sexta-feira, 29 de junho de 2012

O (duplo) triunfo dos porcos



Polvos, vacas, crocodilos, elefantes e outros animais como Platini previram que a final do Euro 2012 seria Espanha- Alemanha.
Pelo pouco que fui vendo dos jogos da fase de grupos, fui alimentando a esperança que a final fosse Portugal/Itália. Tal como Platini fiquei pela metade, porque os postes impediram a presença da equipa portuguesa em Kiev.
Não vi o Alemanha/Itália em directo e, quando me informaram do resultado, pensei que tivesse sido um jogo equilibrado. Puro engano!  A Alemanha podia ter apanhado 5 ou 6, como pude constatar na transmissão em diferido que vi horas mais tarde.
Confesso que fiquei muito satisfeito com a derrota dos Berliner Schnitzel. Eles já ganham demasiado com os juros dos países em dificuldades, estava na altura de começarem a perder.
Entretanto, chegam-me notícias de Bruxelas anunciando que Espanha e Itália estão a bater o pé à Merkel, bloqueando todas as decisões da Cimeira enquanto a Frau Angie não ceder às suas pretensões.
Já defendi várias vezes que, se os países do sul se tivessem unido desde o princípio, nunca teríamos chegado a esta dramática situação. Foi preciso Espanha e Itália começarem a sentir a água pelo pescoço, para que alguém batesse o pé à Alemanha.
Poderia ser uma boa notícia…mas à distância não sei se é! Espanhóis e italianos estão apenas preocupados em resolver os seus problemas e borrifando-se para Portugal, Irlanda ou Grécia. Esta atitude  confirma que estes dois países merecem bem pertencer aos  PIIGS. Se fossem decentes, seriam solidários com os seus parceiros. Ou, pensando melhor, talvez não precisem, porque pelo menos Irlanda e Grécia exigirão condições idênticas. Temo é que em Portugal isso não tenha efeitos, porque o coelho é um animal que gosta de ser sodomizado e é bem capaz de pedir para continuar a sofrer.
Coelhos à parte, tudo indica que os PIIGS venceram a teimosia da vaca e uma coisa é certa: o Euro da bola irá disputar-se entre dois PIIGS. Exactamente os mesmos que ( pelas noticias que me chegaram durante a noite)  parecem ter nas mãos o futuro do €uro. Um futuro que não será risonho. Em 2016 poderá haver mais um Euro mas, pelo andar da carruagem, já não haverá €. 
Depois, não digam que não se deve misturar futebol com política…
Em tempo: alguém sabe dizer-me se o Coelho continua a beijocar a Angie?

Sucessos da EXPO


Anda tudo tão preocupado com a crise, ou tão entusiasmado com o Euro 2012 e os Jogos Olímpicos de Londres, que ninguém fala da EXPO- 2012 que este ano se realiza na Coreia ( do Sul, claro, que é que esperavam?). Eu sei que é muito longe, mas a de 2010 foi em Xangai - que também é longe- e foram aos milhares os portugueses que lá se deslocaram.
A que propósito vem esta conversa? - perguntarão alguns leitores/as. E eu respondo:
- Porque me lembrei que foi na EXPO 2004, realizada em St Louis, que os consumidores puderam provar pela primeira uma inovação gastronómica de grande sucesso. Sabem qual foi?
Ora então eu digo-vos. Amanhã...
Pensando melhor,digo-vos já.

Pois é, meus caros amigos... apesar de ser mais ou menos aceite que foram os chineses os inventores do gelado, há mais de três mil anos, vejam lá o tempo que foi preciso para alguém inventar o gelado de cone. Já vos tinha passado pela cabeça que havia mundo antes do gelado de cone? Como é que os nossos bi e trisavós  puderam viver sem esta invenção deliciosa?
Este post  está a ser escrito no dia 15 de Junho mas, mesmo assim, digo-vos que é muito provável que, no momento em que vocês o estão a ler, eu esteja a comer um gelado de cone. Ainda mais provável, é que seja de café e limão. E vocês, que paladares preferem? Ou será que não gostam de gelados de cone?

quinta-feira, 28 de junho de 2012

E depois do adeus

ao Europeu, a vida continua...





Se tivéssemos ficado até à final, sempre se pouparia gasolina e umas emissões de CO2...

O bom aluno

Estou farto de exemplos de bons alunos que chumbaram no exame final. Vítor Gaspar parece ser um deles.  Muito aplicado no estudo do modelo, mas incapaz de analisar as suas variáveis, conduziu os portugueses à ruína, com o alto patrocínio de um coelho cabulão e de um homem do leme que confunde o palácio de Belém com uma marquise da Rua do Possolo.
É essa a diferença entre o aluno inteligente e o aluno marrão. Preferia ter gente inteligente a dirigir o país, do que marrões com vistas curtas.

Onde se fala de Ségolène Royal e Ronald Biggs




Durante uma conversa retrospectiva onde se comparava a Cimeira deste ano com a da 1992, alguém recordou as semelhanças entre a ausência de Bush (pai) e de Obama, como confirmação de que os EUA continuam renitentes em tomar medidas decisivas e peremptórias em defesa do ambiente. 
As conversas são como as cerejas e uma voz feminina lembra a presença de Ségolène Royal, à época ministra francesa  do ambiente. Estava grávida de sete meses e proferiu  uma frase que ficou no ouvido: 
“ Se soubesse que ia ser ministra, teria pensado duas vezes em ter este filho ( o quarto)”
O sultão do Brunei,  na altura o homem mais rico do mundo, que chegou no seu Boeing privado  também foi evocado, mas as gargalhadas eclodiram quando alguém  lembrou a presença no Rio de Janeiro de Ronald Biggs, um dos participante no assalto ao comboio correio de Londres em 1963 , considerado o roubo do século, que à época se dedicava a explicar as dez medidas fundamentais para evitar roubos!
 Hoje com 83 anos e uma saúde muito debilitada que o mantém amarrado a uma cama , poucos recordarão a vida aventureira deste célebre ladrão. 
Conseguiu evadir-se da prisão pouco tempo depois de ter sido condenado, andou fugido à justiça durante mais de 30 anos, mas acabou por se entregar em 2001. Na altura já estava muito doente e a  decisão de se submeter à justiça britânica, ficou a dever-se a um desejo que pretendia realizar: beber uma cerveja num pub inglês.
Condenado a 30 anos de prisão, acabou por ser libertado em 2009 por razões humanitárias. Em Novembro do ano passado apareceu na cerimónia de lançamento da sua biografia. Extremamente debilitado e sem voz, dialogou com a imprensa por meios mecânicos.

Foi por um pi...

Como diria o Catroga, perdemos por um pi...
Custa muito perder assim mas, na lotaria dos penalties, normalmente só ganhamos à Inglaterra. Ambas as equipas  fizeram o que lhes competia para estar na final. Os espanhóis foram mais felizes, os portugueses  foram valentes e lutaram com muita galhardia. Parabéns e obrigado, rapazes!
Agora, só a Itália poderá estragar as previsões a Platini. Forza Italia!
Em tempo: a esta hora o país deve estar mergulhado num silêncio de velório. Não é hora de amolecer. Foi só um jogo de futebol! Utilizem as forças que estavam guardadas para a final naquilo que é verdadeiramente importante. Evitar que o país seja vendido a retalho pelos lacaios da Merkel. 

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Aspirador

 Ora confessem lá...

Seja no formato mais simples, ou mais sofisticado, quem dispensa o aspirador eléctrico, inventado no século XIX, mas que apenas conheceu a sua versão doméstica em 1902?
Eu não...

Portugal fora do Euro, já!


