terça-feira, 31 de julho de 2012

O último "lapso" de Relvas

No curriculum que entregou na Lusófona, para obter a licenciatura, Relvas terá garantido que ganhou duas medalhas de ouro nas Olimpíadas  de 1956 em Melbourne. A afirmação valeu-lhe 40 créditos.
Quando confrontado pelo CR sobre a veracidade da sua declaração, uma vez que nesse ano ainda nem era nascido, o putativo ministro engoliu em seco, mas prontamente se justificou:
- Realmente tem razão. Foi um lapso. A culpa deve ter sido da Conservatória onde o meu pai me registou! Olhe que eu nem tinha reparado que nesse ano ainda não tinha nascido. Mas já que me fala do assunto, vou telefonar à ministra da Justiça, para abrir um inquérito ao conservador que me induziu em erro.

Olá Lisboa! Estou apaixonado...

Foto da Net ( Notícias Grande Lisboa)

Normalmente, quando regresso a Lisboa depois de um longo período, corro para o meu Rochedo e fico horas esquecidas a contemplar o mar.
Desta vez, foi diferente. Vinha com um mês de mar e aproveitei o fim de semana para me reencontrar com Lisboa. Não sei se foi um reencontro, ou uma despedida...mas em breve terei a resposta.
Não conheço melhor local para abraçar Lisboa do que o Castelo e foi por aí que comecei. Depois, desci as longas escadarias de Alfama até à Beira Tejo, com pausa para um amuse bouche. 
Acabei por desaguar no Terreiro do Paço, quando a Lua já banhava a cidade com a sua luz. Surpresa! Na ala nascente, em frente às despidas esplanadas do Páteo da Galé ( um projecto promissor que parece revelar-se um falhanço) nasceu um conjunto de esplanadas onde a animação assentou arraiais. Ainda não eram 11 da noite e estavam a regorgitar de gente que, enquanto jantava ou bebia apenas um copo, era presenteada com música ao vivo.
Sempre sonhei ver o Terreiro do Paço com aquela animação, mas confesso que já tinha perdido a esperança. Quando vi pessoas a dançar, animadas, no centro da praça, não queria acreditar que estava em Lisboa!
A custo consegui encontrar uma mesa numa esplanada onde uma banda tocava música dos anos 60, 70 e 80. Havia muitos turistas, mas também portugueses. Faltava pouco para as duas da manhã  quando decidi regressar a casa mas, atraído pela curiosidade de ver uma discoteca no Terreiro do Paço que começava a animar-se, ainda dei uma espreitadela.
Regressei a casa apaixonado por uma cidade desconhecida e inesperadamente animada mas, nos meus ouvidos, bailavam ainda as palavras de um dos empregados da esplanada onde estive:
" Quando os turistas se forem embora, isto morre..."
É bem capaz de ter razão. Naquela noite, eram os turistas que animavam Lisboa e conseguiam contagiar os portugueses. Até quando?
Adenda: Se no sábado, antes de sair para (re) descobrir Lisboa, não tivesse lido este post, o mais provável era não ter feito esta descoberta. Por isso, muito obrigado, Rosa!

No bom caminho!

É cada vez mais óbvio que estamos no bom caminho. Todos os anos, no Verão, por causa da sazonalidade, o desemprego diminui. Ora todos sabemos que isso desagrada ao governo, que pretende exige o empobrecimento do país. Daí que pela primeira vez, em décadas, o desemprego tenha aumentado em Junho, criando novas janelas de oportunidade para os portugueses.
Boa notícia para PPC y sus muchachos deve  também  ter sido esta. Não havendo dinheiro para a saúde, os portugueses morrem mais depressa. E todos sabemos que cada velho que morre, é menos um problema para o governo.

As primeiras notícias vieram de Atenas


                            Estádio Olímpico de Atenas 1896: especialmente curiosa a sua forma em ferradura


O Barão Pierre de Coubertin, responsável pelo ressurgimento dos Jogos Olímpicos, pretendia que os I Jogos se realizassem em Paris, em 1900,  mas várias circunstâncias levaram a que se realizassem em Atenas em 1896.
Participaram apenas 10 países e a  primeira medalha de ouro foi  atribuída ao vencedor do triplo salto - o americano James Connoly ( não confundir com o líder nacionalista  irlandês, que seria uma das mais destacadas figuras da esquerda revolucionária europeia no início do século XX).
Uma organização atamancada  e à pressa, poderia ter condenado a realização de edições futuras mas, ao invés, a organização dos Jogos tem sido cada vez mais aprimorada e cuidada ao milímetro.
Um dos exemplos do improviso que rodeou os JO de Atenas, de 6 a 15 de Abril de 1896, foi a forma como alguns atletas se inscreveram. 
O caso mais singular foi protagonizados pelo australiano Edwin Flack. Funcionário de uma empresa inglesa, foi passar férias a Atenas, tendo decidido – já depois de lá chegar- inscrever-se nas provas de 800 e 1500 metros. Venceu as duas, arrecadando igual número de medalhas de ouro.

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Blogosfera renascida


Não a conheço de lado nenhum e raras vezes comento  no blog dela. Sei que passou por aqui uma vez em silêncio, porque no seu blog  me fez uma simpática referência.
São pessoas como ela que me fazem acreditar na blogosfera e insistir em andar por aqui. Continuo a acreditar que este é um espaço onde, para além de exprimir ideias - por vezes de forma acutilante e irreverente- se pode ser solidário.
 Ao divulgar o caso da Bia, que apenas conheceu quando estava internada  no Hospital, a Pólo Norte pode ter salvo uma vida e devolvido a alegria a uma família que só pretende ser feliz.
Confesso que ainda estou  a ver o ecrã do computador embaciado, porque acabei de ver o vídeo. Se quiserem, também o podem experimentar, seguindo o link.
Pela irreverência, humor, acutilância e solidariedade escolhi-a para blog da semana. Quando a Ana nascer, pode partilhar com ela este momento histórico :-)))

Críticas a subir de tom

São cada vez mais as vozes europeias a insurgir-se contra a Alemanha. A maioria tem-no feito de forma velada, mas Jean Claude Juncker  abriu o jogo e, mesmo sem apontar nomes, apontou o dedo acusatório à Alemanha, pela irresponsabilidade, egoísmo e cegueira da sua política europeia.
A Europa está cada vez mais perigosa e já não acredito que saia desta crise sem grandes hematomas. Graças à senhora Merkel que, além de egoísta e teimosa é burra!

Do Inferno ao Inferninho



Aprendi, em  pequenino, que "quem dá e torna a tirar ao Inferno vai parar".
Este governo está farto de roubar aos portugueses aquilo que outros lhes concederam. Nem o 13ºmês, instituído por Marcelo Caetano, escapou ao gamanço.
A Igreja começa a chamar aos políticos que nos governam nomes feios. Às declarações de D. Januário, o governo reagiu com declarações abstrusas deste  Caramelo, que insinuou ser D. Januário atrasado mental.
A Igreja não se demarcou destas declarações. Pelo contrário,vem aumentando o número de membros destacados que criticam o governo.
Primeiro foi o  arcebispo de Braga a confirmar as declarações de D. Januário, embora de uma forma mais soft.Tanto quanto sei, as reacções  foram mais comedidas. Ontem, no Público, Frei Bento Domingues escreveu " Para a gentinha que reina na política europeia as pessoas são um aborrecimento".
Claro que a Igreja tem muita culpa na ascensão destes mentecaptos, a quem apoiou no combate aos hereges esquerdistas, mas agora parece ter compreendido que os papa missas que andou a promover se estão nas tintas para a Igreja, porque adoram  um novo deus a que chamam "Mercatto" e é exclusivamente às suas ordens que obedecem.
Se a Igreja se puser definitivamente do lado dos pobres e mais desfavorecidos, é provável que este governo vá mesmo parar ao Inferno. Tal facto, porém, não me enche de alegria, porque para além de ter algumas dúvidas sobre os malefícios do Inferno* tenho a certeza que até serem consumidos pelas labaredas de Satanás, estes figurões vão cuidar muito bem das suas contas bancárias e levar uma vida de nababos à nossa custa.
Assim sendo, o que eu gostava mesmo, era de ver estes tipos a arder nesta vida terrena. De os ver expulsos para as Berlengas em época de incêndios.

*As minhas dúvidas em relação ao Inferno vêm da juventude. Lembro-me de haver no Porto um cabaret chamado "Inferninho" com belas odaliscas, onde era um prazer entrar. 

