sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Tem mais de 65 anos?

Está reformado e ainda por cima doente?
Então você é um encargo para o Estado, porque deixou de ser produtivo e ainda por cima custa dinheiro.
Mas nós temos uma solução para si. Aliste-se em qualquer departamento do SNS e contribua para que pioremos o SNS, até que os portugueses percebam que é melhor recorrer à medicina privada, a medicina do futuro em Portugal.
Aviso: Aos 10 primeiros inscritos ainda oferecemos um cheque injecção atrás da orelha, para que você deixe de sofrer com o remorso de estar a delapidar os cofres do Estado. Aproveite esta oportunidade única!

Aproveite as promoções

Imagem roubada aqui

Enquanto aquele tipo que se faz passar por ministro da educação recorre a métodos de formação adoptados na velha Esparta, castigando os maus alunos com  um estágio no Gulag  educativo, há instituições   de ensino superior  que recorrem às promoções.
É o caso do ISLA que está a fazer a  campanha " Leve 2 cursos e pague apenas 1". 
Se a moda pega, um dia destes temos a Lusófona a anunciar " Oportunidade única! Inscreva os seus filhos na Lusófona. Por cada dois inscritos, leve uma licenciatura à Relvas à sua escolha". Abaixo, em  letras pequeninas, deixa o aviso "Campanha limitada ao stock existente".
Quando o método Crato estiver a funcionar em pleno, surgirá uma qualquer Universidade com esta promoção:
" Foi obrigado a ir para electricista? Não se preocupe! Nós temos a solução para si. Em apenas um ano fazemos de si engenheiro electrotécnico."  ( Também temos ofertas para cursos de arquitectura, direito e engenharia civil. Peça o catálogo!)
Finalmente -"La crème de la crème"-  assistiremos à associação entre as gasolineiras e as universidades.
" Abasteça-se na Galp e coleccione pontos. Por cada 100 pontos, oferecemos-lhe um crédito num curso superior. Com 10 mil pontos obtenha uma licenciatura em Ciência Política ou Relações Internacionais e ainda lhe oferecemos, como bónus, um curso numa Universidade de Verão do partido à sua escolha!" 

É chegada a hora de devolver tudo ao remetente

Como costumava perguntar a bengala do Relvas, quando o PS era governo, a pergunta que se impõe é esta:
Vivemos  melhor do que há um ano? Obviamente que não, mas é sempre bom lembrar o que ficou para trás...
Teixeira dos Santos, nos primeiros dois ou três anos de governação socialista, conseguiu reduzir o défice abaixo dos 3%. Com algumas medidas de austeridade que afectaram essencialmente os funcionários públicos, é verdade,alguns aumentos de impostos, mas pouco mais. E o desemprego até baixou em relação aos 7,4% herdados do governo Barroso/Santana.
Depois veio a crise europeia, as arengas de serviço começaram a almoçar à borla com passos Coelho e este deu-lhes instruções para escreverem nos blogs e nos jornais onde se apascentavam, que isso da crise era uma invenção de Sócrates para esconder a sua incompetência.
A escumalha arregimentada cumpriu escrupulosamente a tarefa de que fora incumbida, foi devidamente compensada e agora ou remete-se ao silêncio ou tece loas à governabilidade. É natural... com aqueles vencimentos nos gabinetes e conselhos de administração, acoplados a despesas de representação, telemóveis à borla , cuzinhos tremidos embalados por motoristas e outras mordomias,obviamente que vivem melhor do que há um ano. Por isso omitem a realidade como se pelo facto de sobre ela não escreverem, não existisse.  É chegada a hora de devolver a acusação a esta gentalha.
Este governo, cuja  ideologia dominante é roubar a quem trabalha para dar aos agiotas,  conseguiu em apenas um ano - depois de sujeitar os portugueses a medidas draconianas de austeridade- aumentar o défice, diminuir a receita e disparar o desemprego.
Não me venham com as histórias da carochinha da crise internacional. Ela já existia no governo de Sócrates e não vivíamos tão mal como agora. Além disso, aquele grupo de marmanjos que nos anda a roubar afirmava, há um ano, que a crise internacional era uma desculpa esfarrapada do governo, para justificar a sua incompetência.
Os resultados da política desastrosa que tem vindo a ser seguida  demonstram que este governo é incompetente, cego e imaturo. Mas demonstra mais uma coisa... é constituído por gente desonesta que enganou os portugueses, jurando que iria salvar o país e nunca tomaria as medidas que começou a tomar ao fim de um mês de estar no poleiro.
Este governo, formado por homens e mulheres de contrafacção está a ir ao pote de forma descarada.
Se em Belém estivesse um Homem em vez de um boneco articulado pintado de laranja, este governo já teria sido demitido. Ou obrigado a demitir-se, porque está a arruinar Portugal

Histeria rima com hipocrisia

O primeiro ministro foi a Londres assistir à cerimónia de abertura dos Paralímpicos. Todo sorrisos, vestimenta facial de dandy da Porcalhota, pose para a fotografia do álbum de família,discurso missionário onde apresentou os deficientes como exemplo a seguir. De caminho, aproveitou para chamar histéricos aos portugueses por reagirem com indignação ao malabarismo da oferta da RTP a privados.  
Nesse mesmo dia, ficamos a saber que o governo mandou estudar a possibilidade de fazer mais cortes nos benefícios fiscais das famílias com deficientes a cargo.
Eu prefiro ser histérico a ser hipócrita, senhor primeiro ministro!

Regabofe é (1)


O sr Passos de Coelho afiançou, no Pontal, que vai acabar com o regabofe. Como sei que a memória do nosso PM além de curta, é selectiva, criei esta rubrica para lhe lembrar o que é regabofe.
Para começar, lembro-lhe que regabofe é dar 9 milhões de euros em subsídios às famílias ligadas à tauromaquia. 
Sendo eu anti-touradas, por considerar aquela actividade imprestável e criminosa, muito gostaria de saber a que fins se destinam aqueles subsídios, tá?

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

E os porcos alimentam-se com bolotas...



Não se escreve ainda muito sobre as eleições presidenciais americanas de Novembro, que poderão conduzir os EUA a um retrocesso civilizacional de décadas, caso Mitt Romney venha a ser o próximo inquilino da Casa Branca.
Só de pensar nessa possibilidade, fico com pele de galinha. Depois de ter afirmado que “uma violação legítima raramente leva a uma gravidez” ( o que será uma violação legítima?)  Todd Akin teve mais duas tiradas impressionantes:
“Um homem adulto gay tem 94% de hipóteses de curar as suas perversões homossexuais se beber leite materno diariamente durante, pelo menos, quatro semanas”.
Já quanto às lésbicas, foi peremptório:  “podem curar-se bebendo outra coisa qualquer”.
À boa maneira das ditaduras, o Partido Republicano, anunciou que os mineiros do Ohio apoiavam o seu candidato. A fotografia de um mineiro atrás do candidato, enquanto discursava, parecia confirmar a afirmação mas, soube-se mais tarde,  tinham sido obrigados pelo patrão a ir ao comício dos republicanos.
Cena ainda mais aberrante e nojenta ocorreu na cerimónia de entronização de Mitt Romney como candidato do Partido Republicano à Casa Branca. Um assistente atirou amendoins a uma operadora de câmara negra e vociferou:
“É assim que alimentamos os animais”.
Ninguém lhe atirou umas bolotas, alimentação recomendada para os porcos.
Comprova-se que o ditado popular “atrás de mim virá, quem de mim bom fará” é universal, pois as declarações de Mitt Romney e  seus pares fazem com que Bush pareça um menino de coro.
Se estas declarações  fossem proferidas por candidatos do Cazaquistão ou dos Emiratos Árabes, talvez não houvesse razões para estar muito preocupado mas, pensar que isto se passa no (ainda) mais poderoso país do mundo, com um arsenal nuclear de meter medo, é assustador imaginar Mitt Romney como futuro inquilino da Casa Branca dentro de alguns meses.