Presumo que esta noite, pela hora do jantar, o país esteja especado diante do televisor, expectante, na ânsia  de ver um remake de Aljubarrota, onde Cristiano Ronaldo reencarnará a figura da padeira Brites e Paulo Bento a de Nun’Álvares Pereira. Se vencermos a Espanha, não faltarão jornais a invocar a reedição da mítica batalha, pelo que me adianto a fazer essa evocação, mas formulando um desejo que  alguns talvez considerem  anti patriótico.
Nunca se começa uma história pelo fim mas eu abro aqui uma excepção,  para vos dizer que espero não ver repetida a História e a selecção portuguesa saia hoje derrotada da peleja com os espanhóis.  Esse meu desejo radica no facto de amar Portugal e assenta num pressuposto que pode não se confirmar, mas encaro como o mais provável: se Portugal  vencer a Espanha terá de defrontar na final a Alemanha que, contrariando  a tradição futeboleira das anteriores edições da prova, derrotará a Itália amanhã, para satisafazer os desejos do senhor Platini, um Sarkozy do futebol, mas sem uma Bruni por companheira de cama. (Recordo que a Alemanha nunca venceu a Itália em jogos do Europeu).
Ora se é verdade que vejo com grande entusiasmo  a possibilidade de Portugal se vingar em campo dos alemães que infernizam a Europa desde 1914, tendo provocado duas guerras – e ansiando por uma terceira, onde a vitória seja alcançada sem disparar um único tiro- temo que esse meu desejo seja refreado pela realidade. Todos os meus pelos se eriçam perante a ideia de imaginar o nosso PM , sorridente, a baixar uma vez mais as calças perante a senhora Merkel e a cumprimentá-la pela justa vitória da selecção alemã, mesmo que Portugal tenha sido roubado em três penalties e tenha visto anulados dois golos mais limpos do que a reputação de Relvas, que Coelho lava com OMO Super. 
Que humilhação pior para o nosso país, do que ver o nosso PM a pedir desculpa à senhora Merkel, se ganharmos, ou a cumprimentá-la efusivamente, se formos derrotados?
Desde 1640 que Portugal não conhecia um traidor à Pátria deste  jaez. Nunca ninguém terá imaginado que  Miguel de Vasconcellos chegasse a primeiro ministro de Portugal, depois de reencarnar   como Pedro Passos Coelho. Eu não quero ser humilhado perante o mundo. Não quero ser apontado  a dedo como súbdito de um file servidor da Hitler de saias.
Embora não possa ver a final do Euro 2012, por estar em viagem à hora do jogo, não suporto a ideia de, na segunda-feira, deparar com fotografias nos jornais, exibindo a confraternização entre o traidor da Pátria e a coveira da Europa. Não conseguiria suportar uma tal afronta, perpetrada por um lambe-botas que nunca fez nada na vida, salvo apascentar-se à sombra dos favores de padrinhos como Ângelo Correia, Miguel Relvas e, agora, de uma terrorista  alemã que espero ver submergida pela sua arrogância e julgada no TPI, por crimes contra a Humanidade.
Se os meus prognósticos saírem furados e no domingo a final for Portugal-Itália, então vou ter muita pena de não assistir ao espectáculo. Seja qual for o resultado, Portugal escapará à humilhação de ver o seu  PM ajoelhar-se perante uma alemã apostada em destruir a Europa, com todo o mundo a ver.
Mas há um pormaior  que convém não menosprezar. Se Portugal se sagrar campeão europeu, PPC aproveitará o dia seguinte para capitalizar os louros da vitória, receberá a selecção com todas as honrarias e, enquanto o povo estiver a celebrar nas ruas, alguém no seu gabinete estará a ultimar o diploma que aplica mais medidas de austeridade a partir do dia seguinte. Eu já conheço de ginjeira a estirpe de quem nos governa! Por isso, o melhor, é que Portugal saia do Euro já!

terça-feira, 26 de junho de 2012

Roubo por esticão

"Quando a cabeça não tem juízo, o corpo é que paga"- cantava António Variações nos idos de 80.
Adaptada a letra ao país e ao tempo actual, bem se pode dizer que quando um naif que nunca  soube o que era trabalhar a sério chega a primeiro ministro, o povo é que paga.
Já toda a gente sabia, há mais de seis meses, que o modelo de Gaspar era um aborto que  aumentaria o desemprego e diminuiria a receita fiscal.  Não é preciso ter andado na Universidade... basta saber fazer contas de mercearia...
Mas para o PM que vive à conta dos portugueses ( ele nunca viveu sem ser à custa de alguém) não há problema. Se o ministro das finanças é incompetente e as contas não batem certo, esmifra-se mais os portugueses. Se eles reagirem ao roubo por esticão, manda-se a polícia arrear.Até um dia!

A Pátria dos Abusos


Eu sei que a notícia tem barbas, mas ainda não tive oportunidade de a comentar e não podia deixar passar  em claro.

Poucos já se lembrarão que o ministro de todas as pastas  mentiu na AR  e  mantém relações íntimas com um ex-espião pidesco.  No entanto isso aconteceu e não se passou nada…
Não pode por isso causar estranheza  que a ERC  tenha  deliberado a "absolvição" de Relvas no caso das ameaças a uma jornalista do “Público” É a lei natural das coisas, como já na altura aqui afirmei. Quem tem amigos não morre na cadeia e Relvas soube pôr na ERC um correligionário do partido e uma amiga do peito, a jornalista Raquel Alexandra. Quanto a Carlos Magno joga sempre por quem ganha, por isso a sua decisão é sempre favorável ao elo mais forte.
Noutros tempos, jornalistas sérios recusar-se-iam a fazer parte desta ópera bufa. Actualmente, é um orgulho prestar favores a amigos e atacar ex-camaradas de profissão. Pronto, está bem, eu sei que Raquel Alexandra não chama camaradas aos outros jornalistas. Prefere chamar-lhes colegas. Se tivesse andado na tropa, ela saberia que colegas são as putas. Muitas também têm amigos no poder. E o Carlos Magno idem, idem, aspas, aspas.
A ERC devia exercer um papel fundamental mas, manipulada que está pelos partidos, é uma inutilidade cara. Substituam os agentes partidários por bonecos articulados. Poupa-se um dinheirão e ganha o jornalismo.
Tenho dito

Um país em crescimento constante?

O Brasil está em grande. É, hoje em dia, um país pujante que se alcandorou ao estatuto de vedeta entre os BRIC e vai manter-se no centro das atenções mundiais nos próximos anos. Terminada a Rio+20, todos os olhares se centram na realização do Mundial de Futebol (2014) e, assim que o evento termine, as atenções voltar-se-ão de novo para o Rio de Janeiro, sede das Olimpíadas de 2016. Há quem já fale, também, na realização de uma EXPO de nível 1 a realizar até 2020. Uma festa constante num país que, liberto da ditadura, encontrou no metalúrgico Lula da Silva a mão certa para o conduzir ao crescimento e reconhecimento internacional.
Dilma Rousseff é cada vez mais admirada pelos brasileiros, mas nem todos lhe reconhecem o rasgo de Lula da Silva, para continuar a projectar o país no exterior. Outros, quiçá mais pessimistas, temem que a seguir a este período de ouro cheguem dias difíceis. Não são raros os que apresentam Portugal como exemplo de um crescimento que resultou em "flop" e não se deixam convencer quando se fala dos inúmeros recursos e potencialidades que o Brasil dispõe e que Portugal nunca teve. E não é que há  há quem recue até aos Descobrimentos, para garantir que a razão está do seu lado?

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Ar condicionado




Eu sei que os romanos já conheciam o ar condicionado. Utilizavam uma técnica artesanal que consistia em fazer circular, nas paredes das casas, a água fresca dos aquedutos. 
Porém, só em 1902 o ar condicionado moderno foi dado a conhecer ao mundo. O responsável pela invenção foi o americano Willis Carrier que, nesse ano, apresentou em Buffallo o primeiro aparelho que permitia o arrefecimento de ar por meio de serpentinas frias,  por onde circulava água. 
Refira-se que a invenção de Willis Carrier não teve desde logo aplicação nos lares. Era usado nas fábricas para regular a temperatura nos dias mais quentes e aumentar a produtividade dos trabalhadores. Só muito mais tarde viria a ser introduzido nos lares, tendo a sua massificação correspondido ao período de explosão da sociedade de consumo que se iniciou nos Estados Unidos nos anos 40 e em Portugal, depois do 25 de Abril.
Responsável por muitas das minhas alergias e pelo meu afastamento das salas de cinema, centros comerciais e outros lugares onde é usado para inverter as estações do ano, em termos climatéricos, o ar acondicionado não faz parte da minha lista de grandes invenções do século XX.
Nunca me senti confortável  numa sala de cinema ou num restaurante onde tenha que vestir um agasalho no Verão para suportar as baixas temperaturas interiores, ou me tenha de despojar de agasalhos para aguentar o calor.
Em muitos países, estão reguladas por lei   as temperaturas máximas(Inverno) e mínimas (Verão)  a que deve obedecer o ar condicionado em locais públicos. Uma medida que apoio não só por questões de saúde, mas também ambientais. 
A indústria  também se tem preocupado com as questões ambientais, concebendo aparelhos cada vez mais sofisticados, quer em termos de eficiência energética, quer  de impacto ambiental, reduzindo a emissão de CO2. No entanto, ainda está muito longe de produzir um aparelho que seja ambiental e energeticamente eficaz. E que evite alergias…
Por isso, continuo a preferir o método dos romanos. Mais amigo do ambiente e bastante eficaz. Mesmo no carro, onde raríssimas vezes utilizo o ar condicionado, porque prefiro a climatização natural.

Tanto mar!


