aos leitores essa ideia em variadíssimos posts.  Talvez lhe tenha dado um prazo de vida mais longo do que provavelmente terá- sempre indiquei as autárquicas de 2013 como o ponto final nesta coligação. Ainda admito que esse prazo possa ser atingido, embora me pareça cada vez mais irrealista- e também pernicioso para o país. 
Será bom para todos nós se o governo cair depois da reunião entre PSD e CDS, que Pedro Passos Coelho “convocou” ontem para tentar entalar Paulo Portas, mas não estranharei se, com mais um extraordinário golpe de rins, o líder do CDS invocar o patriotismo para engolir aquilo que ainda há poucos dias recusava.  Mesmo que isso venha a acontecer, a queda será inevitável a curto prazo, porque o governo já perdeu o país e o CDS é useiro e vezeiro em quebrar coligações no momento que considera ideal para as suas aspirações.
O cenário de queda do governo não só não me preocupa, como penso que seria a solução ideal para o país. O que me preocupa e mete medo é o resultado da sondagem da Universidade Católica ontem divulgado. O PSD dá um dos maiores trambolhões de que há memória, em apenas uma semana, e o PS não só não capitaliza esse descontentamento, como comete a extraordinária proeza de também descer. 
Estes dados seriam suficientes para percebermos que os portugueses não só não acreditam nos partidos do governo, como também não acreditam na alternativa Seguro. Dificilmente um líder do PS teria piores resultados…
O mais preocupante – e que realmente me assusta – é o facto de 87% dos portugueses se mostrarem desiludidos com a democracia.  Pensar que menos de 40 anos depois daquela manhã de Abril que nos restituiu a liberdade, pouco mais de 10% dos portugueses acreditam na democracia, é assustador!
Como chegámos aqui? A resposta não se pode resumir ao despesismo iniciado com Cavaco. Tem raízes muito mais profundas que culminam na falta de credibilidade e qualidade dos dirigentes políticos que nos governaram nos 10 últimos  anos.  
Durão Barroso, ao abandonar o país a troco da União Europeia, foi o primeiro grande responsável pelo descrédito dos políticos e pela descrença dos portugueses. Depois dele, entrámos na era dos políticos profissionais, formados nessas escolas de vício que são as Jotas partidárias. O clientelismo atingiu limites insuportáveis, que culminaram com o regabofe inqualificável  que ontem aqui destaquei.
 A política deixou de ser encarada como serviço ao país, para se confundir com “servir-se” do país. A passagem directa de membros do governo da política, para conselhos de administração de empresas privadas transmitiu aos portugueses, de forma muito clara, que a maioria dos políticos se serve do poder como trampolim e investimento no seu futuro pessoal. Daí a descrença dos portugueses. 
Se PPC fosse um político sagaz e tivesse um pingo de respeito pelo país e por ele prório, não intoxicava a comunicação social com notícias de ameaça de demissão. Demitia-se e dava ao PR a oportunidade de convidar outra personalidade do PSD a formar um governo até à realização de eleições. Porque, neste momento, o grande problema deste país tem um nome: Pedro Passos Coelho.
Não temos governo, nem um presidente da república com estofo moral e coragem para dar um murro na mesa e dizer “BASTA”! 
Não temos- é preciso dizê-lo sem cair em falsas ilusões criadas pela extraordinária manif de 15 de setembro- um povo instruído e participante, que cumpra o seu papel de cidadania. Estão criadas as condições para o aventureirismo e o aparecimento de um novo “salvador da Pátria” que enterre definitivamente a democracia.  É disso que tenho medo. Muito medo!

Isto começa a compor-se...

Governo protege gerações futuras... tomando as medidas adequadas para que não nasçam crianças.
Agora só falta dar a injecção atrás da orelha aos reformados, para se ver livre desse fardo.
Entretanto, AJS consegue a proeza de fazer o PS baixar dois pontos nas sondagens, em plena época de crise.
Porque não se demitem os dois?

Regabofe é (2)

Gastar 8,7 milhões com pessoal dos gabinetes ministeriais, recrutados nos partidos do governo, quando há milhares de funcionários públicos que poderiam exercer essa função com mais competência e muito mais barato.
É contratar como assessores e especialistas putos de 22 , 23, 24  anos com vencimentos de 5 e 6 mil euros, quando um funcionário público, no topo de carreira, com mais de 30 anos de serviço, ganha pouco mais de metade.
Isto já não é só regabofe... é falta de pudor. É prostituir a democracia e as instituições!

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Postal a Maria Teresa Horta

Eu tinha pensado escrever um post sobre a Maria Teresa Horta, mas o que eu lhe pretendia dizer está aqui escrito e, como não tenho mais nada a acrescentar, apenas subscrevo. 