Os direitos do amor



Em tempos recuados ( Novembro de 2010) escrevi aqui um post sobre uma nova forma de relação afectiva que estava  a ganhar numerosos adeptos: o POLIAMOR ( seguir o link).
Este tipo de relação também existe em Portugal e, corajosamente, Otelo Saraiva de Carvalho assumiu-a recentemente. São relações informais, se cada um se sente bem no seu papel, nada a opor. 
Hoje, volto ao tema, porque no Brasil um cartório oficializou, pela primeira vez, essa relação afectiva. Trata-se de uma singularidade que, certamente, ainda irá fazer correr muita tinta e desencadear discussões apaixonadas. 
Não mudo uma vírgula em relação ao que escrevi em 2010, mas permito-me fazer algumas perguntas: Que tratamento jurídico terá esta relação à luz do direito, nomeadamente no Direito de Família e nos Direitos Reais? Quais os direitos de uma criança nascida de uma relação deste tipo? 
Talvez seja ainda cedo para um profundo debate sobre esta matéria mas, quando se começarem a colocar questões como a regulação do poder paternal, em caso de dissolução do contrato ( já que é disso que se trata), como irão reagir os tribunais? Será aceitável que uma relação deste tipo, seja apenas regulada pela vontade das partes, como aconteceu neste caso? 
Ao defender que se trata de uma "escritura pública declaratória de união estável poliafetiva", a conservadora está a criar uma nova figura jurídica. Mas qual o âmbito em que deve ser regulada? No âmbito do Direito Civil, ou do Direito Comercial?
São apenas perguntas que vos deixo. Se alguém tiver resposta, a caixa de comentários está à vossa disposição. Podem ler a notícia aqui.

Os talibãs estão em toda a parte

Os talibãs estão por todo o lado. Depois de aniquilarem a Fundação Paula Rego ( agora descobriu-se que o estudo das Fundações  foi feito por analfabetos que nem sabem fazer contas de somar), a célula da Al Qaeda lusa, com sede no gabinete do Relvas, limpou o Portal do Governo e  mandou para o lixo o arquivo dos governos de Sócrates.
A tralha relvista, além de ser calaceira e incompetente tem também bem estampada  no seu ADN a estupidez.
Para onde vamos,  se até os talibãs já têm direito a subsídio de férias e 13º mês e quem trabalha fica a ver navios?

Genro de Cavaco também quer RTP



Depois das três propostas apresentadas no gabinete de Miguel Relvas, de que vos dei informação circunstanciada na sexta-feira, a minha fonte informou-me que há minutos deu entrada no gabinete do Miguel Relvas uma nova proposta , enviada através do gabinete do PM.
O interessado é o genro de Cavaco, mas foi o próprio PR a escrever a carta a PPC, cujas passagens mais relevantes aqui transcrevo, em exclusivo, para os leitores do CR.

Caro senhor Primeiro Ministro
Ontem o meu genro informou-me que um senhor que ele não conseguiu identificar ( pela descrição que  me fez, julgo tratar-se do nosso amigo comum Doutor António Borges) comunicou ao país que o governo vai concessionar o serviço público da RTP 1.
Confesso-lhe que por estes dias tenho andado um pouco afastado da política e quando o rapaz me deu essa informação não quis acreditar, pois essa matéria deveria ter sido comunicada ao país pelo próprio governo e não por um seu emissário mas lá deixei a piscina, onde estava a ler uns diplomas que me foram enviados por V. Exª e fui confirmar.
Não interessa agora aquilatar da decisão do governo, nem da forma como optou por a comunicar ao país, pois isso será matéria para uma das nossas conversas semanais.
A razão por que lhe escrevo, senhor primeiro-ministro, é comunicar-lhe que o meu genro está muito interessado em concorrer a essa concessão mas, como sabe, o rapaz tem poucas posses e ainda tem o encargo de me sustentar a mim e à Maria, porque a miséria de reforma que recebo quase não chega para pagar a água da piscina aqui da Coelha.

Creio que ele será um forte candidato e, por isso, falei logo aqui com o Oliveira e Costa que me garantiu que dinheiro não seria problema e ele próprio, ou o Dias Loureiro, seriam avalistas desde que o rapaz dê como garantia o Pavilhão Atlântico. Ora aí é que começam os problemas…
Como V. Exª sabe, tão bem como eu, o meu genro deu o Pavilhão Atlântico como garantia ao BES, para obter o empréstimo que o banco lhe deu para adquirir o …Pavilhão Atlântico.
Ora eu sou pessoa de bem e estou muito grato ao Oliveira e Costa por causa dos dinheiritos que ele fez render lá no BPN e também por esta casita de férias que, sem a ajuda dele, não poderia ter comprado. Por isso, o que eu lhe venho solicitar é que dispense essas garantias ao rapaz. V. Exª bem vê, isso é uma minudência que se justifica seja pedida aos outros concorrentes, mas não ao meu genro, rapaz honesto e trabalhador.
De caminho, pedia-lhe que também alargasse esse conceito de serviço público de televisão, porque é um estorvo para as pretensões do rapaz. Em minha opinião seria suficiente que o conceito de serviço público se restringisse à necessidade de o governo manter os tarecos nas instalações da RTP, podendo por isso dizer que mantém um canal de serviço público. Esse é o entendimento, também, dos juristas da presidência, a quem pedi parecer antes de lhe dirigir esta carta.
Há ainda o problema do pessoal. Para que é que o rapaz precisa de dois mil trabalhadores?  Terá pois de despedir pelo menos uns 1500 e, como V. Exª sabe, com estas restrições impostas pelo Código de Trabalho despedir é uma complicação e fica extremamente caro. Não lhe vou pedir – obviamente-  para fazer uma alteração ao Código, pois sei quão penosos isso seria para si. A minha sugestão ( aliás não foi minha, mas sim da Maria) é bem mais simples e prosaica. Todos sabemos como este governo tem sido generoso na criação de excepções  aos salários dos administradores de algumas empresas, subsídios de férias e 13º mês de  membros do gabinete e por aí fora.  Por isso o que lhe pedimos é muito simples: contemple uma excepção para esta concessão, de forma a que as indemnizações aos trabalhadores a despedir não ultrapassem nunca os dez dias de salário. (Estamos a ser compreensivos, porque mesmo isso é já um balúrdio para as posses do rapaz…)
Tenho a certeza que não deixará de ter em atenção estas modestas solicitações, pelo que espero na próxima semana, quando nos reunirmos, ter já uma resposta favorável da parte do governo.
Peço desculpa mas vou ter de terminar, porque tenho o António Borges à espera ao telefone e o Rui Rio a bater-me à porta, porque se fez convidado para lanchar cá em casa. Sabe como é, senhor PM, eles andam ansiosos por poderem substituí-lo e não me largam a porta. Esteja, no entanto, descansado, pois só uma resposta negativa da sua parte poderia colocar em causa a nossa aliança estratégica.
Receba as saudações cordiais do,
Exmº senhor Presidente da República
Aníbal Cavaco Silva
(A Maria manda cumprimentos, a minha filha beijinhos e o meu genro não manda nada, porque está a tomar banho na piscina)
PS: Ainda vim a tempo de acrescentar esta adenda, porque o motorista só parte para Lisboa, para lhe entregar esta missiva em mão, logo à noite.
Em conversa com o Rio, soube que um blog publicou na sexta-feira as cartas de três outros concorrentes
Pode lê-las aqui, se delas o Relvas ainda não lhe deu conhecimento. 
Eu sei que é tudo gente de pouca confiança, mas com muito poder financeiro e, pelo menos um deles, julgo que terá excelentes relações com o Relvas ( a propósito, quando é que o afasta do governo, senhor PM?) seria por isso, da maior conveniência, dissuadi-los das pretensões de tomarem a RTP de assalto, porque esse não é o interesse do país.
Até para a semana! ( O Rui Rio está aqui ao meu lado e pede para lhe mandar cumprimentos)

Biblioteca de Verão (21)

Autor de "O Beijo da Mulher Aranha", Manuel Puig não é um autor muito lido em Portugal. "Boquitas Pintadas" é considerado o seu melhor  livro. Um  curioso "folhetim" a lembrar as radionovelas, cujo sucesso  determinou a sua adaptação ao cinema.
 Passado na província de Buenos Aires, num cenário de amor e traição,  recria a vida  na capital argentina nos longínquos anos 30 e 40 do século XX.

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Relvas, um trabalhador por conta de outrem?


O sr. Miguel, quando chegou a Timor, fez um discurso inflamado: "aquilo que nos une a todos é a língua e a língua é o petróleo dessa relação, é o que nos dá força e nós temos de continuar nesse caminho".
Confesso que teriam sido umas palavras bonitas, se no final alguém se tivesse lembrado de acender um isqueiro...
Não sei quem lhe escreveu o discurso mas, como sei quem ia na comitiva, tenho uma ideia.
Também não sei se o sr. Relvas foi a Timor para tentar obter um curso honnoris causa, mas alguns timorenses mais avisados colocaram este cartaz na rua e o ministro já nem sei de quê desistiu da ideia.
Ficámos no entanto todos a saber que o sr. Relvas provavelmente está a trabalhar a recibo verde e é mais um trabalhador por conta de outrem porque, depois de ter dito que iria concessionar a RTP a privados, assinou em Timor protocolos que envolvem... a RTP! Alguém bem intencionado é capaz de me explicar, como se eu fosse muito burro?