Los Cabos (México)

Na passada semana, foi nos países latino-americanos que se discutiu o futuro.
A escolha dos cenários até parece ter sido premeditada. Senão, repare-se. A reunião do G-20 decorreu segunda e terça-feira no  México, no luxuoso e idílico paraíso de Los Cabos. Em frente ao mar, mas com o deserto a poucos quilómetros de distância, à retaguarda.  
Esta miscelânea paisagística – que certamente terá passado despercebida à maioria dos participantes-  bem podia ter sido motivo de inspiração para as grandes potências, nomeadamente para os líderes europeus, que estiveram no centro das atenções. No entanto, a avaliar pelas conclusões, parece que todos se encantaram com a beleza do mar, mas esqueceram que o deserto estava nas suas costas e ameaça avançar. Por isso, as medidas tomadas foram uma mão cheia de nada.
 O ex-maoísta Barroso, agora promovido a caniche da senhora Merkel, deu-se ao luxo de dizer que a Europa não recebe lições de democracia de ninguém. Até um cego vê que a democracia vendida pela Europa para o exterior  é um produto ideológico contrafeito para enganar papalvos, mas eles insistem em vender a fancaria como artigo de luxo.
À parte estiveram Obama e Putin, a discutir a Síria e o Irão. Uma reciclagem do Tratado de Tordesilhas, agora com outros intervenientes, já que os originais ( Portugal e Espanha) andam de mão estendida a pedir que os ajudem a pagar a dívida. Mas se Estados Unidos e Rússia parecem não ter dinheiro, nem para fazer uma guerrinha, como é que vão preocupar-se com as minudências do crescimento dos países pobres? O que lhes interessa  na Europa – principalmente a Obama- são os mercados alemão, francês, inglês, italiano e espanhol. Os outros, além de pequenos, são pobretanas e não aquecem nem arrefecem. A senhora Merkel, por sua vez, está mais interessada em entrar no mercado chinês, porque a maioria dos 600 milhões de consumidores europeus já não garantem o desenvolvimento da sua indústria. 

Terminada a cimeira do G- 20, uma boa parte dos comensais  voou para o Rio de Janeiro ( Obama ficou nos EUA, seguindo o exemplo de Bush pai em 92 e Merkel regressou à Alemanha) onde se juntou a uma multidão de ministros, assessores, técnicos e outros parasitas, a fim de assinar um documento duramente negociado, no qual apuseram a sua assinatura. Muitos, sem a mínima intenção de cumprir os acordos, porque continuam a exigir que sejam os países pobres a pagar a poluição dos ricos.  
Durante a estadia terão aproveitado para ir à Humanidades 2012 ver a vista de Copacabana, alguns neófitos ter-se-ão deslumbrado com o Corcovado e o Pão de Açúcar, mas todos desdenharam as favelas e o impacto ambiental da pobreza. Pelo Aterro do Flamengo, onde a sociedade civil apresentava soluções para crise ambiental  e exigia medidas que garantam a sustentabilidade, passou pessoal menor em passo acelerado, talvez com a missão de fazer um breve relatório do que lá viu, que irá repousar numa gaveta até amarelecer e ter como destino o lixo.
Muitos milhares de euros e toneladas de CO 2 depois, os líderes europeus regressaram   a casa para passar o fim de semana em família. Não terão aprendido mais do que fortalecer a sua arrogância de povos superiores  que vivem como nababos à custa do contribuinte e de quem trabalha.
Alguma coisa, no entanto, ficou desta Cimeira. A sociedade civil trocou opiniões e experiências e, de regresso aos seus países, irá obrigar os seus governos a aplicar algumas das medidas que assinaram. Foi assim que aconteceu na Cimeira do Rio em 1992. 
Não fora a sociedade civil, a Agenda 21 teria sido metida numa gaveta, o frágil protocolo de Quioto não teria sido assinado meia dúzia de anos mais tarde e o mercado de carbono – que permite aos países mais desenvolvidos comprar emissões de carbono aos mais pobres- nunca teria passado do papel. Sim, eu sei que há muitos países caloteiros que compraram as emissões e não as pagaram e outros ( como Portugal) que as compraram, mas não utilizaram, porque a crise fez travar a economia a fundo.
 De qualquer modo, foram alguns passos importantes que adiaram o dia em que o planeta se vai transformar num caldeirão que lançará para a atmosfera os paradigmas da sociedade de consumo, construídos com base no trabalho escravo e no trabalho infantil e na destruição dos recursos naturais.

domingo, 24 de junho de 2012

Ljubliana revisitada



Cheguei a Ljubliana numa tarde tórrida de Junho, com a temperatura a rondar os 40º. Saíra de manhã cedo de Split, na Croácia, preparado para perder algumas horas na fronteira. As longas filas de automóveis que encontrei faziam, porém, o caminho no sentido inverso. Eram às centenas os carros de turistas alemães, italianos, austríacos, húngaros e checos, em demanda das praias da costa croata. Alguns levavam barcos atrelados e o seu destino seria muito provavelmente a ilha de Hvar ou uma das centenas de ilhas ainda por descobrir pelo turismo de massas, ao largo da costa adriática.
As formalidades na fronteira foram rápidas. Pouco mais de 10 minutos. Decidi, por isso, visitar as maravilhosas grutas de Postojna e o castelo de Predjama de onde se desfruta uma paisagem invejável de matizes verdes, impecavelmente limpas e tratadas. Agradeci mil vezes à recepcionista do hotel em Split, que me aconselhou a alugar um carro com ar condicionado pois, em virtude da diferença de preço, estava tentado a prescindir desse luxo . Teria certamente esturricado durante a viagem tal era a canícula que se fazia sentir.
Como disse, cheguei a Ljubliana perto do final da tarde. Tempo para ir ao hotel , tomar um duche e apanhar o elevador até ao castelo, de onde se pode abarcar uma magnífica vista da pequena capital eslovena. Lá em baixo, o rio Ljublinica , a ponte dos Dragões , a ponte Tripla, a praça Preseren e gente. Muita gente, maioritariamente jovem, sentada nas esplanadas, desfrutando a leve brisa que começara a soprar .
Desci em direcção ao centro histórico. Sentei-me numa esplanada a programar as visitas do dia seguinte, porque Ljubliana é uma cidade rica de cultura. Comi um Cevapi e fui entrando em vários bares. Pelo prazer da descoberta.
Acabei por me sentar num bar com menos bulício, onde a música ambiente me agradou. Sem perceber muito bem como, ao fim de pouco tempo estava a conversar com meia dúzia de pessoas. A noite estendeu-se para além do que previra e, no regresso ao hotel, não pude deixar de fazer uma viagem ao passado.
Tinham passado mais de 20 anos sobre a minha passagem por Ljubliana. Na altura ainda era apenas uma pequena cidade da Jugoslávia e o meu destino era Split. O contraste é gritante. Hoje, a capital da Eslovénia é uma cidade cosmopolita, transbordante de alegria, onde a juventude parece maioritária. Tão diferente desta Ljubliana que conheci nos anos 80…

Le premier bonheur du jour



Foto de Kim Anderson

Amigo é coisa para se guardar
 Debaixo de sete chaves
 Dentro do coração
Assim falava a canção que na América ouvi
Mas quem cantava chorou
Ao ver o seu amigo partir
Mas quem ficou, no pensamento voou
 Com seu canto que o outro lembrou
E quem voou, no pensamento ficou
Com a lembrança que o outro cantou
 Amigo é coisa para se guardar
No lado esquerdo do peito
Mesmo que o tempo e a distância digam "não"
 Mesmo esquecendo a canção
O que importa é ouvir
 A voz que vem do coração
Pois seja o que vier, venha o que vier
 Qualquer dia, amigo, eu volto
A te encontrar
Qualquer dia, amigo, a gente vai se encontrar.
(Milton Nascimento- A Canção da América)


Tenham um bom domingo!




sábado, 23 de junho de 2012

Já não há Camelos como dantes

Em 1992 conheci Nelson Camelo, um venezuelano que percorreu de bicicleta os 3000 quilómetros que separam Caracas do Rio de Janeiro, para poder estar presente no Forum Global. Vinte anos depois não há sinais desse Camelo, nem de outro qualquer participante que tenha cometido proeza idêntica. Mudam-se os tempos...