Caderneta de cromos (39)



Em 2011, Isabel Jonet dizia que o Estado Social tem efeitos perversos. As declarações idiotas da  dona presidente do Banco Alimentar contra a Fome não caíram em saco roto e a Readers Digest contemplou-a com o prémio Personalidade Europeia do Ano 2012.
Ainda este ano, Isabel Jonet foi considerada a mulher portuguesa mais poderosa. (A caridadezinha é um negócio próspero em Portugal?) Se pensarmos que o seu poder advém do facto de gerir uma entidade que vive do voluntariado, começamos a ter uma percepção do que se passa no país e do seu futuro. Seremos o país mais miserável da Europa, mas o mais caridoso.
Com tanto protagonismo palpita-me que, não tarda nada, Isabel Jonet será uma espécie de Fernando Nobre de saias. Ora assumindo a presidência do Movimento Nacional Feminino, ora sendo convidada por Pedro Passos Coelho para presidente da Assembleia da República. Isabel Jonet não é só porta-voz do governo, é uma pessoa cujo protagonismo aumenta à medida que  cresce a miséria. A isso chama-se vampirismo!
Não faço estas afirmações pelo facto de ontem a senhora ter saído em defesa da TSU, mas porque já no dia 1 de Agosto ela devia ter informação privilegiada sobre a decisão do governo. Só assim se compreendem estas declarações ao  “Grandes Negócios”. ( ver vídeo aqui, se tiverem estômago, embora encontrem lá algumas afirmações acertadas) de que destaco esta frase:
“durante muito tempo, os portugueses "criaram a expectativa de que eram ricos" e "foram desresponsabilizados do todo colectivo: acharam que alguém trataria sempre de tudo".
Mitt Romney, o candidato dos republicanos à Casa Branca, não diria melhor…


A revolta do "Padrinho"

Ângelo Correia, o criador do monstro que está em S. Bento, indignou-se. Puxou as orelhas ao afilhado, mas  o monstro não lhe liga a ponta de um corno.

Editoriais


Ainda sou do tempo em que os editoriais eram assinados. Talvez por isso me cause grande perplexidade os jornais, hoje em dia, publicarem editoriais apócrifos.
Por definição, o editorial exprime a opinião da direcção do jornal mas, pelo que vou lendo não me parece que na prática isso corresponda à realidade. O que vejo, cada vez mais, são opiniões pessoais vertidas em letra de imprensa, sob o estatuto de opinião colectiva.
Vem isto a propósito do editorial de “o Público” de ontem, onde se pode ler:
(..) Tudo isto significa que há algo bem mais grave, neste momento, do que um primeiro ministro isolado a defender uma medida rejeitada pelo país e dentro da própria coligação. Há o facto de essa medida  já não poder ser revogada, sob pena de o financiamento a Portugal ser suspenso. Ora é isto que é imperdoável no comportamento de Passos Coelho e Vítor Gaspar: ter amarrado o país a uma medida errada que o pais recusa mas não pode travar”. ( sublinhados meus)
Ora o que aqui se escreve é mentira, porque a medida abstrusa da TSU pode ser substituída e disso mesmo “o Público” dá notícia.
Concluo, pois, que o editorial não exprime a opinião dos directores do jornal e induz em erro os leitores.
Seria aconselhável que os editoriais não contrariassem as próprias notícias veiculadas pelos jornais e, acima de tudo, não induzissem os leitores em erro. A credibilidade dos jornais também passa por aí, pelo que defendo vigorosamente que os editoriais sejam assinados, para que haja mais transparência nas opiniões aí veiculadas. Ganhariam os jornais e os leitores em saber quem escreve. Até porque, segundo me consta, aquela bola de sebo nojenta que se conluiou com Fernando Lima na criação de factos inexistentes que minaram a confiança no governo anterior, ainda continua a meter uma mãozinha no jornal.
Era bom que alguém o decepasse! Para alegria dos leitores e benefício de “o Público”.

Moeda Falsa ou Judas?

Ninguém fala desta figurinha, mas parece cada vez mais claro que a ideia da TSU nasceu da cabeça desta luminária. Provavelmente, o estudo de que PPC fala, também terá sido feito por amigos de Moedas que ainda não percebi se é moeda falsa ou se se vendeu por trinta dinheiros.

Grande mulher!

Saúde-se a coerência desta grande mulher, mas o problema é se mandam o Relvas para o substituir!

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Uma medida interessante...


"A TSU é uma medida interessante pelo papel que tem na sustentabilidade da segurança social"- terá, segundo "o Público", defendido Pedro Mota Soares junto dos seus pares do CDS/PP.
Eu já sabia que o ministro da segurança social era um  ministro diferente porque, dois dias depois de ter tomado posse, deslumbrou o especialista de Relvas, Pedro Correia, que o viu montado numa Vespa nas ruas de Lisboa.
Eu também já desconfiava que a caixa de pirolitos deste ministro com cara de jesuíta acabado de se estampar contra uma parede, não batia totalmente bem.
Mas o que eu não sabia é que a proposta  da TSU que Paulo Portas garante ter tentado evitar, tivera o apoio de Mota Soares. A ser verdade o que escreve "o Público", confirma-se que a converseta do líder do CDS/PP na manhã de domingo, a propósito das suas reticências à TSU não foi mais do que conversa da treta, no rescaldo das manifs da véspera. Por outro lado, ficou também claro que Pedro Mota Soares será um dos remodeláveis, numa iminente remodelação, com que o governo tentará salvar a face.
Só que, como todos sabemos, os ministros que vierem substituir os actuais são uma segunda escolha. Logo, serão ainda piores do que os actuais. O governo não é uma reedição das bodas de Canã e não tem um Jesus para fazer o milagre. Bem... a não ser que PPC contrate Jesus ao Benfica para substituir o secretário de estado da cultura Francisco José Viegas!!!