As mascotes


Só em 1968, nos Jogos Olímpicos de Inverno realizados em Grenoble, apareceu a primeira mascote dos Jogos.
Desde então  as mascotes passaram a ser a imagem de marca de todos os JO, mas a  maioria delas  foi esquecida com o tempo.  A excepção é o urso Mischa, mascote dos Jogos Olímpicos de 1980 realizados em Moscovo e boicotados pelos Estados Unidos.
A imagem da cerimónia de encerramento, em que uma lágrima – simulada pela coreografia dos espectadores- corre pelo rosto do simpático urso, estará certamente na memória de muitos que tiveram oportunidade de assistir ao evento.
Não terei sido o único a sentir também uma lágrima correr pela face no momento em que Mischa se despediu e desapareceu  nos céus, levado por balões. Terá sido, certamente, o mais bem conseguido efeito cenográfico dos Jogos Olímpicos em todos os tempos, pelo efeito mimético que conseguiu reproduzir nos espectadores. E na altura, ainda não havia efeitos tecnológicos para disfarçar a realidade...

domingo, 29 de julho de 2012

Intolerância

Durante a minha ausência, alguns leitores(as) deixaram comentários onde teceram críticas à minha intolerância. Creio que têm razão, mas penso que a explicação está aqui.

Universidade de Palermo

Novidades da blogosfera

Desde que cheguei tenho andado a matar saudades da blogosfera. Nestes dias já tive algumas boas surpresas
Para começar, destaco este regresso, depois de uma longa  ausência.
Sejam bem vindos!
PS: Pena terem acabado com a lista de blogs, que era um guia precioso para mim, porque lá estavam alguns dos blogs políticos que visito mais assiduamente.

sábado, 28 de julho de 2012

Surpresa é...

... aterrar no aeroporto da Portela e descobrir que já temos metropolitano até à porta de casa!

Qual foi a parte que não perceberam?


Agora, já em Portugal, tiro todas as dúvidas quanto às declarações de D. Januário Torgal Ferreira:
“Há jogos atrás da cortina, habilidades e corrupção. Este Governo é profundamente corrupto nestas atitudes a que estamos a assistir”.
Só não entendo qual foi a parte que os salteadores da S. Caetano não perceberam... 

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Well done, Mr Boyle!



Não foi a mais emocionante e bela cerimónia de abertura de todos os tempos mas foi, sem dúvida, aquela que, fazendo o percurso da História do país organizador, melhor nos mostrou como fomos hábeis na destruição do planeta.
 Habituado que estou a ver cerimónias onde se evoca o passado, ou o futuro, esta lembrou-nos o presente.
Que tema melhor do que revolução industrial? Que melhor peça de Shakespeare do que a Tempestade, para trazer os mais distraídos à Terra e lembrar-lhes o mundo em que vivemos?
Nos bastidores, o CR soube que a organização convidou Miguel Relvas para a figura de James Bond, mas como ele em vez de apresentar a licença de uso e porte de arma, enviou as contas de telemóvel, acabou por ser substituído por Daniel Craig.
Na cena onde se evoca a criação do Health National Service britânico, a organização ainda pensou convidar Paulo Macedo para exemplificar como é possível destruir um Serviço Nacional de Saúde. Felizmente imperou o bom senso e Mary Poppins veio salvar os doentes das garras do nosso ministro da saúde que já tinha mandado afiar os dentes para melhor desempenhar o papel de vampiro.
Quem esteve presente foi Cavaco Silva - desempenhou o papel de Harry Potter- contracenando com Miss Piggy - Maria.
Muito bem conseguido, foi o desempenho de  Passos de Coelho. Inicialmente convidado para  figurante de "Alice no País das Maravilhas", acabou por emprestar a sua voz de barítono , fazendo-se passar por Paul Mc Cartney. O mundo inteiro acreditou que era o ex-Beatle, mas foi enganado!
Parece que depois houve um desfile com bandeirinhas, mas desses eu já estou farto. As televisões brindam-nos todos os dias com o desfile de uns imbecis de bandeira na lapela e para vómito isso já me basta.
Tenham um bom fds

Adenda:  a cerimónia de ignição da chama olímpica foi espectacular! Aconselho a quem não viu em directo, que não perca o diferido.

O espectáculo vai começar...




“Instalou-se hoje  a controvérsia nos Jogos Olímpicos de Londres acerca do resultado da Maratona, quando a rainha ofereceu uma taça especial de ouro a Dorando Pietri. O maratonista cortou a linha da meta em primeiro lugar, mas foi desclassificado após ter recebido assistência médica devido a exaustão, durante a volta final ao magnífico estádio de White City. O estádio também albergou a modalidadede natação numa piscina temporária construída especialmente para o efeito.”
Esta é uma notícia de agência  sobre os Jogos Olímpicos realizados em Londres em 1908. Foi a quarta edição dos JO da era moderna, rotulada  como sucesso extraordinário, apesar de algumas controvérsias entre americanos e ingleses por causa das…arbitragens!
Participaram nessa Olimpíada mais de 2000 atletas, competindo em 21 modalidades merecendo especial destaque o facto de, pela primeira vez, as provas de natação se realizarem numa piscina e não no alto mar.
Terá início hoje, na capital inglesa, a XXX Olimpíada da Era Moderna ( na realidade será a XXVIII, porque a VI que se deveria ter realizado em Berlom (1916) e  a XIII, que deveria ter sido realizada em Londres em 1944 foram canceladas por causa da I e II Guerra Mundial).
De qualquer modo, é a terceira vez que os JO se realizam em Londres ( 1908, 1948 e 2012), prevendo-se que assistam à cerimónia de abertura cerca de 4 biliões de pessoas!. 
Este ano estarão presentes mais de 10 mil atletas de 192 países e 13 territórios, que competirão em 29 modalidades.
Até final de Agosto  escreverei aqui sobre  alguns factos e figuras que marcaram as Olimpíadas da Era Moderna. 
Na filial, as estórias serão outras, como poderão constatar...

E de manhã. ao acordar...

O regresso não foi assim tão idílico como a canção e o despertar até foi algo penoso, mas é bom estar de novo convosco.

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Será inveja?

A proto licenciatura de Relvas, explica bem a aversão deste governo à escola pública, onde tal desvergonha não seria possível, mas não explica o empenho em acabar com as Novas Oportunidades.

Batedeira eléctrica ao ritmo do jazz




A segunda década do século XX  começa com a visita do cometa Halley (1910), como que anunciando as mudanças que irão ocorrer no mundo.
Em Portugal é implantada a República. D. Manuel II vai até à Ericeira onde apanha um barco para o Brasil e Teófilo Braga é nomeado para a chefia de um governo provisório.
Em África nasce um novo País denominado União Sul Africana que haverá de marcar a História com o regime de "apartheid" e no México Emiliano Zapata e Pancho Villa põem fim à ditadura de Porfírio Diaz.
 As sufragistas  agitam-se ao ritmo do crescimento económico dos E.U.A., embaladas pela onda de euforia provocada pelo jazz e nem dão grande importância à invenção da batedeira eléctrica.
Talvez por isso, a sua comercialização só se inicia depois da I Guerra Mundial (1919)

Já se vêem os estilhaços...

Saio de Espanha com a sensação de que estou a fugir de um barril de pólvora. Só falta acender o rastilho, para que Espanha expluda e as labaredas atinjam a Europa. A tensão social é enorme, mas ainda está no início. A necessidade de resgatar as regiões autónomas não irá permitir a Rajoy continuar a assobiar para o ar iludindo a necessidade de Espanha seguir o caminho de Grécia, Irlanda e Portugal. Com uma agravante: a possível balcanização.
Ontem, na Catalunha, o Parlamento aprovou a criação de uma Fazenda Pública, independente de Madrid,  que cobrará os impostos desta região autonómica. Ora esta decisão é  mais do que um aviso. É um grito de independência sem necessidade de referendo. 
Se as outras regiões que estão na iminência de pedir um resgate optarem pela mesma via, a Espanha que todos conhecemos deixará pura e simplesmente de existir.
Há dias, sentado numa esplanada em Valência, comentava que a necessidade de um resgate  ameaçava a Espanha  de implosão. Olharam-me com desconfiança e descrença, como se fosse um lunático profeta da desgraça. Uma semana depois, os sinais dessa possibilidade tornaram-se mais evidentes. Já há, certamente, mais gente a admiti-la. 
A balcanização espanhola pode atingir outros países europeus e não deixará de provocar estilhaços (económicos, entenda-se...) em Portugal. Mas, o mais grave, é se todos continuarem a assobiar para o lado, fingindo que não se passa nada. Como parecem estar a fazer em relação ao Kosovo, onde a turbulência recrudesceu com consequências que podem ser catastróficas...