Verdes são os campos... e as laranjas com bolor


As Cimeiras sobre o ambiente são sempre uma oportunidade de negócio mas, pela experiência que os mais de 30 anos de eventos deste género me permitem, estou em crer que  nenhum outro local do mundo é  tão apelativo para as empresas  propagandearem a sua aposta no “verde”, como o Rio de Janeiro.
Estima-se que, por estes dias, mais de um milhar de gestores tenham aterrado no aeroporto carioca. Na bagagem trazem projectos empresarias com a marca verde, promessas radiosas de compromissos com a sustentabilidade, reduções drásticas da emissão de gases com efeito de estufa, blá, blá, blá…
Comento com uma camarada peruana, que nenhum gestor  fala da pobreza como causa da poluição ambiental, nem se arrisca a proclamar que a redução dos salários é inimiga do ambiente. Responde-me que a culpa não é tanto das empresas, mas sim dos governos que apostam nos salários baixos para ganhar competitividade. Enfio a carapuça e remeto-me ao silêncio. Ela insiste: vê o que se está a passar na Europa!| Ok, não batas mais no ceguinho, já percebi, mas ouve lá o Ramos Horta, com um discurso ainda mais céptico do que o meu em relação à bondade do mundo dos negócios.
Nem de propósito, recebo um comunicado da Lusa informando que a Sonae Sierra irá aumentar em 3,5% o investimento em centros comerciais para garantir que são ambientalmente sustentáveis.Com salários de 500 euros , ou menos? Está bem abelha! A Responsabilidade Social soa bem, mas cheira a mofo, travestido de progresso.
Angola também anuncia o advento da economia verde como um dos factores de desenvolvimento e progresso do país. Pigarreio, olho para o lado e atiro-me a um sumo de acerola  para ver se a voz melhora.
Quem não melhora é o nosso primeiro ministro. Fez uma intervenção sobre as eólicas, ( "na plenária"- disse ele) e realçou  o desenvolvimento de Portugal  nesta matéria, provocando a admiração de alguns jornalistas. Só para que as coisas fiquem claras, esclareço que a grande aposta nas energias renováveis foi feita pelos governos de Sócrates e que o PM de Portugal sempre se manifestou contra as energias alternativas, tendo sido eleito com o apoio de dois homens que apostam fortemente na energia nuclear: Patrick Monteiro de Barros e Pedro Sampaio Nunes. as caras mais visíveis do lóbi nuclear.
Um mentiroso compulsivo nunca deixa de ser aldrabão, mesmo em plenários ( é assim que se diz em português de Portugal, senhor Pedro Coelho!) internacionais, onde veste a capa da hipocrisia.

Humor fim de semana

Dizem-me que este gajo ainda é ministro. Só pode ser anedota!

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Para bom entendedor...

Há tantos "dias de..."  que o dia 22 de Junho bem podia passar a ser o Dia Nacional do Ladrão.
Era um tributo justo, não vos parece?

Pragmatismo

Logo pela manhã, pedem-me um palpite sobre o Alemanha -Grécia. Respondo sem hesitar:
- Ganha a Alemanha. 
- Não dá nem chance para a Grécia, cara?- insiste o repórter
- Eu dou, o Platini é que não! Não foi ele que disse que a final ia ser Espanha -Alemanha?

O futuro que queremos?

O documento de compromissos assinado durante a Rio+20  chama-se " O futuro que queremos".
Obviamente, tem-se prestado a inúmeras críticas, pois não corresponde àquilo que a maioria dos cidadãos quer, mas sim ao que um grande número de países exige que se cumpra, para defender os interesses económicos e financeiros  de cada um.
É consensual que "O futuro que queremos", defendido pela maioria dos governantes ocidentais, é aquele em que os governos não se comprometam com metas a atingir e vão empurrando os problemas com a barriga, adiando a sua resolução para as gerações futuras. 
"Daqui a duas ou três gerações, o futuro que eles querem resumir-se-á à destruição das florestas tropicais e  privatização dos recursos naturais como a água e as energias renováveis"- comenta uma jornalista chilena.

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Ich bin ein Hamburger



Embora haja várias versões, tudo indica que o Hamburguer – muitas vezes erradamente apresentado como um prato exótico da cozinha americana- só foi conhecido nos Estados Unidos em 1900, graças a uns emigrantes alemães de Hamburgo. Diz-se que os marinheiros foram os primeiros a apaixonar-se pela iguaria, mas é seguro que foi o restaurante  New Haven o primeiro a incluí-lo nas suas ementas.
No entanto, o hamburguer também não é de origem alemã. A sua origem remonta, segundo alguns, aos tártaros, que  terão apresentado aos hamburgueses uma ementa que consistia num bocado de carne crua entre duas fatias de pão. Os hamburgueses terão começado a cozinhar a carne para melhor conservação.
Depois, a imaginação dos americanos e o jeito para o negócio criaram as mais variadas versões que hoje podem ser apreciadas nos Mc Donalds e cadeiras de fast food similares.
A H3 é, hoje em dia, a mais sofisticada cadeia de hamburguers a operar em Portugal, dando-lhe o novo conceito  gourmet e diversas vertentes gastronómicas, adaptáveis a todos os paladares.

Mulher pelada gera pandemónio

Os cariocas andam visivelmente incomodados com a realização da Cimeira e dos eventos paralelos.Os engarrafamentos de trânsito têm sido ainda mais monstruosos do que habitualmente e atingiram o limite do suportável ontem. 
Além da chegada de um grande número de chefes de Estado e de governo, multiplicaram-se as manifestações. Como está muito calor, numa manif na segunda-feira, contra a mercantilização da dívida, um homem decidiu tirar a camisa enquanto desfilava. Ao seu lado uma jovem terá pensado " se ele tira, porque é que também não tiro?" e despiu a blusa. O gesto teve um efeito de contágio surpreendente e a manif terminou com quase todas as mulheres peladas da cintura para cima. Os engarrafamentos ganharam outra dimensão e os automobilistas cariocas ficaram mais pacientes...
Ontem a cena não se repetiu, mas manifs não faltaram e problemas de trânsito foram de sobra. Logo pela manhã a Cúpula dos Povos organizou uma manifestação no Parque dos Atletas, a que se seguiu uma outra às 14 na avenida Presidente Vargas e duas horas depois mais uma  na Av. Rio Branco.
Mas o mal de uns é o bem de outros e enquanto os cariocas se deitam a pensar na melhor maneira de chegar aos seus empregos no dia seguinte, tudo quanto mexe com a indústria turística anda radiante.  Apesar dos preços exorbitantes, os hotéis estão superlotados e em muitos restaurantes não é possível já fazer reservas durante todo o período da Cimeira.
Também o comércio, incluindo os vendedores ambulantes, tem aproveitado bem a oportunidade de negócio pondo à venda todo o tipo de gadgetes  e merchandising possíveis e imaginários alusivos à Cimeira.
Imaginem o que será quando o Brasil receber o Mundial de 2014 e o Rio de Janeiro  for sede das Olimpíadas 2016!

Parabéns, senhor presidente do conselho




Faz hoje um ano que o governo PSD/CDS, por si dirigido, tomou posse. graças a uma conjugação de factores que não vale a pena aqui esmiuçar.  
Um ano depois, ninguém- nem os partidos de esquerda que numa aliança espúria com a direita derrubaram  governo de Sócrates- tem dúvidas que o PEC IV era uma brincadeira de crianças, se comparado com as medidas de austeridade aplicadas por este governo. A única excepção talvez seja Cavaco Silva que voltou a acumular  a pensão de reforma com o cargo de figura decorativa de Belém
No entanto, o balanço deste ano de governo é, em   minha opinião, positivo!
 Os partidos do governo estão a cumprir o seu programa, que consiste numa premissa muito simples: roubar quem trabalha, para enriquecer quem detém o capital. Os reformados, doentes e mais desfavorecidos foram esbulhados dos seus direitos, o desemprego aumentou  de forma alarmante, mas  isso também faz parte da estratégia governativa, pois permite justificar salários mais baixos.
O património nacional está a ser vendido ao desbarato a empresas públicas de outros países ( como foi o caso da REN e da EDP); a educação voltou a ser só para quem tem dinheiro, houve desinvestimento na escola pública e foram entregues às escolas privadas as verbas do sector público; a justiça continua ao deus dará; a economia está de rastos; as finanças depauperadas. Só boas notícias, portanto...
Tudo isto estava no guião dos partidos do governo e a prova de que a esquerda não terá ficado surpreendida, é que nunca mais se ouviu a FENPROF protestar,ou fazer grandes manifestações como no tempo de Sócrates. O povo está domesticado e os sindicatos ou deixam-se domesticar (UGT) ou serão domesticados à força (CGTP).
E não me venham dizer que o governo não conhece o país, porque esse argumento não colhe.Qual a necessidade de o governo conhecer o país, se a sua função é ser comissão liquidatária?
Quanto aos partidos da oposição, apenas o PCP ergue a  voz e se manifesta na rua. O BE está em hibernação e o PS comporta-se como um cordeirinho, fazendo o papel de sacristão.
Ah, é verdade, falta falar do povo tuga!
Aparentemente está resignado. Auto medicou-se com doses extras de sedativos e antipiréticos para baixar a febre consumista e está num estado de abulia que mete dó. De vez em quando desperta mas, em vez de se revoltar contra os governantes, opta por bater nos funcionários das Finanças. Outros, sublimam as suas frustrações com mezinhas domésticas. Matam as mulheres, os sobrinhos, as irmãs, ou até os filhos, a uma média de um crime violento em cada três dias e ficam na cadeia – onde ao menos a comida é à borla- à espera que a crise passe. 
Outros, menos pacientes, depois de matarem os familiares, suicidam-se. Provavelmente, porque acreditam que a eles se poderão reunir no Além e recomeçar uma vida feliz.
É assim, o Bom Povo Português. Tem o governo que merece e, por isso, quatro em cada dez continuam a apoiá-lo.
Perante isto, como não dar os parabéns a um governo que, em apenas um ano, conseguiu adormecer um povo e destruir quase todos os direitos conquistados em 40 anos de democracia, sem ter de enfrentar qualquer reacção popular digna de registo?  
Ahhh, mas o povo manifesta-se nas ruas, dirão alguns. De acordo… mas isso não é novidade! Basta andar nas estradas portuguesas para ver como os portugueses gostam de gritar, gesticular e ameaçar o próximo.
Como dizia o outro… é só fumaça!
 Congratulations, Mr Rabbit. Ponha mais uns Relvas no governo a negociar  com PIDES  que acumulam com  espionagem, para não ser apenas um a ameaçar os raros jornalistas que ainda têm coluna vertebral; ponha mais uma ou duas loiras da estirpe da D. Paula  a desempenhar cargos minsteriais, pr causa das quotas; dê rédea solta à polícia para cascar nos energúmenos que se manifestam de forma mais virulenta; continue a roubar os reformados; venda o país a retalho e daqui a três anos assista às eleições refastelado no sofá, porque a vitória está garantida. Se não for sua, é do Seguro, a sua alma gémea.
Esteja descansadinho, porque o seu padrinho não se esquecerá, na altura própria, de o recompensar, com  um lugar num conselho de administração de uma empresa cativa.