Sem sombra de pecado



Começo a acreditar que o Espírito Santo ( não o banqueiro, mas aquele que concebeu Cristo no ventre de Maria) vive em Portugal. Ganho essa convicção, ao ler que em apenas dois anos, desapareceram 134 mil crianças no nosso país.
Na verdade, essas crianças foram concebidas apenas na imaginação dos contribuintes, com o propósito de enganar o Fisco. Assim que a malha do Estado apertou, exigindo a identificação das crianças com o número do contribuinte, as crianças desapareceram. Não sei se de morte matada, ou de susto. 
 Não é novidade que somos um país de aldrabões e trapaceiros, por isso, também não é de espantar que pessoas como Relvas tenham chegado ao poder. E o homem, afinal, até merece algum crédito. Para obter a licenciatura teve que criar uma rede de relações. Para os pais e mães dos filhos fantasma, bastou inventar um nome e escrevê-lo na declaração do IRS.

Um lugar no gabinete do Relvas ficava-lhe tão bem...

Como uma operação de marketing inflamou as redes sociais e as pessoas foram no engodo...

O próximo grande negócio do governo

" Não queriam mais nada?! Aguinha de borla para andar por aí a apagar incêndios?"
Esta pergunta é o ponto de partida para um artigo de Luísa Schmidt, no "Expresso", onde alerta  para o que vem aí com a criminosa decisão do governo de privatizar a gestão da água.
Com efeito, conta Luísa Schmidt, depois de a câmara da Azambuja ter privatizado a gestão da água, os bombeiros de Alcoentre viram a factura da água - utilizada para apagar fogos- subir desmesuradamente e de forma incomportável para a corporação.
Os energúmenos guindados ao poder pelo voto popular delapidam os bens públicos deste país,ou entregam a sua gestão aos amigalhaços,com a indiferença própria dos néscios. Os incêndios podem esperar, porque a política deste governo é mesmo a da terra queimada, para que não fique pedra sobre pedra.
Já o escrevi aqui e em vários artigos de revistas: a água é um bem escasso e essencial, que deve ser poupado, cuja posse e gestão não pode ser entregue aos interesses privados. A sua escassez e incapacidade de substituição tornam-na no ouro do século XXI, é já causa de guerras em África e ( acreditava eu antes de conhecer a senhora Merkel ) será a protagonista do próximo conflito mundial. 
A ONU alerta há pelo menos duas décadas para a necessidade de uma política sobre a água à escala global. Enquanto todos assobiam para o ar, grandes grupos económicos e financeiros  que há já muito perceberam o filão que será a água nas próximas décadas, têm vindo a comprar grandes reservas naturais do precioso líquido em diversos pontos do planeta. 
Nos últimos tempos, os protestos das populações têm vindo a aumentar e  alguns países já proibiram a apropriação da água por interesses privados mas os iluminados que nos governam, recorrendo ao habitual engenho que os caracteriza, "inventaram" a solução mágica: não privatizamos o produto, privatizamos apenas a sua gestão.
O resultado desta perspicácia  está bem patente  no exemplo dos bombeiros de Alcoentre, que Luísa Scmidt divulgou no "Expresso".
A mesma lógica da água vai sustentar a concessão do serviço público de televisão, com evidentes prejuízos para a população, mas chorudos benefícios para os beneficiários. 
Secundando as perguntas de Luísa Schmidt, pergunto também eu:
A entrega da gestão dos serviços públicos a privados melhora a qualidade dos serviços? Trabalha mais barato? É menos corrupta? Zela melhor pela qualidade do produto e do serviço prestado?Serve melhor os interesses das pessoas? Assegura um abastecimento melhor e uma distribuição mais eficaz?
A privatização de empresas de transportes ou as calamitosas  experiências por esse mundo fora da privatização dos serviços postais, respondem claramente: NÃO!
Então porque insistem os nossos governantes em privatizar tudo quanto mexe? Para embolsarem umas boas maquias nos negócios? Essa é a única explicação plausível, assaz demonstrada no escandaloso negócio da concessão do serviço público de televisão, ou na oferta do BPN a Mira Amaral.
Se neste país a opinião pública fosse alfabetizada, o tribunal e a prisão perpétua seria o destino desta gentalha que delapida os bens públicos perante a indiferença da turba.

Notícia de última hora

Um grupo de vampiros marcou uma manifestação para hoje em S. Bento. O objectivo é reclamar contra a concorrência desleal do governo, que está a sugar o sangue todo aos portugueses não deixando espaço para os vampiros verdadeiros poderem  actuar.
"Recusamos  morrer à fome, vítimas da política cega deste governo! Exigiremos à troika que reponha a legalidade no país, expulsando os vampiros de contrafacção que não pagam impostos e vivem à custa dos contribuintes, prejudicando assim a nossa sobrevivência"- conclui o comunicado da "Associação dos Vampiros Portugueses".

terça-feira, 28 de agosto de 2012

A irresponsabilidade do PS no caso da RTP



Há uma certa dose de irresponsabilidade na declaração do PS, ao afirmar que quando for governo reabrirá a RTP 2.
Afirmações deste jaez são próprias dos partidos que detêm o poder neste momento, mas não  de um partido que pretende ser uma alternativa credível.
Depois de atribuída a concessão- que nunca será por um período inferior a 15 anos- só o incumprimento do contrato poderá permitir ao PS ( se for governo em 2015…) rescindi-lo sem elevadíssimos custos para os contribuintes.
Não tenho dúvidas que o contrato de concessão ficará de tal forma blindado e a definição de serviço público será tão abrangente, que dificilmente um governo conseguirá encontrar argumentos para rescindir o contrato de concessão. Por outro lado, o PS também não explica como é que vai abrir a RTP 2. Com que pessoal?  Com que meios? Quanto é que isso custa?
A declaração do PS deve, pois, ser encarada como uma “boutade”. Pouco consentânea com a mensagem de responsabilidade que Seguro constantemente invoca, para justificar a falta de combatividade do PS na oposição.
Ao contrário do que vem sendo habitual, o PS reagiu rápido mas foi  inconsequente. Seria mais eficaz garantir aos portugueses que accionaria os meios legais ao seu alcance, apresentando no local próprio queixa contra o governo por gestão danosa, no caso de se vir a confirmar que o negócio lesa os interesses dos contribuintes. 
Assim, limitou-se ( mais uma vez!) a empurrar o problema com a barriga.

Povo que lavas no rio...


Na Grécia, Irlanda, Espanha, Itália  e até em França  (onde não me consta, por ora, que o governo vá pedir um resgate...) os governos  cortaram nos vencimentos dos funcionários públicos e também nos dos políticos.
Em Portugal, que fez o  governo português dirigido pelo super honesto, o suprassumo  da ética, o incorruptível Pedro Passos Coelho?
Corta o subsídio de férias e o 13º mês aos funcionários públicos e reformados mas, para além de conceder numerosas excepções a administradores de empresas públicas, que mantêm o seu salário inalterado, mantém esses pagamentos a funcionários recrutados para os gabinetes com a função de escreverem em blogs e ainda aumenta os vencimentos dos ministros e secretários de estado. Não por via de um aumento de salários, mas através do nebuloso esquema das despesas de representação. 
Não é que eu já não tivesse chamado a atenção para esse desaforo aqui, tendo desafiado o PS a fazer essa pergunta ao governo, mas custa ver um grupelho de inúteis, armados em defensores da Pátria, a banquetearem-se à volta do pote, enquanto pedem mais sacrifícios aos portugueses e se riem alarvemente das pulhices que praticam. 
Continua em silêncio abúlico, povo que lavas no rio/ e talhas com teu machado/ as traves do teu caixão... 
Pode haver quem te defenda, mas eu...já não!
Adenda: a canalhada deu mais um bom exemplo de liberdade de opinião. Como o CA da RTP criticou a concessão, reuniu-se em coro a reclamar a demissão. 