Knock, knock, who is there?


Enquanto em Itália começam a soar as campainhas de alarme anunciando o perigo iminente de um resgate, em Espanha Rajoy continua a fazer todos os esforços para ganhar tempo e, seguindo o exemplo de Sócrates, espera conseguir resolver o problema anunciando sucessivos PEC. Com a vantagem de ter uma oposição mais responsável do que a portuguesa no tempo do governo PS, admitia-se a possibilidade  de o PP controlar os danos. Merkel, o FMI, o BCE  e mesmo o PSOE apostavam fortemente nessa hipótese, mas os pedidos de resgate das regiões autónomas inviabilizam a estratégia.
Para disfarçar, Rajoy tomou uma medida candidata a "imbecilidade ibérica do ano": acabar com a "siesta"!
O homem deve viver noutro planeta e não percebe que a medida, além de impopular, tem os mesmos efeitos práticos da redução dos feriados que o Álvaro tirou da cartola: nenhuns!
Há quem ainda acredite que Merkel pode finalmente acordar e perceber que o resgate de Espanha determinará o fim do euro, cujos efeitos para a economia alemã serão devastadores. ( Custou-lhe a perceber mas Draghi, Hollande e Monti fizeram-lhe um desenho e ela finalmente viu o sarilho em que está metida a um ano de eleições).
 O resgate a Espanha- a concretizar-se- será obrigatoriamente feito em condições muito mais favoráveis do que as impostas aos outros países, mas isso implicará que Portugal, Irlanda e Grécia exijam condições idênticas às de Espanha. Conseguirão? 
O casal Merkel/Sarkozy  andou quatro anos a encanar a perna à rã e agora com o divórcio consumado compete à tiranete alemã penitenciar-se, se estiver interessada em evitar a implosão da zona euro. Mas, mesmo que isso implique o regresso à teoria de uma Europa a duas  ( ou mais) velocidades, não resta à Alemanha outra hipótese que não seja ceder, para evitar o descalabro europeu e o suicídio alemão?
Não estou muito certo disso.  Parece-me mais provável que, perante o naufrágio europeu, a decisão alemã passe pelo abandono  do euro, confiando que a sua forte economia lhe permita recuperar em dois ou três anos. É muito provável que o faça e… tenha sucesso. 

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Momento Cavaco apresenta... "Eu tinha avisado!"


Parafraseando o PR, apetece-me dizer: eu tinha avisado!
Sim, eu já avisara esta demente imbecil  que mais tarde ou mais cedo a sua cegueira iria ter um efeito boomerang. Já está! A Mooddys ameaça tirar-lhe os três AAA…
Agora, os alemães pedem a saída da Grécia, para salvar o euro. Pobres coitados… ainda não perceberam que a crise alastrou como um cancro, tem metásteses por todo o lado (Madeira, Sicília, Catalunha, Comunidad Valenciana and so on) e extrair um furúnculo não é solução para a cura.
A dúvida é saber se a Europa ainda vai a tempo de recorrer à quimioterapia para extirpar o mal que a corrói.

Um televisor longe demais


Por muito que isso custe a admitir aos mais jovens, já houve mundo sem televisão. Os primeiros televisores foram apresentados em Inglaterra em 1914 mas, em Portugal, as primeiras emissões regulares de televisão só surgiram em 1956.
Durante muitos anos o televisor era um objecto quase de luxo. Muitas pessoas iam à noite ao café para ver os programas  e um televisor era o prémio mais desejado  de concursos promovidos por diversas marcas e programas de…televisão.
Só havia um canal ( a preto e branco, porque a tv a cores só apareceu em 1978) e o televisor era instalado na sala. Só muito mais tarde os televisores passaram a fazer parte da mobília dos quartos das crianças, competindo com “outros” brinquedos.
Hoje, quase todos os lares têm um televisor e já é possível cada um criar o seu próprio canal, programando antecipadamente, o que desejam ver durante a noite televisiva.
No entanto, por muito que vos custe a acreditar, ainda há países onde as casas têm televisores mas… não há televisão.
Não acreditam? Então leiam isto, faz favor…

Mudam-se os tempos...

Ainda sou do tempo em que a direita aplaudia os sermões inflamados de padres, pedindo aos fiéis para votar no PSD e no CDS;
Ainda sou do tempo em que a direita aplaudia o apoio da Igreja às ditaduras;
Ainda sou do tempo em que o bispo do Porto era perseguido por Salazar;
Agora, vejo a direita  reagir indignada contra um bispo que se insurge contra um governo que tem como ponto único do seu programa empobrecer os portugueses.
Agora, vejo a direita a exigir à Igreja que condene as palavras de um bispo que se limitou a dizer em público o que muitos dizem em privado.
Será que para a direita que hoje nos governa  o Monte Branco é um Remédio Santo?

terça-feira, 24 de julho de 2012

Este é mesmo o último...

Afinal, ainda arranjei uns cêntimos para comprar um presente para o Tó Zé Seguro. Pode ser que com esta bússola ele se oriente e consiga encontrar o caminho a seguir: uma verdadeira alternativa a Coelho, ou a porta de saída!

Ah, pois, a incompetência dos funcionários públicos!

Leiam esta cena até ao fim e depois digam-me se a culpa é dos funcionários públicos, tá?
Ao final da manhã de um chuvoso dia de Maio, telefonaram-me de uma empresa (PRIVADA!!!!) a pedir a entrega até ao final do dia de determinada documentação. A única forma de o fazer seria recorrer ao serviço de estafetas, ou ir pelo próprio pé. ( Neste caso de carro, porque a empresa fica nos arredores de Lisboa, sem transportes acessíveis). 
Fiz contas e decidi ir lá eu. Até porque o meu futuro profissional estava em jogo...
Quando cheguei dirigi-me à recepção com um volumoso envelope que pretendi entregar.
- Se quer entregar alguma coisa, terá que se dirigir ao terceiro andar e fazer a entrega mas, como já passa das 5, já lá não está ninguém para dar entrada.
- E a senhora não pode receber?
- Eu não recebo correspondência para ninguém.
- Então pode chamar a F...... para eu lhe entregar pessoalmente?
- O envelope é para a F....?
- É.
- Ah, para ela eu recebo.
- Posso então deixar o envelope consigo?
- Pode, claro. Esteja descansado que eu já lhe entrego.
- Olhe que isto tem de ser entregue hoje até ao final do dia...
- Já lhe disse para estar descansado!
- Ok, então obrigado!
.................................................................................................................................................................
 No dia seguinte telefonei à F... a perguntar se a documentação lhe tinha sido entregue. Não tinha. 
Disse-lhe que a tinha deixado na recepção e a senhora  me tinha garantido que seria entregue de imediato. Agora como é que posso justificar o atraso? 
- Não se preocupe, respondeu-me a F.....  Como ainda não é meio-dia, é como se tivesse entrado ontem.Eu trato disso.
NOTA: Tudo se resolveu, porque tive um pressentimento que as coisas não iriam correr bem. Por isso telefonei à F... para confirmar se tinha recebido a correspondência. Caso contrário, a minha proposta teria dado entrada fora do prazo e eu perderia a possibilidade de concorrer a um concurso que, tenho quase a certeza, vou ganhar.Porquê? Porque ninguém terá, de certeza absoluta apresentado uma proposta tão criativa como a minha. Pronto, está bem, às vezes sou convencido, gabarolas e até um pouco impertinente, mas eu tenho de ganhar este concurso, tá?

Hmmm! Cheira a torradas...



Que seria dos filmes americanos sem a torradeira eléctrica?
Não é preciso um grande esforço para recordar rapidamente 10 filmes americanos onde há cenas ao pequeno almoço. Com um esforço um pouco maior seremos capazes de recordar cenas em que alguém deixa queimar as torradas. Apenas mais um esforço e seremos capazes de separar os filmes em que as torradas queimadas dão origem a tragédias, daqueles em que geram cenas hilariantes. 
Mas a torradeiras eléctrica, inventada entre 1915 e 1918 ( as diversas fontes não coincidem quanto à data) , também contribuiu para tornar os pequenos almoços mais agradáveis nos dias em que não há pão fresco.
E, num domingo chuvoso de Inverno, quem não gosta de ficar em casa  a ler um livro ou a ver um filme, na companhia de um chazinho com torradas?
Viva a torradeira eléctrica! 

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Era bom, mas acabou-se...


Embora as férias se devessem prolongar até  final do mês, já estou a trabalhar desde quarta-feira. Um trabalho que me manterá afastado da "terrinha" até quase ao final da semana. Logo, um trabalho agradável...