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Conselho para uma noite sem insónias

O senhor presidente do conselho comemora amanhã o primeiro aniversário à frente do (des)governo.
Embora passe o dia no Rio de Janeiro, o senhor presidente do conselho apreciará muito a vossa generosidade e paciência e agradecerá o facto de não serem piegas.
Como não poderia  deixar de ser, o CR assinalará a data devidamente e sugere a todos os leitores que visitem esta acolhedora salinha e escolham o presente que lhe pretendem oferecer. 
Como poderão constatar a variedade é muita e aceitam-se pedidos não constantes do catálogo. 
Eu próprio me comprometo a publicitar os vossos donativos, indicando o remetente. 

Para mais tarde recordar



Embora o conceito de fotografia remonte a tempos imemoriais,  a primeira fotografia conhecida, produzida com uma câmara, data de 1826. O seu autor foi o francês Joseph Niepce  que precisou de submeter à exposição solar  uma placa de estanho coberta com um derivado de petróleo, durante oito horas, para obter e fixar a imagem.
Outro francês, Daguerre, conseguiria reduzir o processo a alguns minutos, mas só a partir de 1888 a fotografia começou a ser acessível a todos.  A responsável pela popularidade da fotografia foi a Kodak, que lançou em 1888 a primeira câmara fotográfica com rolos, produzidos por George Eastman, fundador da companhia.
Em 1900, a Kodak lançou no mercado um modelo muito popular: a Brownie. Custava um dólar e tirava oito fotografias por rolo.
Acessível a quase todas as bolsas, era com ela que, nos primeiros anos do século XX, ao chegar a Nova Iorque, os emigrantes europeus  fotografavam  a estátua da Liberdade e registavam a mensagem “Vinde a mim, multidões cansadas e pobres com ânsia de respirar em Liberdade”.
Hoje, em plena era digital, as velhas câmaras são peças de museu e a Kodak, 130 anos depois de ter revolucionado  a fotografia, tornando-a popular e acessível a todos, entrou em processo de falência.

Por este Rio acima


Aterro do Flamengo
A Cimeira começa hoje mas, em rigor, a Rio+20 terminou ontem. Confusos? Então passo a explicar. O que se tem passado desde o dia 13 de Junho é um conjunto de eventos paralelos promovidos pela sociedade civil - nomeadamente ONG-  a exemplo do que aconteceu em 1992 e uma "negociação" entre ministros e alguns técnicos mandatados pelos governos para estabelecerem o texto final. O que se segue nos próximos três dias é um conjunto de discursos e encontros bi e multilaterais. O texto está fixado e negociado, é hora do show off. No entanto, é sempre bom lembrar, na Cimeira da Terra em 1992, ainda se conseguiram uns ligeiros avanços de última hora no concernente às Convenções sobre a Biodiversidade e as Alterações Climáticas. 
Nos eventos paralelos – onde não faltam vários desfiles e manifestações pelas ruas do Rio-  a sociedade civil tenta explicar aos governantes aquilo que  eles não percebem: os reais problemas com que se debate o planeta e as medidas que devem adoptar  para garantir um desenvolvimento sustentável que não ponha em risco a qualidade de vida das gerações futuras.
A exemplo do que aconteceu em 1992, com o Forum Global, o  Aterro do Flamengo  - agora rebaptizado de Parque dos Atletas- acolhe a Cúpula do Povos. Em 1992, Maurice Strong considerou o Forum Global como uma vertente fundamental para o sucesso da Cimeira e, este ano, a Cúpula dos Povos assume o mesmo grau de importância.
                                              Edifício Humanidade 2012 (aspecto exterior)

 Em 1992 por ali passou Maria de Lurdes Pintassilgo para fazer uma conferência sobre o papel das mulheres no diálogo Norte/Sul. Este ano Portugal estará representado por Boaventura Sousa Santos, um dos grandes impulsionadores e animadores do Forum Social de Porto Alegre.
Várias organizações portuguesas voltaram a marcar presença neste certame.
Nestes eventos paralelos não se discutem apenas as questões da sustentabilidade. Há também exposições, peças de teatro, exibição de filmes e  um programa de espectáculos diversificado, por onde passam alguns nomes sonantes da cultura, das artes e do show bizz. Há também uma estação de rádio – especialmente criada para o evento -que faz a cobertura de todo o programa. No entanto, a polémica já estalou, pois as autoridades cariocas encerraram a estação alegadamente por interferir com as comunicações aéreas. Depois de fortes protestos, a rádio voltou a emitir.
Humanidade 2012 ( sala de conferências)


O Sambódromo – desenhado por Oscar Niemeyer- está transformado num verdadeiro parque de campismo onde se alojam milhares de participantes na Cúpula dos Povos, provenientes de todos os cantos do Brasil e de vários países do mundo.
O acampamento está rodeado de fortes medidas de segurança. Aliás, a exemplo do que aconteceu em 1992, o Rio de Janeiro está em segurança máxima. Há milhares de polícias e militares patrulhando ruas e hotéis, mas de forma menos exuberante do que em 1992, ano em que eu próprio tinha um militar à porta do meu quarto 24 horas por dia.
Em Copacabana, a grande vedeta é o projecto Humanidade 2012. Trata-se de um andaime reciclável de vários andares com  painéis electrónicos onde passam mensagens alusivas à identidade do Brasil.
Humanidade 2012 ( A Capela)
Com  uma soberba vista desde Copacabana ao Pão de Açúcar, o Humanidade 2012 tem uma sala para 100 pessoas, baptizada  Capela, onde se destacam  milhares de figuras humanas iluminadas e milhares de livros escolhidos por uma centena de personalidades brasileiras. Por aqui têm passado ao longo destes dias figuras da política, da literatura e da música, como Caetano Veloso e Maria Bethânia, que deram um espectáculo.
Sobre a Cimeira da classe política, que está prestes a iniciar-se, já escrevi uns tópicos preliminares no post anterior, mas voltarei ao assunto num dos próximos dias. O sentimento geral  é de frustração, porque se ficou bastante aquém das metas previamente traçadas. Mas, perante as gravíssimas crises com que a maioria dos países se debate, alguém de bom senso esperava mais?  

Nota: todas as fotos da Internet

Há, mas não são verdes!



Já aqui escrevi diversas vezes sobre a Cimeira Rio+20 que está a decorrer no Brasil e das expectativas que alimento quanto aos resultados. 
Quando, em Setembro, entrevistei a ministra brasileira do Meio Ambiente ( Izabella Teixeira) fiquei com a certeza de que o Brasil não se iria deixar enrolar por uma já então previsível iniciativa da União Europeia e dos Estados Unidos que, a pretexto de garantir o desenvolvimento sustentável, visa entravar e amortecer o crescimento dos países emergentes.
Há dias, o ministro do desenvolvimento agrário, Pepe Vargas, veio clarificar as águas: o Brasil aceita discutir as questões da economia verde, desde que a proposta apresentada pelos países desenvolvidos não esconda medidas protecionistas ( barreiras comerciais, imposição de padrões tecnológicos, pré condições para apoio externo, etc).
Esta discussão –  alvo de acaloradas polémicas durante a Cimeira da Terra em 1992- promete reacender-se e, acredito, a oposição dos países emergentes que contam com o apoio da generalidade dos países asiáticos, será ainda mais veemente do que há 20 anos, quando a Malásia liderou um grupo contestatário de 40 países que ameaçou boicotar a Cimeira, caso os países desenvolvidos insistissem em travar o desenvolvimento dos países do sul.
É natural que uma Europa em crise profunda queira salvaguardar-se, mas não é admissível que países em desenvolvimento sejam obrigados a aceitar regras tecnológicas  para que ainda não estão preparados e só beneficiarão os países desenvolvidos. 
A posição dos países emergentes e dos países em desenvolvimento será mais forte do que em 1992. Para esses países, a economia verde passa pela protecção dos recursos naturais, pela redução das emissões de carbono,  mas também pela inclusão e reforço da coesão social, matérias em que o retrocesso na Europa se vem acentuando significativamente. 
Se querem uma discussão séria, os países europeus têm de negociar com base nos padrões tecnológicos ao alcance dos países em desenvolvimento e não partindo da premissa de imposição dos seus próprios  padrões. Os países emergentes e em desenvolvimento  estão-se  marimbando para a curvatura dos pepinos, o diâmetro dos tomates, ou o calibre das maçãs, enquanto não resolverem os problemas de coesão social a nível interno.  Ao contrário do que  acontece na Europa, os governos sul americanos estão mais interessados na defesa das pessoas do que nas finanças.