Coligação, s.f


O dicionário de português on line esclarece-nos que a palavra coligação é um substantivo feminino que significa "união de pessoas, partidos, nações, para um objectivo comum", mas logo a seguir acrescenta que também pode significar "trama" ou "conluio". 
Não tenho dúvidas que "trama" e "conluio" são as palavras que melhor definem a coligação que governa neste momento Portugal, mas fiquei surpreendido ao constatar que com a palavra "coligação" se pode formar o anagrama "cacologia", palavra que significa "erro de linguagem" ou "erro de pronúncia" Erros que esta coligação comete frequentemente, como se tem visto nos últimos dias....
Mas ainda mais extraordinário e bem demonstrativo da riqueza da nossa língua, é o facto de a palavra "coligação" também permitir construir o anagrama "Calagoiço", palavra que desconhecia. O mesmo dicionário  esclarece que "Calagoiço(a)"  é uma "foice roçadoira de cabo curto".
E eis como uma simples pesquisa no Google permite responder à dúvida lancinante de MFL na entrevista à TVI:
"Em que país estamos?" perguntava a ex-líder do PSD a propósito da TSU e da ideia lançada por Gaspar de controlar as contas das empresas, para garantir que os patrões não se abotoam com o dinheiro que os trabalhadores lhes vão entregar por ordem do governo. 
Pois como Vocelência mesmo alvitrava, estamos na ex- URSS! Esta coligação já tem a foice, só lhe falta o martelo. Esse ainda está na posse do povo que, mais dia menos dia, acabará por dar com ele na cabeça dos títeres que o (des)governa.


Casamento de conveniência

Mónica e Cebola vão casar-se em Outubro. Um casamento de conveniência, que visa aumentar as receitas da editora. Os mesmos objectivos financeiros que mantêm de pé a coligação PSD/CDS.

A lição do Marquês



A circulação no Marquês de Pombal sofreu alterações profundas. A medida, explicada por António Costa, tem como principal objectivo diminuir a poluição na Av. da Liberdade, uma das artérias mais poluídas da Europa. Os níveis de poluição ultrapassaram muito largamente os níveis máximos permitidos pela União Europeia e Lisboa corre o risco de ter de pagar uma pesada multa.
António Costa fez o que se lhe exigia. Tomou medidas para desanuviar o trânsito na baixa lisboeta, tentando dissuadir os automobilistas de rumarem à baixa de automóvel. Pediu também à Carris para pôr a circular naquela zona os seus veículos menos poluentes. A empresa fez ouvidos de mercador, vá lá saber-se porquê...
Esperava-se que Carlos Barbosa -  presidente do Automóvel Clube de Portugal - apoiasse a medida mas, ao invés, criticou-a de forma violenta apelidando-a de "orgasmo teórico de professores".
Admito que as novas regras de circulação no Marquês de Pombal e Av. da Liberdade tragam grandes transtornos aos automobilistas. Aceito mesmo que a temporização dos semáforos e um ou outro pormenor tenham de ser repensados, de modo a que a circulação na rotunda interna seja mais fluida. Não se pode é condenar à partida uma medida que, além de contribuir para uma melhoria da qualidade do ar na cidade, visa evitar o pagamento de uma pesada multa, cujo montante poderá ser melhor utilizado, se aplicado em obras que melhorem a vida dos lisboetas. 
 A reacção intempestiva de Carlos Barbosa é pouco compreensível. Ao presidente do ACP pede-se mais clarividência e a defesa dos interesses da cidade, em detrimento dos interesses particulares dos automobilistas. Os cofres da autarquia lisboeta- apesar de reforçados depois da venda dos terrenos do aeroporto ao governo- não aguentam as pesadas multas impostas por Bruxelas e Carlos Barbosa devia pensar nisso, antes de criticar uma medida que protege os interesses de todos os lisboetas. 
Se nada for feito para diminuir a poluição naquela zona, o próximo passo poderá ser a criação de portagens,   medida que não me parece seja do agrado do presidente do ACP.
Os automobilistas, obviamente, também protestam pelo incómodo que lhes está a ser causado mas talvez ainda protestem mais se, um dia destes, tiverem de contribuir com esforços adicionais para pagarem a multa a Bruxelas.

Na mouche