O governo tem razão!

Chegam-me notícias de que D. Januário Torgal Ferreira terá dito numa entrevista que este governo está cheio de corruptos.
 Embora não tenha tido possibilidade de confirmar a notícia, devo dizer que se D. Januário fez essas afirmações cometeu uma injustiça e o governo tem razão em ficar indignado. Estes tipos não são corruptos, são EXCÊNTRICOS! Quando sairem do governo vai-lhes sair o Euromilhões e arranjarão todos uns belos tachos com o produto do prémio acumulado com as privatizações.

Transparência, honestidade, rigor, blá, blá blá!

Os laranjas passam a vida a proclamar a honestidade, a transparência, o rigor e outros eteceteras. O problema é que a realidade os desmente. Dias Loureiro, Oliveira e Costa ou Duarte Lima são peixe graúdo, mas nos jaquinzinhos também há exemplares de gente, digamos (excêntrica?) como é o caso desta figurona que, apesar de se locupletar com dinheiro do partido, continua a exercer funções numa secretaria de Estado

domingo, 22 de julho de 2012

Já vejo duas luas!




Desde que,  há dois ou três meses, acabei de ler o segundo volume de 1Q84, de Harouki Murakami, que todas as noites procuro duas luas no céu. 
A tarefa tem-se revelado infrutífera, mas ontem * finalmente olhei o firmamento e elas lá estavam. Uma é branca, como deve ser a lua, a outra é cor de laranja. A primeira reflecte o mundo real, a segunda o mundo das gentes do PSD que apoiam este governo, vivem à sua  sombra e olham para Portugal como um país de futuro risonho. O  futuro deles, obviamente!
Agora, que finalmente partilho o mundo de Aomame e Tengo, fico apenas com uma dúvida:
Quem vive em 2Q12? Eu,que acho estranho o que se passa no país que me espera dentro de dias  para lá desta fronteira ibérica, ou a tralha laranja que vive no mundo da corrupção, da vigarice e do compadrio e considera tudo isso normal? 
Provavelmente será normal para o governo deste país condenar os portugueses ao empobrecimento, roubar os salários dos trabalhadores, nomear para as comissões de privatizações pessoas com interesses nas empresas a privatizar, roubar quem trabalha para dar aos bancos e a quem explora os que trabalham, etc, etc, etc. 
Assim sendo, quem está a viver em 2Q12 devo ser eu... ainda acredito que os governos que enganam os eleitores devem ser imediatamente demitidos pelo PR e não percebi que em Belém vive um zombie investido no mais alto cargo do Estado, que não respeita os juramentos e está manchado pelo caso BPN até à morte- e para além dela.
Ver um homem que num país decente estaria na cadeia, ser pago pelos contribuintes para desempenhar um cargo que desrespeita todos os dias, é algo tão surrealista que só pode ser vivido no mundo de  Aomane e Tengo. O mundo de 1Q84...

* Ontem, é relativo, pois este post foi escrito em Junho e só será publicado quando Julho se aproximar do fim



Replay

Faço zapping pelos canais espanhóis e sinto-me a recuar um ano. Os argumentos de governo; os avisos da oposição, em relação às medidas de austeridade; os debates no Parlamento parecem tirados a papel químico da vida portuguesa desde o momento em que PPC decidiu que a sua missão no governo seria aumentar o desemprego, diminuir os direitos sociais,empobrecer os portugueses e encher os bolsos dos amigos que lhe hão-de dar emprego quando o tipo se for embora. Bahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh!

sábado, 21 de julho de 2012

Para bom entendedor...





Na ilha Jindo, localizada na Coreia do Sul, ocorre um dos fenómenos
naturais mais incríveis do mundo, o chamado Milagre de Moisés.
Duas vezes por ano, durante uma maré baixa, um caminho de terra de 
2,8 km, com 40 metros de largura é revelado, unindo as ilhas de Jindo
e Modo por um período de uma hora.
Este fenômeno ocorre independentemente da velocidade da maré ou das 
ondas.
Pessoas de todo o mundo vão para testemunhar o fenómeno e andar 
pelo caminho marítimo.


Existe uma lenda por trás deste fenômeno coreano. Uma aldeia Jindo foi
atacada por tigres e todos os moradores correram para a ilha vizinha,
Modo. Todos, com exceção de uma mulher de idade indefesa, que foi
deixada para trás. No seu desespero ela orou ao Deus do Mar, que dividiu
o mar e ajudou a escapar dos sanguinários animais.

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Que irritação!

Queria enviar-vos algumas fotos das manifs de ontem, mas a lentidão da Internet nos locais onde tenho tentado aceder é simplesmente exasperante, por isso fico-me apenas pela intenção.
Um bom fds para todos.

Compras de última hora

Estou quase de regresso e por isso não tenho tempo de comprar mais presentes para o governo. No entanto, não podia deixar de levar estes berlindes, na esperança de que os nossos queridos governantes se entretenham a brincar com as bolinhas e deixem de chatear os portugueses. Ou então vão brincar aos médicos, aos polícias e ladrões, ao que vos aprouver mas, por favor, desamparem a loja e deixem-nos em paz, ok?

O ferro eléctrico


O ferro eléctrico foi uma invenção ainda do século XIX (1885), mas nessa época eram poucas as casas com energia eléctrica, pelo que só se popularizaram no século XX.
Em Portugal, até meados do século XX, o ferro de brunir GALO que a imagem reproduz era ainda muito utilizado.

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Ó Barroso, vai-te catar!

O senhor Barroso está muito preocupado com a Roménia, que acusa de violar as leis e a Constituição. O malabarista tuga, ex servo de Bush e Blair, fugitivo da Tugalândia - que abandonou para agarrar um tacho em Bruxelas- devia preocupar-se também com a violação da Constituição portuguesa pelo governo dos seus compinchas laranja. No entanto, como Relvas está a preparar o seu regresso a Portugal para ocupar o lugar de Cavaco em 2016, Durão Barroso faz de conta que em Portugal está tudo bem. 
Aqui, também não, mas sempre se respira melhor e fede menos.

Procuro, mas não te encontro...


Desculpem lá, mas tenho tentado encontrar na imprensa uma referência, uma opinião, uma posição deste senhor sobre qualquer assunto, mas não encontro. Será que emigrou? Demitiu-se? Está de férias? Ou estará em reflexão para decidir se entra para o governo, como já aqui alvitrei há meses?
Se alguém me puder informar do seu paradeiro, agradeço.

Lembranças de férias para o governo(8)

Comprei esta bola de cristal para o senhor presidente do conselho, porque me disseram que ele se queixou de não ter uma.
Aviso-o desde já, senhor Pedro, que esta é das boas, por isso, não se assuste quando a consultar. É que ela vai mostrar-lhe um país devastado, com um exército de desempregados e famintos e esse país não é a Grécia, é Portugal! 
Bem, todos os portugueses que não se movimentam na esfera do governo já sabem há muito o futuro que os espera, graças à teimosia, incompetência por Vocelência alardeada. O senhor será por isso o último a saber mas, se tivesse confiado  no que toda a gente lhe dizia, tinha-me evitado esta despesa num presente inútil para qualquer pessoa com dois dedinhos de testa.

Reflexões em tempo de férias

Desde que saí de Portugal, nunca mais ouvi falar da Grécia! Será distracção minha,  a crise grega está resolvida, ou a Grécia só existe mesmo no mapa de Portugal para efeitos comparativos das nossas desgraças?

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Claro que não...

Os americanos não tiveram nada a ver com os atentados de hoje em Damasco, pois não?

Lembranças de férias para o governo (7)



Andei à procura de um bocado de seriedade, honestidade e dignidade para oferecer ao Miguel Relvas mas, por todos os locais onde passei, sempre me informaram que só tinham disso para Homens. Vai daí, resolvi comprar-lhe estes biscoitos.
Se ele não gostar, o meu Bobby come.

Vai uma Pizza?