Biblioteca de Verão (20)


Falecido em Maio, Carlos Fuentes é um dos escritores sul-americanos da minha eleição. Se escolhi para esta modesta biblioteca "O Velho Gringo", foi por me lembrar como este livro me fez sonhar quando o li e, hoje em dia, me parece tão real.
Mas há dois outros livros de Carlos Fuentes que não poderia deixar de destacar:  "Constância e Outras Novelas para Virgens" ( o primeiro que li) e "Cristóvao Nonato".
Se pela primeira vez destaco mais do que um livro de um autor, não é apenas pela qualidade da sua obra, é também porque, inexplicavelmente, é difícil encontrar os seus livros ( publicados em Portugal pela Dom Quixote) nas livrarias. Assim, com uma opção mais alargada, talvez seja mais fácil. E com qualquer um deles vão bem servidos.

Pedro, o Nabo

Foto roubada aqui

Quando um avançado falha um penalty, atirando a bola por cima, ou escandalosamente ao lado, o que lhe chamam os adeptos? NABO!
Ora Pedro Passos Coelho, lider da seita da S. Caetano foi presenteado pelo árbitro Aníbal Silva com um penalty a punir alegada carga ao povo português praticada por Sócrates.
Com o público a apoiar a decisão do árbitro e o guarda-redes adversário alheado do lance, PPC deslumbrou-se e, com a baliza escancarada, não conseguiu fazer o mais fácil ( congregar o apoio dos portugueses) e atirou a bola por cima da trave.É, pois, um NABO e assim passará à História com esse epíteto a que alguns juntarão outros ainda mais contundentes.
Depois de falhar o penalty, PPC falhou outros lances de baliza aberta: as metas do défice, o combate ao desemprego e o crescimento da economia. 
Se Aníbal Silva- que acumula as funções de árbitro com a de treinador da equipa onde joga PPC- fosse um tipo minimamente decente e respeitasse os adeptos, já teria mandado PPC para o banco dos suplentes, por manifesta incompetência.
Acontece, porém, que Aníbal Silva é sensível aos favores de PPC que, de quando em vez, o presenteia com alguns alimentos que são muito do agrado do terinador-árbitro.
Assim se justifica que nas conferências de imprensa após os jogos, Aníbal Silva continue a dizer aos jornalistas que  mantém PPC em campo, porque é o melhor jogador da equipa. Até terá alguma razão, porque os adeptos já perceberam que a equipa está recheada de nabos, mas como é a PPC que se pedem os golos, ele terá de ser o primeiro sacrificado.
Perante a cegueira do treinador do Portugal FC - em riscos de descer de divisão- só os protestos dos adeptos poderão obrigar Aníbal Silva a mandar PPC para o banco de suplentes. Depois, será a vez de o próprio Aníbal ser despedido, acusado de traição à equipa. 

Love me do


Em Outubro, assinala-se o cinquentenário do lançamento do primeiro disco dos Beatles (Love me Do).
 Para assinalar a data, será publicado um livro que reúne  banda desenhada sobre os Beatles publicada em cerca de 20 países. Um livro a não perder, certamente.

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Vem aí o governo!

Depois de um prolongado período de férias, iniciadas no final de Maio, chegou hoje a Lisboa a troika -  verdadeiro mas não legítimo governo de Portugal .
Escrevem os jornais e papagueia a restante comunicação social, que vai começar amanhã a avaliar o cumprimento do memorando e o desempenho do governo. MENTIRA! O que a troika vem cá fazer é avaliar o seu próprio trabalho. Trata-se, por isso, de uma auto-avaliação o que significa que, quando se forem embora, vão dar mais uma nota positiva ao governo e reiterar que está no bom caminho. Pudera! Se dissessem que o programa não está a surtir efeito, estariam a chumbar-se a eles próprios.
Quando terminar a sua missão de agiotagem em Lisboa, dentro de duas semanas, a troika retira-se durante mais três meses, para um merecido descanso. É para isso que nós lhes pagamos!

Passos Coelho show

Com os meus agradecimentos ( uma vez mais) ao We Have Kaos in the Garden
                                     
O nosso primeiro ministro continua a fazer alguns números de circo para passar uma mensagem aos portugueses daquilo que não é. Os jornalistas - que comprou a troco de lugares em gabinetes ministeriais ou serviços públicos-  continuam a fazer fretes, envidando todos os esforços para que aquela imagem de português honesto e poupado,tão grata a Salazar, fique cravada no cérebro dos portugueses.
Quando foi de férias, PPC fez divulgar pela comunicação social que se deslocou na sua viatura própria. Mas isso não é o normal? (Não me digam que os ministros foram todos para férias em carros de Estado...) Então por que raio há-de ser notícia?  
Notícia seria saber ( mas isso nenhum órgão de comunicação social revelou...) quantos carros com seguranças acompanharam PPC na viagem. E quanto custou aos contribuintes portugueses a segurança do PM e familiares durante as férias na Manta Rota. Sobre isso a comunicação social nada divulga.
Aquele jornal que funciona como agência de empregos do governo pretendeu, no entanto, saber se PPC pediu factura  da renda que pagou pela casa durante as férias.REALCE-SE que não era perguntado quanto o PM tinha pago, apenas se tinha pedido factura.
Dando mais uma vez prova da sua honestidade e transparência, PPC recusou prestar essa informação, deixando passar a ideia de que não terá pedido factura, apesar de o seu governo andar a perseguir os proprietários de botecos que não emitam factura pela venda de um café.
PPC tem vários problemas mal resolvidos na sua vida. Um deles é nunca ter ultrapassado os traumas do casamento com Fátima Padinha,  em quem procurou amparo para se tornar uma figura do showbizz. Falhada a ascensão ao estrelato - e uma vez no governo- PPC  faz os seus shows transformistas, num esforço titânico para dar uma imagem que não corresponde à realidade. Mas também, talvez, como forma de recalcar as suas frustrações.
PPC até pode ser honesto e ter uma ética inatacável, o problema é que ainda ninguém sabe onde estão estas características do PM.
D. Laura bem se esforça para as encontrar mas, até hoje, parece que não teve sucesso.

Biblioteca de Verão (19)


Foi sem grande expectativa que comecei a ler este livro, escrito por um jovem engenheiro que se viu no desemprego e decidiu escrever para ocupar os tempos livros.
Algumas páginas bastaram para mudar de opinião. O prémio Leya 2010 foi muito bem entregue e merece uma leitura.
Aguarde-se com atenção a próxima investida de João Ricardo Pedro

De bicicleta até à Lua



Este fim de semana o nome Armstrong dominou as notícias.
O (Neil) Armstrong que obrigou muitos de nós a ficarem acordados madrugada dentro, para o ver alunar, morreu. Tinha 82 anos  e ficará para sempre na memória da minha geração, apesar de haver ainda hoje muito boa gente que continue a duvidar da façanha e a defender que foi tudo encenação dos americanos. Outros apontam o facto de ele nunca ter dado uma entrevista,depois da alunagem, como uma evidência da patranha americana
Para a maioria, porém, Neil Armstrong continuará a ser visto como um herói ( embora seja bom não esquecer que ele não foi sozinho até à Lua, como qualquer cidadão que um dia de manhã acorda e diz "vou pedalar até Cascais").
O outro Armstrong ( Lance) derrotou  a morte ao vencer um cancro nos testículos e viria a tornar-se uma lenda do ciclismo, depois de ganhar sete vezes o Tour de France.
Lance Armstrong continua vivo e aparentemente de boa saúde. No entanto, alguém já se encarregou de o matar. 
Apesar de as centenas de controlos anti-doping a que foi submetido ao longo da sua carreira terem sempre dado resultado negativo, surgiram acusações de que se dopou. Acusações sem uma única prova, apenas baseadas em testemunhos, estudos científicos  e suspeitas.
Cansado da caça às bruxas, LA desistiu de continuar a lutar. Talvez muitos não compreendam a sua desistência, mas o que poderia ele fazer para limpar a sua imagem e  recuperar a sua reputação, para se defender de uma justiça que o acusa sem provas? Que pode ele fazer perante uma comunicação social que lhe moveu uma campanha indecorosa?
LA desistiu de lutar, mas eu continuarei a considerá-lo o maior ciclista de todos os tempos, até que alguém consiga provar iniludivelmente que ele se dopou e enganou o mundo inteiro.
Quando vejo um qualquer canal de televisão anunciar com pompa e circunstância que o português José Azevedo ( que num dos Tours ficou em 6º lugar) pode vir a ser declarado vencedor, porque os que o precederam estiveram já todos envolvidos em casos de doping, não sinto qualquer orgulho. Sinto nojo, porque mandava o bom senso que a comunicação social se calasse.
Quando vejo um desportista correr o risco de perder todos os seus títulos, com base em testemunhos, tenho medo, porque percebo o alcance da caça às bruxas e o poder que elas têm.