terça-feira, 19 de junho de 2012

Promoções blogueiras com palavras e imagens


Exposição do Mundo Português ( foto da Net)

Quando o século XX começou, a Europa dominava o Mundo e vivia-se um período de prosperidade. Em1900, a Exposição Mundial de Paris e o primeiro voo num aparelho rígido realizado na Alemanha- o Zeppelin - eram demonstrativos desse poderio. 
Quarenta anos depois (23 de Junho de 1940) Salazar   abria os cordões à bolsa e mandava organizar a Exposição do Mundo Português. O pretexto foi a  comemoração dos 800 anos da fundação de Portugal e os 300 da  restauração da independência mas, na verdade, o que Salazar pretendia mostrar ao mundo era a pujança do regime e a sua multiculturalidade.
 A Exposição  alterou por completo a zona Ocidental de Lisboa, onde despontava a Praça do Império. Como haveria de acontecer com a zona Oriental, em 1998, com a realização da Expo- hoje Parque das Nações.
Acredito que a esmagadora maioria dos leitores do CR não esteja em condições de visitar  a próxima  grande exposição realizada em território luso, daqui a 50 ou 60 anos. 
Por estes tempos, a única exposição que podemos apreciar é a de um país condenado ao empobrecimento e à miséria, por exigência de uma dupla governativa que baixou as calças à senhora Merkel e vendeu o país a uma troika de agiotas, para vergonha  de todos os portugueses.
Serve esta introdução para vos apresentar uma nova rubrica que se inicia hoje aqui e terá complementaridade na filial do CR, o Crónicas on the Rocks. Ameaçado de extinção (não por causa do aumento do IVA, mas por falta de leitores que, muito provavelmente, julgarão que os bilhetes  para lá entrar são caros) , inspirei-me no sucesso do Pingo Doce e decidi fazer uma promoção para tentar salvar o On the Rocks.  que, depois de um início muito promissor, está ameaçado de bancarrota.
 A partir de hoje, aqui no CR,  recordarei as invenções do século  XX que mudaram o  estilo de vida da população  e, na filial, vou recordar brinquedos, brincadeiras e leituras que alegravam os nosso Verões e restantes tempos livres.  As crónicas, claro, mantêm-se…
Espero que se divirtam e renovo os votos de boas férias para todos. As minhas começam em Julho mas, até lá, ainda tenho muito trabalhinho. Ou julgavam que a minha ausência se devia a andar no laréu?  Viajar também pode ser trabalhar! Vejam só o senhor presidente do conselho, coitado, que em seis dias vai visitar o Perú, o Brasil ( ó sorte malvada a minha!...) e Colômbia.
Entretanto,  deixo-vos este vídeo realizado pelo jornal peruano Correo. Em apenas 10 minutos, poderão fazer uma viagem aos últimos 100 anos. Não é divertido, mas é muito didáctico e um bom momento para recordar alguns momentos da História do século XX e da primeira década do século XXI

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Até já!

Chegou a hora de me despedir dos leitores durante um largo período. Como só estarei de regresso no final de Julho e muitos/as leitores/as  irão de férias em Agosto, só em Setembro a minha vida na blogosfera voltará à normalidade. 
Nesta época costumo lançar alguns desafios de Verão mas, pelas razões aduzidas, este ano isso não acontecerá.  Deixo, porém, muitos posts agendados e, sempre que possível, virei aqui responder aos vossos comentários.  Amanhã será aqui anunciada uma nova rubrica carregada de nostalgia- própria da época- e alguma História. A Cátia Janine manterá o seu espaço semanal e na filial "On the Rocks" as crónicas suceder-se-ão a bom ritmo. ( Acabei de editar a última)
Este ano, seguindo um apelo da Pólo Norte, sugiro-vos que não abandonem os vossos blogs durante o Verão. E já agora, se puderem, também não deixem de dar um saltinho aqui e à filial.
 Beijinhos e abraços. Até breve!

Como um castelo de cartas




Estou sentado na cama a dar uma vista de olhos pela imprensa on line.Ouço o estrondo de um prédio a desmoronar-se. Já o esperava há muito, já lhe imaginava o ruído... é o esplendoroso edifício do liberalismo, emoldurado de néons publicitando a economia de mercado e as cotações das bolsas, construído em alicerces de mentira, de intolerância, de desrespeito pelo ser humano, da exploração do trabalho, da avidez pelo enriquecimento fácil e da especulação, a ruir como um castelo de cartas.
Momentos mais tarde, outro desmoronamento. Vou à janela e vislumbro, na noite escura onde a Lua já não brilha, a queda abrupta dos paradigmas da sociedade de consumo. Na rua, descalços, exércitos de endividados vítimas dos ilusionistas que lhes prometiam o dinheiro fácil de que necessitam para comprar o paraíso, falam ao telemóvel e olham, com ar compungido, para os automóveis de luxo cujas prestações já não têm dinheiro para pagar. Televisores de plasma saem das janelas, mostrando ao mundo o holocausto da sociedade do faz de conta. Na sala de cinema em frente ao hotel onde estou hospedado, um enorme cartaz anuncia a estreia do mais recente filme dos Irmãos Lehmann, com produção da AIG:A Crise.Em exibição numa sala perto de si. Em sessões contínuas, para mais tarde recordar.É que dentro de alguns anos a cena vai repetir-se, mas provavelmente já ninguém se vai lembrar.
( Nota: Escrevi este post em Setembro de 2008. Republiquei-o em Março de 2010. Volto a recordá-lo hoje, porque tenho a sensação de que não vou regressar à Europa. Pelo menos, àquela Europa que muitos sonharam e na qual até eu cheguei a acreditar).

Suspiro de alívio?

Parece que a senhora Merkel e o seu caniche Barroso suspiraram de alívio com a vitória da Nova Democracia. Ingénuos! Os mercados não dormem e os juros em Portugal, Itália e Espanha estão a subir. No país vizinho ultrapassaram mesmo a barreira psicológica dos 7%.  
Vá lá, respirem fundo e depois façam o que têm a fazer. 