A Pizza foi inventada em Itália, mais propriamente na cidade de Nápoles. Mentira!
Quem inventou a Pizza foram os egípcios, muito antes de andarem à bordoada na praça Tahrir para correr com o Mubarak e convencerem os europeus ingénuos que havia uma Primavera Árabe.
 Dizem os entendidos que foi há seis mil anos, mas há outros se calhar ainda mais entendidos, que dizem que os inventores da  pizza foram os gregos em tempos menos recuados.
Todos se põem de acordo, porém, quanto à sua entrada em Itália. Entrou pelo sul e tornou-se um alimento popular nas classes pobres. Os napolitanos, um bocadinho, mais endinheirados, acrescentaram à mistura de farinha e água tomate e orégãos e os que tinham ainda mais recursos, adicionaram-lhe queijo.  Depois dobravam-na e comiam-na como se fosse uma sanduíche. 
Então a pizza não foi sempre redonda? Nããã! Só começou a ser redonda em 1889, quando alguém confeccionou  uma pizza com ingredientes mais ricos e a ofereceu à rainha Margheritta. Por ignorância, ou outro motivo qualquer, a rainha não a dobrou e comeu-a mesmo assim. 
Então não era suposto que esta rubrica fosse sobre o século XX?- pergunta outro  leitor. Era e é- respondo eu. 
A razão porque a incluo aqui deve-se ao facto de a Pizza sóter chegado ao conhecimento dos americanos em 1905. Levada por italianos, claro. Os americanos gostaram e, como são muito engenhosos e dados ao negócio, logo  se encarregaram de arranjar uma variegada série de ingredientes para a tornar mais rica. Daí às cadeias de fast food foi um instantinho, como sabem. É bom não esquecer que a sociedade de consumo  teve origem na terra do tio Sam...

Falta dizer que os Calzone, que por cá se popularizaram, afinal mais não são do que as pizzas originais.
Depois deste arrazoado digam lá se o Alvarinho não é um tipo de visão, quando fala em exportar pastéis de nata!

terça-feira, 17 de julho de 2012

Os espanhóis não lhes dão descanso...


Em Espanha as manifestações dos funcionários públicos são diárias e o Parlamento está sob escolta, para evitar distúrbios. A manif oficial dos funcionários públicos- que se prevê grandiosa- está, porém, marcada apenas para a próxima quinta-feira. Será uma das mais de cem manifestações previstas até final da semana, em protesto contra as medidas de austeridade anunciadas por Rajoy

Foi assim, não foi?

Se bem percebi, durante um curto debate na RTP Internacional, os juízes do TC consideraram inconstitucional o corte de subsídios a funcionários públicos e reformados mas, em defesa dos interesses do país, não exigem que o governo restitua os montantes roubados em 2012.
Ou seja, é como se um tribunal acusasse um grupo de assaltantes de caixas multibanco, mas não exigisse a devolução do dinheiro, para defender os direitos adquiridos pelos criminosos.
Ao que me parece, o TC também admite que os cortes deixarão de ser inconstitucionais, desde que sejam aplicados a todos os portugueses. Terei percebido bem? Para o TC o crime deste governo reside no facto de ter apenas roubado os funcionários públicos e não todos os portugueses?
É que se assim for, talvez um grupo de assaltantes de caixas multibanco possa ser absolvido dos seus crimes, se se dedicar também a assaltar gasolineiras, supermercados, estabelecimentos comerciais, bancos e residências particulares. Daí, o que recomendo aos criminosos é que não se especializem e optem por ser generalistas...
ADENDA: Obrigado à Teté pelo esclarecimento que fez no comentário ao meu post sobre a licenciatura de Relvas. Não tinha percebido que a pouca vergonha da licenciatura era tão grande! Fui procurar melhor na internet e parece que o homúnculo só fez 4 cadeiras! Agora, a minha pergunta, é: o que terá recebido a Lusófona ( ou o seu Reitor...) em troca? E, já agora, como estão a reagir os alunos da Lusófona?

Lembranças de férias para o governo (6)

Esta cinta adelgaçante é para a Assunção Cristas. Já repararam como ela engordou desde que foi para o governo? Não precisa de agradecer! Este presente é um bocado egoísta... Eu prefiro o seu look pré governação, sabe?

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Que fedor!

Ontem, depois de escrever o post sobre Andrea Fabra fui à Internet ler os vossos comentários das duas últimas semanas. Antes de me deitar voltei, porque não resisti a saber notícias sobre Portugal.  Que fedor!
Não é que tenha ficado indignado com a licenciatura de Relvas...Como já afirmei em relação a Sócrates o problema não reside no facto de Relvas ter ou não uma licenciatura ( conheço vários casos de licenciados que compraram os diplomas a prestações com passagens administrativas e andam por aí a exercer diversas profissões). O problema é uma lei que encara as universidades privadas como um negócio que se abre com mais facilidade do que uma mercearia, onde alguns alunos são explorados com o pagamento de propinas altíssimas e outros recebem favores de Reitores e Conselhos Científicos que lhes oferecem cursos na expectativa de receberem posteriormente as respectivas compensações.
 O problema é uma figurinha da estirpe de Relvas  integrar um governo e ainda ter o apoio do PM depois de ter mentido na AR, ter comportamentos indignos, condenáveis em qualquer cidadão, e estar envolvido em diversas situações pouco claras. 
Já aqui escrevi, diversas vezes, que Passos Coelho não demitirá Relvas, porque não pode. O PM é uma marionette fabricada por Ângelo Correia e manipulada por Relvas. Se cortar os laços com o seu manipulador deixa de existir...
O que provoca o fedor das notícias sobre Portugal é o jogo obscuro de interesses  presente em todas as notícias que leio na imprensa on line.Um grupelho assaltou o poder e, com a conivência do PR, transformou Portugal num feudo, manipulou as instituições e destruiu a democracia para salvaguardar o seu futuro.
Adenda: Não fui ler o Delito de Opinião, para confirmar se aqueles que tanto se indignaram com a licenciatura de Sócrates, escrevendo inúmeros posts com chistes sobre o ex- PM e exigindo a sua demissão, manifestam a mesma indignação perante o caso de Relvas. No entanto, sabendo que alguns dos membros daquele blog vivem à custa de Relvas e do erário público, é natural que  por lá permaneça o silêncio. Não se morde a mão de quem nos dá de comer, não é verdade, Pedro Correia, João Carvalho e (alguma) Cª?
Adenda 2: Em Madrid, as manifestações de funcionários públicos continuam. Hoje, cortaram a Gran Via e ocuparam a majestática Praça Cibelles

Aula prática de Economia




O FORD T era um carro caro mas, mesmo assim, o número de pedidos era inusitado. O tempo necessário para o fabricar - mais de 12 horas- dificulta a satisfação de muitos pedidos, mas em 1908 Henry Ford, num passe de mágica, engendra a solução: aumenta os salários dos trabalhadores de 2 para 5 dólares diários e cria a linha de montagem contínua. Consegue produzir um carro em cada 93 minutos e reduzir o preço para metade. Estava dado o mote para "Tempos Modernos" de Charles Chaplin.
Um século depois, os políticos pensam que reduzir os salários é a solução para aumentar a competitividade ( ou a competividade, como gosta de dizer o nosso Álvaro de Vancouver). Não sabem nada de História e não percebem um chavo de Economia.

Lembranças de férias para o governo (5)

 Para o Paulo Portas, comprei o Action Man. Pode ser que assim o homem pare quieto e deixe de emitir tantos gases com efeito de estufa, desperdiçados nas múltiplas viagens de avião.
Se não gostar, pode trocar por dois submarinos...

domingo, 15 de julho de 2012

Que se joda Andrea Fabra




Chego a Barcelona na manhã de sexta.feira. Há quase duas semanas que não vou à Internet, não leio jornais nem vejo televisão mas, no caminho até ao hotel, fico a saber que durante toda a semana houve manifestações diárias nas principais cidades espanholas em protesto contra as medidas do governo e que Madrid esteve a ferro e fogo na noite de quarta-feira, com a manifestação dos mineiros.
Chegado ao hotel tomo um banho e estendo-me na cama para repousar um pouco. O apelo do televisor é irresistível e preparo-me para regressar ao mundo real.  Ouço as notícias da manhã. Grande escândalo provocado pelas declarações de uma deputada do PP (Andrea Farba) que, referindo-se aos desempregados no Parlamento terá dito “ Que se jodan!”
A deputada diz que se referia aos deputados socialistas e não aos desempregados, mas isso não evitou novas manifestações populares ( estão a decorrer no momento em que escrevo, pelo menos em Madrid e Barcelona). 
As imagens que vejo na televisão mostram Madrid pejada de militares e polícias. Há notícia de dezenas de detenções.
Um canal de televisão exibe uma canção feita por um cantor espanhol, em resposta à deputada popular  e que não resisto a partilhar convosco: 
“Que se joda Andrea Fabra” ( clicar para ver o video)
Agora vou comer umas tapas no Bairro Gótico e depois talvez ganhe coragem para ir até à Net saber notícias de Portugal.

sábado, 14 de julho de 2012

Prato do dia

Hoje, ao almoço, comi "conejo al ajillo" para celebrar. Nem imaginam como me soube bem! É que, ou muito me engano, ou o coelho  de Massamá está metido numa grande alhada...