Notícias do Panamá

Especialista do gabinete  de Relvas:
- Sr ministro, está aqui uma carta para si vinda do Panamá!
- Deve ser daquela empresa que pretende concorrer à concessão da RTP
- Mas a carta vem assinada por si, senhor ministro.
- Ah sim? E qual é o problema?
(Siga o link para saber a resposta)

domingo, 26 de agosto de 2012

Blog da semana

A maioria dos leitores  do CR já conhece este blog onde arribo diariamente. Por lá mato saudades de Macau, ouço boa música, tomo pequenos almoços dos mais variados recantos do mundo e, "Last but not the least" dou umas belas gargalhadas, porque o Pedro nos presenteia quase diariamente com boas anedotas.
Devaneios a Oriente é o meu blog da semana.

Pai, já sou ministro!



O título foi roubado ao Dias Loureiro, mas o resto foi roubado aqui

Já tenho licenciatura
Agora sou um doutor,
Tenho montes de cultura
Vou ser Ministro? se for?
Inscrevi-me ao fim do dia
Naquela universidade
Dos diplomas de inverdade
P'ra testar o que sabia;

Já de manhã, mal se via,
De maneira prematura
Eu fiz muito má figura
Mas mesmo sem saber nada
Formei-me na Tabuada
Já tenho licenciatura!

Dei cem erros no ditado
E agora o mais curioso:
Por estar muito nervoso
À reta chamei quadrado!
Quando me foi perguntado
Se conhecia o Reitor
Respondi que não senhor
Embora fosse meu tio!
Disse mentiras a fio
Agora sou um doutor!

Com mesquinhez e com tudo
Puxei das equivalências
Juntei outras mil valências
Deram-me mais um canudo;
Com diplomas e com tudo
Era fácil a leitura:
Deixei de ser um pendura
Sou político afamado
Sou falado em todo o lado
Tenho montes de cultura

Já sou Mestre em Corrupção
A todos sei enganar
Habituei-me a roubar
Tirei curso de ladrão;
E agora, queiram ou não,
Mesmo sem nenhum valor
Eu falo que é um primor
Na assembleia sentado
Para já sou deputado,
Vou ser Ministro? se for?

Jornalinho de S.Bento (3)

" Combustíveis aumentam novamente na próxima semana"
Depois de ler a notícia, PPC telefonou para a Autoridade da Concorrência a pedir satisfações, mas como de lá lhe responderam que não havia nada a fazer, porque "é o mercado a funcionar", voltou a sentar-se no sofá da sala em Massamá e tomou umas notas para o seu próximo discurso:
"Eu sei que os preços dos combustíveis estão elevados, mas os portugueses têm de se habituar às novas condições do país. Se não têm dinheiro para gasolina, andem de riquexó"
A seu lado, a D. Laura sorriu, porque pensava estar a ser filmada para o Facebook.

Le premier bonheur du jour




As pessoas sensíveis não são capazes
De matar galinhas
Porém são capazes
De comer galinhas

O dinheiro cheira a pobre e cheira
À roupa do seu corpo
Aquela roupa
Que depois da chuva secou sobre o corpo
Porque não tinham outra
O dinheiro cheira a pobre e cheira
A roupa
Que depois do suor não foi lavada
Porque não tinham outra

"Ganharás o pão com o suor do teu rosto"
Assim nos foi imposto
E não:
"Com o suor dos outros ganharás o pão."

Ó vendilhões do templo
Ó construtores
Das grandes estátuas balofas e pesadas
Ó cheios de devoção e de proveito

Perdoai-lhes Senhor
Porque eles sabem o que fazem.
(Sophia de Mello Breyner)

sábado, 25 de agosto de 2012

Vamos ao circo?


Como ainda estamos no Verão,esta semana não há noite de cinema . Vamos ao circo porque é mais barato. Os palhaços reuniram-se todos na S. Caetano à Lapa e deram espectáculos  diários à borla. Esta semana houve sessões contínuas. Na próxima, logo se verá, mas já sabemos que vêm aí uns palhaços contratados no estrangeiro para integrar a trupe de saltimbancos originários da S. Caetano e do Largo do Caldas.

Petiscos e mitos


A Catarina tem-nos brindado com belos petiscos, que são excelentes sugestões como "amuse bouche" ou companhias de esplanada. Embora não seja grande apreciador de cerveja, já dei por mim a ir buscar uma ao frigorífico, depois de a visitar. Acompanhada dos inevitáveis amendoins, obviamente, já que não costumo ter tremoços em casa.
No entanto adoro tremoços, embora evite comê-los porque são ainda mais viciantes do que os amendoins.
Vem isto a propósito de um livro de dois nutricionisas ( Pedro Carvalho e Vítor Hugo Teixeira).
Em "50 super alimentos portugueses", os autores desfazem alguns mitos, nos quais eu também acreditava.
Dizem eles, por exemplo, que cerveja não faz aumentar o diâmetro da barriga ( desde que não se beba mais do que um litro por dia), os amendoins são bons para combater o colesterol  e os tremoços contêm fibras boas para o organismo.
No entanto, não há bela sem senão, pois os nutricionistas, depois de enaltecerem as virtudes destes dois acompanhamentos das "loiras", avisam que não devem ser comdos com sal.
Ora digam-me lá... Tem alguma piada comer tremoços sem sal?

Agora escolha...


Bem podem fazer campanhas de combate ao alcoolismo e educação alimentar. Enquanto em alguns restaurantes um sumo de frutas custar o dobro de um copo de vinho, ou de uma cerveja, não há volta a dar-lhe.
Espera aí... se calhar não foi boa ideia escrever isto. Há por aí alguns tasqueiros bem capazes de aumentarem o preço do copo de vinho a martelo, em vez de baixarem o preço dos sumos de frutas...

Arte Urbana (11)

Pedida emprestada aqui

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Gaffes? Não, estratégia de gang!


Ainda há quem acredite que na homilia do último domingo, Marcelo cometeu uma gaffe ao acusar Sócrates de ser o responsável pelo roubo do 13º mês. Confesso que também fui no engodo, mas já percebi que fui enganado. 
Tudo aquilo foi encenado para desviar atenções do Relvas, em vésperas de rentrée governativa. Não saiu muito bem, porque a comunicação social fez-se distraída e não deu importância ao assunto.
A ida de António Borges à TVI, para anunciar a concessão do serviço público foi também concertada, para que as pessoas ficassem com a ideia de que o conselheiro do governo ultrapassou as suas competências. Só tenho algumas dúvidas se o CDS sabia da marosca...
Mas qual foi o objectivo do governo ao lançar Borges no tabuleiro de xadrez? 
Nada mais, nada menos, do que retirar impacto às notícias da véspera sobre o buraco de três mil milhões nas receitas. 
Essa foi a pior notícia para o governo desde que tomou posse. A sua discussão na opinião pública mina por completo a credibilidade do governo e era por isso  necessário arranjar, rapidamente, um facto que desviasse as atenções. 
Trazer para o centro da discussão a RTP, entregando a tarefa do anúncio a Relvas seria meter novamente o ministro trafulha no centro do caldeirão. Avançar com o bispo Borges, teria um duplo efeito: centrar as atenções da opinião pública no facto de a decisão do governo ser anunciada por um funcionário de perfil dúbio, dado defender em simultâneo interesse públicos e privados, e conseguir que a privatização da televisão pública ofuscasse a discussão sobre o falhanço do programa do governo. O êxito da estratégia está bem visível nas primeiras páginas dos jornais.
A oposição mordeu o isco e passou também o dia inteiro a condenar Borges e o modelo apresentado pelo governo para a RTP, quando devia estar a discutir o essencial: o falhanço rotundo da política económica e financeira do governo.
Não, meus amigos, não acreditem em gaffes! Isto é uma estratégia bem urdida, aprendida com os gangs de criminosos da mais fina estirpe e do terrorismo mais sofisticado. Quando querem assaltar  o banco X, os criminosos desviam as atenções da polícia, fazendo-a acreditar que o seu alvo é outro. A mesma estratégia é seguida por grupos terroristas e, desgraçadamente para nós, por este governo.
Querem mais um indicador de que se trata de estratégia? Então vão ler os blogs do relvismo e do passos coelhismo e vejam como eles se mantêm em silêncio sobre estas questões. 
Enquanto os meus caros leitores estão a ler este post, estão esses blogers contratados pelo governo a peso de ouro para os  gabinetes, a rir à socapa porque a oposição caiu infantilmente na estratégia do governo e foi atrás do isco errado.
Estejam atentos quando surgir uma nova gaffe...