A noite dos ajuste de contas



Do lado de lá do Atlântico também havia muita expectativa em relação aos resultados das eleições na Grécia. Daí que já passe das quatro da manhã quando começo a escrever este post.
Começo pelo Egipto onde ainda não se conhecem os resultados definitivos, mas tudo indica que o ex-primeiro ministro de Mubarak  venceu as eleições. O que já se sabe é que, suspenso o Parlamento, os militares assumiram o poder legislativo logo após o encerramento das urnas. Como sempre escrevi, confirma-se: a Primavera Árabe pode esperar. Há um longo caminho a percorrer, muitas mortes ainda a registar, mas os EUA devem ter suspirado de alívio. Está garantido que as coisas mudaram, para que tudo ficasse na mesma.
Em França o PS alcançou uma vitória esmagadora. Há festa no Eliseu, com Valérie a festejar efusivamente: Ségolène Royal foi derrotada por Olivier Farloni, o candidato renegado pelas cúpulas socialistas e não será candidata a presidente da Assembleia Nacional. 
Mas a mãe dos filhos de Hollande não será a única a sofrer de insónias esta noite. Marine Le Pen bem poderá festejar o regresso da Front National à Assembleia, mas o facto de ter sido derrotada na sua circunscrição pelo candidato do PS, deve-lhe ter deixado um travo amargo na boca na hora de brindar. De qualquer modo, a famíia Le Pen estará representada, pois a sobrinha de Marine foi eleita e salva a honra do convento da extrema-direita gaulesa. 
A FN terá dois deputados mas não formará grupo parlamentar. Apenas estará no Parlamento para assinar o ponto e, de quando em vez, fazer uma intervenção permitida pelo regimento.
Quanto à UMP, de Sarkozy, teve um resultado quase vexatório. As suas principais figuras - que nas presidenciais e nas legislativas  se colaram a algumas teses xenófobas da FN – foram estrondosamente derrotadas. Começou a noite das facas longas  na  UMP.
Finalmente a Grécia. Não houve Syriza no topo do bolo e a Nova Democracia- principal responsável pela crise- venceu mais folgadamente do que muitos esperavam. Uma vitória da troika
Tsipras foi obrigado a cancelar a viagem a Bruxelas e, pior ainda, foi impotente para evitar que ND e PASOK alcançassem a maioria.
Os socialistas gregos- que voltaram a perder votos e deputados em relação às eleições de 6 de Maio- viabilizarão um  governo com a ND e talvez a esquerda moderada, mas o mais provável é que não integrem o governo. Será pois um governo frágil e a prazo e os socialistas  estão tão fragilizados, que o mais provável é virem a tornar-se um partido insignificante num futuro muito próximo. António José Seguro deverá tirar as ilações deste resultado do PASOK, mas tenho muitas dúvidas que seja capaz de o fazer…
Assustadores são os resultados do partido neo-nazi. Apesar de ter protagonizado cenas macabras durante a campanha – a que não faltaram agressões em directo na televisão durante um debate e a promessa de expulsão de todos os imigrantes dos hospitais- A Aurora Dourada conseguiu eleger 18 deputados!
Estes resultados dão uma imagem do que é, nestes dias a sociedade grega. Parece que na Alemanha a senhora Merkel terá respirado de alívio com os resultados desta noite eleitoral. Isso apenas prova que esta engenheira química -que foi para a RDA aprender a fazer bombas atómicas – continua completamente desfasada da realidade e, pior ainda, teima em fazer deflagrar a bomba atómica na Europa. 
Não se augura nada de bom nos próximos tempos. Nem sequer será correcto dizer que a Europa recebeu um balão de oxigénio com os resultados eleitorais na Grécia. A situação é tão asfixiante, que apenas uma terapia de choque poderá devolver ao paciente ( o €uro) capacidade para respirar. Se Merkel insistir em resolver o problema com Aspirinas, a morte anunciada consumar-se-á. Talvez a reunião do G-20 e, posteriormente,  a Cimeira Europeia de Junho, venham trazer alguma luz sobre esta longa noite de trevas que se vive na Europa. Mas, antes, ainda haverá um Grécia – Alemanha que se vão degladiar nos quartos do Euro da Bola. 
Fico a torcer para que Fernando Santos consiga conduzir os gregos a uma vitória sobre os alemães.

domingo, 17 de junho de 2012

Um champagne português


Ao contrário do post anterior, agora vou separar as águas. Primeiro falo de desporto e mais logo de política.
Portugal venceu a Holanda e passou aos quartos. É bom lembrar que nas anteriores presenças passámos sempre a fase de grupos, pelo que a novidade não é grande, apesar de termos ficado no grupo mais difícil. Celebremos, então, mas não só a vitória. A recuperação de Cristiano Ronaldo merece uma saudação muito especial. Agora vamos defrontar a República Checa , teoricamente um adversário mais fácil do que os da fase de grupos. Com a tendência que temos para complicar, todos os cuidados são poucos...
Obnubilada pelo efeito futebolístico, a comunicação social praticamente esqueceu um grande feito do desporto português. Rui Costa venceu a Volta à Suíça, onde teve de medir forças com adversários de respeito como Andy Schleck. É para ele que vai a minha saudação especial.
Quando acabar este dia de trabalho, voltarei com a análise aos resultados eleitorais desta noite. Na Grécia não houve Syriza no topo do bolo, mas a análise da noite eleitoral que mantém a Europa em suspenso, não se fica por aqui...
Até já!

Una Giornatta Particolare*


Hoje realizam-se três eleições que podem modificar muita coisa num futuro próximo.
Se a vitória do PS na segunda volta das legislativas francesas não oferece dúvidas e irá permitir a Hollande aplicar o seu programa, no Egipto  e na Grécia as coisas são mais complicadas.
Desfeito o sonho da Primavera árabe que alguns lunáticos apregoavam como a grande vitória da democracia, o Egipto vai hoje às urnas para escolher entre dois males: Shafik, ex-primeiro ministro de Mubarak, ou Muhammed Morsi,da Irmandade Muçulmana. 
Centenas de mortes depois, os egípcios  preparam-se, então, para escolher entre o regresso do regime que derrubaram na Praça Tahrir e o fundamentalismo islâmico. Será, apesar de tudo, melhor para o mundo que Shafik vença, mas isso não trará paz ao país. A decisão do Tribunal Supremo de dissolver o Parlamento - onde os islamitas tinham maioria- significa que o presidente eleito governará durante uns tempos com rédea solta, sem ser fiscalizado.Há já fortes reacções populares. Os egípcios não aceitaram a decisão, nem  vão acatar pacificamente uma vitória do herdeiro de Mubarak.  Um foco de incêndio que poderá alastrar no extremo Oriente, com consequências imprevisíveis.
Na Grécia, a escolha será entre o Syriza e a Nova Democracia. A vitória da esquerda provocará um cataclismo na Europa. Se for a direita a vencer, significa que a morte da UE ficará adiada por algum tempo, mas será igualmente inevitável.Só não acontecerá se a senhora Merkel perceber, finalmente, que ou muda de atitude, ou o fogo será ateado mais tarde ou mais cedo. A Alemanha também sairá chamuscada, mas isso ela também ainda não percebeu...

Eh pá! Estou aqui a falar de política? Sou mesmo idiota! Que interessa isso, se daqui a umas horas os tugas vão defrontar a laranja mecânica e lutar pela passagem aos quartos de final do Europeu de futebol? Lembro-me de cada coisa!...
Tenham um bom domingo. Voltarei à noitinha para comentar os resultados.

:* Una Giornatta Particolare é o título de um fantástico filme  de Ettore Scola, com Sophia Loren e Marcello Mastroianni. Passava-se num domingo, durante uma visita de Hitler a Itália.Fascismo já havia... a guerra viria poucos meses depois. Lembram-se?

Le premier bonheur du jour

Hoje sugiro-vos um almoço neste restaurante em Bruxelas. Tem a vantagem de ser móvel e podermos escolher a sua localização, pois desloca-se para onde os clientes quiserem. Único requisito: reunir um grupo de 20-24 pessoas.

sábado, 16 de junho de 2012

Ora confessem lá...

Humor fim de semana


Dois alentejanos foram à caça. Um deles, olha para o ar e vê um homem a fazer asa delta. O outro saca a arma e dispara!
Pergunta o outro:
- Ó compadre, que pássaro era aquele?!
- Nã sei compadre, mas o sacana já largou o homem que levava!!!

Fim de semana com Saramago


Que tal uma ida à Casa dos Bicos para visitar a Fundação Saramago? Tem sido um corropio de gente mas, se quiser aproveitar uma visita à borla, tem de se apressar, porque a partir 1 de Julho, a entrada custa 3 €.

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Passos Coelho e Luciana Abreu: a mesma luta

Pedro Passos Coelho não sabia que a MAC ia fechar este ano, porque o ministro da saúde não lhe disse nada. Confessou na AR que soube a notícia pelos jornais.
Luciana Abreu jurou aos jornalistas que não se iria divorciar de Yannick Djaló e o seu casamento era o melhor dos mundos. No dia seguinte, ao acordar, leu nos jornais um comunicado de imprensa do marido a dizer que se ia divorciar.
Lá diz o povo que o corno é o último a saber...
Espero é que as coincidências entre PM e Luciana Abreu  fiquem por aqui, porque a actriz/cantora confessou que não sabe do paradeiro de Djaló há duas semanas. Será que Passos Coelho também não sabe onde anda o ministro da saúde?

A pantera cor de rosa

O PCP vai apresentar uma moção de censura ao governo. António José Seguro apressou-se a dizer   que o governo merece ser severamente criticado mas,  recorrendo a uma nova versão da abstenção violenta, deixou claro que o PS se irá abster!
Não restam dúvidas. Seguro move-se em círculos...

Meti o pé na argola.Sorry!

Ontem, baseado numa notícia do jornal i, escrevi um post virulento contra a DGS.  Hoje, preparava-me para atacar a APSI que, de acordo com a notícia, teria sido a mentora de tal medida.  Graças à sempre atenta Shyznogud,  fiquei a saber que afinal a notícia era falsa e que a DGS só visitará os lares a pedido das famílias, como ela aqui explica
Peço desculpa aos leitores do CR por os ter induzido em erro e confesso que é com algum alívio que agora a desminto. Claro que isso não invalida a minha opinião de que "eles andam aí"... mas para já ainda mantêm  alguma discrição, o que só lhes fica bem. O que me  não fica nada bem é ter escrito um post com base numa notícia falsa, sem ter cuidado de a comprovar, pois o assunto era demasiado grave e devia ter tido alguma cautela antes de escrever aquele post.  Sorry!

Não sei se foi assim que aconteceu...