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Outros voos

1903 foi um ano marcado pelo voo dos irmãos Wright, mas nas estradas ira surgir uma grande vedeta que, mais de um século volvido, continua a ser um ícone: a Harley Davidson voa sobre o asfalto.

Lembranças de férias para o governo (4)

Ainda pensei oferecer-lhe o coração que ontem comprei, mas o problema de Pedro Mota Soares não é de coração. Basta ver aquele aspecto macilento, para se perceber que o problema é mesmo do fígado. Se fizer o transplante, vai ficar  uma pessoa melhor.

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Sabem o que é realmente chato?

É anoitecer demasiado cedo para o meu gosto...

Grande máquina!

Em 1907, surge nos EUA a máquina de lavar roupa, recebida com entusiasmo pelas donas de casa.
Até aos anos 80, em Portugal, a máquina de lavar roupa era apenas acessível a um reduzido número de famílias.
Então como se lavava a roupa antes das máquinas de lavar?- perguntarão alguns leitores mais jovens. Simples... Era assim

Lembranças de férias para o governo (3)


Como o preço dos corações está pelas ruas da amargura, só arranjei dinheiro para comprar um. Depois de muitas hesitações, decidi oferecê-lo a Vítor Gaspar. Ele até não é má pessoa, precisa é mesmo de um coração novo. Ainda pensei oferecê-lo a Paulo Macedo, mas esse tem corações à borla lá na MEDIS, por isso se ainda não tem um decente, é mesmo porque não está interessado.

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Digam-me que não é verdade, por favor!

Tenho andado muito ausente das notícias vindas de Portugal. É uma opção deliberada mas, infelizmente, não totalmente conseguida. Hoje ouvi uma conversa que, espero, não seja verdade. Que o governo continue a distribuir prebendas pelos seus correligionários, ofertando-lhes lugares em conselhos de administração de empresas públicas, não me espanta. A apregoada honestidade de processos proclamada por PPC sempre foi uma ficção da comunicação social e de alguma blogosfera acoitada nos gabinetes ministeriais. Mas, se for verdade que José Luis Arnaut foi  nomeado para adminsitrador da REN, então estamos mesmo perante um caso de desaforo inqualificável. E não me venham dizer, uma vez mais, que é uma empresa privada e o governo nada tem a ver com isso 

O sabor dos pequenos almoços

Em 1906,os pequenos almoços passam a ter outro sabor, com o aparecimento dos corn flakes, originários de Inglaterra. A partir dessa data, quem diz cereais, diz... Kellogg's. 

Lembranças de férias para o governo (2)

Para a Paula Teixeira da Cruz comprei esta cabeleira. É altura de sair em defesa das loiras e demonstrar que não é por ter os cabelos pintados de loiro que a mulher diz tantos disparates. Aquilo é mesmo genético!

terça-feira, 10 de julho de 2012

Lembranças de férias para o governo (1)

Tenho andado a comprar algumas lembranças de férias para oferecer aos membros do nosso governo. Comecei por comprar dez mioleiras.  Parece-me que uns miolos fazem sempre jeito a qualquer governante. Eu sei que os membros do governo são 12  mais o apêndice do Borges, mas só comprei 10 porque:
- Não ofereço presentes aos apêndices
- Pedro Passos Coelho não precisa, porque tudo o que se enxerte naquela mona é rejeitado
-Álvaro Santos Pereira nunca perceberá a utilidade de miolos. Pensa que a mioleira é para ser comida no prato com ovos mexidos. Se quiser uns miolos, vá comprá-los ao Canadá.


Os dias da rádio



Em1906, ano em que a cidade de S. Francisco é abalada por forte terramoto e o Vesúvio entra em erupção, a noite de Natal vai ficar para a história da Humanidade: é nessa noite que, inesperadamente, nasce a rádio. A bordo de um barco, ao largo da costa de Nova Inglaterra, a tripulação escuta, atónita, um excerto do Evangelho de Lucas e uma gravação de Händel, acompanhada pelos votos de um Feliz Natal. O autor da proeza é Reginald Fessenden, um  canadiano que há muito sonhava com a proeza.
O estrondoso êxito da rádio, que haveria de marcar gerações ao longo do século, começa numa fria noite de Natal, mas aquecerá o Planeta durante décadas. Até ao aparecimento da televisão.
Por falar nisso... quem nunca teve um aparelho destes, ou é muito jovem, ou andou perdido na vida!

Perguntar não ofende

Funcionários públicos e reformados não receberam o subsídio de férias. Alguém me sabe dizer se o Tribunal Constitucional já legalizou o roubo e perdoou os violadores da Constituição em nome do interesse nacional?
Vá lá, senhores juízes. Sabemos que a (in)justiça é lenta, mas não vale a pena demorarem tanto tempo a decidir de acordo com a vossa douta consciência patriótica. Será que vos pesa a consciência, ou estão à espera que o governo anuncie novos cortes para depois aprovarem tudo por atacado?

segunda-feira, 9 de julho de 2012

A verdadeira, a legítima, a da Bayer



No princípio só havia uma: a verdadeira, a legítima, a da Bayer. Servia para combater as constipações, as dores de cabeça, baixar a febre e pouco mais. Agora, este medicamento comercializado em 1905, serve para tudo. Até para evitar enfartes. Dizem que misturada com Coca Cola, a Aspirina  tem efeitos mais psicadélicos, mas não vos aconselho a experimentar. Et pour cause, vos confesso que já experimentei... mas não voltarei a experimentar!

A depressão explicada aos jovens


Quando era miúdo, a depressão era “uma coisa” cuja localização, em relação aos Açores, determinava o estado do tempo. Depressão e anticiclone, tornaram-se desde então vocábulos familiares e era com profundo gozo que, por diversas vezes, anunciava aos amigos que a previsão do Anthímio de Azevedo, ou de um seu companheiro de profissão, estavam erradas, já que pelos meus conhecimentos de Meteorologia, adquiridos entre leituras do José Mattoso e sebentas do Soares Martinez, poderia adivinhar, sem receio de erro, que o estado do tempo, no dia seguinte, seria contrário aos que as previsões meteorológicas anunciavam.Acreditem ou não, ganhei assim muitas apostas que delapidei em noites de copos no Stones e AdLib ( as voluntaristas discotecas da moda nos anos 60) e fugazes surtidas ao “Caruncho”, para as bandas do Lumiar, apenas frequentada por alguns “experts” da noite lisboeta.
O mundo deu muitas voltas desde esses miríficos anos 60. Depois do 25 de Abril, a depressão passou a fazer parte do nosso léxico como uma doença dos tempos modernos, o anticiclone ( nos anos 60 de localização previsível, de acordo com as estações do ano) iniciou-se nas danças dos Alunos de Apolo e passou a vaguear pelas estações do ano, como qualquer meretriz passeia pelos bordéis da vida.E eu? 
Eu passeei-me pela vida, prevendo o futuro em “five o’clock teas” em Londres, “brunches” em Washington, “dulces de leche” ingeridos gulosamente aos sons do tango tocado nas ruas de San Martin, em Buenos Aires, ou na mira de encantar sereias nos “fiords” na Escandinávia... e ainda tive tempo para pressentir “in loco” o descalabro dos Balcãs, os efeitos da queda do muro de Berlim, ou prever o sucesso do “porco preto”, em terras lusas, depois de uma viagem à Papua Nova Guiné.
O meu erro, foi pensar que este meu sentido premonitório duraria a vida inteira. Assim fosse, e ainda hoje estaria no doce remanso de Macau, usufruindo os prazeres do Oriente, entre poemas de Pessanha e o doce convívio com uma chinesa, ex-concubina numerada, que me falava de Confúcio ( que à época alguns portugueses aí residentes confundiam com uma marca de preservativos). Mas errei e, recorrendo ao privilégio de que apenas os incautos podem usufruir, decidi regressar a Portugal, num fim de tarde em que o panorama que desfrutava da esplanada do Bela Vista se tornou demasiado curto para mim. 
Ao princípio, confesso, o prazer de reviver locais noutros tempos frequentados, foi atenuando a mágoa do regresso. Em breve, porém, descobri que Portugal já não era mais do que “O país reinventado” que fui construindo nos tempos em que me tornara emigrante. E, de um dia para outro, descobri outro significado da palavra “depressão”.Hoje em dia, significa um País onde impera a Lei do “salve-se quem puder” e , quando olho o Atlântico a partir das praias do Guincho, já não vislumbro caravelas em busca de novos mundos, mas um mar triste e sem segredos. Aquele meu “País Inventado”, copiado das leituras de Isabel Allende, já não existe porque nele se acotovelam, como num mar esqualídeo, a lixa e a lixinha -da –fundura, lado a lado com o galhudo e a sapata, num frenesim de auto destruição. Como acontece no fundo daquele mar, neste País que reinventei a partir das lonjuras do Oriente acotovelam-se oportunistas, carreiristas, dirigentes feitos à pressa com créditos bonificados para aquisição de habitação própria, e políticos de vão de escada, navegando em “limousines”, ou acumulando milhas para o Qualiflyer em viagens aéreas sem sentido, e uma massa imensa e disforme de pequenos irmãos Metralha apenas preocupados em enriquecer a qualquer custo e desprovidos de qualquer lisura, ou noção de cidadania. O consumismo atascou-os em contos de Aladino com lanternas mágicas por inventar, em Botas de Sete Léguas sem solas para caminhar, em “Casas de Chocolate” que se derretem no momento em que o dardejar dos primeiros raios solares da inveja atinge as suas janelas.
 Percebi, depois de várias voltas ao mundo, que quis regressar a um País de Contos do Fantástico, onde mais vale ser Tio Patinhas dos analistas económicos , Cinderella de revistas cor de rosa, ou Capitão Gancho nas primeiras páginas dos tablóides do que um dos honestos Três Porquinhos. Descobri isso ao acordar e percebi o verdadeiro significado da palavra “depressão”. Aguardo, ansiosamente, a chegada do anti-ciclone.