Governo já recebeu três propostas para a RTP


Três grupos empresariais já fizeram chegar  cartas ao gabinete de Miguel Relvas, confirmando o seu interesse no contrato de concessão da RTP.
O CR teve acesso ao teor das cartas e à identidade dos candidatos.

1º candidato:Grupo angolano- 
Oî Miguele, gostámos muito de ouvir o anúncio do senhor ministro Borges e vimos manifestar o interesse do nosso grupo em concorrer à concessão da RTP. Só queríamos que fizesses um jeitinho e esclarecesses umas coisas que estão no caderno de encargos:
- Essa ideia de  seres o presidente do conselho de administração não foi bem recebida pelo nosso governo. É que nós vamos apostar muito em concursos para o povo, tás a ver, e a história da tua licenciatura falsa pode tirar um bocado de credibilidade a esses passatempos. Não podes desistir da ideia? Se for preciso a gente paga indemnização.
- Pedes que sejam contratados 10 assessores do teu gabinete para os quadros da empresa. Não vemos problema nisso, desde que vocês continuem a pagar os salários. E esclarece lá outra coisa. Eles vêm para a RTP para trabalhar, ou para continuarem a escrever em blogs, como fazem no teu gabinete?
- Vamos precisar de despedir uns mil trabalhadores. Vocês ficam com o encargo de pagar as indemnizações, ou despedimo-los à moda de Angola: tás despedido, pá. Encara o desemprego como uma oportunidade, nós somos boa gente e não te pedimos indemnização,ok?
O nosso método é mais expedito, não te parece?
- Explica só mais uma coisinha. Essa coisa de serviço público é fazer reportagens diárias com o nosso camarada José Eduardo dos Santos, ou serve qualquer dirigente do MPLA? É que o José Eduardo  parece-me difícil, pois ele tem uma vida muito ocupada.

2º candidato-José Eduardo Moniz
Dr. Miguel Relvas:
Tendo tomado conhecimento através da TVI, que um vosso emissário ( não me lembro o nome, peço desculpa, mas tem o cabelo oxigenado) comunicou estar aberto concurso para a concessão da RTP, venho em nome do grupo que represento manifestar o nosso interesse em concorrer. Gostaríamos no entanto de saber se o espião despedido pelo SIED depois de ter sido acusado de espiar jornalistas e que o sr. PM diligentemente integrou no seu gabinete, também vem incluído no pacote. Faço lembrar-lhe que isso valorizaria muito a nossa proposta.
Já agora, gostaríamos de ser esclarecidos sobre uma expressão que vem no caderno de encargos e que  o nosso departamento jurídico não soube interpretar: o que é isso de serviço público?

3º candidato-Joaquim Oliveira 
Caro  Relvas:
Como proprietário da Sport TV estou interessado, desde que assegures que desporto é serviço público. Quanto aos noticiários  não há problema. Prometemos emitir umas reportagens com ministros e PM a fazer desporto. Com o desemprego que por aí anda, sósias é coisa que não falta mas, se houver alguma dificuldade, dá-se um jeito com os tipos do RSI, ok? 
Só mais duas perguntas: cascar nos governos do Sócrates está incluído no conceito de serviço público? É que política não é o nosso forte, preferíamos transmitir combates de boxe entre o LFV e o Pinto da Costa! O cenoura que fez o anúncio na TVI vem no pacote, ou é descartável?

Biblioteca de Verão (18)

Agora que esta rubrica se aproxima do fim, convém relembrar (et pour cause...) o que aqui escrevi no início. Não pretendi aqui incluir "os livros que todos devem ler" ( essa pretensão parece-me tão estupida, que não compreendo a ideia do Expresso na última semana) mas sim livros de que gostei e não aparecem, normalmente, entre as listas dos mais vendidos. Apenas um contributo para quem gosta de ler nas férias.
O livro de hoje foi o único de Valter Hugo Mãe que li até hoje, embora já tenha sido aconselhado a ler "A máquina de fazer espanhóis" que muitos consideram bem melhor. No entanto, como a minha especialidade não é recomendar livros que nunca  li ( isso é para alguns críticos da especialidade e para o professor Marcelo, a quem basta ler as badanas para emitir uma opinião)  fico-me por este "O filho de mil homens", um livro sobre os afectos que li com agrado, mas não com desmesurado entusiasmo.

O grande drama

O grande drama  não é só o aumento do desemprego e o número de famílias que se viram sem casa e a viver em condições de miséria; 
Não é saber que a dívida pública aumentou, apesar da diminuição drástica dos salários dos funcionários públicos e do roubo aos reformados;
Não é perceber que o governo falhou todas as metas do défice e as previsões quanto às receitas- coisa óbvia para qualquer miúdo com a quarta classe;
Não é, ainda, ver a forma iníqua como trata as pessoas, beneficiando os das cores laranja ( e também azuis e amarelos, de que nunca se fale, mas vale a pena recordar) que os bajulam e beijam os pés;
Não é, apesar de tudo, ver a sua subserviência à troika, a sua insensibilidade com os dramas sociais e a forma ultrajante como rouba a quem trabalha, para entregar nas mãos de quem mais tem;
Não é, sequer, constatar que as políticas deste governo estão completamente erradas e nos vão conduzir a todos a condições de vida indignas. (Excepto, claro, aos do costume).
O grande drama é este governo, perante a desgraça que se avizinha, continuar a agir como uma barata tonta sem saber o que fazer para resolver os problemas do país, agarrando-se às imposições da troika como a única tábua de salvação ( mas também como passa culpas) e bajulando os agiotas.

O (verdadeiro) desvio colossal

Confirmada ontem a inépcia de Vítor Gaspar, que sempre confiou nas teorias dos livros mas descurou a realidade, o governo  veio reconhecer a sua incapacidade para gerir a crise e decidiu entregar o futuro do país nas mãos da troika,
A solução está à frente daqueles narizes, mas o (des)governo não a vê, porque apesar de ter uma bola de cristal que lhe permite adivinhar o futuro, não sabe como funciona. Daí que ano passado tenha falado de "desvio colossal" nas contas públicas. 
Apesar de a escumalha  governadeira nunca ter esclarecido onde estava o desvio, nem o seu montante, toda a gente pensou que a corja se referia a uma herança do governo de Sócrates, mas agora sabe-se que afinal se  tratava de um desvio de mais de 3 mil milhões em relação às previsões para este ano.Ou seja, da responsabilidade deste governo.
Gaspar começou por dizer que as contas da receita fiscal estavam a correr mal, mas à noite lá foi o ministro-sombra António Borges dizer à Judite que este desvio era previsível e (pasme-se...) que não serão necessárias mais medidas de austeridade. (O  homem, apesar de aparentemente ser apenas conselheiro falou  como primeiro-ministro, o que também me deixou a pensar cá numas coisas...)
Ora, segundo relata a imprensa, a troika não está de acordo, pelo que será curioso ver, nos próximos dias, como vai terminar  a contenda.
Se a troika insistir que se devem cortar os salários dos funcionários públicos e pensões dos reformados, mas não mexer nos salários do sector privado, como é que o governo vai descalçar a bota? Vai-se marimbar para a decisão do Tribunal Constitucional?
Sinceramente,se isso vier a acontecer, já não me espanta.
O que me espantou, foi ver ontem António Borges na TVI a falar das privatizações da RTP e da TAP, em nome do governo, apesar de não ser ministro. Que Relvas se remeta ao silêncio, até percebo, agora que Álvaro faça figura de abóbora e deixe essa tarefa nas mãos de Borges é que me custa a entender...
A não ser que se confirme que Álvaro manda tanto no governo  e percebe tanto de Economia como eu... o que também não será uma boa notícia, porque ninguém aguenta durante muito tempo ser apontado como nabo pela vizinhança, quanto mais em conselho de ministros!



Governo limita vencimentos dos banqueiros

Ah, pensavam que era cá? Mas vocês em que país vivem? Foi aqui ao lado, claro, mas esses maus exemplos o nosso querido (des)governo não gosta de seguir. 
Se fosse para cortar nos salários dos trabalhadores, o Gaspar nem hesitava, mas cortar os chorudos vencimentos aos senhores banqueiros seria uma afronta.

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Quando é que os jornalistas percebem?

O jornalista:
Pode garantir-me que o governo não tem nenhum estudo para alargar a idade da reforma para os 67 anos, senhor ministro?
O ministro:
Não temos, nem encomendámos nenhum estudo...
O jornalista ainda não percebeu que este governo não precisa de estudos e só os manda fazer quando precisa de pagar algum favor a alguém? Este governo não actua com base em estudos, mas sim em convicções. Quando é que os jornalistas percebem e deixam de fazer perguntas idiotas?

