quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Gaspar, Coelho e as "mentiras excepcionais"

Logo que o governo anunciou o corte do subsídio de férias e do 13º mês ( a prestação suplementar que os  funcionários públicos recebem em Novembro nunca foi subsídio, mas sim complemento de salário, como se explicava no diploma de Marcelo Caetano que instituiu esse pagamento) afirmei que a medida não se iria aplicar aos membros do governo e pessoal dos gabinetes.
Em Março deste ano, voltei a reiterar a minha opinião no post "Um país excepcional"
Obviamente que não foi nenhuma premonição. Os despachos de nomeação deixavam essa possibilidade escancarada e a sua redacção não era inocente.
Também previra que a justificação para esse pagamento  fosse apresentada por Miguel Relvas, mas aí enganei-me. A falta de credibilidade de Relvas levou PPC a pedir a Vítor Gaspar - normalmente apontado como o ministro mais credível deste governo- que fosse ele a justificar a excepção.
A fazer Fé no que escreve o DN, a explicação de Vítor Gaspar é um chorrilho de mentiras e omissões, secundadas por Pedro Passos Coelho.
Escalpelizar pormenorizadamente a argumentação apresentada por ambos, obrigar-me-ia a escrever um post demasiado longo, por isso, fico-me por alguns aspectos fundamentais:
-Diz o gabinete de Vítor Gaspar  que "os membros dos gabinetes sem relação jurídica de natureza pública admitidos no segundo semestre de 2011só podiam gozar férias depois de seis meses de funções, adquirindo e vencendo no entanto, até 31 de dezembro de 2011 dois dias por cada mês de serviço". 
Gaspar omite, no entanto, que houve membros de gabinetes que gozaram férias em 2011 e  não diz se esses receberam o respectivo subsídio.
Aliás, alguns membros do governo, a começar pelo PM que anunciara não gozar férias, em Agosto foram para um merecido repouso, embora só tivessem tomado posse um mês antes.
Sabendo-se que a maioria dos membros do governo também veio do sector privado, é legítimo perguntar se também eles receberam subsídios de férias, alargando assim a excepção a quase todo o governo.
É sabido, por outro lado, que muitos membros dos gabinetes ganhavam, no sector privado, duas ou três vezes menos do que ganham nos gabinetes. Urge por isso perguntar: os subsídios de férias que receberam foram pagos com base nos salários que auferiam no privado, ou os que recebem nas suas novas funções?
Outra pergunta ainda: Receberam os subsídios na totalidade, ou só a percentagem correspondente ao período que trabalharam no sector privado?
Para terminar, porque o post já vai longo, convém lembrar que, em Julho, Vítor Gaspar afirmava que "não será pago a nenhum membro do gabinete o subsídio de férias e de Natal, nos termos do artº 21º da Lei do Orçamento de Estado 2012, sendo que qualquer situação, que seja identificada em contrário, serrá imediatamente corrigida". 
Declaração feita - é bom lembrar- já depois de terem sido pagos os respectivos subsídios. É preciso ter muita lata e nenhuma vergonha na cara.

2 comentários:

  1. Pode dizer-se que PPC começou logo mal. Com a medida do corte de subsídios, em primeiro, e com as férias dos governantes em segundo. Devo dizer que nem achava mal que tirassem 15 dias de férias - afinal a campanha eleitoral já durava há meses e os políticos, nessas alturas, esfalfam-se a ir a todo o lado. Mas ter a cara de pau de anunciar que os governantes não vão ter férias e depois bazarem quase todos e ainda aparecerem nas capas das revistas a tomar banhos de sol, pois já é o cúmulo da pouca vergonha!

    Quanto aos subsídios e às sucessivas aldrabices que nos tentam impingir, pois, não me parece que haja algum ministro com credibilidade ou suficientemente honesto para dizer preto no branco quanto realmente recebeu e a título de quê. Porque outra da esperteza saloia destas criaturas é trocarem o nome às coisas, chamarem ajuda de custo excepcional ou outra aos subsídios... :P

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  2. O PS, este PS, é inofensivo, imberbe, Carlos.
    Com o Louçã a preocupar-se em indicar lideranças ao BE, o PS a não saber quando é que deve ser oposição, e o PCP a ser.....o PCP, o PPC pode fazer a m#$da que quiser que ninguém lhe toca.
    Que pobreza!!
    Bom fim-de-semana!!

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