domingo, 8 de julho de 2012

Doutorado em cubanês


O que eu tenho a dizer aos “doutorados” em sociologia e política cubana, é apenas isto:
Madrugada de um dia qualquer . Como acontece todas as semanas, ao alvorecer de um dia qualquer, centenas de portugueses aterram na Portela, provenientes de Cuba.
A maioria não vai a Cuba passar férias só porque é barato. Vai para poder dizer mal de Cuba e de Fidel quando regressa. A maioria passa cinco dias numa estância balnear - em estabelecimentos tão atípicos e assépticos como os de outra estância balnear qualquer - e um dia em Havana, mas quando chega a Portugal já se sente um especialista habilitado a falar sobre os horrores de Cuba, a miséria do seu povo e as atrocidades de Fidel Castro. Quando lhes perguntamos se sabem como era a Cuba antes de Fidel, sob a ditadura de Fulgêncio Baptista, alguns respondem com um encolher de ombros e outros mais “letrados” olham-nos com um ar de desprezo e atiram:
-Quero lá saber o que se passou em Cuba no século XVIII?
( Perante tanta ignorância,o melhor é engolir em seco e mudar de conversa...)
Quem esteve mais do que um dia em Havana- com pouco mais tempo do que para trazer de recordação um exemplar do “Gramma”- e num arrojo destemido deu um salto a Cienfuegos - sente-se já detentor de um Mestrado em História e Sociologia Cubana. Esquece-se que Cuba vive um embargo selvagem imposto pelos americanos há meio século, mas tem bem presente na memória o medo que viu estampado em cada rosto e comoveu-se com a miséria , a falta de hamburguers, telemóveis e outras maravilhas da tecnologia que há meia dúzia de anos lhe eram desconhecidas e cuja necessidade nunca reclamaram, até ao momento em que a sociedade de consumo lhos serviu em bandeja de prata, com a mesma volúpia com que Satanás tentou Cristo.
Curiosamente, estes portugueses não se sentem condoídos com os dois milhões de portugueses que vivem no limiar da pobreza. Preferem chamar-lhes malandros e acusarem-nos de não quererem trabalhar. Porque cá- afirmam- ao menos vivemos em liberdade!
Mas se quer conhecer o relato de um turista depois de uma visita a Cuba, não deixe de ler isto

sábado, 7 de julho de 2012

Por este Rio acima (3)



Ainda me lembro de o Rio de Janeiro ser uma cidade com um nível de vida acessível para os portugueses. A comida era barata e abundante, encontravam-se hotéis razoáveis a um preço longe de ser exorbitante, as despesas com habitação perfeitamente suportáveis. Se o leitor tem a mesma opinião, esqueça! Hoje em, dia, o Rio de Janeiro deve ser uma das cidades mais caras do mundo.
A alimentação é caríssima ( pois, eu sei, há sempre  as lanchonettes ...), se quiser arrendar um apartamento vai abrir a boca de espanto com os preços que lhe pedem e o vestuário- sempre foi caro para os nossos padrões- está quase ao nível de Paris ou Londres.
Leblon (RJ)

Portanto, se está a pensar vir até ao Rio de Janeiro, o melhor é preparar-se para um rombo na conta bancária. E não pense que é muito melhor noutras zonas do Brasil. Na praia do Inglês ( junto a Maceió), em Maragoggi , ou na minha muito amada Praia dos Carneiros, por exemplo, há 10 anos o custo de vida era bastante aceitável para os nossos padrões. Agora os preços dispararam vertiginosamente e fica difícil, mesmo no Inverno, encontrar alojamento a preços razoáveis.
Mas nem toda a gente pensa assim... uma amiga que recentemente esteve em Angola até considerou os preços módicos, pois em Luanda pagou quase 50€ por um bife com batatas fritas, uma garrafa de água e um café. Num restaurante mediano, afiançou-me...

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Jukebox


No ano do domingo sangrento de S. Petersburgo e da apresentação por Einstein da Teoria da Relatividade (1905), os "blues" fazem a sua aparição com grande sucesso nas cidades americanas. Precisamente no ano em que é lançada,nos E.U.A., a "juke-box". Era o começo das discotecas.
Vocês nem imaginam o dinheiro que eu gastei nestas geringonças para ouvir a Françoise Hardy!

Bom Povo Português


"Hoje o povo está indolente, indiferente, adormecido. Nada o abala:deixa-se levar sem querer saber a cor da onda que o leva.Tem a inteligência esterilizada, tem o coração arrefecido, tem a consciência entorpecida,  tem as mãos afrouxadas. A tradição não o comove, as esperanças não o sobressaltam. Dúvida. A dúvida amolece, dissolve os poderes da alma. Ele não vê, não ouve e não sente.Tem para os movimentos do mundo oficial um olhar frio; para o som dos sistemas das questões, das ideias que se debatem,, ouvido ensurdecido: vai levado sem curiosidade, sem oposição.
Move-se lentamente no seu torrão fecundo debaixo do sol fortificado, entre uma bela Natureza, trabalhando um pouco, olhando às vezes, não pensando nunca. Vê fazer e desfazer governos com uma despreocupação soberba; quando morre alguém que o afaga, chora dolorosamente. Dedica-se raras vezes, mas tem a caridade do instinto e a bondade dos simples. As  feições deste tempo não as tem: não tem a indignação, o entusiasmo, a ira, a actividade, o desprezo; tem só a indiferença. Vê oscilar as instituições tão desprendidamente como se visse bulir as folhas das árvores. Poderá conhecer por tradição o zumbido das balas, mas não conhece decerto o murmúrio das ideias.Este povo, assim, é o deserto dos homens.Os seus direitos podem ser violados, as suas garantias cerceadas, a sua liberdade assassinada, eu não sei se levantará a cabeça do seu trabalho para suspirar sequer.
Não tem fé na sua própria acção. Inactivo, silencioso,passa a vida sem ter adorado o direito ou beijado a justiça.
Nos campos, nas fábricas, nas minas, nas cidades, nas vilas, sempre completa, amolecedora, a mesma terrível indiferença.
E é culpa dele? 
Não. Ele tem nobres instintos, alma delicada, inteligência clara,vontade robustas;mas está adormecido, no sono frio e lento da ignorância; não o ensinam, não o alumiam,não há quem levante a voz por ele, quem lhe deixe cair na alma as ideias do bem, da justiça, da igualdade. Não há quem lhe mostre a fenda da jangada que nos arrasta, e lhe diga: a onda que nos leva é negra, nós queremos que seja verde, cor da esperança.
É necessário dizer-lhe que a união é muito e a acção é tudo


(…………………………………………………………………………………………)
A felicidade do povo está na vontade do povo. Ora a desunião e a inação matam a vontade.Isto tanto nas grandes crises das nações, como nas pequenas questões dos municípios.
Ninguém virá trazer ao povo o seu bem-estar se ele não o for procurar pela ordem moral e social. O povo é o coração da Pátria: a indiferença do povo é a morte da Pátria.Se nós a abandonamos, quem vai velar por ela? Virá um dia uma nação estrangeira apanhá-la e cosê-la , como um farrapo, ao seu território. O povo tem grandes instintos, mas mas pode fortalecê-los pela união e pela acção. Só assim serão fecundos.O homem que se deixa adormecer numa estrada infestada poderá amanhã acordar roubado e nu. E a Europa, mais do que nunca, está numa floresta perigosa.
União e acção: a vitória nunca se aproxima dos que se desunem, a justiça nunca se aproxima dos que adormecem."