A tua cara não me é estranha (4)

Há pouco mais de um ano... Nã, nã, nã... se completasse a frase que ia escrever toda a gente chegava lá muito depressa. Por isso, sem dicas vos pergunto: quem é esta menina?
Se não souberem, podem ver  a resposta aqui

10 perguntas que o PS deveria colocar aos aldrabões de serviço


( Na sequência do post anterior)
Em Julho, o PS interpelou Passos Coelho sobre os subsídios de férias do pessoal dos gabinetes. Ainda não obteve resposta. Na altura recomendei a Seguro que colocasse outras questões ao PM, para que tudo fique claro. Sem quaisquer esperanças de ver a a situação esclarecida, reformulo aqui algumas questões que o PS deveria fazer ao governo:
1- Quantos são os assessores e demais pessoal afecto a gabinetes que recebem os subsídios por debaixo da porta? Ou seja, quantos têm dissimuladamente incluído, no seu salário mensal, as prestações correspondentes ao que deveriam receber no caso de não ter havido cortes?
2- Qual o montante pago pelos gabinetes a assessores, especialistas, secretários e demais pessoal,  que alegadamente não terá recebido subsídio de férias, em despesas de representação?
3- Quais os plafonds estabelecidos para esse pessoal em gastos com cartões de crédito, telefones e outras mordomias?
4- Quantos membros dos gabinetes gozaram férias em 2011 e receberam subsídio de férias em 2012?
5- Quais os membros do governo que NÃO receberam subsídio de férias em 2012?
6- Aplicar-se-á em 2013 aos membros dos gabinetes recrutados em 2012, provenientes do sector privado, o mesmo princípio no concernente ao pagamento dos subsídios de férias?
7-Se a resposta for negativa, como justifica o governo a atribuição do subsídio este ano? E se for afirmativa, quer isso dizer que o governo persiste na teimosia de manter a desigualdade  entre funcionários públicos?
8- A lógica aplicada aos funcionários públicos recrutados ao sector privado para desempenhar funções em gabinetes, aplica-se a outros quadros da administração pública ( directores-gerais e quadros de empresas públicas?)
9- Os reformados no segundo semestre de  2011 não deveriam, pela lógica do governo, manter o direito ao subsídio de férias este ano?
10- Está o governo disposto a acabar com a iniquidade e pedir a devolução dos subsídios de férias pagos indevidamente aos funcionários dos gabinetes, como reconheceu implicitamente Vítor Gaspar?

Gaspar, Coelho e as "mentiras excepcionais"

Logo que o governo anunciou o corte do subsídio de férias e do 13º mês ( a prestação suplementar que os  funcionários públicos recebem em Novembro nunca foi subsídio, mas sim complemento de salário, como se explicava no diploma de Marcelo Caetano que instituiu esse pagamento) afirmei que a medida não se iria aplicar aos membros do governo e pessoal dos gabinetes.
Em Março deste ano, voltei a reiterar a minha opinião no post "Um país excepcional"
Obviamente que não foi nenhuma premonição. Os despachos de nomeação deixavam essa possibilidade escancarada e a sua redacção não era inocente.
Também previra que a justificação para esse pagamento  fosse apresentada por Miguel Relvas, mas aí enganei-me. A falta de credibilidade de Relvas levou PPC a pedir a Vítor Gaspar - normalmente apontado como o ministro mais credível deste governo- que fosse ele a justificar a excepção.
A fazer Fé no que escreve o DN, a explicação de Vítor Gaspar é um chorrilho de mentiras e omissões, secundadas por Pedro Passos Coelho.
Escalpelizar pormenorizadamente a argumentação apresentada por ambos, obrigar-me-ia a escrever um post demasiado longo, por isso, fico-me por alguns aspectos fundamentais:
-Diz o gabinete de Vítor Gaspar  que "os membros dos gabinetes sem relação jurídica de natureza pública admitidos no segundo semestre de 2011só podiam gozar férias depois de seis meses de funções, adquirindo e vencendo no entanto, até 31 de dezembro de 2011 dois dias por cada mês de serviço". 
Gaspar omite, no entanto, que houve membros de gabinetes que gozaram férias em 2011 e  não diz se esses receberam o respectivo subsídio.
Aliás, alguns membros do governo, a começar pelo PM que anunciara não gozar férias, em Agosto foram para um merecido repouso, embora só tivessem tomado posse um mês antes.
Sabendo-se que a maioria dos membros do governo também veio do sector privado, é legítimo perguntar se também eles receberam subsídios de férias, alargando assim a excepção a quase todo o governo.
É sabido, por outro lado, que muitos membros dos gabinetes ganhavam, no sector privado, duas ou três vezes menos do que ganham nos gabinetes. Urge por isso perguntar: os subsídios de férias que receberam foram pagos com base nos salários que auferiam no privado, ou os que recebem nas suas novas funções?
Outra pergunta ainda: Receberam os subsídios na totalidade, ou só a percentagem correspondente ao período que trabalharam no sector privado?
Para terminar, porque o post já vai longo, convém lembrar que, em Julho, Vítor Gaspar afirmava que "não será pago a nenhum membro do gabinete o subsídio de férias e de Natal, nos termos do artº 21º da Lei do Orçamento de Estado 2012, sendo que qualquer situação, que seja identificada em contrário, serrá imediatamente corrigida". 
Declaração feita - é bom lembrar- já depois de terem sido pagos os respectivos subsídios. É preciso ter muita lata e nenhuma vergonha na cara.

Biblioteca de Verão (17)

Este é um dos livros que tenho permanentemente à cabeceira, por isso, fico-me por aqui

Alguém sabe onde andam os ministros?

Para além de Nuno Crato - tem feito as despesas da silly season -e uma ou outra intervenção anedótica do Álvaro, nenhum membro do (des)governo tem vindo a terreiro.
Não, não prolongaram as férias...  estão todos encafuados nos gabinetes a estudar para o exame da troika, que é já na próxima semana.
Uma perda de tempo. Neste exame são todos aprovados com distinção, porque andaram o ano inteiro a dar graxa aos professores.

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Será preguiça, estupidez, ou frete?

Quando um jornal dá  uma notícia assim a seco, a pergunta legítima é: fê-lo por preguiça, estupidez, ou para fazer um frete ao governo, como forma de pagamento pelo número de jornalistas que lá foi recrutar?
Já agora vejam também esta beleza que demonstra como PPC não sabe o significado de regabofe e alimenta a desonestidade como se fosse uma virtude.
Os jornais não escreveram nem uma linha sobre isto. Porque será? 

Bancos devolvem 16 biliões de euros aos consumidores

Não, não é em Portugal. É em França.
Depois de uma luta de quase duas décadas, a associação de defesa de consumidores francesa UFC-Que choisir?  ganhou a peleja que mantinha em tribunal contra os bancos, acusados de usurparem aos consumidores 16B de euros, por cobrança indevidas de prémios de seguros.
Por cá, é bem diferente. O governo oferece um banco pago com o dinheiro dos contribuintes a um amigo, esbulha os portugueses com impostos, vende ao desbarato as empresas públicas, rouba os salários, destrói o país e os malfeitores ainda se riem!

De uma lógica inabalável...

A ERC ameaça multar a AR se aquele órgão de soberania insistir em transmitir os debates em sinal aberto a partir de setembro.
Descansem, caros leitores com alguma dose de perversidade... a ERC não considera os debates susceptíveis de conteúdo pornográfico, nem de ferir a susceptibilidade dos espectadores ( embora muitas vezes isso seja um facto indesmentível...).
A ERC sustenta, outrossim, que "o Canal Parlamento não está abrangido pelo conceito de serviço público de TV e precisa de uma licença atribuída em concurso para poder emitir".
Quando soube desta posição da ERC insurgi-me. Então os debates na AR não são serviço público?
Depois lembrei-me das declarações de Marinho Pinto e  Paulo Morais e acalmei-me. 
A ERC tem mesmo razão... se uma grande parte dos deputados está na AR para defender interesses privados, como é que aquilo pode ser considerado serviço público?

Felizmente as exportações aumentaram...