…mas podia ter sido.
Tarde de sábado chuvosa de um dia de Primavera.  Noémia está em casa a ouvir música.  Nada acontece por acaso, mas suponhamos que foi o acaso que a conduziu ao seu baú de recordações. Vai remexendo em cartas e fotos antigas, em cada uma relembra momentos de uma juventude que há muito deixou para trás.
 Uma das fotos retém-na mais prolongadamente. Foi tirada em 1962 e retrata jovens num campo de futebol. Reconhece-se num dos 21 rostos bem dispostos que se alinham em duas filas. Faz um esforço para identificar os restantes. Alguns não lhe oferecem dúvidas mas, para identificar os outros, pede a ajuda do seu amigo Raimundo.  
O que os uniu naquela  foto foi o amor ao desporto, mas a maioria era  estudante no Instituto Superior Técnico , todos foram activistas do movimento associativo estudantil, alguns exerceram funções dirigentes nos órgãos associativos, outros estiveram presos durante a ditadura.
Entre os retratados, nomes como Raimundo Narciso, António Alves Redol,  Fernando Rosas, Teresa Tito de Morais, Mário Lino, José Gomes de Pina, José Gameiro ou Joaquim Letria.
São conhecidos os percursos de todos estes jovens, alguns dos quais já falecidos, mas naquele tempo poucos sabiam que a maioria deles era militante do Partido Comunista Português. Muitos deles não se terão voltado a encontrar mas, quando Noémia Simões descobriu aquela foto no seu baú, as vidas  de oito  deles voltaram a reunir-se para um testemunho que tomou a forma de livro. 
Ao final da tarde de segunda-feira, no salão nobre da Reitoria da Universidade de Lisboa, Jorge Sampaio  apresentou o livro  “A Foto e o Reencontro Meio Século Depois” e Carlos Mendes cantou. 
Alguns corações bateram mais depressa, outros ficaram mais pequeninos, mas ninguém ficou indiferente ao recuar 50 anos. Tempos que não vivi, mas que senti como se também lhes pertencesse. Tudo foi possível graças ao reencontro de uma personagem com a sua fotografia. Haverá coincidências?
Agora, se quiserem saber mais, vão ler aqui

À noite digo-vos por música

Hoje, esta canção não me saiu da cabeça. Mas não devo ter sido o único, pois não, Valérie?

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Chamem os bois pelos nomes

A reforma aos 67 anos deve ser uma das medidas a ser anunciada  pelo governo em 2013, seguindo as orientações da OCDE. Há, no entanto, quem admita que a idade da reforma pode ser progressivamente adiada até aos 80 anos!
Se eu tivesse menos de 45 anos e um emprego, começaria a interrogar-me se os descontos para  a segurança social servem para assegurar a reforma, ou são apenas mais um imposto encapotado.

Tenham medo...muito medo!




A sigla DGS sempre me provocou urticária. Não se poderia ter criado um nome para uma Direcção Geral de Saúde que não invocasse constantemente a PIDE reciclada por Marcelo Caetano?
Quando se descobriu que o ex-espião Silva Carvalho é afinal um PIDE em liberdade, usufruindo dos favores da democracia que lhe concedem relações privilegiadas com o ministro Relvas, comecei a desconfiar que o monstro começava a tomar forma.
Agora, a defesa da intrusão da DGS nos lares, a pretexto de avaliar riscos de acidente, tirou-me todas as dúvidas: eles estão de volta!
Parafraseando Rob Riemen no ensaio “ O Eterno Retorno do Fascismo”, lembro que ninguém dá importância a um rato morto. Três ratos mortos são coincidência e  quem alertar para a possibilidade de uma praga quando o número de ratos mortos nas ruas da cidade aumenta, sofre de paranóia.  
Finalmente, quando um número espantoso de doentes ( são entre  quatro e sete mil os nomes de pessoas que constam dos ficheiros de Silva Carvalho)  apresenta inchaços, erupções cutâneas e delírios, acabando por morrer,  os médicos  sabem que a Peste está de regresso, mas escondem a notícia da população.
Sim, tenho medo. Muito medo… Eles andam aí, vestindo  a pele de democratas.  Poucos ainda se aperceberam que são fascistas na forma de pensar e agir. Quando acordarmos, vai ser tarde. É que eles estão disseminados por quase toda a Europa e já chegaram ao poder!

Ménage à trois



No processo legislativo francês são habituais as triangulações na segunda volta, para assegurar a vitória de um determinado candidato. A equipa de futebol  de sonho dos bleus, que venceu o Mundial 98 e o Europeu de 2000, também era mestre na arte das triangulações.  Sempre inovadores, os franceses criaram agora uma triangulação amorosa que extravasou da cama para o palco da política. 
Quem haveria de dizer que aquele francês  com nome de Países Baixos e ar ingénuo  haveria de ser o responsável pela criação deste ménage à trois  político –sexual que anda a fazer furor nas redes sociais e na imprensa?
É óbvio que neste caso a dupla feminina não funciona na perfeição, porque Valérie é possessiva e ciumenta e Ségolène ambiciosa. Vai daí,  Hollande está em dificuldades. Já tenho lido e ouvido diversos comentários sobre o comportamento de Valérie, condenando-a pelo facto de não ter respeitado as decisões de Hollande.  
Consideraria esta acusação cabotina, não se desse o caso de Valérie ter aceitado as mordomias de um gabinete de primeira dama,  facto que a liga institucionalmente à presidência. A partir desse momento tem obrigação de acatar as decisões do presidente, como qualquer funcionário de gabinete. Ou então, demite-se…
Mas neste caso passional que agita a vida política francesa com algumas pitadas de humor Ségolène Royal  não deixou os seus créditos por mãos alheias e entrou na peixeirada, proclamando ser ela a mãe dos quatro filhos de Hollande. Por isso, também reclama direito a outras mordomias, na qualidade de procriadora do grupo.
Por cá também temos um ménage à trois político, mas com diferenças substanciais. O triângulo é constituído por três homens, sendo Seguro o elemento passivo e Coelho o fornicador de serviço. Não se percebeu ainda bem, é o papel de Portas…

Exame de Matemática



Os portugueses são fraquinhos a Matemática mas, quando se trata de futebol, é ver toda a gente a  a fazer contas de máquina calculadora em punho.
Já se sabia que, qualquer que fosse o resultado do jogo com a Dinamarca, jornalistas e  comentadores desportivos iriam começar a fazer contas sobre as possibilidades ( ainda que quiméricas no caso de derrota) de Portugal passar aos quartos de final.
Com a vitória sobre a Dinamarca, as contas complicam-se. Não nos basta ganhar à Holanda...é preciso que a Alemanha não perca com a Dinamarca. Caso contrário, mesmo que ganhemos por 10-0 à Holanda poderemos ser eliminados. Tudo depende da dimensão da vitória dinamarquesa. No entanto, até podemos perder com a Holanda e ser apurados, se a Alemanha ganhar à Dinamarca e não levarmos uma cabazada dos laranjunhas. Confusos? Ora então leiam lá isto
Até domingo, ao final do dia, vai ser um fartote de contas e palpites. Vamos lá ver se passamos no exame...

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Aqueles foram dias felizes...



Levantar, tomar o pequeno almoço e fazer uma caminhada ( ou passeio de bicicleta)  de três horas. Banho na piscina. Almoço. Leitura até às 18 e 30  e depois entregar o corpo ao SPA. Hidro massagens, duche escocês, massagens relaxantes.  Refeição ligeira, caminhada de 30 a 45 minutos, pausa na esplanada do hotel e depois escrita. Antes de adormecer, sublimar a vontade de ligar a televisão para ver as notícias, com  mais uns minutos de leitura. Não senti falta da Internet, apenas dos blogs.
Mais queijo, menos queijo, e sem incluir nesta ementa dois javalis que apareceram na piscina para nos cumprimentar, foi  com esta dieta diária que me preparei em Monfortinho, durante cinco dias, para enfrentar a Rio+20. Estou recomposto, creio ter adquirido as reservas físicas, mentais e anímicas necessárias.  Desta vez o palco não será o Parque Flamengo, como em 1992, mas sim o Parque dos Atletas mas, como em 1992, Copacabana estará cheia de militares a patrulhar as ruas.Há que estar preparado…

Um mundo melhor é possível



Começa hoje a Cimeira Rio+ 20. Não são esperados grandes avanços em matéria de política ambiental, num mundo submisso ao poder dos mercados. De qualquer modo, é sempre bom lembrar que foi precisamente há 20 anos que na mesma  cidade do Rio de Janeiro foi assinada a Agenda 21 e se deu um passo decisivo para um mundo mais sustentável.
Uma boa parte do mundo nunca acreditou na  aplicação da Agenda 21, mas  o mundo seria hoje muito diferente e  ainda mais perigoso se aquele acordo não tivesse sido alcançado. Tenhamos por isso esperança. Até dia 24 ainda podemos ter algumas surpresas e eu aqui estarei para vos trazer (boas?) notícias.