( Eça de Queiroz, jornal Districto de Évora, 13 de Janeiro de 1867 cit na colectânea  A Pátria dos Abusos, que reúne os seus artigos publicados naquele jornal entre 10 de Janeiro e 18 de Julho.)
Sublinhados meus

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Nação valente!



O tuga é uma sub-espécie do português que se caracteriza pela sua valentia.
Bate nas mulheres e, se possível, mata-as.
Na estrada anda constantemente a soltar impropérios para o condutor que segue à sua frente na auto-estrada a 130kms/hora. Exige que ele vá ainda mais depressa, para não lhe barrar o caminho.
Na repartição de finanças, agride o funcionário que está a cumprir a lei.
No Hospital, insulta a enfermeira que não o coloca à frente de todos os outros, porque é uma incompetente e ainda não percebeu que o seu caso é o mais dramático na sala de espera.
Quando o governo lhe retira todos os direitos e rouba os subsídios de Natal e férias, resigna-se e ainda insulta os portugueses que fazem greve ou se manifestam nas ruas contra a política seguida.
O tuga  está-se nas tintas para a democracia. Troca-a por dinheiro que lhe permita ostentar aquilo que possa provocar inveja ao vizinho. O tuga é um miserável. Cheira mal da boca. Morra o tuga. Morra! Pum!

A garrafa termos

Foi em 1896 que um escocês descobriu os efeitos térmicos da liquefação dos gases. Infelizmente para ele, nunca percebeu bem a utilidade da sua descoberta fora dos laboratórios científicos.
Mais pragmáticos, os alemães descobriram o filão  e criaram a garrafa termos, objecto indispensável nos picnics para manter o café quente, ou os sumos frios.

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Bichos da seda

 Muito antes de nos impingirem a junk food e os transgénicos, já os americanos tinham substituído os bichos da seda pelo rayon. Foi em 1901 que a seda natural ganhou um glamour artificial. Mais ou menos como o sorriso de Christine Lagarde

Saudades de Portugal?



Não, não tenho. Duvido mesmo que algum dia venha a ter. Querem saber porquê? Então aqui vai...
Portugal não é apenas esse país exótico que inventou os PIN para viabilizar projectos turísticos, comerciais  ou industriais  em áreas protegidas, ou  altera um PDM num piscar de olhos, para proteger a actividade de um sucateiro cuja influência pode ser importante no resultado eleitoral de um concelho recôndito.
Portugal é o país do “jeitinho”, do “empenho”, ("ó sr doutor, se me arranjasse qualquer coisa ao miúdo que anda há dois anos ao alto sem  conseguir trabalhar… Obrigado stôr"), onde (quase) ninguém já acredita ser capaz de mostrar o seu valor se não tiver um encosto, um padrinho, uma “cunha”.
Mas Portugal é, também, um dos países europeus onde os cidadãos mais fogem ao cumprimento dos seus deveres fiscais, utilizando as mais imaginativas artimanhas para iludir o Fisco.
Em Portugal, não é só o merceeiro que rouba no peso do fiambre. Também o médico ou o advogado evitam passar recibo sobre os seus serviços e, quando lho exigem, vai de carregar sobre o preço da consulta. No final de uma refeição num restaurante, há sempre um  empregado solícito que pergunta: deseja factura?
Quando pedimos a um electricista, um canalizador, ou um carpinteiro algum serviço em nossas casas, a pergunta sacramental, antes de fazerem o orçamento, é: quer recibo?  Ou seja, quer que lhe ponha mais 20 por cento de IVA  na conta?
Claro que o português não quer, por isso responde logo: não, deixe lá isso!
Portugal é o país onde a  Segurança Social detectou, nos últimos meses, 80 mil infractores. Ou seja, 80 mil cidadãos que se locupletaram indevidamente com quantias que não lhe eram devidas, pagas por todos nós. Baixas fraudulentas, gente a receber subsídio de desemprego, enquanto trabalha noutro local, ou está a  gerir o seu boteco.
Portugal é o país onde pessoal ligado à saúde se reúne em organização mafiosa para perpetrar diversos crimes, lesando o SNS que, supostamente, está  a servir.
Portugal é o país onde o dono de um banco oferece ao PR a oportunidade de ganhar dinheiro como nenhum outro cidadão, leva o banco à falência e, enquanto os portugueses pagam os prejuízos, continua a viver como um nababo à espera que os crimes prescrevam.
Portugal é o país do Dias Loureiros, do Oliveira e Costa e do Duarte Lima, amigos de um PR que comete perjúrio violando a Constituição da República.
Portugal, meu Deus, é o país onde o Relvas é ministro e um Coelho ocupa o cargo pago por todos os cidadãos, com o único objectivo de rasgar a Constituição.
Portugal é o país onde a alta finança se move tranquilamente em off shores, a banca está sempre sob suspeita e as gasolineiras aumentam o preço dos combustíveis quando desce o preço do petróleo.
Resumindo: somos um país de vigaristas!
Perante este panorama, espanto-me quando vejo  os portugueses obcecados e deprimidos  com a ideia de um Conselheiro de Estado ser um troca-tintas ou de um PM ter metido a mão na massa de um “outlet”.
Mas afinal não são os nossos governantes portugueses? Não pertencem eles ao povo e à oligarquia de interesses de um Centrão que governa o pais há mais de 30 anos, retribuindo-se favores e prebendas, partilhando salomonicamente os cargos decisórios?
O Centrão lembra-me, com inusitada frequência, o comportamento de duas famílias  que lutam pelo poder de uma região. Convivem alegremente nas festas de casamento entre membros dos clãs, fazem discursos elogiando o significado daquela união, mas vão ao funeral dos membros da família adversária com aquela doce sensação de que ganharam mais poder com o seu  enfraquecimento.
Perdem a compostura e sacam de naifas ou revólveres, para eliminar o adversário, no momento em que a conquista de uma posição favorável no tabuleiro de xadrez depende de uma ida às urnas. Encarniçam-se, fazem jogo sujo, mas unem-se para alertar os seus súbditos que a luta se limita aos dois clãs.
Sinceramente, não tenho pachorra para tanta mesquinhez. Estou fora deste filme, porque quando se trata de lutas de “famiglia”, prefiro o recurso ao DVD, para  ver os requentados episódios de “La Piovra”
Parafraseando um  “graffitti” na cidade do México, onde se pode ler  “Basta de realismo, queremos promessas!”, apetece-me dizer:
Basta de telenovelas noticiosas, queremos saber o fim da história!

terça-feira, 3 de julho de 2012

Prova de vida: é uma questão de t€mpo...


Passaram mais de duas semanas desde que deixei o vosso convívio. Embora de quando em vez consiga   uns minutinhos para escrever um post e para vos visitar, tenho-o feito sem deixar marcas nas caixas de comentários. Não é um problema de tempo. É mais de t€mpo, porque a Internet é cara e não dá para distracções…
Permitam-me, por isso, que exprima aqui o meu agradecimento a todos os que me continuam a visitar aqui e na filial e a deixar os comentários que tenho lido com toda a atenção. Utilizo também o CR para desejar a todos os leitores que este fim de semana iniciaram as férias uns dias magníficos. Desfrutem e voltem revigorados.
Dentro de duas semanas, embora ainda ausente, terei mais facilidade de acesso à Internet e recomeçarei a deixar sinal da minha presença nas vossas caixas de comentários. Até lá!

Ó Abreu, dá cá o meu!



Portugal tem 10,3 milhões de habitantes.
A população activa ( empregados, empresários, aprendizes, estagiários, voluntários,  clérigos, militares e desempregados que estão à procura de trabalho) é aproximadamente de 5,6 milhões de pessoas.
Destes, mais de 800 mil andam à procura de emprego; 605 mil ganham o ordenado mínimo ( 485€); 120 mil ganham abaixo do ordenado mínimo; um número indeterminado ( voluntários) não ganha nada. Fazendo as contas por alto, o número de pessoas que ganham o ordenado mínimo, ou menos- e esse menos é em muitos casos 0€- ultrapassa largamente o  milhão e meio.
No entanto, ó surpresa!, as estatísticas do INE dizem que os portugueses ganham em média 1984 € líquidos!
Fantástico, Melga! Como já escrevi aqui diversas vezes, a estatística é uma ciência soberba, não é?