O governo anda eufórico porque as nossas exportações têm aumentado e contribuído para equilibrar a balança comercial.
" Mérito das medidas que temos tomado, que estão a dinamizar a nossa economia"- empolga-se o Álvaro.
" Mais uma prova de que estamos no bom caminho"- defende, eufórico, o funcionário da troika PPC.
Os néscios são assim, coitados. Entram em euforia com números que lhes são favoráveis. O problema é quando esses números são esmiuçados e mostram a realidade...
Com efeito, as exportações têm vindo a aumentar mas 9% desse aumento, no primeiro semestre deste ano, corresponde à venda de ouro para o estrangeiro. Pena que esse ouro  não esteja a ser exportado por empresas, mas sim por particulares que o estão a vender para equilibrar os seus orçamentos. Dos cofres dos portugueses saíram para o estrangeiro, em apenas seis meses, 382 milhões de euros.
Portanto, Pedro e Alvarito, enrolem as bandeiras, porque não há razão para euforias. Este ouro vendeu-se uma vez, até pode ser que haja compradores para mais lá fora, mas não se trata de produção, ou dinâmica empresarial. Trata-se, sim, de empobrecimento dos portugueses. Que não cria emprego, como espero que saibam.
Ah, espere aí, Pedro, tem razão em estar eufórico... o seu propósito de empobrecer os portugueses está a surtir efeito. Toca a desfraldar a bandeira, porque acaba de conseguir mais uma grande vitória.

Biblioteca de Verão (15)

Um livro interessantíssimo e surpreendente que valeu à autora o Prémio Orange  2010 e a mim horas  de animadas tertúlias.

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Esperemos que o burro não saiba conduzir

Cavaco perdeu popularidade, mas já há um novo herói no Algarve (siga o link)
Se continuam os incêndios, qualquer dia ainda vai fazer rodagem, entra no Conselho Nacional do PSD e sai de lá candidato a primeiro-ministro... 

Faz mesmo sentido...

Quando em 2008 começou a febre antitabágica, escrevi alguns posts sobre outras coisas que valia a pena proibir ( como falar ao telemóvel no metropolitano, por exemplo)
Agora, via Ana Paula Fitas,
soube desta ideia que subscrevo e aplaudo:

Manual das boas maneiras


Eu tinha avisado, em Dezembro, que Agosto seria um mês quente e nos traria de volta o Verão roubado em Julho. Se as audiência do CR fossem iguais às da Pipoca, talvez muita gente tivesse reprogramado as suas férias para Agosto, ou mesmo Setembro, mês que prolongará o Verão até mais tarde. Assim, não foi isso que aconteceu e ontem, ao entrar no metro pela manhã, percebi que as férias estão a chegar ao fim para muita gente. Como sei? Fácil! Comecei a ver os soldadinhos de chumbo engravatados dirigindo-se penosamente para os seus empregos, como quem vai para o cadafalso com uma corda ao pescoço.
Então,se és tão sabichão, porque é que tiráste as férias em Julho, Carlos? -perguntarão alguns leitores.
Easy answer, again!
Adoro estar em Lisboa ou no Rochedo, durante o mês de Agosto, para poder esplanar à vontade.

Regabofes e cobardias

António Mexia defende que não faz sentido roubar o 13º mês aos trabalhadores do sector privado. Eu até poderia estar de acordo, não se desse o caso de ele ter considerado justos os cortes aos reformados.
Os reformados- que descontaram durante décadas para garantir uma velhice mais tranquila- deveriam ser os últimos a ser penalizados com cortes. Porque se trata, efectivamente, de um roubo!  Abro uma excepção: um reformado que continue a trabalhar deve perder o direito à reforma, enquanto estiver no activo. Ou, no caso de o(s) salário(s) que aufere serem inferiores à reforma, apenas poderá receber o diferencial.
Claro que esta solução não agrada aos políticos, porque  são às centenas os que acumulam reformas com salários. Nenhum governo tem coragem de acabar com esse regabofe, que é uma afronta a quem vive exclusivamente da sua( quase sempre parca) reforma. Com a agravante de as reformas destes políticos serem todas milionárias.
Estabeleça-se um plafond para as reformas futuras (de quem entrou há menos de cinco ou dez anos, vá lá na carreira contributiva)  mas não se legitime o roubo perpetrado por este governo a quem trabalhou uma vida inteira na expectativa de ter uma reforma condigna. 
Acima de tudo não se legitimem os escândalos de Catrogas, Miras Amarais e de uma série de gentalha perversa  que se abotoa mensalmente com reformas milionárias, a que junta salários de igual montante, enquanto o reformado que viveu a sua vida honestamente, se vê espoliado do seu ganha pão. Isso é que é regabofe, senhor PPC, mas o senhor não tem coragem de acabar com ele, porque coloca o seu lugar em perigo. Sabe o que se chama a isso, senhor primeiro ministro? COBARDIA!

Biblioteca de Verão (14)

Eu sei que se trata de um "best seller" ( seja lá o que isso for) e não deveria estar incluído nesta biblioteca de Verão, mas sei também que há muitos portugueses que ainda não conhecem Carlos Ruiz Zafon, o escritor que retrata Barcelona de uma forma ímpar.
"O Prisioneiro do Céu" é o terceiro volume da tetralogia  " O Cemitério dos Livros Esquecidos"  e despoleta no leitor a mesma magia e emoções que os livros que o precedem: "O Jogo do Anjo" e "A Sombra do Vento".
Aviso desde já que não é leitura que se pare facilmente, pois o enredo prende-nos desde as primeiras páginas. Bem, mas eu sou suspeito... Por causa do livro decidi alterar as minhas férias e ir revisitar Barcelona ( em boa hora o fiz, adiante-se, mas isso são outras histórias de que darei conta um destes dias lá na filial).  Para revisitar a Barcelona de Gaudi, mas essencialmente  para ir à livraria Sempere ( onde comprei um livro de Autran Dorado) e confortar o estômago na Casa Leopoldo ( um restaurante com quase um século de vida que desperta ódios e paixões) onde nunca tinha entrado, apesar de já ter sido aconselhado a fazê-lo.
Os livros também podem ser isto... um despertar de vontades para visitar locais onde tudo é real, excepto as personagens que o autor lá coloca. E às vezes...

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Blog da semana

Quando era miúdo diziam-me que era feio ficar parado numa esquina. Só muito tarde percebi a bizarria. Vem isto a propósito de uma esquina que escolhi para blog da semana. ica no Algarve e gosto muito de parar por lá. À Esquina da Tecla, é o meu blog da semana.

Fim de semana alucinante!

Uns amigos encontraram-se nesta manhã de segunda-feira e quiseram saber como tinha sido o fim de semana de cada um. Aqui fica o diálogo, com fotos.
Então, Pítar que tal o fim de semana?
Baril, menes!  Quereis ver as fotos?
Mostra lá...
Topem só as garinas que conheci na sexta -feira à noite na discoteca! Sábado fomos todos almoçar, estás a topar, man?


Eh pá tem aí algumas giraças! Conta então. E depois?
-Ei, menes, aquelas garinas são bué de cultas e à tarde fui com elas até um museu para preparar o terreno, tais a ver? Tinha lá umas pinturas do caraças, menes! Foi muita giro!


Pois, estamos a ver!... E depois da seca, que fizeste? Papaste alguma?
Calma, menes!  Primeiro telefonei ao Freddy para se juntar a nós. Elas eram quatro e cá o man gosta de dividir. Fomos jantar a um sítio baril p'ra fazer clima, tais a topar? Ora topem lá...


Não ponhas mais na cartilha, Pítar, a gente já está a ver o filme todo...
Tá bem menes. Já vi que vocês estão a topar a cena toda. E como foi o vosso fim de semana?
Calminho... À tarde fomos com a Jojó até à praia curtir, porque estava um tempo do camandro Queres ver a foto?
Mostrem lá, menes...

E à noite fomos ver o basquete. Sabes que desporto é connosco. E valeu a pena porque foi um jogo baril...


Olhem, vêm aí a Licas  e a Fáfá.
Então, miúdas, como foi o vosso fim de semana?
Foi giro. A mãe da Licas emprestou-nos o carro e fomos dar uma volta para desanuviar...A malta também às vezes precisa de passear, apreciar a natureza e essas coisas todas, num é estar sempre enfiadas nas discotecas...
 E depois fomos jantar e pôr a conversa em dia. Vocês sabem que entre mulheres há sempre muitas conversas interessantes para pôr em dia...
Fosga-se! Estou a ver que só eu é que tive um fds à maneira. Engatei uma chinoca , levei-a a jantar e vocês já sabem que paleio de engronhanço é coisa que não me falta. O Zezé Camarinha que se ponha a toques, porque lhe roubo as camones todas. Olhem-me só p'ra isto! Voceses a chuchar no dedo e cá o je na maior a curtir com a chinoca!
Aviso: o texto é meu, mas as fotos foram-me enviadas por mail